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quarta-feira, julho 15

Marinheiro, Fernando Pessoa (reed.)



( A Noite, diria eu ...)

Primeira (irmã) - (...) Breve raiará o dia e arrepender-nos-emos ... Com a luz os sonhos adormecem ... O passado não é senão um sonho ... De resto, nem sei o que não é um sonho ... Se olho para o presente com muita atenção, parece-me que ele já passou ...
O que é qualquer cousa? Como é que ela passa? ... Ah, falemos, minhas irmãs, falemos todas juntas ... O silêncio começa a tomar corpo, começa a ser cousa ... Sinto-o envolver-me como uma névoa ... Ah, falai, falai!...



















Segunda - As mãos não são verdadeiras nem reais ... São mistérios que habitam na nossa vida ... às vezes, quando fito as minhas mãos, tenho medo de Deus ... Não há vento que mova as chamas das velas, e olhai, elas movem-se ... Para onde se inclinam elas? ... Que pena se alguém pudesse responder! ... Sinto-me desejosa de ouvir músicas bárbaras que devem estar tocando em palácios de outros continentes ... É sempre longe da minha alma ... talvez porque, quando criança, corri atrás das ondas à beira-mar. Levei a vida pela mão entre rochedos, maré-baixa, quando o mar parece ter cruzado as mãos sobre o peito e ter adormecido como uma estátua de anjo que nunca mais ninguém olhasse ...

Marinheiro, Fernando Pessoa

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