domingo, maio 18

Hoje é dia 18, dia dos Museus






Hoje, dia dos Museus, haverá ainda lugar à realização de iniciativas em inúmeros Museus nacionais, na continuidade das que já tiveram lugar.

Como o meu Museu é o da memória e da escrita, e porque "não tenho nada de meu", tenciono dedicar-me a ela aqui, neste lugar, homenageando assim, uma vez mais, esta única supremacia humana que é ter inventado o valor da comunicação signada, como a das paredes de Tessalónica, e a de ter produzido objectos que de si próprio deixam rastos.

Mas mesmo assim, hoje espreitarei o Museu do Traje e o Museu Nacional de Arqueologia para visitar, já que tive a sorte de poder ver o que era a Noite dos Museus nos Coches (na imagem) e ter visitado o Museu Nacional de Arte Antiga.

Dia Internacional dos Museus no MNArqueologia
PROGRAMA COMPLETO
www.mnarqueologia-ipmuseus.pt (agenda)Programa-Convite da Festa de Maio no MUSEU

As princesas





Sim, são as minhas princesas.
Intocáveis, claro está, ... como gostaríamos que fossem todas as princesas e princípes do Mundo!
Os nossos e todos os outros mais.

Mas a vida, mesmo sem querer, vai fazendo ver-lhes que com ela também temos que aprender.
Com moças, beliscões, braços ou corações partidos, as nossas princesas acabam sempre por crescer. E nós, com elas, também.

Porque as minhas princesas, mesmo pequenas, já aprendetam que o Amor e a Verdade se conquistam com as nossas mãos.

Por isso, intocáveis serão, aprendendo sempre a caminhar!

E são a melhor coisa que tenho no coração.

Às minhas princesas as flores do Maio meu, do dia do meu renascer.

sábado, maio 17

gorizia



Per informazioni ed iscrizioni:

ACMA Centro Italiano di Architettura
via Antonio Grossich, 16 20131 Milano
tel +39 02 70639293 fax +39 02 70639761

www.acmaweb.com acma@acmaweb.com

sexta-feira, maio 16

A grande vantagem da idade - o meu mês de Maio

Quando se está a envelhecer, quando já se fez cinquenta anos,
sabe-se que, por muito que se viva, nunca se viverá tanto como os anos já passados.

Por isso:

- Ou ainda não conseguimos encontrar a nossa pele, e, dificilmente, a encontraremos;

- Ou a já encontrámos e:

1 - Tentamos cada dia viver, como se fosse o primeiro, e como se o último pudesse ser.
2 - Tentamos arrumar-nos, arrumando coisas. Pondo a História em dia e, com ela, esforçando-nos por entender o que nos continua a mover;
3 - Cosemos as várias coisas que conseguimos terminar - há que criar espaço, mais aberto, mais amplo, para as que acreditamos que estão ainda a começar;
4 - Não tememos a imagem que de nós possam ter, e não receamos aceitar que nos enganamos.
Preocupamo-nos, isso sim, com o que somos, o que vamos fazer e com o que conseguimos amar.
5 - Não temos medo de nada, porque depois de imaginar a morte, apenas como o outro lado da vida, e não o temer, nada mais insolúvel pode haver.
6 - Queremos, mais do que nunca, o tudo e o todo que nos vai no coração e no pensamento;
7 - Convivemos muito mal com o cinismo e com a cobardia e, pior ainda, com o culto que alguns fazem da imagem que querem construir de si, sem correspondência com o que, de facto, são.
E não deixamos que outros sujem as mãos por nós.
8 - Apenas lemos o que nos apetece e escrevemos tudo o que nos compraz.

Com a enorme vantagem de, de nós, quem da vida nada ensinou poder dizer: coitada, está louca ... é do envelhecer!

O arco-íris da Mariana



A minha filha aprendeu a fazer um pedido cada vez que se vê o arco-íris.
E que, mesmo nos dias mais escuros, há sempre esta luz a cruzar o mundo.


Fotografia: Mariana

quinta-feira, maio 15

O valor da amizade












Não se comenta, vive-se.
MUSEU ARQUEOLÓGICO DE SÃO MIGUEL DE ODRINHAS – SINTRA
Noites do Museu
(Informação obtida a partir do Archport)

Dia 17 de Maio de 2008

Ave Amici!

O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, em Sintra, realiza no próximo dia 17 de Maio, as "Noites do Museu", dando continuidade a um projecto iniciado em 2006.

A partir das 21.00h abrem-se as portas para acolher todo o público que deseje fazer uma visita sensitiva à colecção romana, que se inicia ao som da harpa céltica e será guiada por figuras da romanidade, apenas iluminadas pela luz trémula das candeias de azeite e dos archotes.

Ave Amici! É a saudação inicial dedicada a todos quantos venham a participar nesta iniciativa que, tirando partido do efeito cenográfico da «Basílica Romana» (sala de epigrafia latina), cria uma ambiência clássica com figurantes trajados à época. Alguns deles, ao longo da via romana, lêem em latim e em voz alta algumas das inscrições, recriando uma prática da Antiguidade.

Findo o percurso, os visitantes poderão repousar na Taberna e provar algumas iguarias preparadas de acordo com receitas romanas: vinho quente com especiarias, tâmaras com nozes e pinhões, patina desenformada…

A não perder…

Vale!

Sábado, 17 de Maio, das 21h00 às 24h00.

Ingresso: 8,00 Euros; com marcação prévia.

Informações ou imagens: Marta Ribeiro 21 961 35 74

Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas
Av. Prof. Dr. D. Fernando d`Almeida
São Miguel de Odrinhas 2705-739 São João das Lampas

Telef. 21 961 35 74
Fax. 21 961 35 78
Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas
Av. Prof. Dr. D. Fernando d`Almeida
São Miguel de Odrinhas 2705-739 São João das Lampas

quarta-feira, maio 14

Porque dizem os terapeutas que a esquizofrenia cada vez toma mais conta das pessoas?


