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sexta-feira, junho 29

Ainda a propósito de viajar ou de descansar: Uma Visita a Portugal, Hans Christian Andersen

Como já neste lugar uma vez me referiram, existe alguma similitude entre alguns blogues e os designados "Diários".
Aproveitando eu a ideia de viajar como pretexto, refiro que nada tenho contra dos diários de viajantes, porque qualquer "viagem", nem que seja a mais curta ou pequena, não é senão um recomeço, um processo de reaprender a vida.
Assim, deixo aqui o testemunho de " Uma Visita a Portugal" de H. C. Andersen que, referindo-se à Festa de S. Pedro dizia:

«Foi , pois, apenas em ocasisões festivas que vi grande número e pessoas na cidade (refere-se ainda H. C. Andersen a Setúbal), que eu nessa altura estavam nas igrejas; sobre estas (...)»

«Os únicos divertimentos ruidosos que encontrei foram a festa de Sto. António, como mencionei atrás, e uma corrida de touros que organizaram no dia de S.Pedro num anfiteatro (...).
Tudo o que uma tourada pode apresentar de bárbaro e sangento em Espanha é aqui, de certa forma, modificado para melhor. Com S.Pedro, desapareceram as suas piores características. Os chifres do touro são enfaixados para que os pobres cavalos não tenham que ser abatidos.
(...)
A orquestra tocava o Bolero espanhol: aparecia primeiro um homem jovem a cavalo, vestido de forma garrida, com o cabelo muito bem arranjado, e saudando em todas as direcções; deixaram entrar o touro; não demorou muito tempo a ter uma seta espetada no pescoço e no lombo. Dois homens novos, ali da terra, que tomavam parte nestas touradas, entraram e mostraram-se "bandarilleros" bem adestrados: eram homens atarentes, vestidos de veludo e dourado, com o cabelo bem penteado, como se fossem para um baile».
(...)
Neste género de touradas podem participar particulares; e dizem que D.Miguel foi desterrado só porque demonstrou aqui grande audácia, obtendo graças a isso o aplauso do povo em júbilo». (1)

Uma Visita a Portugal, Hans Christian Andersen

(1) Nunca tal ouvira dizer como justificação para o desterro do absolutista
D. Miguel, pese a conhecida feição de arruaceiro e amante do que se poderia designar como os hábitos mais machistas e conservadores que havia em Portugal ... mas, bom ... isso não é agora tido para este Luar.
E, por isso, tanto o amou o Povo, como aliás refere H. C. Andersen, mas na sua componente mais "populista", pela certa !!!!!!!















Imagem: Sé de Évora, Apóstolos no portal gótico
À direita, S. Pedro segura as chaves do céu.


Pescador no Mar da Galileia, por ter seguido o Salvador, foi chamado "Pescador de Homens".

O Senhor disse-lhe "Tu és Pedro e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja"´, tendo-lhe entregue as chaves do Céu.

terça-feira, junho 26

o Sítio da Mulher Morta, Manuel Teixeira Gomes





«O grande amor da minha vida, à semelhança de todas as paixões veementes e sinceras, não foi, não podia ser feliz, e dava para uma linda novela que só teria o defeito de a verdade aparecer inverosímel». O Sítio da Mulher Morta, Manuel Teixeira Gomes.




Voltarei sempre a esta escrita e a estes lugares!

segunda-feira, junho 25

Velharias : Noite próxima do Verão




















NOITE PRÓXIMA DO VERÃO


Se alguém te fizer crer que o Eterno existe
retira-lhe as palavras, pois delas estão os dias cheios
Cala-lhe a boca oca e vazia,
porque não imagina que a morte nos espreita a cada hora.
Esse ali, até já.
Se o Eterno existe é no silêncio com que se inventa o amanhã.
Nas noites em que se ama, mordendo sós as mãos
e, mesmo assim, se é capaz de sonhar.
Se alguém te fizer crer num Eterno pacífico e celestial, desconfia
pois até o Céu é uma construção
e, tal como o amanhã, só se projecta
se se é capaz de recriar o desejo
cada manhã.

terça-feira, junho 19

As "minhas mulheres" - Maria Duran Kremer


Maria Duran Kremer, contigo vou dar continuidade a uma pequena homenagem a mulheres minhas amigas e que muito prezo, alargando um trabalho que já havia iniciado sobre as Mulheres da minha vida.

