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sexta-feira, setembro 7

Luz (em Fernando Pessoa)


O espaço indefinido é da noite par;
A luz é só ilhas nesse mar sem costa;
Mas noite é menos que luz em nosso pensar,
No valor que lhe damos tal como se mostra.

O mundo é o silêncio: o som astros contém,
Vida é lagos mortos como ermo devastado;
Assim quando noite, silêncio e morte ferem
Nosso sentido, o infinito é alcançado.

Quando da cidade o sono sem lua então
Me acorda para um senso terrível de estar
Rente ao saber, me vem uma funda intuição
De poder, pela alma, a verdade captar,
Pudéssemos despir as vestes do sentido
De termos luz, som e vida conhecido


Fernando Pessoa, Poesia Inglesa

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