Ontem à noite vi um programa muito interessante, sobre a Esquizofrenia, debatendo-se possíveis causas e efeitos da doença que parece estar, por motivos de vária ordem, designadamente as grandes pressões sociais, económicas e afectivas, a tomar cada vez mais proporções.

Tratando-se de uma doença que se manifesta através de uma alteração ou desvio de personalidade, ou seja de "fracturações" ou alterações da mesma, pode conduzir, em casos mais fissurantes, à verdadeira duplicidade do "eu".

Caracterizando-se ainda por uma dissociação das funções psíquicas e pela perda de contacto com o mundo exterior, pois, gradualmente, se vai acreditando numa "realidade" que não o é de facto, ou se vão criando realidades paralelas, a doença afecta não só a própria pessoa mas todos os que com ela se relacionam, porque o "contágio" se acaba por fazer.

Segundo os especialistas, um dos seus «primeiros sintomas é a diminuição da afectividade, quando não a sua total supressão ou ausência, existindo um desligamento do mundo por parte do doente, que se volta sobre si mesmo»(com algumas similitudes com o autismo). As funções intelectuais são igualmente perturbadas o que acarreta rapidamente a alienação de tudo o que se passa à sua volta.

Muitas destas pessoas atravessaram períodos de depressão, ou grandes conflitos emocionais antes de entrarem nesta situação, o que leva a concluir que estes problemas desencadearam ou agravaram a esquizofrenia, aceitando-se, assim, que a tensão e o stress nos quais a pessoa esteja envolvida possam ser, efectivamente, grandes causas da esquizofrenia.

Mais, uma vez que a pessoa vive sob tensões, stress, medos, pânicos e alterações comportamentais contínuos, deverá procurar situações que a aliviem, que lhe tragam tranquilidade ou que as relaxe.

Só quando a pessoa está mais tranquila e estável é que se pode pensar em fazer um trabalho mais profundo.

Assim, atenção, porque todos estamos sujeitos a conviver com processos de esquizonfrenia, ou a ser vítimas dos que se deixaram levar por ela, ou mesmo ainda a vir a sê-lo, procuremos não acumular tensões a mais.

Eu cá vou escrevendo. Resultará?

Mas atenção, ao primeiro sintoma, há que saber irmo-nos tratar!

São as tuas mãos a minha cidade?





















São as tuas mãos a minha cidade?
Certamente não!

Porque para o serem
seria também o bairro
o escolhido, o eleito
mãos nas mãos, numa rua, e não perdidas ao vento
sem assento, sem convicção... sem destino,
apenas perdidas na indecisão.

Não seriam apenas membros escondidos na noite,
lugar de solidão, desejo envergonhado
clímax de cenário de televisão,
toalha branca limpando apenas a extensão de umas mãos.

Chorando o triste destino dos momentos sem projecção.

Seriam mãos, somente mãos
sem medo, sem mentira, e, muito menos,
apenas lugar de prazer de minutos
escondido de si próprio,
envergonhado, encerrado, nas próprias mãos.

Para que as mãos se tornem numa cidade
é preciso conhecer as vielas, os becos
e mesmo assim escolher o todo que a imensidão tem.

Porque se as tuas mãos fossem uma cidade, a minha,
teriam que nela saber viver, dela conhecendo
os sítios onde as ruas se cruzam com outras ruas
mas, mesmo assim, se identifica o lugar onde moram as mãos.

Serão as tuas mãos a minha cidade?
Não, certamente não, porque ainda procuram
o lugar que habitam, as tuas mãos

Se na noite escondida,
ou na Aurora, à luz do nascer do Sol.
E, esse lugar perdido, o sítio de umas mãos como as tuas,
não é por certo o da cidade que eu habito.
Simplesmente porque se perdem nas encruzilhadas da indecisão.

Com sorte, haverá talvez um anjo da noite que as conduza a um qualquer lugar.


- Falaram-me um dia de Intimidade. Onde residirá ela com mãos assim? Mãos que tudo sentem o direito de devassar?

Residirá a Intimidade numas outras mãos, ou em algum pescoço apertado, sem ar, em estertor, como um dia, em tom de aviso ou de admoestação - talvez para tentarem calar a palavra ou os afectos a quem a verdade não teme - me chegaram a dizer???

Não sei, sei que mãos assim terão que se limpar. Terão que percorrer muitos e longos caminhos mais. Até se conseguirem clarear.
Terão que aprender que não existem mãos sem o pensamento, sem a Palavra.
E que a vida nunca se resolve pelas mãos dos outros, em bancos sujos de hospitais, ou pelo receio de umas mãos.

Se hoje tivesse uma aliança de brilhantes na minha mão, tentaria decepar os dedos. Até que a terrível dor me acordasse de vez!
Porque nunca deixaria que, na minha vida, fossem outros a fazer a eutanásia (a sujar as mãos) por mim, fossem amigos, familiares, maridos, filhos, sopeiras, chefes, secretárias,juízes, médicos, ou tribunais!


