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segunda-feira, setembro 26

A Cinco Tons: Cidades Vivas, Cidades Mortas

A Cinco Tons: Cidades Vivas, Cidades Mortas: " Parti eu, em trabalhos anteriores, do princípio de que os vestígios do "Passado Remoto" em meio urbano poderiam contribuir para uma melho...

quinta-feira, julho 7

quinta-feira, junho 2

E voaram papagaios nos Céus de Angola!

 
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Sei que dormirei finalmente,

um sono de pedra, branca e aparelhada

será o sono devido a quem já sentiu horas a correr loucas e perdidas

embalando coisas que jamais viu, sofrendo dores de quem perdeu

ou lembrando amores num desvario

sei que dormirei um sono livre

tão profundo que dele não me lembrarei

mas sei, tão bem como o sangue que lateja,

que nada perdemos, tudo ganhamos, mesmo nas noites de insónia

pois só perde quem deixa de acreditar

Pudesse eu gritar, antes de dormir, alto

tão alto que se ouvisse no Atlântico Sul

que o meu sono é abençoado pelos dias como hoje

onde o voar foi tão grande como o nosso sonhar.

Sei como nunca que o tempo e o espaço não existe

quando o Mundo é tão pequeno para o nosso querer!

Ao Grupo Angola em Portugal; Portugal em Angola, a todos os aderentes, a todos os Administradores, aos meus amigos de menina, aos mais recentes, aos colegas, aos que já ensinei e aos com quem tanto tenho aprendido, o meu OBRIGADA, pois sei que me deram hoje a paz para dormir!

segunda-feira, abril 18

Miróbriga, a propósito do Dia dos Monumentos e Sítios


A propósito do Dia dos Monumentos e Sítios conheceu-se um pouco mais o sistema de condução da água, os seus reservatórios e poços.



Visite: http://www.portugalromano.com/






sexta-feira, março 18

Angola Sabores da Terra

Água, Ar e Terra

 


Deixemos hoje o Fogo sossegar ...
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A água e a Terra deram-se as mãos

 


Numa nasceu a vida; noutra a vida continuou ...
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lembre-se de plantar uma árvore
e de poupar a água que a faz crescer!

quarta-feira, fevereiro 23

A Mulher e a Imigração em Portugal: tópicos para uma reflexão



Uma vez que pouco tempo tenho tido disponível para actualizar este blogue, pois outras tarefas tenho que levar a cabo que se relacionam com a tentativa de construir uma enorme ponte virtual entre Angola e Portugal, os dois países a que pertenço, não posso, contudo, de deixar e assinar a proximidade do «Dia da Mulher» para lembrar questões que é urgente tentar resolver, designadamente o das mulheres e homens imigrantes.
Assim, aqui vos deixo um texto de reflexão sobre a imigração em Portugal produzido para o Grupo «Angola em Portugal; Portugal em Angola» do Facebook.

Pese as tentativas de regrar a imigração no que respeita à legalização da figura do imigrante, é notória a tendência, no interior da União Europeia, para um “cerrar fileiras” contra a Imigração, que se manifesta num maior controlo das fronteiras e na perseguição dos/as imigrantes indocumentados/as, que se foram tornando, aliás, palavras de ordem das políticas migratórias na EU, como bem o demonstram a «Directiva das Expulsões e o Pacto Sarkozy».

É sabido que, em tempos de crise, o/a imigrante se torna como que um bode expiatório, utilizado tantas vezes para justificar a depressão económica e as más políticas sociais.

A realidade é que se continua a verificar a migração clandestina e o tráfico humano, com grande impacto no mundo feminino, onde as mulheres são ainda tantas vezes uma mercadoria sexual, bem como se sente de forma notória na mão-de-obra mais desqualificada e mais sujeita a ser desprovida de direitos essenciais.

Um dos fenómenos que urge combater também é a “guetização” de que têm sido alvo os/as migrantes e seus filhos/as, sendo claro em Portugal, como aliás na maioria das grandes cidades europeias, que a concentração de emigrantes se faz sentir em muitas das periferias das grandes cidades.

Também é sabido que as mulheres são as que mais sofrem com abusos laborais (menores salários, maior precariedade e mais desemprego), sendo o trabalho doméstico um dos sectores com maior presença de trabalhadores imigrantes do sexo feminino, situação comum em toda a Comunidade Europeia a que Portugal não sai da regra, pois uma grande parte das imigrantes desempenha a sua profissão neste sector de actividade, segundo dados da “Associação para a Defesa dos Direitos dos Imigrantes”.

