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quinta-feira, maio 14

Das palavras, do silêncio, dos afectos e do grito (reed.)


Apenas porque este blogue vai mudar de lugar ...

Toda a escrita, mesmo a jornalística tem, subjacente, os afectos. Como aliás defenderam os nossos famosos neurologistas, a componente mais importante e a mais complexa da nossa vida é a afectividade.
De tal forma é verdade que condiciona tudo o resto, somatizando tensões, condicionando opções e escolhas, escrevendo por baixo da escrita, enlouquecendo-nos de receios ou dando-nos forças e energias.

Isto tudo para dizer que, assumindo isso, é impossível que um blogue não seja também um espelho dos nossos afectos, dos nossos estados de alma, mesmo aqueles que se pretendem mais jornalísticos ou informativos, de imagens/fotografias, ou sobre acontecimentos e debate de ideias.

Pois é, mas este não foi concebido assim.

Foi imaginado, de facto, como uma espécie de "caderno de campo" dos arqueólogos, que não é propriamente um diário, mas um lugar onde se anotam os trabalhos efectuados e se escrevem também apontamentos vários sobre o quotodiano, juntando informações, anotações, ideias e sensações.

Afinal, tal como para os arqueólogos nos seus "cadernos de campo", ou para qualquer outra pessoa, a dimensão da vida tende a ser sempre una e não compartimentada.
É feita de saber, de aprender e de sentir.

No entanto, há momentos que temos que aprender a segredar, mesmo continuando a falar.

Porque, por um lado, há alturas em que as palavras têm que ser contidas, pois, de outra forma, vão perdendo o seu sentido e a sua força, esbatendo-se no gongorismo das hipérboles, metáforas e outras figuras de estilo e, por outro, correm o risco de ser lidas por quem não as soube entender.

E outros momentos há que nos apetece dizer alto: quero descansar!

E, por isso, este blogue vai mudar o seu sentido, porque cumpriu a função a que estava destinado como "caderno de campo"!

A sua vocação tem que, por isso, mudar. Mais virado para fora, menos espelho do quotodiano ou da emoção.
Sendo claro que, contudo, que não me esconderei, pois a vida é uma só e com todas as dimensões.

Através dele, partilhando, muito aprendi e conheci, bom e mau, como ele também o foi.
Uma coisa me ficou ainda da aprendizagem neste Luar, apenas quem não vive e não sente, não se expõe, inscrevendo-se no campo dos vivos-mortos, pois o público e o privado são como o sentir e o pensar: UM SÓ!

4 comentários:

bettips disse...

Leio o que escreves como arqueologia da alma também. Tu saberás ler as pedras das ruas, como ontem disse. Mas que fique o afecto que esse anda tão arredado do mundo à volta.
Bjinho

Filomena Barata disse...

sim ficará também o afecto, respondo-te aqui mesmo para que fique inscrito neste meu lugar.

Alexandre disse...

que mude de lugar mas não de espírito. :)

(e, pelo que li, vemo-nos em alcácer daqui a uma semana)

Filomena Barata disse...

Há a «Arqueologia do Saber» e a «Arqueologia do Sentir». Juntas fazem a «Arqueologia do Ser». E cada um de nós a faz como sabe e pode. Escolhi a via do não me esconder, numa altura em que, por uma concentração de motivos de vária índole, tive necessidade de o fazer ... porque havia coisas a dizer alto e a forma de o fazer tive que ser eu a encontrar.
E ainda porque tenho consciência que a noção de intimidade e da privacidade,tal como a conhecemos, é um fenómeno recente e muito "burguês", vivendo de máscaras que a burguesia instituiu como valores.
Uma coisa sei, respeito a diferença e tento seguir a minha via, tão pessoal como outra qualquer.
Já aqui neste Luar, neste meu "Caderno de Campo" me acusaram alguns comentadores de não ser «a via», mas, quanto a isso, apenas posso responder: É A MINHA. PROCUREM A VOSSA TAMBÉM.
Mas aprendi também que a escrita ou a imagem pode ser violentadoras e isso vou reter!

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