domingo, dezembro 14

Os Direitos Humanos




















Exactamente porque estamos quase no Natal e porque sabemos que há direitos que nos assistem, mas que tantas vezes parecem querer ficar esquecidos, acabando, mesmo de forma inconsciente, por pactuar com as maiores injustiças; as maiores crueldades e torturas físicas ou emocionais; com as maiores desigualdades, entre raças, sexos, ou crenças e religiões sem as denunciar, e já que ontem crianças foram capazes de mos declarar bem alto, vou aqui com elas gritar alguns deles
:




















DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS


Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum (...)
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso, A Assembléia Geral proclama A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades (...)





















Artigo I Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo III Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proíbidos em todas as suas formas.
Artigo V Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. (...)
Artigo XI 1. Toda pessoa acusada de um acto delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. (...)
Artigo XII Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques. (...)
Artigo XVI 1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimónio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. 2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. (...)
Artigo XVIII Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. Artigo XIX Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
(...)
Artigo XXII Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. Artigo XXIII 1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. 2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas. Artigo XXV 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle. 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI 1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. (...)
Artigo XXVII 1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios. 2. Toda pessoa tem direito à protecção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XVIII Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIV 1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. 3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.


Porque o Natal continua no ar ...




















Mas há formas curiosas dele ouvir falar, por exemplo, como pessoas de origem ou cultura diferente vivem e o vivem o Natal, como ciganos, polacos, brasileiros, chineses, cabo-verdianos.

Com mesas postas a seu modo e música de cada local.

Falando em uníssono, na parte final, do que são os Direitos Humanos e Universais.

Ou serão que as festas dos nossos filhos são sempre especiais?
Talvez, diria eu, que tanto já detestei festas de Natal com tanto rebuliço infantil.

Mas, desta vez, não acho que seja o caso, pois muito me comoveu e tanto aprendi também.

Sabem, por exemplo, que na Noite de Natal os Polacos têm doze pratos??? Pois, nada mais nem menos ...

E já ouviram bem o Vicente Amigo a cantar? Pois também ele pude ontem ouvir.






Uma estátua para Herodes, Natália Correia

Apresento-vos um animal extravagante: o homem. Se nem ao mais fanfarrão dos filósofos é facultado aventurar uma definição do homem, seja-me ao menos permitido caracterizá-lo numa síntese expressionista: o homem é o animal que tem medo de ser homem.
este horror do homem se enfrentar como acontecimento inexplicável ainda que, paradoxalmente, dispondo de meios para se interagir, transmuta-se na preocupação filosófica de o ser humano se enquadrar numa ordem extra-humana de que é a queda ou uma superação. No primeiro caso, temos o homem adâmico degradado pela desobediência à ordem divina que o engendrou mas, por isso mesmo, perpetuamente inquietado pela nostalgia do eterno e do imutável a que aspira regressar.

No segundo caso, o homem insere-se como num progressso na ordem da transformação natural.

N.C.

O gato e o rato (reed.)

À minha amiga B. pelo seu blogue. Por tudo o que, através dele, nos tem dado.





















Quando demasiado tempo se brinca ao jogo do gato e do rato, sempre por caminhos duros, tortuosos, enevoados, o cansaço anulará qualquer possível "vencedor" da batalha, porque dos concorrentes apenas restarão corpos doridos, esfacelados.

É necessário, por vezes, parar, silenciar. Para que a palavra ganhe novamente sentido. Para que se possa ouvir a voz firme entre as montanhas, conseguindo dar o sinal que tem que ser dado.

Mas, bem o sei, só após iniciada a viagem se consegue entender quão necessário é que esse som se faça ouvir claro, para lá da ponte, para lá da miragem. Pois só ele nos guiará!

Cadáver adiado que procria, in «Uma Estátua para Herodes», Natália Correia (reed.)