P.S.: Recomendo vivamente a leitura do livro «As Mãos Sujas» do existencialista Sartre, que tão bem descreve as mãos que, mantendo-se limpas, se sujam pelas mãos dos outros.
Para quem nunca leu Sartre (ignorando-o, mas arrogando-se de tudo saber, de tudo conhecer, e de tudo poder violentar), trascreverei a sinopse do livro «Mãos Sujas», de acordo com a Webboom.pt: A filosofia de Sartre, tão discutida, pode ser definida como uma filosofia da liberdade e da responsabilidade. Ao homem compete inventar a própria vida e o próprio destino e escolher a própria liberdade e construir o seu valor. Esta filosofia é designada sob o nome genérico de "existencialismo" e revela-se, sobretudo, nos volumes L' être et le Néant, Situations e Critique de la Raison Dialectique. Em 1964, Sartre foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, que recusou. As Mãos Sujas, a sua peça mais célebre, nasce da oposição política de um realista e de um idealista. Um chefe revolucionário colabora com os seus adversários; uma facção do seu próprio partido considera essa táctica inoportuna e encarrega um jovem idealista de o assassinar. Este livro reflecte principalmente as ideias de Sartre sobre o problema da liberdade.

segunda-feira, maio 12

Senhor da Pedra





Hei-de ir ao senhor da pedra
Ainda que me leve um mês
Só para ver os milagres
que o senhor da pedra fez


Bendito senhor da pedra
Bendito sempre sejais
Não tenho nada de meu
Ó senhor tanto me dais





(À Bettips agradeço pela fotografia da Vivi (a primeira).
Obrigada Adriano pelas três últimas fotografias e pelas quadras. Senhor da Pedra, Miramar

No lugar da Bettips li, a propósito da sua última edição, um comentário da "Jardineira Aprendiz" que não esquecerei:

«Numa situação dessas não se atiram palavras fora...
A pedra é dura e não deixa mentir».

sexta-feira, maio 9

Sit Tibi Terra Levis - Rituais funerários romanos







Ao meu mestre e meu orientador J.C.B., que hoje me deu o prazer de o acompanhar à viagem no Museu Nacional de Arqueologia, com os seus alunos de Évora, no encalço desse grande Homem que o Portugal do Conhecimento do cruzar de oitocentos para novecentos teve: José Leite de Vasconcelos.

Com ele fui espreitar as palavras escritas e os objectos que, atravessando os Tempos, acompanharam os mortos até à Eternidade, e que José Leite de Vasconcelos recolheu, arregimentou, deu sentido e valor.

Obrigada aos dois.


Sobre o MNA:
exposições temporárias:
- Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa.- "SIT TIBI TERRA LEVIS: Rituais funerários romanos e paleocristãos em Portugal"

- Sit Tibi Terra Levis. Rituais funerários Romanos e Paleocristãos em Portugal (catálogo)
edição: Museu Nacional de Arqueologia
Nº páginas: 59
ISBN: 978-972-9257-23-0
Preço: € 10,00

Título: As necrópoles de Silveirona (Santo Estêvão, Estremoz). Do mundo funerário romano à Antiguidade Tardia. Mélanie Cunha
edição: Museu Nacional de Arqueologia

Exposição:
SIT TIBI TERRA LEVIS: Rituais funerários romanos e paleocristãos em Portugal"

Datas:
22 de Abril de 2008 a 31 de Dezembro de 2008
Local no MNA:
Galeria Ocidental
Organização institucional:
Museu Nacional de Arqueologia
Comissariado científico:
Carlos Fabião, Mafalda Dias e Mélanie Cunha. Comissariado Executivo: Ana Melo
Tipo de exposição:
Apresentação de colecções

«O insondável mistério da morte gera nas sociedades humanas distintos modos de lidar com os sentimentos de perda e ausência.

Nas atitudes em face da morte se percebe como se convive com o fim da vida.

Que a terra te seja leve (Sit tibi terra levis, segundo a fórmula consagrada pelos romanos), se conservas ainda uma existência subterrânea; descansa em paz (Requievit in pace, segundo a fórmula consagrada pelo Cristianismo), na esperança da ressurreição. De uma fé a outra se encerra um percurso civilizacional, da Roma pagã ao mundo do cristianismo, que sobreviveu à dissolução política do velho império, mas uma mesma interrogação intemporal.

Apresenta esta exposição, pela primeira vez de um modo sistemático, duas necrópoles romanas que foram escavadas em distintas fases da vida deste Museu.

As necrópoles propriamente ditas espelham bem o alcance e limitações do registo arqueológico. Dos complexos ritos que envolvem a última homenagem, somente parcos resíduos materiais se conservam. Contudo, se nem esses escassos indícios fossem devidamente lidos e salvaguardados, que restaria então?

Aqui se evocam as gentes da Fraga (em Marco de Canavezes) e da Silveirona (em Estremoz), do Norte e do Sul do espaço hoje português, mas também os dois primeiros directores do Museu Nacional de Arqueologia (José Leite de Vasconcelos e Manuel Heleno) que, pela escavação as resgataram do esquecimento.

Exposição integrada no programa comemorativo do 150º aniversário do nascimento do Doutor José Leite de Vasconcelos»


Informação (em itálico) obtida a partir de: info@mnarqueologia-ipmuseus.pt | webmaster@mnarqueologia-ipmuseus.pt»

De seguida rumámos ao Museu de Etnografia para conhecer as suas colecções e para ouvir e ver a exposição «As canções pintadas».

Os dias


Já tive fé nas palavras; nos sentidos múltiplos dos seus significados; já acreditei na imagem, metáfora da palavra ou a primeira palavra não dita, não escrita, mas entendida; já tive esperança no sentido do corpo desejado e conquistado.
E sorri tantas vezes com os olhos a brilhar.
Riso e choro, ainda com supremacia de gente, face às algas que não consegui entender.
Já acreditei na vida depois da morte; e na morte como fim e descanso. Apenas no silêncio!
Acreditei nos segredos que solidificam poderes, intimidades, instâncias últimas da partilha e do protagonismo que temos no coração de alguém, esse exercício mais desejado do possuir.
Acreditei no Sol, como motor da manhã e dos dias passados perto de alguém.
E na noite que fazia sentido reinventado letras, desenhando-as como no começo de todas as coisas: contando histórias na pele.
De nada disso hoje sobra senão o corpo cansado: os olhos que se fecham inchados, lentamente; sem fé, mas sem desespero.
Sem crença, mas sem raiva.
Um cansaço enorme, sem noite; sem dia; sem querer, mas sem revolta.
Um sono enorme sem sonho!

