sexta-feira, junho 6

O Teatro no Mundo Antigo

1º Encontro de cooperação nas àreas do mundo antigo e memória cultural
O TEATRO NO MUNDO ANTIGO
10h00 Recepção: Professor Doutor José Viriato Capela (Universidade do Minho)
10h30m Secção da abertura: Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira (Universidade de Coimbra)
11h00m Professor Doutor Ribeiro Ferreira (Universidade de Coimbra)
"Diónisos e as origens do teatro"
11h30m Professor Doutor Delfim Leão (Universidade de Coimbra)
"O teatro antigo em contextos de representação
12h00m Professora Doutora Maria do Céu Fialho (universidade de Coimbra)
"Dionisos, o Deus da Mascara sorridente nas Bacantes de Eurípides"
12h30 Professora Doutora Manuela Martins (Universidade do Minho)
Professor Doutor Rui Morais (Universidade do Minho)
Doutor Jorge Ribeiro (Universidade do Minho)
O teatro e anfiteatro de Bracara Augusta

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quinta-feira, junho 5

Hoje fomos ver a exposição




Porque é bom aprender que até nos sonhos há consistência!
Sim, até nos sonhos é preciso ter espessura e persistência.

Senão nenhum sonho será real!

Ainda não é desta que a minha terra natal vou visitar



Ainda não é desta que inalarei o cheiro doce da terra quente que me viu nascer.
Só se pisa o chão sagrado depois das libações.
Um dia irei, certa como estar aqui.
Nem que para isso te tenha que ceder o resto das vírias que ainda tenho nos braços.
Sim, irei, depois das libações. Primeiro há que do templo saber tratar.

Irei, um dia, segura como estar aqui.
Até lá.

Como diz o mais belo fado de Portugal que a nossa diva Amália soube cantar:

«Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não».

quarta-feira, junho 4

O que é afinal real?


O que nos faz sonhar!
O que nos faz sofrer?

O que nos faz continuar!
Sim, isso é o real.

(À Mariana, para que nunca tenha sonhos maus).

terça-feira, junho 3

Obrigada Cris, meu bem património cultural, ou melhor, "minha geografia afectiva no território social"

Não sei se vou reler as cartas ou as tuas anotações.
A dita, a soror, iria gostar!
Pobre, do corpo falou ... mas amor, tanto, pediu de mais!
Lá fora da janela havia a França distante... sem retorno.
Mas bem, as Cartas, as "Portugaises", como hoje contigo aprendi, são belas e vou reler.

Diálogo intercultural: o Festival Sete Sóis Sete Luas abre portas!

«A promoção da arte e cultura com vista à aproximação entre
paises, cidades e pessoas é a base na qual cresce o Festival Sete
Sóis Sete Luas, prevalecendo uma estratégia de coesão,
descentralização territorial e fusão intercultural (...)
A par destes objectivos, a rede cultural do Festival Sete Sóis Sete
Luas impõe-se com um factor de consolidação e descentralização da
vida cultural (...)
A apresentação da XVI edição do Festival Sete Sóis Sete Luas
será já nos próximos dias 4 a 9 de Junho, através de quatro
conferências de imprensa a realizar nas cidades espanholas de Cádiz
– dia 4 na sede da Diputación Provincial de Cádiz; Huelva – dia
5 na Sede da Junta da Andalucía; e Granada – dia 9 também na Sede
da Junta da Andalucía. Na capital portuguesa, Lisboa, a conferência
de imprensa terá lugar no dia 6 de Junho na Sede do Instituto
Italiano de Cultura, assinalando assim a nova temporada e divulgando
as linhas programáticas do evento. O Festival, produzido em quase 30
cidades de 9 países diferentes (Cabo Verde, Espanha, França,Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal e Croácia), contará com
um vasto número de projectos de música popular, teatro de rua e
artes plásticas.

Mais uma vez em 2008, a máquina voadora “passarola” - da obra
«Memorial do Convento» de José Saramago, que se tornou a imagem do festival – transportar-nos-á através do sonho em direcção à arte e ao espectáculo».