A Maria Duran Kremer, minha colega e amiga de longa data, Doutorada em Arqueologia, foi condecorada com a “Verdienstkreuz am Bande” da “Verdienstorden der Bundesrepublik Deutschland - Cruz de Mérito da República Federal da Alemanha, a única condecoração oficial da Alemanha, tornando-a uma espécie de “Ritter” – knight (EN) (ou seja, se estivéssemos na Idade Média, tinha sido armada cavaleiro!!!! (Em Ingle: Federal Cross of Merit of the Federal Republic of Germany)

A condecoração foi-lhe dada em reconhecimento do um notável trabalho “voluntário” , durante mais de 35 anos, em defesa dos imigrantes: primeiro portugueses (o que lhe trouxe a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas em 1999).
Defendendo desde sempre a igualdade de tratamento e de oportunidades de todos os seres humanos, independentemente do género, da etnia, da religião ou do credo politico, rejeitando qualquer supremacia de uma Cultura sobre outra ou outras, lançou-se, em 1994, na política autárquica, presidindo desde então ao Conselho de Migração e Integração desta cidade (órgão eleito em eleições gerais, livres e democráticas, de cinco em cinco anos). Neste sector empenhou-se sempre pela participação e inclusão da população migrante na vida social de Trier, tendo lançado as bases para o “Plano Municipal de Integração”, desenvolvido depois em conjunto com outras instituições e que veio a ser aprovado pela Assembleia Municipal em Dezembro de 2011.
Desde 1999 faz parte da Assembleia Municipal e, desde 2009, é Regedor(a) de Trier Norte, o maior bairro da cidade, com mais de 13.000 habitantes.



Maria de Jesus em 16.01.2013, em Mainz, com Malu Dreyer - acabara de ser nomeada Ministra Presidente do Land Renania Palatinado, e Begoña Hermann, no momento em que esta acabara de ser nomeada Vice-Presidente da SGB Nord. Todas tres vindas de Trier. 
De destacar que a nova Ministro Presidente foi, durante muitos anos, ministra dos Assuntos Sociais, da Juventude, da Migraçao e dos direitos da Mulher. E fez imenso pela igualdade da Mulher, pela defesa dos seus direitos!



Para além disso, e a nível de Estado Federado, participa em muitas organizações, destacando: Conselho Consultivo da Mulher (a nível de Estado Federado), membro da direção da AGARP (organização de cúpula que reúne todos os Conselhos Consultivos de Migração e Integração do Estado da Renânia-Palatinado), Grupo de Trabalho contra o Extremismo de Direita.

Para ela, para a sua vida de trabalho e mulher de convicções e princípios, um abraço enorme e muitos parabéns.



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    • Filomena Barata Agradeço-lhe ainda toda a bondade de amiga em bons e maus momentos. Um enorme beijo para ti Maria Duran Kremer. Vou dar a conhecer a algumas outras mulheres, cujo trabalho também muito considero, designadamente na luta pelos direitos de género. E um até já, até sempre.

quarta-feira, junho 6

O prumo





Fotografia a partir de:

https://www.facebook.com/pages/Conservación-Arquitectónica-Stone-carving-Stonemasonry/135169443197199

Estela de Statorius Bathyllus, detalle. s.I d.C.
(Museo Civico Archeologico di Bologna, num. 19131)























«Pego numa simples pedrinha,

Uma pedra qualquer

Colhida ali mesmo da terra,

... E ato-a a um fio qualquer

Que enfio na boca do poço

E por entre os meus dedos

Deixo o fio incerto escorregar,

De um lado para outro oscilando …


Agita-se a água ao acordar

No choque inesperado e grita,

Do centro para fora ondulando …


Espero,

O tempo está ali todo, infinito,

O tempo todo do mundo …



Observo no meu tempo.