Que amanhã o dia seja outro. (Isto afinal ainda é desejar....).
Porque a respiração da minha filha certamente me vai fazer acordar.
Cansaço será? Lucidez que provém das horas que não consegui dormir?
Amanhã outro dia será ... e isso ainda é ter fé, certamente será?

(Descobri que a efabulação e a mentira existem, que são, afinal, reais: arma de alguns contra o sonho de outros; a impotência maior de quem não se consegue enfrentar, de quem não aprendeu o sentido do crescer!).

Eu?
Amanhã outro dia será. E vou continuar, porque o Sol vai espreitar!

quinta-feira, maio 8

Inaugura em Santiago do Cacém o Hotel Caminhos de Santiago

Situado em Santiago do Cacém, o novo Hotel Caminhos de Santiago resulta de um projecto de restauro da antiga Pousada de Santiago do Cacém, com a construção de um novo edifício de arquitectura contemporânea.
O edifício original, em vias de classificado como Imóvel de Interesse Público, data do início dos anos quarenta, sendo a segunda mais antiga Pousada de Portugal.

Da autoria do arquitecto Francisco Aires Mateus, o projecto de ampliação contou também com a intervenção da conhecida dupla de arquitectas: Cristina Santos Silva e Ana Menezes Cardoso, na concepção do Projecto de Arquitectura de Interiores e Decoração. Pretende-se ainda que o restaurante do hotel ofereça a gastronomia tradicional da região, com a assinatura do Chef Vítor Sobral.

Já agora, aproveitem para visitar o Centro Histórico, encimado pelo seu castelo de fundação medieval (islâmica?),com reconstrução dos Cavaleiros da Ordem de Espada e preocupações posteriores e ainda a Igreja Matriz, também de raiz medieval, mas com grandes alterações do período barroco.

E, para culminar (the last, but not the least), veja as Ruínas de Miróbriga, ou Castelo Velho, palmilhando as veredas que lá vão dar.
História das Intervenções em Miróbriga (síntese)



http://luardemulheres.blogspot.com http://mirobriga.drealentejo.pt

À Bettips, pelas palavras partilhadas


A propósito do conceito de “diferença”: o apelo à palavra proferida

Se alguma "realidade" se instalou, nos nossos dias, em que estão mortas todas as "verdades", foi o direito à diferença.
Só por si, é um saco sem fundo, onde podem coabitar todos os gestos, valores, comunhões ou divisões.
O direito à diferença - direito de não ser igual?! - não baniu, no entanto, a ética.
Passámos da moral, enquanto valor universal, para a ética, que cada um tenta integrar no seu universo de actuação.
E como não há valores morais universais, passamos a ler os "outros" de uma forma desfocada (ou mais focada?). Não temos um padrão "real", senão o pessoal, para avaliar o"exterior".
E, não obstante, mais do que nunca proliferam, por um lado, as mitologias, as crenças e crendices de grupos de partilha, e, pararalelamente, os cepticismos e os desencantos: a cada um cabe gerir os seus numa unicidade solitária.
Há, residualmente, situações em que julgamos encontrar cumplicidades transpessoais - serão ainda nostalgias do tempo da "História das Verdades"?...
Mas se não as cuidamos como uma “essência”, um valor, já o tempo passou e semeou tudo e todos de particularizadas dúvidas ou renovadas desconfianças.
E se esta dispersão/explosão se instalou em atitudes diferenciadas face ao "real", somos quotidianamente confrontados com desdobradas formas de agir ou de ver.
Lemos os "outros", quanto muito, de acordo com a coerência possível da unidade ética que julgamos pertencer-lhes. Face ao desconhecido, ou algo distante, resta-nos ainda a projecção dos nossos íntimos desejos.
A palavra proferida é e continuará a ser, portanto, o único possível veículo de testemunho; mesmo que passível de multifacetadas descodificações: é através dela que ainda nos podemos entregar ao ajustamento do "real", enquanto aceitação da alteridade coabitada.(Será porque à palavra foi conferido desde o Genesis um papel sacralizado?...- vidé, de novo, o papel desempenhado na Criação pelas letras do alfabeto hebraico, segundo os cabalistas).
Quando se instala o silêncio... ficamos apenas entregues a conjeturar sobre as possíveis diferenças. Matamos os testemunhos ainda possíveis e atribuimos aos gestos o significado que nos parece mais "real".
Ficará, então, a escrita despida de sentido? Ou a palavra dita apenas mais uma simulação?!!! O que restará depois?


"Não posso escrever-me. Qual o eu que escreveria? ....à medida que entrasse na escrita, a escrita esvaziá-lo(s)-ia, torná-lo-ia inútil; produzir-se-ia uma progressiva degradação, na qual a imagem do outro seria, também ela, pouco a pouco arrastada (escrever sobre qualquer coisa ‚ prescrevê-la), um fastio cuja conclusão não poderia ser senão: para quê?"
........................
........................
"Tudo o que eu poderia produzir melhor‚ uma escrita do Imaginário; e, para isso, ser-me-ia necessário renunciar ao Imaginário da escrita..."


Roland Barthes, Fragmentos do Discurso Amoroso

Instalação: Charles Sandinson (exposição «A Consistência dos Sonhos»

A prisão de Tessalónica


Numa parede de uma pequena sela da ex-prisão de Tessalónica (hoje sede da Secretaria de Estado da Cultura) encontrei as seguintes frases de uma prostituta que aí esteve presa (com um desenho infantilizado do bordel onde tinha trabalhado):






«Quem nunca se angustiou, é feliz»
«O pássaro encontra a Morte nas asas»
«Os cervos encontram a morte quando vão beber água»

Nunca me esquecerei do espaço e das palavras que li.