Cabo Verde, Brasil e Guiné-Bissau são os países de procedência da maioria delas, sendo também significativo o número de trabalhadoras domésticas originárias da Ucrânia e de Angola.

“As trabalhadoras imigrantes, nomeadamente quando lhes é negada a possibilidade de regularizarem a sua situação documental, sofrem também mais violações de direitos do que as nacionais. E, se no elo mais fraco da cadeia encontramos às mulheres trabalhadoras imigrantes, aquelas que se dedicam ao serviço doméstico apresentam ainda uma situação de maior vulnerabilidade”.

“A especificidade deste tipo de relação laboral, que se desenvolve dentro do âmbito privado, favorece ainda mais a já de por si frequente exploração laboral da que costumam ser alvo as imigrantes. Muitas destas mulheres trabalham na economia informal, sem contratos, ao serviço de patroas/ões que não efectuam as contribuições à Segurança Social e, portanto, sem protecção perante situações de desemprego, doença ou reforma” (http://www.solimigrante.org/).

Em Portugal, no âmbito do trabalho que começou a ser desenvolvido, em 2006, pela “Solidariedade Imigrante”, o Grupo de Mulheres da Associação estabeleceu, a partir de 2008, importantes parcerias com outras entidades envolvidas na luta pelos direitos das mulheres, convergindo num trabalho de mobilização das imigrantes com a organização feminista UMAR e a Coordenadora Portuguesa da Marcha Mundial das Mulheres, “movimento global de luta pela eliminação da pobreza e a violência contra as mulheres, que denuncia o patriarcado e o capitalismo como sistemas opressores da humanidade e que promove a construção de um outro mundo, baseado nos princípios de igualdade, liberdade, solidariedade, justiça e paz”, considerando que se deveriam estreitar mais laços de organizações com responsabilidade nos Direitos do Trabalho, com particular ênfase nos Direitos à Igualdade de Acesso ao trabalho, à legalização e às condições em que se exerce esse mesmo trabalho, tanto mais que considero que uma organização como a nossa que defende princípios que defende não deve ou não pode ignorar uma situação que, a muitos níveis, é desumana e onde a tolerância parece ser uma palavra ainda sem sentido real.

Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres reafirmava a sua “utopia na construção de um mundo melhor baseado na paz, na justiça, na igualdade, na liberdade e solidariedade”. tendo promovido toda a gente a participar, a debater e a exigir o bem comum e os serviços públicos como direito básico e fundamental, o fim da violência contra as mulheres, a autonomia económica das mulheres e a paz e a desmilitarização. «Não queremos nem guerra que nos mate, nem paz que nos oprima. Até que todas sejamos livres».

Em Portugal, a programação da Marcha Mundial das Mulheres foi uma acção colectiva de várias organizações e pessoas, e incluiu acções de rua, marchas, oficinas, ciclos de cinema, debates, construções colectivas, palestras, partilha de testemunhos, um pouco por todo o país. (http://acidadedasmulheres.blogspot.com/2010/03/marcha-mundial-das-mulheres-2010.html

Para consulta do Relatório da OCDE / dados de 2008:

http://www.oecd.org/dataoecd/30/47/41275889.pdf

Para consulta de dados estatísticos da Imigração em Portugal promovido pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural / dados de 2009:


http://www.oi.acidi.gov.pt/docs/pdf/Estatisticas2009.pdf


website do ACIDI:

http://www.oi.acidi.gov.pt/modules.php?name=News&new_topic=6

terça-feira, fevereiro 22

Nas Casa do Alentejo, até ao próximo Domingo ...









Desde Domingo passado, na Casa do Alentejo, pode ver expostas as fotografias seleccionadas para uma mostra dos aderentes e colaboradores do Grupo «Alentejanos no Facebook».

A exposição fotográfica contou com a colaboração da Casa do Alentejo, do Município de Évora, do Turismo do Alentejo, das «Cantadeiras da Alma Alentejana»; do Programa «Vamos ao Alentejo» e da Rádio Alma Lusa.

Os elementos do júri foram Daniel Casado; Domingos Xarepe e Umbelina Fresco.