Informação obtida a partir de Festival 7sois7luas [prod@7sois7luas.com]

info@7sois7luas.com>

segunda-feira, junho 2

Ollolai Ballet, Cerdena

ollolai

paroles, son sempre tutte paroles d'amore



Tenores di Orosei, Su Dillu Cerdena (Sardinien)

Tenores di Bitti

Na Sardenha canta-se a várias vozes.

domingo, junho 1

Para ti e à minorca, também alentejana. Porque hoje é o dia da criança.




O Alentejo que sonhei e de que vou falar .....
Sim, dessa teia indizível que constrói os territórios.
Falará também Portugal.

sábado, maio 31

Procurando Cagliari - A arquitectura dos afectos



















Amanha falarei da arquitectura dos afectos. Como diria a a Cris, «as nossas arquitecturas afectivas no território social».
Ao Antonio Angelillo que tanto dela me tem ensinado, tantos mundos corridos, mas ainda, sempre, palavras para dizer.

E a ti, também, com tantos lugares para ainda inventar.



sexta-feira, maio 30

Em Roma é-se Romano


Cagliari, Sardenha à vista























A Universidade de Cagliari e a Região da Sardenha vão organizar, a partir de 29 de Maio, um encontro de Arquitectura, o FEST'ARCH 2008, dedicado, este ano, aos projectos turísticos com sustentabilidade que se baseiem numa melhor articulação com os recursos regionais, designadamente os Culturais.


Até lá A.A..
Per quattro giorni Cagliari e la Sardegna
diventano l'epicentro dell'architettura internazionale La Sardegna e Cagliari, luoghi di trasformazione e in trasformazione, nodi essi stessi del cambiamento, si offrono come scenario ideale per lo svolgimento di una manifestazione che non vuol essere solo una parata di opinioni già formate, ma al contrario: laboratorio, officina, fucina di proposte, tensioni verso il futuro o agganci al passato recente o ancestrale.
In questo senso, è tutt’altro che casuale che il luogo centrale del Festival sia la Manifattura Tabacchi, archeologia industriale urbana e luogo simbolo di un punto di vista attivo e “produttivo” verso la cultura, laboratorio ideale per la “Fabbrica della Creatività”. info@festarch.it © Festarch - Primo festival di architettura in Sardegna
Para conhecer: «Cagliari (antigamente chamada de Karalis) era habitada por tribos sardas. Mais tarde os Fenícios colonizaram a Sardenha e no século V a.C. passou aos Cartagineses, e nesse período a cidade teve um rápido desenvolvimento. No ano de 238 a.C. Cagliari passou aos Romanos (junto com o resto da Sardenha e da Córsega). Em meados do século V d.C. foi ocupada por Vândalos e mais tarde foi conquistada por Justiniano». in Wikipedia

Esta Lisboa que eu amo





Que bem que se pode trabalhar no Hotel Palace!

quinta-feira, maio 29

Cicuta doce

Vieste servir-me cicuta doce na hora do adeus
fiquei com um copo de cristal na mão,
mas não, não a traguei
olhei-a distante e pensei
vou servir-ta de volta
gota a gota, tempo infinito,
até que sintas como é amargo
não ter um lugar qualquer
até que com essa dor aprendas a viver

Quem sabe um dia a brisa do mar me venhas trazer,
num outro instante de Alento, de Eterno
mas sem veneno no paladar
sem medo da morte, sem vergonha do vento.





A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada

esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos

espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo


Al Berto, O Medo
Lisboa, Assírio & Alvim, 1997

quarta-feira, maio 28

o valor do trabalho




















pensar as pedras que falam ...
ouvir os segredos, como se fossem búzios do mar
arrancar à terra o que ela consegue contar
arquitectando tantos outros lugares
À Bettips.