Ainda a Intimidade: a escrita



A intimidade não é senão a capacidade de construirmos o Universo, de respirar ouvindo o Nada, sentindo, contudo, o sangue a latejar.

A intimidade não é esconder, escamotear, velar, confundindo os sinais: é apenas saber viver o silêncio e morder as mãos quando o frio se instala no corpo, filtrando a luz que fere os olhos.
Tentando entender cada um dos significantes.
Para melhor aprender a dizer.

Tantas vezes foi a palavra o meu lugar de intimidade, tinta manchada na folha branca, tais símbolos desenhados de uma escrita iniciática, hieroglífica, pois há uma miríade de histórias contidas em cada um deles: Caixa de Pandora aberta no ar.

Múltiplas histórias somadas, desbobradas, múltiplos significantes nascidos da união desses sinais.
(Recorrente esta minha lembrança sobre a explicação que os Cabalistas fazem sobre a criação do Mundo, que, segundo eles, se deve à união casuística, aos olhos humanos, das letras do alfabeto, mas concertadas aos olhos do Divino).

Por isso, se a Palavra e, particularmente, a Palavra escrita pode prender, também nos pode libertar, consumando-se, desse modo, como Salvação.
Porque ela é uma extensão, um prolongamento enriquecido de nós.
Sedimentando, outrossim, a verdadeira Intimidade, pelo que se cresce, dizendo, e não pelo que não se consegue desvendar/desnudar, ou pelo que se quer escamotear.

(Relembre-se que a noção de Intimidade como a que pretendemos enaltecer nos nossos dias, quase reduzida ao "segredo", ao "mistério" (e não ao mistérico) no interior de cada casa, de cada quarto compartimentado, é um conceito introduzido pela burguesia oitocentista, fazendo sobrepor-se o velado ao pensado; o tido ao sentido; o fugaz ao que se vai apreendendo. E, não obstante, sempre houve pensamento e as suas múltiplas formas de expressão).

Quem teme afinal a Palavra proferida?
Apenas quem continua a querer que a vida escorra por entre os lugares ínvios da escuridão!
Manipulando máscaras (não de sentido Grego, teatral), mas enquanto processo de "reabilitação" da própria imagem.
Apenas teme a Palavra quem não se consegue confrontar com o valor que ela tem.
Com o espelho que a Palavra é, enquanto espaço único para o reconhecimento da alteridade.

Instalação: Charles Sandinson em exposição «A consistência dos sonhos»

quarta-feira, maio 7

No vestido da minha seda
mil fios estão ainda para tecer


A Primavera é o Meu lugar.
nela bordarei a poesia que se espalha ao vento.

Fotografia e Património Arquitectónico: memória e documento, Fundação Gulbenkian

Programa
Lisboa
Fundação Calouste Gulbenkian
sala 1, 8 Maio 2008
IGESPAR/Departamento de Inventário, Estudos e Divulgação
através do tel.: 213 614 336 ou email: de.ippar@ippar.pt
Entrada Livre
Nº de inscrições limitado à capacidade do auditório

Nota: Estas conferências enquadram-se no ciclo "Património | Contextos" que abordará
outras temáticas de âmbito, escala e alcance diferenciados, numa vertente essencialmente técnica.
Abertura

Do registo à difusão das formas. Influências do Álbum da Batalha de
James Murphy no revivalismo gótico europeu
Os primeiros tempos da fotografia dos monumentos em Portugal:
fundamentos arquivisticos e científicos
Intervalo / Café
Património: pensamento, registo e edição.
A parceria entre Joaquim de Vasconcelos e Emílio Biel
Monumentos d’ontem e d’hoje pelo olhar de Alberto Marçal Brandão
Debate
Pausa para almoço
Registando a evolução: a fotografia nas colecções da
Direcção Geral de Edíficios e Monumentos Nacionais
Da operacionalidade da fotografia como documento. Exemplos das colecções
fotográficas da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Intervalo / Café
Arquitectura Moderna e Imagem, registo e manipulação:
o caso de Manuel Laginha
Debate
Instituto de Gestão do Património Arquitectónico
e Arqueológico I.P./Fundação Calouste Gulbenkian
Maria João Neto
Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa
Jorge Custódio/Pedro Aboim
Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico
I.P./Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril
Paulo Baptista
Museu da Música - Instituto de Museus e Conservação
Rita Mota Carneiro /Joana Seabra
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
João Paulo Machado
Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana I.P.
Ana Barata/Paulo Simões
Biblioteca de Arte da Fundação
Calouste Gulbenkian/Universidade de Évora
Ricardo Agarez
Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana I.P.
Instituto de Gestão do Património Arquitectónico
e Arqueológico I.P./Fundação Calouste Gulbenkian
A fotografia é uma fonte documental importante para o conhecimento do património, de grande valor operativo, cruzando e complementando
outras abordagens disciplinares. Portugal conta com alguns espólios significativos de fotografia histórica de monumentos, abrangendo um arco
cronológico que remonta a finais do século XIX e se prolonga por todo o século XX. Trata-se, em geral, de conjuntos de registos em bom estado de
conservação, em variados suportes e com grande unidade temática, muitos deles fazendo hoje parte de arquivos e instituições públicas e privadas
que têm vindo a desenvolver uma acção sistemática de inventariação, estudo e divulgação das espécies à sua guarda.
Dado o seu inestimável valor documental, a organização destas conferências visa promover uma reflexão sobre a sua importância para o estudo do
património arquitectónico, enquanto registo e testemunho da sua evolução e da transformação no nosso tempo.
Objectivos:
Promover o conhecimento e a divulgação de espólios fotográficos portugueses dos séculos XIX e XX enquanto fonte documental para o estudo do
património arquitectónico.
Destinatários:
Profissionais nas áreas da recuperação, valorização e gestão do património, do planeamento e gestão territorial e urbano; arquitectos, arqueólogos,
arquitectos paisagistas, historiadores, engenheiros, urbanistas, geógrafos, sociólogos, gestores do património cultural, técnicos de autarquias, docentes
universitários de áreas relacionadas, estudantes.
Ciclo de Conferências