Ao Alentejo e ao Alento que, não sendo a minha terra natal, um dia me adoptou e me deu uma filha, fica, também um pouco através desta mostra, a minha Paixão.

sexta-feira, fevereiro 18

O Culto Mitraico e sua representação em Portugal


A propósito do Solstício de Inverno e sua comemoração, aqui deixo uma achega sobre o Mitra cujo nascimento era celebrado, tal como o Menino Jesus, a 25 de Dezembro, sendo fortíssima a sua conotação com o Sol.
O Sol, sendo a maior luz do céu visível aos Humanos, é para muitos povos um dos símbolos mais importantes, sendo até venerado como um Deus ou encarado como manifestação da divindade entre muitos.
Ao contrário da Lua, o Sol que tem luz própria, é afinal a própria essência da Luz, e é quase sempre interpretado como símbolo masculino e por isso associado ao princípio Yang.
Ou seja, representa em muitos culturas, se bem que nem em todas, o princípio activo, enquanto a Lua é um princípio passivo.
Ao Sol associa-se a noção de calor e de Vida, pois sem ele nada sobrevive.
Na Alquimia ele corresponde ao Ouro, encarnando a ideia do espírito imutável.
Sendo muitas bem vezes invocado como "olho omnipresente do Sol", como acontece no «Prometeu Agrilhoado», de Ésquilo, divindade que é castigada por roubar o Fogo do Olimpo e dá-lo aos Homens, ou "Olho do Deus Supremo", como acontece entre os Bosquímanos, assume no culto mitraico um papel fundamental, tendo mesmo caracteristicas iniciáticas.
Na Antiga Roma, com o principado de Augusto, assiste-se, por um lado, a um retorno dos valores antigos da religião romana, assumindo-se o império como um período de "Restauração" dos valores religiosos ancestrais e, por outro, à oficialização de alguns cultos orientais, que vão ter particular adesão, quer pelos orientais com domicílio no Ocidente, quer pelos cidadãos e legionários romanos, como se verifica com o culto desse deus da Luz de origem persa, Mitra.
Mitra, ou Mithras, cujo nome significa em Sânscrito «Amigo»; em Persa quer dizer «Contrato». Trata-Se de um Deus luminoso que incita os homens a seguirem o Seu caminho no combate pela Luz contra as Trevas. Mitra tem naturalmente um forte carácter solar, porque a sua Luz é a síntese da Luz do Sol e da Lua, e o Seu o Domingo é o dia dedicado ao seu culto.(no Latim pagão, domingo é «Dies Solis», ou «Dia do Sol»).

Ao que se sabe, o culto mitraico parece ter chegado ao Ocidente no decorrer do século II d.C., através das legiões romanas, tendo grande impacto em Roma e data dessa centúria a construção de inúmeros santuários, ou Mithraea.
A primeira referência escrita ao culto mitraico é de Plutarco, datável do século I a.C., referido que os piratas cilícios praticaram os mistérios mitraicos até 67 a.C. Daqui, esta religião e culto chegou aos países do Danúbio e a Itália. Os principais adeptos de Mitra eram soldados, como acima dizíamos, funcionários administrativos e comerciantes.
No Ocidente, o seu culto acabou por confundir-se com o do Sol Invictus, ou Sol Invencível, pois verifica-se, em finais do século III, o sincretismo entre a religião de Mitra e outros cultos solares de procedência oriental. É em finais dessa centúria, em 274, ao reinado de Aureliano, que atribuiu a Sol Invictus as suas vitórias no Oriente, que esta religião se torna oficial, tendo o imperador mandado edificar em Roma um templo dedicado ao deus e foram incumbidos sacerdotes de lhes prestar culto.
O máximo dirigente deste era o pontifex solis invicti.
O mitraismo manteve-se como culto não oficial, havendo quem professasse, ao mesmo tempo, o mitraísmo e a religião do Sol Invictus.

