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sábado, abril 19

A propósito do Casamento



A propósito do Casamento três livros há que recomendo: Um, de Cervantes, O Casamento Ardiloso, (1613), onde a Mulher é ainda marcada pelo estigma dos pecados mortais que são a perspicácia, a audácia, a ardileza, que se consegue também espelhar nas forças ocultas de Montiela; outro, Casamento Perfeito, do seiscentista Diogo Paiva de Andrade, onde o Casamento se torna uma instituição de excelência, quase perfeita, de acordo com as normas da Igreja e os contratos do mundo «Autorizou Deus com a sua assitência o primeiro casamento que houve no Mundo, para mostrar as perfeições, e excelências daquele estado, e a obrigação que os casados têm de viver conforme aos preceitos de tal padrinho, unindo-se ambos em uma só vontade, e fundando nela muito diversas, e copiosas virtudes (...) e se devem mostrar agradecidos a um Senhor que tanto os honrou com a sua presença, e tanto os alenta; e ainda «A Carta de Guia de Casados», do moralista D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), onde o autor consegue tornar o casamento nos exemplos práticos do que Diogo Paiva de Andrade tinha teorizado «sirva a mulher de ser senhora de sua casa, satisfaça as obrigações deste seu ofício; que assaz fará de serviço a sua casa, a seu marido, se o fizer como deve»

Salvem-me deste Portugal que tantas reminiscências tem ainda do que acima se descreve, mesmo que disfarçado com outras formas de estar!
De castas e devotas esposas e mães, sempre elas próprias mais devotas que outra qualquer, para quem as infidelidades esponsais mais não são do que fruto do pecado das outras "oferecidas" mulheres: a célebre tentação da Eva, no pecado original.
E afinal a fidelidade, a devoção, a dedicação, a lealdade, a existirem de facto, não fazem parte de um compromisso a dois?

Mas, mais grave do que mulheres e homens aceitarem ainda este modelo, é continuar a implicar nele os filhos que amanhã serão companheiros ou maridos de outrém que, por certo, não querendo viver da mesma forma, poderá ser duramente confrontado com a violência de uma certa forma de estar e de encarar as relações.
Militarei,sim, contra estas formas de estar, pois é muito claro para mim, por muito que a maioria das mulheres me mereça enorme respeito, independentemente da condição, lugar ou religião, que há ainda uma atitude a combater em Portugal: o uso da linguagem da ameaça, da grosseria e da chantagem, particularmente com as outras mulheres, e que implicando, repito-o, filhos e pais (os chamados "irmãos" do Santo Ofício), como forma de mimetizar ou subscrever o pior que o machismo e a religião, ancestralmente unidos, como poderes absolutistas, podem ter como mecanismo de domínio.

E se ainda grassa em Portugal essa forma de estar! Em que as mulheres se assumem apenas como o reverso de uma moeda em que o anverso são instrumentos de poder masculino.

Denunciarei, reitero, essa atitude, tantas como as vezes em que o mundo masculino também usou da violência física ou psicológica para me tentar fazer desistir. Para me admoestar. E, no entanto, sem o conseguir!

(Um dia, quando o tempo mo permitir, quando as feridas de muitas coisas cicatrizarem, quando os nomes não tiverem já qualquer importância, mas apenas as atitudes, farei o meu depoimento público, sobre a forma como algumas mulheres conseguem abordar as suas congérenes, só porque a vingança se sobrepõe à dor, sabendo eu bem que sabor ela pode ter ...).

Claro que militarei, sim, ... enquanto em Portugal este figurino existir, como verdade única de conceber o mundo das relações!

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