PATRIMÓNIO | CONTEXTOS
Fotografia e património arquitectónico:
memória e documento

Sei-te numa superfície lunar



Sei-te numa superfície quase lunar;
num lugar em que a noite e o dia se confudem
como se não houvesse escuridão nem a luz do Sol ...
sei-te ausente numa geografia de solidão

Mas sonhei que nesse lugar havia meteoros
Sinais do céu, de outros tempos,
Sinais do Passado e do Futuro
que ainda quero escutar.

Todos os dias sei onde estás tu, afinal
Com a liguagem de "papiamento", como no conto de Garcia Marquéz, Cem Anos de Solidão
Há momentos, contudo, em que a tua nave poisa em qualquer outro lugar!
E aí os sinais esbatem-se para além do que se pode entender, tal eclipse da Lua ..., tempestades de areia ou de neve branca a cercear, a calar.
Fica o silêncio para além da escuridão.

Mas sei que voltarás a dar sinais. Porque tens ainda algo para me contar.
Que não se pode adiar!
E um dia terás que me surpreender, sendo capaz de proferir as palavras que só com o olhar nos olhos se podem dizer.
Pois delas não se pode eternamente fugir.
E não podem ser os outros a dizer por nós!

Porque Maio é o mês em que a Liberdade começou a germinar.
E com ela a capacidade de sermos mais nós, seja o destino o que tiver que ser.
Só há que o saber escolher.

E se algum dia alguém te disser «Para ti todo o meu ser» (reeditado)



Acreditarás? Eu não sei.

Porque afinal é tão fácil
dar o ser que não se é
e se não sente.
E o Ser é a Alma que não se dá
a toda a gente,
não se reparte
senão no que é mais profundo de nós.

(consegui quase lembrar-me de Camões)


Estranhamente a frase «para ti todo o meu ser» é uma das que tenho visto repetidas em diferentes mensagens de mail, usadas indiferenciadamente a vários destinatários, tal ladainha de S. Judas Tadeu, como diz uma mulher que admiro, como se fosse algo que se pudesse banalizar assim !!!
Mas dessas frases feitas, certamente não ficará a história de nenhum SER.

Retomaria aqui a questão já abordada atrás sobre o facilitismo da linguagem usada em msn e outras formas cibernáuticas, tão do apreço do comum dos mortais, mas por hoje não me quero prolongar.
Apenas dispenso recebê-las mais alguma vez, claro fique para quem me ler, se a isso apenas corresponder mais uma forma banal de falar, bem como dispenso todo o tipo de mensagem que possa ser comum a uma cadeia de pessoas que não conheço, nem tenho qualquer curiosidade em conhecer!

Por mim já ficaria satisfeita se me tivessem dito com convicção.
«Para ti, o melhor do meu ser».
Acreditaria e saberia merecer.

terça-feira, maio 6

Sempre Noiva

Dizem que as nubentes não devem usar pérolas no dia do casamento ... são lágrimas ... lágrimas a chorar eternamente, vaticinam alguns ....

Talvez, por isso, as pérolas são usadas para os anéis das noivas ... na esperança de um dia se casarem!
E aí deixam os anéis de pérolas à porta da Igreja.

Entre Évora e Arraiolos há um monte de belo nome «Sempre Noiva».

Cada vez que lá passo penso: antes «Sempre Noiva» e noiva feliz toda a vida ... que casada infeliz por um ano!

Por isso continuo a gostar de pérolas, e, particularmente, do anel que me foi oferecido exactamente há um ano atrás!

Lágrimas no «Monte» de belo nome «Sempre Noiva»? Não, isso não!

As minhas geografias afectivas: o Palácio da Ajuda





















DEIXEM-ME ESTAR.
HOJE SOU UMA MULHER FELIZ.
NADA MAIS QUERO. NADA MAIS ME IMPORTA.
APENAS QUERO QUE O SILÊNCIO NÃO ME INVADA MAIS ...
SENÃO AQUELE DE QUE PRECISO PARA PODER ESCREVER.

A propósito do que escrevi, há uns tempos atrás, neste mesmo blogue, cada vez estou mais convicta que, tal como as pessoas e os livros, também os sítios que nos marcaram voltarão sempre a ser os "nossos lugares".

Hoje, depois de um período de adaptação ao meu local de ofício, em Lisboa, instalei-me definitivamente na minha nova sala de trabalho.

E mais curioso é ainda, porque, há vinte anos atrás, já havia trabalhado exactamente neste mesmo espaço...

Afinal, é bem verdade, reitero, tudo o que é bom, retornará e perdurará. Assim como tudo o que tem que acabar findará!

Com ela terei também um Maio para renascer.