Com a chegada dos invasores romanos à Península Ibérica, e particularmente dos exércitos, originou-se um novo surto desses cultos orientalizantes, apesar da sua penetração no Ocidente ser de período muito anterior ao romano.
Quer na cidade romana de Tróia, Grândola, quer em Beja está comprovado o Culto Mitraico, que se expandiu na Hispânia a partir de finais do século II – inícios do século III d. C., a par de outros cultos orientais, tais como de Serápis, Ísis, Cibele-Magna Mater .
O Sol ou Ormuzd, para os Persas, enquanto fonte de Luz, representava a Vida, a Saúde e a Fertilidade da terra enquanto criadora de todas as coisas necessárias à sobrevivência do Homem; à Lua ou Arimânio, atribuíam-lhe forças maléficas; as trevas e a esterilidade da Terra.
Mitra surge assim como um terceiro elemento, como uma espécie de divindade mediadora entre duas forças antagónicas, viabilizando o nascer de um novo dia, ou seja, não permitindo que a Lua ocultasse o Sol.
Mais do que o Sol, Mitra representa a Luz Celestial, ou a essência da Luz, que desponta antes do Astro-Rei raiar e que ainda ilumina depois dele se pôr e, porque dissipa as trevas, é também o deus da Integridade, da Verdade e da Fertilidade, motivo pelo que também surge associado à força genésica do Touro, o Touro primordial que Mitra é incumbido de matar, como de seguida falaremos.
Segundo as lendas de origem persa, Mitra terá recebido uma ordem do deus-Sol, seu pai, através de um seu mensageiro, na figura de um corvo. Deveria matar um touro branco no interior de uma caverna.
O ritual de iniciação nos mistérios de Mitra era o Taurobólio, porque exigia o sacrifício do touro que foi, aliás, uma constante no mundo mediterrânico oriental e greco-latino, onde esse sacrifício assume um carácter fundacional, pois culto deste animal assenta a sua sacralidade no seu vigor e violência cósmica, e num poder fecundante.
É a morte ritual do touro sacrificial que dá origem à vida com o seu sangue, à fertilidade, à dádiva das sementes que, recolhidas e purificadas pela Lua, dão origem aos “frutos” e das espécies animais, pois a sua carne é comida e o seu sangue é bebido.
A maior parte dos santuários dedicados a Mitra eram em câmaras subterrâneas, como bancadas lado a lado, e algumas vezes mesmo em grutas artificiais.
Os candidatos à iniciação dos mistérios mitraicos, praticados quer na Pérsia, quer em Roma, tinham vários graus de iniciação, passando por provas severas e o iniciado, antes de fazer o seu voto sagrado, sacramentum, prometia não trair o que lhe havia sido revelado. Depois, o iniciado subia os sete degraus, recebendo em cada um deles um nome diferente.
O banquete ritual da morte do touro, o taurobolium, sempre em companhia do Sol, viabiliza ainda aos adeptos do culto mitraico o “nascimento para uma nova vida” ou "Renascimento" que o Cristianismo, que baniu a ideia de sacrifício iniciático, transformou na água do baptismo e através da Eucaristia em pão e vinho, substituindo o sangue e a carne do touro divino.
«Sacrificando o touro, um acto eternizado em frescos e pinturas, o sangue, que jorra do pescoço do touro, corre pelos campos fertilizando-os e deles fazendo brotar toda a força e riqueza da Mãe Natureza, a quem Mitra se encontra intimamente ligado. Nestas representações, aparecem, junto a Mitra e ao touro, um cão e uma serpente, um corvo e um escorpião. Às vezes, aparecem também um leão e uma taça. Cada um destes elementos tem uma constelação como hipóstase: Cão, Hidra, Corvo, Escorpião, Leão, Cratera e Touro. Explicando o significado simbólico desta cena, estaríamos a assistir ao fim da Era do Touro, ao final desta constelação a marcar o equinócio da Primavera. Matando o Touro, Mitra está mexendo no Universo inteiro, acto só ao alcance de um deus» William Carvalho, 2009, «Ascensão e queda do deus Mitra».

http://wwww.freemasons-freemasonry.com/19carvalho.html

O deus solar Mitra parece ter nascido numa gruta que simboliza o firmamento e, a sua abóbada, o céu de onde sairá a Luz para a Terra. Por isso mesmo os rituais de iniciação mitraicos também podiam ser praticados em gruta ou cavernas naturais, como acima referimos. Mais tarde, optou-se por construções escuras e sem janelas que imitavam as cavernas naturais. Os templos tinham uma capacidade limitada e, na maior parte deles não podiam caber mais do que trinta ou quarenta pessoas.

Geralmente Mitra, que se faz sempre acompanhar do Sol, tem ainda um corvo à sua esquerda – que curiosamente é também o totem do deus solar de origem celta Lug, - e no ângulo esquerdo tem a figura do Sol e, à direita, da Lua, afinal a raiz da Lusitânia, ou terra da Luz.

No território português são conhecidas referências ao culto mitraico: na cidade romana de Tróia, Setúbal, o aparecimento de um relevo com representação de Mitra fez concluir que ali pudesse ter havido um mithraeum que, no fundo, não é mais do que uma representação esotérica do Universo, em Beja e ainda através da existência de sepulturas escavadas na rocha a que atribuem alguns autores a função de «taurobólios mitraicos, utilizados antes e depois do século IV, onde os iniciados eram aspergidos com o sangue do touro. «Sepulturas» será a designação por força da falta de outra palavra e pela força do processo de cristianização que, não podendo apagar, apropria-se», António Maria Romeiro Carvalho, in O Culto de Mitra e as Sepulturas Escavadas na Rocha.