Lava a água a pedra suja da terra,

Talvez uma simples pedrinha ...,

Enquanto a pedra a água vai polindo

Imperceptível ou discreta

Em suaves ondas

Como em continuadas rondas

De demorada negociação …

Depois, a água a si própria se lava

Da sujidade da pedra deixada,

Assentando-a suavemente no chão,

Naturalmente, sem humana mão …

Até mesmo as arestas agrestes

Da própria pedra da terra

Para o fundo cairão …



Observo,

Entretanto,

Que o movimento vai parando …



No fim, uma linha vertical,

Um fio-de-prumo

Aprumando o meu olhar do cimo ao fundo,

E uma superfície horizontal,

Um nível,

Nivelando as rugas e os desníveis do mundo …


E um ângulo recto,

Recto em todas as direcções e sentidos,

Bem esquadrado,

Em rectidão e harmonia

Como um dia será neste nosso chão» …



José Rodrigues Dias, 2012-06
Traçados sobre nós: Ângulo recto

joserodriguesdias.blogspot.com

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Gostaria de poder reflectir sobre este instrumento, pois também com ele aprendi a desenhar, outrora, as linhas do Tempo dentro do Tempo, porque é um dos utensílios imprescindíveis para o método arqueológico.

Esse fio fino e delicado, cujo peso na extremidade, origina um utensílio e que é também a figura geométrica que viabiliza a verticalidade e o equilíbrio que nos permite ligar a Terra ao Céu. É como se fosse um eixo cósmico.

Uma perpendicular, ou seja uma linha que pende, como etimologicamente se entende, mas vertical.

Esse instrumento que tantas vezes eu usei em trabalhos de campo e cuja funcionalidade me era tão familiar, era-me quase desconhecido no que respeita ao seu sentido simbólico.

Fiz apressadamente uma busca no dicionário de língua portuguesa, tendo-o encontrado com os seguintes significados: Enquanto substantivo, define-se como “qualquer instrumento destinado a verificar a verticalidade de um objecto”! Mas, pode ainda ser tido enquanto representante de qualidades: «Prudência, tino, agudeza, penetração, perspicácia». Ou ainda simbolizando a justiça temperada de clemência.

Não deixam de ser interessantes os significados apresentados, no fundo os mesmos que tem do ponto de vista simbólico. Em síntese poder-se-ia dizer que o seu significado está ligado ao equilíbrio da construção, ou, o que vem a ser a mesma coisa, à rectidão do esforço espiritual.

Vejamos, o prumo é o instrumento usado para medir a perfeita verticalidade de uma superfície, e representa simbolicamente a profundidade do Conhecimento, da Rectidão e da Justiça. Representa, também, a busca da verdade, do Equilíbrio, ou Estabilidade, quando perfeitamente a Prumo.

É a regra viva de toda a edificação, material ou espiritual que, utilizando as palavras de Le Coubusier deve ser feita “na vertical com o Céu”.

Mas também o meu corpo em pé, direito, «a prumo», a união do que está em baixo com o que está em cima; do divino e do profano; do Celeste e do Terrestre.

E se fio de prumo, associando-se ao nível e ao esquadro, serve para verificar a vertical correcta de qualquer lugar, viabilizando a edificação perfeita de um imóvel, do ponto de vista espiritual, simboliza a profundidade e a rectidão do conhecimento, o aprofundamento dos nossos estudos e observações, sem quaisquer desvios, veículo que conduz à tentativa de atingir a perfeição individual e à elevação do progresso inicial. Por este motivo associa-se simbolicamente à Justiça com que devem ser praticadas as nossas acções.

A verticalidade simboliza o ser humano de pé e activo, e é através da recta que ascende da Terra aos Céus; representa, portanto, a escada de Jacó que rompe as nuvens do firmamento, cujo simbolismo se deve à visão de Jacob, registada no Velho Testamento, (Génesis, 28, Versículos 10, 11, 12, 17 e 18), ou mesmo os pináculos de uma Catedral na direcção do Céu.

                     Peso de prumo de chumbo com anilha e ponteira em ferrode época romana.
                                                        Centro Interpretativo de Miróbriga.

Essa verticalidade do HOMEM, o único animal a gozar dessa faculdade, corresponde em numerologia ao número UM ou a letra Aleph do alfabeto hebraico, afinal a letra de que Deus se serve para o ajudar a criar o Mundo, e que encerra o Mistério da Unidade, da consciência, da ligação da Terra ao Céu, do que está em cima e em baixo, permitindo que não haja separação entre terrestre-celeste.

Mas se o prumo é fundamental para a construção de um edifício, pois permite a verticalidade da edificação, através do nível faz-se a verificação de que a superfície da pedra está “aplanada”, alisada ou trabalhada, porque o plano é basilar para a sustentação do edifício.