Não hesito em convidar-vos para o espectáculo da vossa cobardia, esse vício pusilânime da posteridade que vos faz estimar o que vos enfraquece. A cobardia é muito engenhosa. Engendra filhos para se esconder neles.
A espécie está corrompida não pelo instinto de conservação de que se nutre, mas pela decomposição dessa força instintiva em valores de auto-destruição. Reproduz-se o homem para resistir à fatalidade da sua condição mortal. Para resistir noutro, o que equivale a uma vontade do nada pessoal. É como ser enfraquecido pela fatalidade da morte que o homem se reproduz. A necessidade da espécie exerce, assim, na consciência de cada um, um magistério de morte e não de vida.
Para alimentar o monstro parado da espécie, o homem desaparece necessariamente no filho».



Natália, Natália que bem pensavas e melhor escrevias.
Coragem no peito que, ardente, gritava verdades que ninguém queria ouvir.
Saudades, sim, dessa gente como tu que está a desaparecer, porque vão fazendo, não só da procriação, como da sua própria vida a máscara de cobardia e da desculpabilização com que se quer esconder. Ai Natália, nunca me cansarei de te ler.

sábado, dezembro 13

À Pascale, de novo, o meu obrigada

















Há semanas em que conseguimos, no decurso de oito dias, ver árvores de Natal diferentes, de múltiplos prismas.
As cores, os sítios, os modos de olhar, as emoções.


Tive a sorte de, em sítios vários, no decurso de uma semana em que tanta coisa dentro de mim se confrontou, poder conhecer o gosto de ter por perto uma amiga.

Bem o sei, bem o sei, que há quem ache que estas coisas não são para estes lugares.
Mas ela sabe-lo, sabe tão bem, porque tenho que lhe agradecer!

Ao Paulo agradeço a fotografia de Strasbourg.
E o ter sabido olhar de também de forma diferente (de frente) as cores.

Nem que seja apenas por isso, porque consegui ver que as palavras e as cores ainda podem ter valor, o Natal ficou mais brilhante para mim!

Como ela diz «seuls les imbéciles ne changent pas d'avis!»

sexta-feira, dezembro 12

Onde já vi isto? O texto é sobre 2008 e em 2009????

Tenho, ao longo da vida, defendido que, mesmo em momentos de dificuldade ou com orçamentos de crise, é possível manter uma atitude combativa e criativa, exercitando assim a capacidade de fazer com pouco coisas de qualidade.
Mas tudo tem um limite: até a criatividade necessita, para poder não sufocar na sua própria interioridade, de espaço e condições para se expandir, para a descoberta, para a procura.

O orçamento previsto para 2008 para a Cultura em Portugal leva ao limite a capacidade de imaginar com parcos recursos.

Entra já na esfera do "fio da navalha", aquele limiar que, ultrapassado, pode conduzir à claustrofobia, ao pensamento neurótico OU MESMO AO NON-SENSE.

São de todos conhecidos exemplos de criadores que ao longo da História foram capazes de no limiar da fome e da miséria produzir com qualidade igualmente ímpar.

1 - Mas será justo ou mesmo socialmente desejável que as instituições vivam nesse mesmo limite, pressupondo-se que a genealidade vai salvar a produção artística, a produção cultural?

2 - Ou partir do princípio que a Cultura é somente feita dessa genealidade do limite que não necessita de meios para se recriar, para se tornar também um bem de partilha?

Sempre tenho sido positiva, hoje, ao pensar no que julgo ainda há para fazer no domínio cultural no Alentejo, não posso deixar de me sentir triste e confusa.

Que os meus amigos e leitores me ajudem a interpretar melhor os números e, principalmente, caso sintam como eu esta estupefacção do desinvestimento na área da cultura, me ajudem a fazer entender quem decide que, se calhar, é uma má aposta!