Em Tróia, pelas descrições existentes, o políptico esculpido que tem sido interpretado como uma representação relacionada com o culto mitraico, em que se vê os deuses sol/Mitra, parece ter aparecido no interior da Basílica Paleocristã.

Esse relevo mitraico proveniente de Tróia, ao que se sabe, encontrado em 1925, cujo molde se encontra no Museu Nacional de Arqueologia, pois o original está na posse de um particular, é "uma das mais significativas peças do seu género conhecidas no mundo romano e, sem dúvida, o mais importante testemunho do culto de Mitras até agora conhecido em Portugal" (segundo José Cardim Ribeiro, ficha da exposição nº 155 da exposição «Religiões da Lusitânia», editada no catálogo com o mesmo nome, em 2002, pelo Museu Nacional de Arqueologia).
Este relevo pertenceria a um tríptico do qual apenas se conhece parte.
Assim àcerca do sacrifício do touro ou tauroctonia apenas podemos observar um busto com um crescente lunar e, ao centro, o génio que simboliza o Sol poente.

No painel da direita reconhece-se Mitra e Hélios reclinados, cena essa representando o banquete de homenagem ao pacto efectuado, após lutas rivais, entre estas duas divindades, em venceu o deus invictus.
Ainda segundo Cardim Ribeiro, na obra acima citada, «será legítimo supor, como hipótese (...) que no plano inferior do painel da esquerda, que falta por completo, estaria figurado um leão, simbolizando o fogo, e talvez ainda os quatro ventos, relativos ao elemento ar» (pp: 479:480).
No revevo está representada a serpente enrolada em volta da cratera que simboliza, por seu lado, os Elementos Água e Terra, pois Mitra associa-se aos quatro Elementos, motivo pelo que, os quatro ventos também poderiam estar figurados.

Cito ainda José Cardim Ribeiro a propósito dessa divindade: «Por certo que nem todos os vestígios do culto de Mithras pressupõem a vigência, à época e naquele preciso local, de complexos sistemas de pensamento de cariz filosófico-cosmogónico consciencializados e praticados pelos respectivos devotos, mas apenas, maioritariamente, dos fundamentos, símbolos, graus iniciáticos e ritos essenciais do mitraísmo. Os poucos testemunhos desta religião na Hispânia romana, aliás todos concentrados numa assaz estreita franja temporal máxima de século e meio, entre meados do s. II e finais (?)do s. III d.C., revelam ainda assim a grande diversificação social — e, certamente também, de pensamento e de educação — dos respectivos cultores (...). Nesta mesma ordem de ideias, e no que se refere pois à situação verificada na Península Ibérica, Francisco (Francisco 1989: M. A. de Francisco, El Culto de Mithra en Hispania, Granada,1989. Fresina 1991:1989, 72), afirma peremptoriamente que “os sodalicia não conheceram barreiras sociais no recrutamento dos fiéis nem na eleição de sacerdotes” e “não exigiram uma preparação filosófica prévia ou de qualquer outro tipo intelectual”. Por certo, o recinto de culto mitraico cujos restos arquitectónicos foram recentemente descobertos na zona Sul de Mérida (T. Barrientos, “Nuevos datos para el estudio de las religiones orientales en Occidente: un espacio de culto mitraico en la zona Sur de Mérida”, Mérida. Excavaciones Arqueológicas 5, Mérida 2001, 357-381) terão pertencido a uma das referidas comunidades indiferenciadas e vulgares, como a maioria das que terão existido não só na Hispânia mas, também, nas demais Províncias Ocidentais. Porém, a estatuária e a epigrafia proveniente de um outro espaço mitraico emeritense, aquele que em 155 d.C. se constituiu e organizou em torno de Marcus Valerius Secundus, frumentarius legionis VII Gemina, e do pater patrum Gaius Accius Hedychrus, evidenciam uma realidade muito diferente, a todos os títulos verdadeiramente excepcional — quer a nível peninsular, quer mesmo a nível do próprio Império. Além das imagens de claro cunho mazdeísta — muito embora, por vezes, de rara complexidade e difícil interpretação (M. Bendala, “Reflexiones sobre la iconografía mitraica de
Mérida”, in: Homenage a Saenz de Buruaga, Madrid 1982, 99-109) —, o programa iconográfico-simbólico deste acervo, todo ele aliás executado com uma notável qualidade artística, incluía numerosas estátuas de outro tipo, figurando deuses como Hermes, Serapis, Vénus, Isis (?), Esculápio (?) e uma divindade masculina de cariz aquático (...). Estamos pois aqui, sem quaisquer dúvidas, perante testemunhos que à evidência nos indicam um grupo de iniciados, decerto pequeno, mas de formação filosófica e intelectual superiores, de amplos horizontes e predisposição sincrética relativamente a escolas e tradições culturais — e cultuais — diversificadas (cf. Turcan 2000, 113). Neste conjunto, a representação de Phanes-Mithras remete-nos claramente para concepções órficas (
Cambell 1968: L. A. Cambell, Mithraic Iconography and Ideology, Leiden, 1968. pp: 272-275)
; M. Bendala, “Las religiones mistéricas en la España Romana”,
in: La Religión Romana en Hispania, Madrid 1981: 283-299 e M. Bendala, “Reflexiones sobre la iconografía mitraica de Mérida”, in: Homenage a Saenz de Buruaga, Madrid 1982, 99-109; D. Ulansey, The Origins of the Mithraic Mysteries. Cosmology and Salvation in Ancient World, New York-Oxford 1991, 116-124). E, retomando a afirmação de Turcan em epígrafe a este capítulo, recordemos também a monstruosa estátua leontocéfala que evoca Aión-Chronos-Saturno, o Tempo que tudo devora e destrói — como o fogo dos estóicos (R. Turcan, Mithra et le Mithriacisme, Paris 20002: 95 e 99-100)». (citação a partir de José Cardim Ribeiro, "Terão certos Teónimos Palehispânicos sido Alvo de Interpretaçãoes (Pseudo-)Etimológicas durante a Romanidade passíveis de se reflectirem nos respectivos Cultos?", in Acta Palaeohispanica X Palaeohispanica 9 (2009), pp. 247-270
I.S.S.N.: 1578-5386 ActPal X = PalHisp 9 247

