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quarta-feira, maio 7

Sei-te numa superfície lunar



Sei-te numa superfície quase lunar;
num lugar em que a noite e o dia se confudem
como se não houvesse escuridão nem a luz do Sol ...
sei-te ausente numa geografia de solidão

Mas sonhei que nesse lugar havia meteoros
Sinais do céu, de outros tempos,
Sinais do Passado e do Futuro
que ainda quero escutar.

Todos os dias sei onde estás tu, afinal
Com a liguagem de "papiamento", como no conto de Garcia Marquéz, Cem Anos de Solidão
Há momentos, contudo, em que a tua nave poisa em qualquer outro lugar!
E aí os sinais esbatem-se para além do que se pode entender, tal eclipse da Lua ..., tempestades de areia ou de neve branca a cercear, a calar.
Fica o silêncio para além da escuridão.

Mas sei que voltarás a dar sinais. Porque tens ainda algo para me contar.
Que não se pode adiar!
E um dia terás que me surpreender, sendo capaz de proferir as palavras que só com o olhar nos olhos se podem dizer.
Pois delas não se pode eternamente fugir.
E não podem ser os outros a dizer por nós!

Porque Maio é o mês em que a Liberdade começou a germinar.
E com ela a capacidade de sermos mais nós, seja o destino o que tiver que ser.
Só há que o saber escolher.

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