MARCO DELLA TORRE. DESIGN FOR ART/ IL PROGETTO PER L'ARTE


ACMA / CENTRO DI ARCHITETTURA (Informação a partir do ACMA)

DIRETTORE: ANTONIO ANGELILLO INIZIATIVE / 2008

PRESENTAZIONI LIBRI

MARCO DELLA TORRE. DESIGN FOR ART/ IL PROGETTO PER L'ARTE

A cura di Alberto Saibene e Silvia Suardi

Testo introduttivo di Germano Celant
Editore Logos

Ordine degli Architetti P.P.C. di Reggio Calabria
Via Logoteta, 6
www.rc.archiworld.it

Mercoledì 7 maggio 2008, ore 18.00

Fondazione Bevilacqua La Masa, Venezia
Sede di Palazzetto Tito - Dorsoduro 2826

www.bevilacqualamasa.it

Lunedì 12 maggio 2008, ore 18.00

FNAC, Torino
Via Roma 56
www.fnac.it

Martedì 13 maggio 2008, ore 18.00

Deitch Projects, New York
76 Grand Street, NY
www.deitch.com

Giovedì 22 maggio 2008, ore 17.00-21.00

MAMbo, Museo d'Arte Moderna di Bologna
via Don Minzioni 14

www.mambo-bologna.org

maggio/giugno 2008

KUB Kunsthaus, Bregenz
Karl Tizian Platz

www.kunsthaus-bregenz.at

Mercoledì 28 maggio 2008


MASTER E CORSI DI FORMAZIONE CONTINUA UPC/ACMA

MASTER INTERNAZIONALE IN ARCHITETTURA DEL PAESAGGIO

Milano, 2008/2009

CALENDARIO 2008 PRESENTAZIONI DEL MASTER
PER LA DIREZIONE SARA' PRESENTE ANTONIO ANGELILLO

11 aprile-trento facoltà di ingegneria università di trento - misiano - aula r2 - ore 11.00
24 aprile-roma facoltà di architettura ludovico quaroni univ. la sapienza - via flaminia 70 - aula f1 - ore 17.00
28 aprile-torino I facoltà di architettura politecnico di torino - via morgari 36/a - aula 5up - ore 17.00
3 maggio-savignone (ge) "lezioni di paesaggio" plug_in - colonia di renesso - ore 11.00
5 maggio-napoli facoltà di architettura università degli studi federico II - via forno vecchio - ore 15.00
6 maggio-aversa (ce) facoltà di architettura luigi vanvitelli - seconda università di napoli - aversa - abazia s.lorenzo ad septimum - aula p9 - ore 11.00
7 maggio-reggio calabria ordine degli architetti p.p.c. reggio calabria -
via logoteta 6 - ore 16.00
9 maggio-siracusa facoltà di architettura università degli studi di catania - sede di siracusa - aula magna palazzo impellizzeri - via maestranze 99 - ore 10.00
12 maggio-trapani ordine degli architetti p.p.c. trapani - via fardella 16 - ore 16.00
13 maggio-palermo
19 maggio-venezia facoltà di architettura IUAV - s. marta ex cotonificio veneziano - aula mapi - ore 15.00

I dettagli relativi alle presentazioni verranno aggiornati periodicamente.

SEMINARI E WORKSHOP


WORKSHOP DI PROGETTAZIONE LISA DIEDRICH "FIELDWORK-FIELDWALK. PERCORSI TRA CITTA' E CAMPAGNA"

Milano, 25-29 giugno 2008

L'azione progettuale dell'architettura del paesaggio in Europa interviene con sempre maggiore frequenza nei territori in cui la presenza umana ha trasformato nei secoli l'assetto originario adeguandolo alle esigenze produttive dettate dallo sfruttamento agricolo. Qui l'architetto opera nel paesaggio culturale e non in quello naturale. Ma il valore della campagna come depositaria della storia della cultura produttiva locale si è legata al destino dell'agricoltura europea, fragile e sempre più disponibile a imprevedibili quanto repentini riassestamenti formali e strutturali di fronte alle variazioni continue delle leggi del mercato globale. Nella scala dei valori della società contemporanea quello assegnato alla fruizione della campagna a fini di svago e di tempo libero ha superato quello strettamente produttivo. Il consumo del territorio come fatto culturale induce l'architetto europeo ad un approccio sensibile e attento a comprendere la logica della struttura del paesaggio per operare quelle scelte di permanenza e di trasformazione di tutte le azioni in grado di modificarne l'evoluzione.


SEMINARIO INTERNAZIONALE "PARCO FLUVIALE DEL GUADIANA. RIFARE PAESAGGI"

Serpa, 25 luglio - 3 agosto 2008


Lo sviluppo turistico della valle del Guadiana nel sud della penisola iberica tra Portogallo e Spagna è vincolato alla creazione del parco fluviale grazie al quale sarà possibile individuare, proteggere e valorizzare gli elementi caratterizzanti lo straordinario paesaggio del Basso Alentejo. D'altra parte la filiera dei prodotti agricoli locali DOP (vino, formaggio, olio, pane) che hanno goduto di una recente performance sui mercati internazionali rischia di essere compromessa dalla creazione del più esteso bacino idrico europeo: l'inconsueta disponibilità di acqua dolce offerta dalla diga di Pedrògão introduce ora nel territorio trasformazioni inattese dell'ecosistema e delle tecnologie agricole che rischiano di perturbare l'intero sistema economico e sociale locale. La coesistenza delle necessarie infrastrutture per l'ospitalità turistica, la crescente evoluzione della struttura produttiva e i tratti del millenario paesaggio antropico saranno i materiali con cui si dovranno misurare i progetti per il futuro parco del Guadiana.

Per informazioni ed iscrizioni:

ACMA Centro Italiano di Architettura
via Antonio Grossich, 16 20131 Milano
tel +39 02 70639293 fax +39 02 70639761

www.acmaweb.com acma@acmaweb.com

segunda-feira, maio 5

A consistência dos sonhos




Quem disse, algum dia, que os sonhos eram leves e careciam de consistência
tão longe estava, de facto, de saber o que era sonhar!