http://ifc.dpz.es/recursos/publicaciones/29/54/20cardim.pdf

Também proveniente de Tróia é o friso de sarcófago em mármore cuja qualidade parece indiciar uma produção itálica, datado de Época Romana, do século IV d.C., com claras alusões ao banquete mitraico.





Segundo José Luís de Matos, na ficha do Catálogo de Escultura Romana do Museu Nacional de Arqueologia, trata-se de um baixo-relevo «pertencente à platibanda de um sarcófago dividido a meio por cartela anepígrafa e terminando nas extremidades por duas cabeças toucadas de barrete frígio. Esta peça foi encontrada partida, tendo-se recuperado até agora dez fragmentos que permitiram, apesar das extensas lacunas, reconstituir o essencial das cenas representadas. O baixo-relevo mostra dois painéis distintos de um lado e outro da cartela. No painel da esquerda, uma figura imberbe com a cabeça coberta de capuz ("cucullus") empunha um bastão, sob um crescente lunar, olhando para baixo na direcção de dois quadrúpedes de quadris e cauda levantados que mergulham o respectivo tronco. Uma cabeça de homem barbado volta-se para a primeira figura tendo de permeio uma árvore estilizada. Um outro personagem senta-se nas traseiras de uma carroça. A viatura é conduzida por um cocheiro, imberbe, vestido de túnica curta, capa e capuz ("paenula"), de costas voltadas para o passageiro inclina-se para a frente, e de vara alçada na mão direita procura aparentemente dominar dois bois de cabeça erguida atrelados à carroça. Perante os bois e preso à larga rede fixada à árvore que ocupa o canto do painel está um quadrúpede esticando o pescoço para a frente e para baixo forcejando talvez libertar-se. O painel da direita mostra uma cena de um banquete em que três personagens se encostam a uma mesa semicircular, sobre a qual foram postos três pães marcados na côdea com uma cruz e, sobre um prato, a cabeça de um javali (...) Os três convivas vestem túnica presa ao ombro esquerdo que desnuda parte do tronco e o ombro direito ("tunica exomita") e apresentam o cabelo encaracolado. O personagem central, barbado, adopta uma postura solene de tronco erecto e mão descansando sobre o leito redondo em que ele e os seus companheiros se reclinam ("pulvinum"), o da esquerda, imberbe, está reclinado parcialmente sobre o leito, tendo à sua frente um festão de verdura e indicando com a mão direita estendida os alimentos enquanto segura com a esquerda um vaso de libação ("riton") (...) O conviva colocado à direita do observador aperta na mão esquerda o bocal de um odre de vinho.
O painel da esquerda mostra dois temas diferentes: o da caça nocturna com o caçador, sob a Lua, levantando o bastão e parecendo conduzir dois cães que abocanham a caça, a que se junta a representação de um quadrúpede, pantera ou lobo, preso na rede, e o tema da viagem, com um passageiro e o cocheiro sentados em carro de bois. O tema do painel da direita é o de um banquete em ambiente de festa assinalado pelo festão de verdura e pelos gestos animados dos convivas, cena aparentemente localizada numa sala de jantar ("triclinium") tendo ao fundo a colunata e o telhado do peristilo da casa senhorial que os albergava. Estes três temas, a viagem, a caça e o banquete reproduzem cenas de um quotidiano com um viandante cansado repousando e restabelecendo forças ("refrigerium") no banquete onde a caça é servida à mesa. Em contexto funerário significam o repouso após a viagem para o além, e também a vitória sobre os males da vida simbolizados pelas feras que são domadas, senão o convívio com os deuses numa refeição de conotações prováveis com o banquete mitraico reunindo Mitra e Hélios, ou mesmo com a refeição cristã ("agapé"), já que a iconografia paleocristã reproduz inicialmente os temas funerários usuais no mundo romano quase sem os modificar. As duas cabeças de jovens toucados de farta cabeleira e barrete frígio, de cunho acentuadamente helenístico e voltadas em direcções opostas, significam, em contexto funerário, o Sol e a Lua, e logo o dia e a noite, possuindo um significado cósmico relacionado com o limite e brevidade da vida humana ("tempus fugit").»