É através do plano, do Nível que simboliza a força criadora dos Homens direccionada para propósitos úteis, que se verifica a igualdade, proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais e se pode vir a alcançar Fraternidade.

Por isso, o Nível faz alusão à «IGUALDADE fundamental a todo o ser humano, na sua natureza profunda e na sua vocação».

Filomena Barata




Manuel Canelas Canelas Se me permite, Filomena, dou-lhe os parabéns pelo tópico que ora nos apresenta. 
Vejo o fio-de-prumo dentro da mesma escala cósmica da linha do horizonte e da abóbada celeste: traçados fundamentais que integram, nuclearmente, a imagem que o Homem tem do Universo geométrico (euclidiano) e de si próprio.
É certo que depois de Einstein, as noções de recta e de superfície nunca mais foram as mesmas mas, no que à verticalidade diz respeito, haveremos de reconhecer que esta subsiste intacta como valor absoluto, imune, pela sua natureza, a todo e qualquer relativismo. É um dos tais casos que não admite meio-termo: ou é ou não é; também não é por acaso que através dela chegamos à ‘gravitas’ latina, esse termo que nomeia uma das virtudes mais cultivadas pela antiga sociedade romana.
E por aqui caminhamos em direcção à gravidade. Gravidade que compartilha o mesmo significado de seriedade e importância e que Newton exponenciou para denominar as forças físicas de atracção mútua que os corpos materiais exercem uns sobre os outros, que mantêm o Cosmo unido e confere peso aos objectos. Numa visão muito própria, a linha vertical não será, exactamente, uma ligação entre o que está em baixo com o que está em cima, análise derivada da nossa posição erecta à superfície da Terra. Ela é mais uma semi-recta, pois sabe-se onde começa mas não se conhece o seu fim… Leva-nos até ao centro, mas se caminharmos no sentido oposto tenderemos para o infinito…
Oh, como me delicia falar desta coisas! Obrigado Filomena.


  • Manuel Canelas Canelas Mas que magnífica ‘anotação’, Filomena! Ubérrima em pertinência, rica e vasta nos seus argumentos, bela como uma cantata de Haendel… Embora não concordante com todas as teses em presença, aceite os meus Parabéns!
    …Não concordante porque, e no entanto -’eppur se muove’- Deixe-me dizer-lhe, trazendo à colação em réplica e emulativa provocação q.b., o quanto admiro a Torre de Pisa. Há nesta edificação uma rara mescla de beleza arquitectónica, contexto científico e densidade dialéctica que de imediato a fizeram associar às dúvidas em mim suscitadas pelas suas ilações entre o alfabeto hebreu e a ‘obra’ de Deus. Neste famoso campanário encontro exposta, transversalmente, a problemática da verticalidade quer literal quer metafóricamente, a par de uma eloquente manifestação da unidade entre o todo e o seu oposto, isto é, em suma, da condição humana.
    Aliás, faço já aqui a minha declaração de interesses na matéria, para que melhor possa ser entendido. Sem entrar no campo das religiões enquanto direito universal e legítimo dos indivíduos e dos povos, sempre direi que, se para muitos elas são o que dá sentido à vida, eu vejo-as como formas instrumentais através das quais o Homem foi encontrando explicações para o que em determinado momento lhe era desconhecido e o atemorizava, ou para criar pseudo-realidades místicas, agregadoras e imperativas de acordo com os cânones vigentes. No caso hebraico, o sucesso parece estar ligado a aspectos tão instintivamente básicos, comuns a todos os seres vivos do reino animal e vegetal, como sejam a luta pela sobrevivência, aplicando a lei do mais forte ou a sabedoria de adaptação, exemplarmente traduzida na ida de Maomé à montanha, uma vez que esta por si própria não vinha a Maomé.
    Os primeiros livros do Antigo Testamento constroem uma narrativa que beneficia directa e unicamente um determinado povo perante os demais, o que à partida os torna, no mínimo, suspeitos de imparcialidade. A partir do geral: criação do Universo, do Sol, da Terra, da separação das terras e dos mares, da criação da vida neste planeta, etc., a ‘coisa’ vai afunilando cada vez mais até aparecer um povo Eleito que Deus escolheu para seu interlocutor especial: eles. Tudo isto compagina com o paradigma histórico do’ negócio lucrativo’ judaico. Parece-me, com o devido respeito, uma encenação bem urdida mas que fala mais sobre egoísmo/chauvinismo/supremacismo do que propriamente sobre uns hipotéticos ‘desígnios’ divinos, tal como eles são descritos e sancionados pelos demiurgos de serviço. Em adenda, acrescentaria que aquele momento fundacional, pintado por Michelangelo Buonarotti no tecto da capela Sixtina, tem sido, provavelmente, interpretado ao invés. De facto e pragmaticamente, perante a História do Homem é quase inevitável concluir que o sopro da vida vem de baixo para cima…

