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quinta-feira, maio 29

Cicuta doce

Vieste servir-me cicuta doce na hora do adeus
fiquei com um copo de cristal na mão,
mas não, não a traguei
olhei-a distante e pensei
vou servir-ta de volta
gota a gota, tempo infinito,
até que sintas como é amargo
não ter um lugar qualquer
até que com essa dor aprendas a viver

Quem sabe um dia a brisa do mar me venhas trazer,
num outro instante de Alento, de Eterno
mas sem veneno no paladar
sem medo da morte, sem vergonha do vento.





A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada

esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos

espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo


Al Berto, O Medo
Lisboa, Assírio & Alvim, 1997

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