Tanto rio, tanto mar




















Da minha janela espreita-se o lugar, o abrigo
onde os rugidos do mar vão embater

Filmes à Letra

publicado a partir de: bgrip

«Em Maio de 2005, o GRIP realizou a sua primeira iniciativa pública, com um ciclo de cinema. Passados três anos, vai assinalar este aniversário com o Filmes à Letra - um ciclo dedicado a todas as letras do 'LGBT'. Quatro fins-de-semana, oito filmes, e conversa q.b. vão ser a nossa maneira de comemorar a riqueza e diversidade destas comunidades, que, diferentes entre si, se vão reunir no mesmo espaço

Programa:

30 de Maio: Boys Don't Cry

31 de Maio: Ma Vie en Rose - conversa com Nuno Carneiro e elementos do GRIT

6 de Junho: Gia

7 de Junho: Kinsey - conversa com Isabel Menezes

20 de Junho: Imagine Me and You

21 de Junho: Producing Adults - conversa com Maria João Silva

4 de Julho: The Bubble

5 de Julho: Wedding Wars - conversa com Gabriela Moita

O Filmes à Letra apoia o Congresso Feminista 2008 – a decorrer entre 26 a 28 de Julho, na Fundação Calouste Gulbenkian e na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Parceria: UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta)».

publicado a partir de: bgrip

Ver ainda:
http://teatrotictac.blogspot.com
geral@congressofeminista2008.org

O meu amigo João mais do que tudo (II) reeditado. Não se bate à porta dos outros se não fôr para a verdade falar.

A última coisa que me ocorreria é tornar este blogue num espaço de confidencialidades e muito menos confessional.

Mas, como, por vezes, todos nós acabamos por ser emocionais no que escrevemos, e assumindo tudo o que narrar sei, pois, reitero, pela enésima vez, acredito que a palavra é ainda a única coisa que nos sobrevive e que nos salva, e que quem tem gestos completamente discrepantes do que diz, ou está num processo de fissuração pessoal muito intensa e grave, ou é de uma perfídia profunda e assutadora que merece ser confrontado, mesmo denunciado, não poderei deixar de dedicar umas palavras mais ao meu amigo João, mais que Tudo, até tendo em mente que, do que anteriormente escrevi, obtive reacção.

Escrito, efectivamente, a pensar num tipo de situações que cada vez mais se vai tornando vulgar que é o total esbatimento da palavra enquanto efectivo lugar de comunicação (tão esquecida está a expressão "Um homem de palavra"), porque a mentira e o autismo vai impregnando muitas almas, ocupando o espaço que deveria pertencer à criação, não pretendeu o meu texto ser senão um depoimento sobre uma situação conhecida sobre a qual, até por me ser mais intimamente ligada, através de pessoas a quem há tanto tempo prezo e estimo, tive oportunidade de reflectir, ciente que é mais comum do que se possa imaginar.

Bem sei, que a escrita, o testemunho dito e escrito, ainda continua a assustar, como mecanismo de aferição da alteridade ........ mas, se a palavra existe é para a sabermos usar!

E, por isso, volto hoje a narrar, não poderia deixar de o fazer!

Porque as minhas palavras originaram e, sei-o bem, originarão reacções!

E porque sei que um dia, pelo menos isso sei, a minha história será ainda libertadora para quem a sua não foi capaz de enfrentar.
Porque viver sempre no sofrimento da mentira e da indecisão não é saber viver!

Sei amigo João que, mesmo sem querer, ainda te estou a ajudar, pois não a saberias contar. Talvez não me devesse preocupar com isso, mas quem sabe, um dia ainda te vá libertar.

Não reajas, portanto, uma mais, sem pensar!

A situação anteriormente descrita, de alguém que, perdido, por se sentir exactamente assim, ia sugando tudo em seu redor, sem que disso desse conta (?), já nem isso sei bem, mas que nada tivesse conseguido aprender, provocou um mecanisco acelerado de sucção.

Certamente por ter enfiado uma espécie de "carapuça", a personagem que se sentiu visada resolveu agir, reagir, tendo mesmo a minha casa procurado para me tentar explicar das suas razões.