De referir que a ara proveniente de Pax Iulia, publicada, em 1984, por José d'Encarnação nas «Inscrições romanas do Conventus Pacensis» (IRCP 339)

[M(ithrae)?] Deo Invicto

sodaliciu(m) Braca

rorum studium sua in

pensa fecerunt cum

cratera. T(itulum?) dona

vit Messius [M(arci) L(ibertus)?] [Artem)ido

rus magister [C(oloniae)?] P(acis?] I(uliae)?)

A Mitra (?), Deus Invicto. O sodalício dos Brácaros fizeram [sic] a expensas suas, um edifício com uma cratera. Méssio Artemidoro, liberto deMarcos (?), magistrado da Colónia de Pax Iulia (?), doou a inscrição. no local de culto e de reunião dos membros do sodalício.


Trata-se, portanto, de uma placa que estaria no local de culto e de reunião dos membros do sodalício.«O sodalício seria, naturalmente, constituído por libertos vindos da região norte para em Pax Iulia negociarem, nomeadamente na exploração mineira (veja-se a proximidade com as minas de Vipasca)» José d'Encarnação in «Portugal Romano» no facebook.
Como refere José d'Encarnação, o campo epigráfico encontra-se muito desgastado, facto pelo que é difícil saber exactamente o que foi doado. E a reconstituição do M como sigla de Mitra deriva tão-somente de a expressão deus invictus se aplicar, de preferência, a Mitra.



É,pois, o «único texto de la península que menciona el orden interno del culto mithraico, un sodalicium (fraternidad), integrada por los habitantesde Bracara Augusta (Braga), seguramente residentes en Pax Iulia, de donde procede la inscripción». http://elcolomimissatger.blogspot.com/2010/01/meithras-en-las-hispanias.html

Proveniente de Mérida onde o culto mitraico está atestado de várias formas, pelo que dispensamos falar da célebre representação musivária, referimos, apenas a título de exemplo a estátua de Chrónus Mitraico que foi publicada no belíssimo catálogo da exposição de homenagem a José Leite de Vasconcellos, com o número XXVIII.
Trata-se de uma representação de um jovem imberbe que deveria ser alado e «figura simultaneamente Aión ou Chrónos, deificação do Tempo Infinito, e o próprio deus Mitras no momento imediato ao do seu nascimento; ou, por outras palavras, representa o deus solar Mitras como sicrética personificação do Tempo Infinito, cíclico mas imparável, conforme iconografia alegórica da serpente que o envolve e cuja cabeça - que ora falta - repousaria sobre a sua, e ainda de acordo com a máscara leonina que sobressai do peito, alusão múltipla ao cariz devorador de Chrónos, à invencibilidade e força do próprio Sol, do próprio Mitras, e ao ígneo holocausto cósmico do Fim dos Tempos». (José Cardim Ribeiro, Religiões da Lusitânia, 2002, p: 475)


Fotografia: Estátua de Chrónos mitraico proveniente de Mérida.