(Fiquei com curiosidade de ir ver a exposição.
Mas hoje não: hoje é o primeiro dia do resto da minha vida e prefiro apenas reter a ideia que o título me conseguiu sugerir).

UMAR-te


No âmbito das iniciativas de divulgação do Congresso Feminista, a UMAR Porto realizará o ciclo de cinema 'UMAR-te assim perdidamente...' de 12 a 18 de Maio, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, com início às 21.00h.
Durante uma semana serão exibidos filmes, abordando diversas temáticas relacionadas com os feminismos, seguidos de debate com especialistas convidados e convidadas.
Segue em anexo o folheto de divulgação.

No meu vestido de seda bordarei as palavras que te quero dizer

No vestido da minha seda
mil fios estão ainda para tecer, pano fino, a brilhar
inventando o luar de Maio, o meu lugar













No meu vestido de seda
bordarei as palavras que te quero dizer
como se o tecido e o corpo
fossem a matéria mesma: a minha pele.

Brilhará o pano dourado
na trama que para ti vou inventar
Trama de Clio, será?


Sim, porque a a deusa da História ainda não começou tecer!

A Primavera é o meu luar
nela bordarei a poesia que se espalha ao vento,
em Maio, nesse lugar que é o meu.

domingo, maio 4

À minha mãe o seu dia. Às mães




Acordou o dia antes do nascer do Sol
mas entrou com a casa defumada e perfumada
os meus LARES acesos lembrar-te-ão mãe.


No sorriso louco das Mães

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas senta-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
a através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

(in «A Colher na Boca»)



HERBERTO HELDER

(1930)

Intimidade





















A intimidade é uma construção, cada dia o seu dia
a ouvir o sangue latejar, o coração a bater como se fosse rebentar,
descendo degrau a degrau até ao mais fundo de nós
até descobrir o ser que de nós restará.

Há momentos em que para a descobrir temos que conhecer o sabor acre
que o sofrimento tem.
Sulcos doridos na pele.
Mas a alma restará, mesmo assim.
Só não há Reconstrução quando se não quer.

Todos os dias deste Maio do meu renascer tenho descoberto, em cada folha de papel, em cada fotografia dos que me pertenceram e já partiram, como é duro, mas redentor, saber fazer a arqueologia de nós.
Saber reconstituir-nos.

Aprendendo a viver com os sulcos que ficaram na pele.

Hoje fui mergulhar no mar, salgando o corpo na água fria, até conseguir sentir que até a pele pode cicatrizar.

sexta-feira, maio 2

O Japão no Feminino, TANKA, Séculos IX a XI

Deitada e sozinha
de cabelo negro solto
e emanranhado,
sinto desejo daquele
que primeiro o veio tocar.

Porque não terei
pensado nisto já antes?
Este corpo meu
ao recordar tanto o teu
tem a marca que deixaste.

Neste nosso mundo
amor não tem qualquer cor -
contudo está profundamente
manchado com a cor do teu!

(...)

Molhado em amor e chuva -
se alguém vier perguntar
qual deles ensopou
a roupa desses teus braços,
o que lhe responderás?

Mesmo que eu agora
te visse uma vez que fosse,
o meu desejo de ti
atravessaria mundos,
todos esses mundos.

Não fiques corado!
Todos adivinharão
que dormimos juntos
sob as pregas enruagadas
deste manto avermelhado.
(...)

Isumi Shikibu (974?-1034)

Tu não



Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


TU NÂO

Intérprete: Francisco Fanhais; Adriano Correia de Oliveira
Música: Francisco Fanhais(Padre)
Letra: Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, maio 1

Rituais e Cerimónias, 1993, revista de História, nº 15 Coimbra

É bem verdade que as palavras e a História se moldam, como bem o explicam os cabalistas, da associação das letras que, ao olhar dos Humanos parece, por vezes, caótica, mas que todo o sentido faz para o Divino. Nada nos acontece por acaso, diria eu, nem por acaso, recorrentemente, voltamos aos temas de que gostamos, mesmo quando nos pareciam já coisas "arrumadas"

A propósito de uma comunicação que tinha que preparar, sob o título genérico «Afinal existe Património sem a Palavra e sem o Ritual?», redescobri outro livro, revista ao caso, fantástica, que acima referencio.
Aconselho veementemente a sua leitura, pese já ter mais de dez anos, pois muitos dos seus artigos são verdadeiros tratados. Se tivesse que escolher, bom ... recomendaria «Os jogos de gladiadores no Mundo Romano» de Helena Paula Abreu de Carvalho; «Dereito de Pernanda na Baixa Idade Media» de Carlos Barros; «Moralidade e bons costumes» de Paulo Archer de Carvalho ou, ainda, «O Performativo Cerimonial» de Mário Mesquita.
Mas há muitos outros para ler e que valem mesmo a pena.
E, já agora, recomendem-me coisas a propósito da Palavra e do Ritual.

Para a tua Metropolis a poesia de Mário Cesariny


Imagem: P.P. Obrigada

Sonhei-te numa cidade espacial
numa metropolis sem nome,
com um número talvez, como tantas iguais
mas onde, para além do labor, irradia a luz
e ainda se podia ouvir poesia no ar.

Sei hoje que essa cidade se afundou.
Mas mesmo assim ainda se ouvem poemas no ar.

Movimento

«movimento de alma
silêncio, emoção
de doçura meia,
essa tua palma
sobre a minha mão
o que tem que eu leia?

para lá da floresta
onde as coisas são
sem minha licença,
mais lenear que esta
confusa razão
da tua presença

não há outro sim
que não tem dizer
e é mais movimento
qualquer coisa assim
como um tempo sem fim
como um espaço sem tempo»

Manual de Prestidigitação, in Poemário, 2008, Assírio & Alvim


«Queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma»

Manual de Prestidigitação, in Diário, 2008, Assírio