Uma vez mais, claro está, quase me pareceu estar, de novo, a usar um processo de fuga ..., desespero de quem se sente a perder o pé.

Claro, também, e uma vez mais, não parou para pensar antes de agir! E se o fez, apenas o tempo o dirá!

Resolveu, na continuidade da perdição, ainda mais a acentuar.
Criando, chegou a ocorrer-me, outras tantas efabulações mais, com a graça de nem tão pouco temer o testemunho!

Num sufoco típico de quem já não pensa senão em salvar a própria pele, ou, quem sabe mesmo, apenas já não consegue respirar!

Desta vez a desculpabilização envolveu tanta gente, gente de mais, quase me pôs a sucumbir a mim, a tentar ouvir ... acreditar e entender, com criança a ver, pois com a sua chegada os seus desabafos urgentes, ao raiar do Sol, nem a pude poupar ...., quase se pôs ele próprio e outros tantos mais a morrer, tal filme de Almodôvar na sua versão mais apurada (antes visse o Crash que esse, pelo menos, contém o Pecado mas também a Salvação!).

Felizmente a minha amiga poupada ficou a tal turbilhão!

Quase conseguiu fazer com as suas angústias fazer sentir culpados os outros, ou melhor, a mim, porque não o tinha conseguido entender ...

Mas sempre manifestando amor, sempre falando de amor, de crescimento, e do amanhã! De promessas de uma mudança desejada, crente e verdadeira!

Escutei, escutei ... pese já ter jurado que não o faria mais.

Uma coisa boa tenho que ressalvar, conseguiu admitir a mentira e a omissão, se bem que tentando escamoteá-la ainda com algumas desculpas vãs!

Disse-me que ia emigrar de novo (afinal sempre tinha partido antes, como me haviam informado amigos comuns).

Achei bem. Quem sabe assim o meu amigo tenha tempo para definitivamente se enfrentar!
Se a loucura não acabar por dele se apossar. Espero bem que não!

Quem sabe a solidão o faça pensar!

Afinal é tudo tão simples quando a verdade se consegue enfrentar.
É tão somente saber olhar os outros, como se ao espelho nos conseguissemos ver, e dizer o que há a dizer.

Tão simplesmente isso, sabermo-nos olhar e dizer a verdade que vai no mais fundo de nós.

E apenas assim, com esse pacto que a palavra tem, conseguirmo-nos entender, conseguirmos encontrar a via possível que nem sempre é o que os outros consideram "ideal", mas que é a via possível para o que nos torna melhores e mais felizes.
Só que, infelizmente, há quem isso não consiga fazer, nunca tenha aprendido a fazer, tão moldado foi a encontrar na fuga a solução.
Mas, está-se sempre a tempo de começar (?)!

Pois é, bem sei, um blogue não é um lugar de confissão, mas um lugar de comunicação.

Por isso estou a falar, a narrar uma história que, repito, de outro modo, não saberia ele, certamente, contar.

Um dia, reitero, ainda o meu amigo João mais que Tudo me irá agradecer de o ter feito, não me acusando, como agora, de a sua intimidade estar a romper... (coisa que pouco me preocupa, aliás, pois, para isso me merecer alguma consideração, era preciso a dos outros não violentar) porque a minha história, sei-o bem, sabe ele também bem, ainda o vai libertar!
Com o peso do remorso e da fuga como solução é que não pode continuar a viver.

E a intimidade não se proteje porque, com o pérfido silêncio dos outros, ou com a sua cumplicidade, comprado a que preço nem eu sei (relembro o texto que aqui escrevi sobre a chantagem e a corrupçao - que têm em comum?) nos passamos a vida a esconder, sem nunca assumir que as nossas palavras e os nossos gestos são também escolhas e que todos têm as suas consequências, afinal. Porque isso é que é viver.

A intimidade não se corrói porque a vida se consegue enfrentar! Rompe-se, isso sim, quando somos nós os primeiros a não a respeitar.
Por isso há que parar, por vezes, para pensar.