    Mas enfim, são divagações minhas para, meu sustento, das quais não pretendo fazer escola. Como apreciador de Arte, sinto-me às vezes constrangido por pensar assim pois reconheço o papel das religiões como impulsionadoras das grandes criações artísticas da humanidade. Paciência…

    Ainda sobre a verticalidade e afins, agora numa perspectiva psico-física.
    As ideias de acima/abaixo, fundamentais para a nossa orientação, são as que ao mesmo tempo mostram uma maior instabilidade e um maior atractivo. A sua origem como dimensão heróica é fácil de entender se tivermos presente a luta de um bebé por manter-se de pé e andar ou o seu desejo de fazer-se maior. Só nos seres humanos a coluna vertebral se comporta como uma verdadeira ‘coluna’ sobre a qual assenta a cabeça, em vez de dela dependurar como nos outros animais. Mas não vejo isso como especial vantagem, também as aves que voam e os peixes que respiram pela água poderão invocar diferenças únicas.
    Acima, que na imagem corporal se refere ao que está em cima do centro do corpo (crescendo este sempre para cima), é sinónimo de esforço, fantasia e distanciamento. Assim tratamos de ‘alcançar o céu’ ao mesmo tempo que necessitamos ter ‘os pés bem assentes na terra’. Num exemplo que a Filomena deve conhecer bem, atendendo às suas raízes angolanas, há uma clara diferença entre como se expressa a dimensão vertical nos movimentos e posições dos dançarinos africanos e os bailarinos europeus: no primeiro caso os dançarinos pressionam fortemente o chão e movem-se a pouca altura, expressando o valor telúrico atribuído à terra, vista como mãe/origem. Já no segundo caso, como corresponde a uma cultura transcendental, os bailarinos elevam-se do solo tentando escapar à terra.
    O mesmo tipo de análise se poderia fazer em relação à movimentação ‘para a frente’ ou ‘para trás’, onde é possível distinguir conotações morais de virtude e firmeza no avançar, ou de conotações privadas e terrenas no que está atrás. Tudo isto releva que através do reconhecimento do corpo como universo pessoal podemos cartografar traços culturais identitários que estão, muitas vezes subliminarmente, na base dos padrões que estruturam as nossas sensibilidades/personalidades.

    E por aqui me fico, que longa vai a tertúlia. Mais tarde voltarei para o desafio numérico e falar sobre a fabulosa proporção divina, o número de ouro, a secção áurea…

    Cumps

    há 19 horas ·  · 1

  • Beatriz Montoito Slikha Filomena. Eu poderia escrever da vida, da manifestação dela nos 3 reinos, dos elementos, da força e da manifestação divina do D'us de Abrão, de Isac e de Jacó. Do positivo e do negativo, do lado direito e do lado esquerdo do homem, dos quatro elementos. Dos planos, da estrela de David, da cruz, dos 36 degraus da escada de Jacó, eu poderia ainda. Abstrato, concreto, representação, alegoria, aspectos e princípios do feminino e masculino, negativo e positivo de D'us. Formas, números, verticalidade e eternidade. Torá. Ain, Ain Soph, Ain Soph Aur, e Keter. Mas por hora prefiro silenciar e não aceitar o desafio, a provocação. Ainda bebo da fonte, e uma “vida” é pouco para o entendimento e, assim adentrar no “pomar” (pardês), pois em Pshat há o sagrado, em Remez o insinuado, em Drush o significado e em Sod o segredo. O vale é longo e as montanhas altas na guimátria.
    Shalom. Layla tov.


Lily Allen

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Que as ragas tragam ao dia o que a noite lhe roubou

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Bom Domingo

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oiça a Buika ... oiça bem

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e oiça também a Lila Downs

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i want you, but i don´t need you ...

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