(Escrito em 2008, seria reescrito hoje)

O Arco-íris da Mariana pela manhã





















Que com ele consiga encontrar aquele lugar mágico que nos faz sentir que os bons sonhos sempre resistirão!

quinta-feira, dezembro 11

Revisitei o Alentejo





















Comigo levava um lote de livros para oferecer

Comigo trouxe apenas um fragmento do pôr do Sol, um punhado de recordações e um pouco de sossego mais, porque cumpri um périplo que sabia que tinha que ser palmilhado.

quarta-feira, dezembro 10

Cante ao Menino em Évora












Em Évora, pode ver-se um dos mais belos presépios de Natal que conheci!

Cante ao Menino em Évora




«Cântico ao Menino» é uma moda recolhida em Peroguarda e foi cantada, a pedido, em vida, de Michel Giacometti, durante o seu funeral.

Na Igreja de Santo Antão, em Évora, costuma ouvir-se, pelo Natal, o «Cântico ao Menino» e «Ó Virgem Senhora d'Aires".

Senhora da Noite, Verbo Escuro




















"E A AURORA, que entristece, vai fugindo,
Atrás dela, ficando em grande mágoa,
O mar, paisagens bíblicas florindo,
Sob bênçãos de sol e beijos de água"

Teixeira de Pascoaes, cit in Poemário, Assírio & Alvim, 2007

terça-feira, dezembro 9






















Porque ainda há sentido no luar!
mesmo quando tudo aparenta ser branco, o vidro embaciado
o frio no corpo, ou a morte a anunciar
resta ainda a ténue luz para continuar...


- Vou finalmente descansar!

A Central Eléctrica do Desterro, Seia




















1909-2009 Cem anos da Central da Senhora do Desterro


Por considerar do maior interesse, divulgo o projecto de reabilitação da Central da Senhora do Desterro, parafraseando os responsáveis da "Mãe d'Água" Renato Neves; Rui Rufino; Carlos Pacheco; Pedro Canto e Castro; Ricardo Silva; Sergio Chozas e Susana Reis:

«exemplo de um património industrial valioso inserido num cenário natural notável. No ano do centenário desta velha fábrica de luz, dar-lhe-emos outros usos contando a história do sítio e a sua relação com a água e os habitats aquáticos da serra da Estrela».


Finalmente assistimos a bons exemplos de reabilitação do Património Industrial, neste caso, da primeira Central Eléctrica de Portugal, relevando-se os casos da sua inserção em ambientes naturais, a exemplo deste, situado-se a 5 km de Seia, junto da aldeia da Senhora do Desterro, onde passa o rio Alva. Junto ao rio localiza-se uma praia fluvial e uma pequena barragem.























Íamos, sem saber para onde,
Perseguidos por miragens de cidades
derrotadas construídas no milagre,
Hortelã pimenta aos nossos pés,
As aves acompanhando-nos o voo,
E no rio os peixes à procura da nascente;
O céu, a nós se abrindo.



Arsenii Tarkovskii, Oito Ícones
in Poemário, Assírio & Alvim

dormir


lençóis novos?
não, apenas esticados, sabor a mar

quero descansar
poder sonhar
apenas isso, a vida inventar
pois tanto, já tanto tive que caminhar...

segunda-feira, dezembro 8

Cansaço

















Por vezes trocam-nos as palavras, os gestos, os sentidos das coisas
invade-nos um torpor
mas há sempre o momento de dizer
não, a alma não nos trocam não!
E NÃO TROCARÃO!

sexta-feira, dezembro 5

No Museu Nacional de Arqueologia










O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e o Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA) vão promover, nas datas abaixo indicadas, uma FEIRA DO LIVRO USADO, na qual se colocarão em venda stocks antigos duplicados do MNA e obras oferecidas por membros do GAMNA.

Em certos casos, os livros em venda correspondem a obras há muito esgotadas.

Entrada livre.