Alguém teria que contar esta história. E ele não está capaz, não era ainda capaz de o fazer!

Um dia Luz se fará!















P.S.: Adorei ver o meu amigo de aliança de brilhantes na mão.
Disse-me que tinha uma igual para te entregar amiga, mas quase se envergonhava de o fazer.
(Aliás está muito envergonhado o nosso amigo, mas também lhe disse que a maior vergonha é a que temos quando nos olhamos no espelho e não para os outros).
Guardei-a comigo cerrando a minha mão, mas aconselhei-o, por ora, a não a deixar.
Porque sei que não lhe darias a tua mão assim! Porque até me queimaria a minha mão.
Haverá ainda caminho a percorrer para a poderes usar!
E o tempo, o tempo é o que é, tudo acaba por fazer viver ou matar.

No entanto amiga, bem mais serena do que eu que consegues ser, dou-te razão, quando não se é capaz de olhar o espelho, de o encarar, quando até dele temos medo, é melhor dizer, tão simplesmente, como conseguiste tu fazer: não varras o lixo, não apanhes o lixo do chão!

E aí, sim, há que amuralhar, amuralhar! No meio do turbilhão alguém tem que manter a lucidez!

Ao João, seguir-lhe-ei os passos possíveis ... quem sabe a vida me vá ainda surpreender! Não sei, há tanto trabalho a fazer.
Desejei-lhe, contudo, que a caminhada que fosse de feição, não fosse o meu amigo ser ainda mais engolido pelo abismo, tão acossado o achei.
Já não escreve pela sua mão, não fossem os grafólogos começarem a opinar, compraram-lhe o silêncio a troco de nem sei bem do quê, mas de um pérfido pacto se tratará, hipotecou a capacidade de se exprimir e nem mails pode mandar, porque tem pânico de tudo que o possa comprometer, muda de telefone conforme a personagem que quer representar - só no último ano lhe conheço pelo menos quatro - num jogo de espelhos e de loucos que não sabe gerir e onde se está completamente a deixar engolir.

A viagem, o retiro, só lhe pode mesmo ser de feição!
Porque ao lugar de origem, sei-o bem, sabe-o ele tão bem, nunca mais voltará como partiu, senão para descansar. Só que ainda tem medo de o aceitar!

Por isso há que saber partir.

Talvez por morse, quem sabe se sob outro pseudónimo qualquer, mas, estou certa, que um dia vai dar sinal!

terça-feira, maio 27

Lisboa está lilás



Lisboa está lilás.
A Russinha tinha a cor das árvores e das pétalas caídas no chão.

segunda-feira, maio 26

Caranguejo, Ruben A.

Pela primeira vez apetecia-me escrever um livro. Quero pôr a claro toda esta trama de sentimentos, despegar-me daquilo que me besunta. Criar em absoluto uma extraterritorialidade. ver as ligações das pessoas e das coisas projectadas num palco grego e sentar-me comodamente no anfiteatro. Dar palmas aos meus personagens evitando que eles enjoem pela banalidade. Cá de cima gesticular ao entardecer e movimentar em atitude tudo aquilo que entra pelos olhos dentro. Não sei se o teatro é melhor que o romance para eu sacrificar. Parece-me que sim - parece-me mesmo. Ela pertencer mais ao que não se descreve. Ela é mais o dizer e o evitar de ambiente.
Ruben A. in Diário, 2008, Assírio & Alvim

Madrugada

















«Rápidas mãos frias
retiram uma a uma
as vendas da sombra
Abro os olhos
Ainda
estou vivo
No centro
de uma ferida ainda fresca».

Octávio Paz, Rosa do Mundo - 2001, Assírio & Alvim

Hoje, ao chegar a casa, vi uma ambulância. Soube minutos depois que tinha morrido o meu vizinho do primeiro andar. Pensei, podia ter sido eu ... podia ser eu.
Mas não. Fechei a porta de casa e murmurei ... não, ainda não foi a minha vez e quero amanhã acordar.