Termino este trabalho utilizando as palavras de José Leite de Vasconcellos: «O culto desta divindade da luz, protectora dos exércitos, e que patenteava às almas dos homens post mortem as regiões da glória eterna, propagou-se no orbe romano no tempo dos Flávios (séc. I), e desenvolveu-se no dos Antoninos e Severos (séc. I-II), mas talvez já contasse fiéis em Roma desde os fins da República, após as expedições de Pompeio ao Oriente. Para tornar solene tal culto, que a certos respeitos foi rival do Cristianismo, nada faltava: templos ou mithraea, alguns muito notáveis, edificados debaixo da terra, ou em desvios de montanhas; obras de arte; uma série hierárquica de iniciados (sacrati); clero activo; cerimónias secretas (mysteria); sacrifícios; libações: hinos; baptismo putificador; festas de sentido místico».
José Leite de Vasconcellos, 1913; pp: 334-335),

Ver ainda para este tema: http://www.altotejo.org/acafa/docsN2/O_Culto_de_Mitra_e_sepulturas_em_rocha.pdf
http://gladio.blogspot.com/2007/12/mitra-deus-ariano-da-luz-da-verdade-do.html



(Adaptado a partir do «Touro Esculpido de Miróbriga, Filomena Barata)

segunda-feira, fevereiro 14

Fernando Pessoa, Quadras Populares (reeditado)

Em vez de saia de chita
Tens uma saia melhor
De qualquer modo és bonita,
E o bonita é o pior

Teus brincos dançam se voltas
A cabeça a perguntar.
São como andorinhas soltas
Que inda não sabem voar.

Tens uma rosa na mão.
Não sei se é para me dar.
As rosas que tens na cara,
Essas sabes tu guardar.





Levas uma rosa ao peito
E tens um andar que é teu ...
Antes tivesses o jeito
De amar alguém, que sou eu.










Tens um livro que não lês,
Tens uma flor que desfolhas;
Tens um coração aos pés
E para ele não olhas.

(...)




Ainda propósito, diria eu, desta coisa que chama "Dia dos Namorados" em que quase se obrigam as pessoas a "namorar", aproveitando pacotes de mensagens pré-fabricadas, de músicas de ocasião ou fins de semana promissores, prefiro ir a contra-vapor e oferecer-te estas quadras de Fernando Pessoa.
Porque a poesia voa sempre e leva-nos a um lugar qualquer.
.....
ET: Reedito porque estou de acordo com o comentário da Inês aqui deixado há uns tempos atrás e julgo que devemos aproveitar este dia para o reler.

sexta-feira, fevereiro 4

[Setúbal na Rede] - O Forte e a Ilha do Pessegueiro

[Setúbal na Rede] - O Forte e a Ilha do Pessegueiro

O Litoral Alentejano .... (reed. do mês de Agosto 2009)

[Setúbal na Rede] - O Forte e a Ilha do Pessegueiro




















































http://mirobrigaeoalentejo.blogspot.com/

Caso possa sair de Lisboa neste fim de semana ou nas suas férias, recomendo que vá ao Alentejo Litoral e espreite o que em Tróia, Santiago do Cacém, Sines e a Ilha do Pessegueiro, Vila Nova de Milfontes há para ver.

Aproveite e faça também um regresso ao tempo dos Romanos.


E se tiver a sorte de ser guiado pelo arqueólogo Rui Fragoso (C.M. Santiago do Cacém) à Ilha do Pessegueiro, ainda melhor; ajudá-lo-á também a contactar o Senhor Matias, que o conduzirá a partir do cais de Porto Côvo e tão bem conhece os segredos do mar e daquele lugar: a fauna, a flora; o construído - cetárias romanas, dos séculos II a IV; o que resta do forte filipino e as pedreiras mandadas fazer por Alexandre Massai, sem se terem obtido, contudo, resultados proveitosos para a construção do referido forte ... tudo isso pode ver naquele mágico sítio.



Telemóvel Sr. Matias: 965535683

Imagens 5 a 12: Rui Fragoso

Pequenas imagens: a partir de Google.

Lily Allen

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Que as ragas tragam ao dia o que a noite lhe roubou

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Bom Domingo

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oiça a Buika ... oiça bem

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e oiça também a Lila Downs

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i want you, but i don´t need you ...

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