Informação obtida através da Archport

No Museu do Carmo podemos ouvir falar de Mértola





- 11 de Dezembro – 18h – Convento do Carmo, Lisboa




















A Secção de História da Associação dos Arqueólogos Portugueses vem por este meio convidar todos os interessados a participarem na conferência a realizar por Virgílio Lopes do Campo Arqueológico de Mértola, no próximo dia 11 de Dezembro de 2008, pelas 18,00 horas, no Museu do Carmo, em Lisboa, integrada no III Ciclo de Conferências Arqueologia das Cidades Históricas e Turismo Cultural, subordinada ao tema “A arqueologia de Mértola: balanço das intervenções arqueológicas recentes”.

Informação obtida a partir da Archport

E daqui cumprimento todos os arqueólogos que, em Mértola, de há muitos anos para cá, têm conseguido desenvolver um amplo trabalho de estudo e divulgação. Porque em Mértola, através desse continuado e persistente trabalho de valorização, trouxeram à luz milénios de História e, mais do que isso, contribuíram para fazer revivescer esse extraordinário sítio.
- 11 de Dezembro – 18h – Convento do Carmo, Lisboa

A Secção de História da Associação dos Arqueólogos Portugueses vem por este meio convidar todos os interessados a participarem na conferência a realizar por Virgílio Lopes do Campo Arqueológico de Mértola, no próximo dia 11 de Dezembro de 2008, pelas 18,00 horas, no Museu do Carmo, em Lisboa, integrada no III Ciclo de Conferências Arqueologia das Cidades Históricas e Turismo Cultural, subordinada ao tema “A arqueologia de Mértola: balanço das intervenções arqueológicas recentes”.

Participa e divulga


quarta-feira, dezembro 3

Reflexões sobre Património II





















Quem define afinal o que são os bens culturais de uma determinada comunidade? Ou seja, por outras palavras, a quem pertence o «Património»?

Se bem que os mecanismos actuais facilitem o alargamento do espectro dos «eleitores» passíveis de contribuir para a inventariação e classificação dos «bens culturais», é um facto que ainda há uma enorme fissura entre essa eleição e as respectivas comunidades. Explicitando melhor, grande parte dos móveis e imóveis listados, «arrolados» ou sujeitos a servidões administrativas surge de proposta efectuada pelos auto-denominados «interessados», ou de especialistas, organizados em torno de Instituições (da administração central, autarquias, gabinetes técnicos locais, associações culturais, etc.). Essas propostas, que são logo à partida electivas, nem sempre têm como base um inventário, mesmo que selectivo, dos bens considerados de interesse local ou regional ou dos recursos dessa comunidade. Logo, sobrepondo-se a uma lacuna, a ausência de um levantamento exaustivo que suporte a «eleição» desses bens, podemos incorrer numa segunda falha ao darmos ainda mais notoriedade aos que já por si são considerados «nobres». Ou seja, acrescermos em servidões e «defesas» aqueles bens que por natureza seriam já os mais notáveis, omitindo todos os outros que, por não o serem, poderão cair no esquecimento. Em limite, no caso do Património Construído poderemos gerar uma situação em que os imóveis «museu» são circundados de diminutas áreas cuidadas, como que a jeito de climatização dos mesmos e, nas zonas limítrofes, poder-se-á instalar o caos. E, não obstante, a criação dessas zonas artificialmente «climatizadas» que constituem os novos «emblemas» comunitários nem sempre espelhará os cidadãos, até porque o seu relacionamento com esses espaços poderá estar já absolutamente corrompido.
Haveria, portanto que contemplar novos mecanismos de participação dos cidadãos quando se decide afinal sobre o que é seu.
Para além destas questões, há ainda que referir que, até pelo passivo inerente à evolução do próprio conceito de «Património Cultural» e à história da maioria das instituições que com ele se relacionam, é atribuído ao construído e ao material um peso bastante maior do que aos «bens imateriais» que são tantas vezes o maior suporte cultural da identidade das comunidades.
Quem decide da sua representatividade, unicidade, valor estético, simbólico, emblemático ou social? Como e quem interfere nesse processo?
Se a «quantidade de História» pode ser, apesar de tudo, um peso relativamente inquestionável quando se decide pela preservação de um bem, quando entramos na esfera do estético, simbólico, emblemático e imaterial complexifica-se a teia de análise, até porque as projecções se particularizam ainda mais, pois estamos perante o «qualificável».
Não é difícil deixar que narrativa histórica articule um discurso coerente sobre os espaços, até porque a História como Passado que é, assume genericamente, e pese as polémicas ou interpretações dos factos ou acontecimentos, um papel pacificador, pois sobre ela é possível obter algumas «certezas». E é também por isso que o Passado, a História e, portanto, o Património se tornaram como que uma espécie de valor vital, com uma importância imprescindível para o equilíbrio de uma sociedade em mutação permanente.
Quando penetramos nos particularismos estéticos ou simbólicos é como se entrassemos num emaranhado complexo e multifacetado onde as «certezas» se esbatem, onde múltiplos e paralelos discursos se poderão compatibilizar ou antagonizar. As decisões quanto a este universo são, portanto, tão complexas que poderão justificar a omissão destas componentes em grande parte das decisões ditas patrimonialistas.
E, no entanto, se algo, do meu ponto de vista, continua a embasar a identidade das comunidades são as suas projecções simbólicas, as suas referências surdas, onde se pode mesclar o espiritual e o material.






















Como se decide da sua viabilidade como objecto de fruição pública, ou da sua capacidade como produtor de rentabilidade financeira?

Se bem que de uma forma incipiente, verifica-se uma tendência para, gradualmente, se porem em marcha alguns estudos de rentabilidade económica prévios à decisão de «valorizar» um determinado bem. Ora se, por um lado, esses estudos podem, de algum modo, contribuir para melhor aferir a decisão, há, no entanto, o risco que o peso financeiro dado ao conceito de «rentabilização» fazer esbater o próprio conceito de «Património Cultural». Isto porque embora sabendo que a sobrevivência das comunidades está dependente da sua saúde económico-financeira, da qual não podemos isolar a sua componente cultural, como se um elemento distanciado se tratasse, não devemos perder de vista que a visão estritamente economicista do Património assenta em pressupostos que, do meu ponto de vista, podem ser antagónicos à valorização do mesmo.
O conceito de «rentabilidade» quando centrado nos próprios Sítios e não nas comunidades e ao alicerçar-se fundamentalmente na arrecadação pecuniária pressupõe, por um lado, a existência de um grande número de visitantes aos espaços «valorizados» e, por outro, a capacidade de investimento desses mesmos visitantes em bens adquiríveis nos locais.
Ou seja, a massificação do consumo de bens culturais e seus derivados – incluo aqui a enorme parfanália de réplicas e outros objectos consumíveis ou «recuerdos» que hoje proliferam nos nossos monumentos, museus e sítios – para além do esgotamento a que pode conduzir do próprio Património, até pelos efeitos nefastos que provoca, pois por definição, ele é frágil ou único (por isso mesmo tem sido «climatizado» e musealizado), pode ainda preverter o «espírito» dos próprios lugares, banalizando-o. Tranformando os bens culturais em mais um produto do mercado, altera-se ainda a sua abordagem, porque à «itinerância viajante» se substitui uma fruição turística de «consumo» célere que apenas permite uma apreensão muito particular dos espaços.
Conseguir ainda compatibilizar a sua apresentação para o denominado «grande público», a interpretação e a fruição simplificadas com uma abordagem silenciosa e reflexiva é, portanto, tarefa difícil ou quase impossível.
Permitir discernir a «essência» do bem patrimonial do seu invólucro mais complexo se torna, até porque a tónica dada à sua «embalagem» é cada vez é maior. Para melhor explicitar, veja-se a galopante atenção dada às sinaléticas, às vitrinas e mostruários, às coberturas, às recepções e espaços de acolhimento, ou seja à intervenção arquitectónica e de design feita sobre os sítios que, tantas vezes, quase que os esmagam e mesmo se lhes sobrepõem.





















Do nosso ponto de vista, o enfoque da «rentabilidade» ou «sustentabilidade» não pode estar nos «Sítios» mas na própria comunidade, que deveria ter a possibilidade de se rever em uníssono nas suas actividades e no seu «Património Cultural» e encontrar, assim, estímulos para múltiplas iniciativas de índole sócio-económica – agrícolas, gastromómicas, artesanais, industrias, comerciais – que contribuíssem para a continuidade qualitativa da sua fixação num determinado local. É óbvio que a «valorização» dos bens culturais pode funcionar, em alguns casos, como um output positivo, pois permite devolver a algumas comunidades uma auto-estima já esbatida.

Oscar Wild





















A cynic is a man who knows the price of everything but the value of nothing.

even of being alive ...

Thank you jar.

terça-feira, dezembro 2

E amanhã falarei do Geniceu, esse lugar da casa onde as Mulheres teciam as suas malhas ...






Esse espaço onde se tecia o sub-poder ....




Imagem tatuagem: Agradeço, de novo, à Eduarda Abbondanza.

but in the night ....





















dealing and fighting with shadows of others
so hard .... so strong!
Is'nt enough? I beleive yes.

O Tempo na Catedral de Strasbourg
























Perante o Juízo da Morte que julga o Tempo, encimando as Horas, passarão os que atentaram contra a vida dos outros ou a própria; os chantagistas; os burlões; os ladrões; os mesquinhos; os avarentos; os manipuladores; os presunçosos; os mentirosos e tantos mais ...


Tempo, Tempo, esse "grande escultor", quantas horas terão ainda que bater até que se faça luz em alguns lugares, para que as Sombras e as Trevas não tirem lugar ao brilho da manhã????

segunda-feira, dezembro 1

Mercie Pascale (Pela lenda da Catedral de Strasbourg e por todos os mimos)






















"era uma vez, uma anão muito velho com uma barba branca, muito comprida que morava no lençol aquifero debaixo da catedral. Ele estava incumbido de trazer os bébés para quem os encomendasse, até a margem dum poço que se encontrava no largo, frente à Catedral. Para cumprir sua tarefa o anão andava de barco, na escuridão do lençol aquífero e recolhia os bébés numa rede d'ouro, pois traziam-nos até a margem do poço onde umas cegonhas aguardavam para os levarem até as casas cujos donos tinham encomendado um bébé.
É por isso que, dizia-se, muitas vezes ouviam-se choros de bébé nos arredores da catedral.

Porventura a catedral foi mesmo edificada num lençol aquífero, mas é sustentada por enormes carvalhos 8 vezes centenàrios! Há uma equipa de engenheiros especializados que espreitam em permanência o nível do lençol aquífero, principalmente no Verão, porque se viesse a baixar o nivel das águas, a catedral ficaria ameaçada de destruição.


Há também uns brincalhões que dizem que o contraceptivo favorito dos Alsacianos são os virotes....para caçarem melhor as cegonhas e matá-las!

Thank you João Vilhena (again)
























"Strasbourg Christmas Market, Strasbourg, France Strasbourg.
Christmas Market22 Nov 2008 - 31 Dec 2008

Strasbourg Christmas Market is the biggest Christmas market in France and attracts thousands of visitors each year who flock here to do Christmas shopping and soak up the festive atmosphere. The market dates back to 1570 and is known in the local Alsatian dialect as Christkindelsmarik. There are hundreds of stalls selling speciality food and drink, including gingerbread, spiced sausages and vin chaud (mulled wine). Other stalls specialise in handicrafts and handmade Christmas decorations. The market itself is set in a beautiful location around the the Cathedrale Notre-Dame and along Place Broglie. Other activities include choir singing and nativity performances. After the shopping, visitors can take to the ice rink to really get in the mood for Christmas."