(no princípio era o Verbo ...
e quem não souber que o Verbo é o princípio e o fim de tudo não poderá nunca entender que sentido tem a vida afinal).

Sulcos


Fot. P.P.

Branco é o manto que um dia me vai cobrir
branca a toalha que o teu suor limpará
brancas são as noites em
S. Petersburg ou em Edmonson
só não são brancos os sulcos que tenho na pele.

domingo, maio 25

História Unversal da Infâmia, Jorge Luís Borges


«Já matei 12 homens, sem contar mexicanos». A frase, atribuída pelo autor do best-seller ao bandido Billy the kid é uma demonstração da ironia e do humor de Jorge Luís Borges que, na sua História Universal da Infâmia, faz uma coletânea de curtas biografias romanceadas dos maiores malfeitores da humanidade. (a partir de Submarino)

Recomendo. Ando a reler.
Para recordar que há infâmias de todos os tipos: a dos homicidas, dos ladrões, dos chantagistas, dos mentirosos ou manipuladores.

A propósito da história da infâmia: o meu amigo João mais que Tudo, mas que podia ser outro qualquer (I)

Hoje almocei com um suposto amigo meu, cujo nome, aqui apenas designado por João, não é tido nem achado neste lugar.

Rapaz garboso, menino grande, esperto e composto, talvez um pouco vaidoso, pelas qualidades que enunciei, que por generoso se faz passar - porque com isso talvez nos pense cativar, tudo, aparentemente, dando, sem nada cobrar - e a quem eu tenho (tinha, ou julgava ter) uma certa afeição.

Divertia-me com as suas histórias, singelas, num primeiro olhar, histórias de cafés, de copos e bares e, subliminarmente, mulheres ... é um facto, pensava eu, que ele me conseguia entreter, despreocupando-me com as suas "travessuras" banais!

Casado, cedo abraçado a uma mulher, igualmente se tornou no divertimento de outras fêmeas que, aproveitando o escasso tempo livre da esposa mãe, por ele de amores se foram caindo e perdendo.

E assim o tempo foi passando: entre mãe e filhos e outros encantos mais, ele foi continuando a ser o passatempo de amigas e amigos com as suas histórias de ocasião.

Há uns tempos atrás (anos passaram, não saberei dizer quantos foram, afinal, mas já ultrapassaram os dedos de uma mão), pediu-me uma "entrevista" especial, urgente, carente; precisava de me falar!

Desta vez era uma história especial, com a qual quase não sabia conviver.
Circunspecto, em vez do seu ar normalmente jovial, disse-me: desta vez nem me vais acreditar, nem mesmo eu te sei como te contar: apaixonei-me verdadeiramente, consegui aprender o que queria dizer amar!

Talvez lhe devesse ter respondido qualquer coisa banal, como por exemplo "acontece aos melhores"..., acostumada que já devia estar aos seus episódios.
Mas satisfeita de o ter visto em tal momento de confissão, em tal propósito de amar, em vez de o demover, tal velha amiga ciumenta com receio de perder as horas de descomprometida companhia, soube, contudo, dizer: "Que bom, finalmente vais crescer! Estás bem certo do que estás a dizer?".

Reafirmou-me a sua convicção durante bastante tempo mais. Anos mesmo mais.
Ia eu, de vez enquando, perguntando, com um ar superficial, mas afinal em que ficas se nenhum gesto conseguiste fazer que altere a tua situação?

Desculpas muitas, coisas para resolver e coisas para tratar ... e eu pensando ... bom ... a vida tem os seus tempos, quem sou eu para lhe ditar os meus?

Finalmente, um dia, voltou a anunciar: desta vez é que é. Vou ter que mudar! A minha vida vou transformar. Estou disposto a não ser mais e apenas uma espécie de bobo da corte, a que todos se habituaram a ver em mim. Estou cansado desse lugar ocupar.

Não sei se verdadeiramente acreditei (penso mesmo que não, tanto me habituara aos desfechos das suas histórias banais), mas, mesmo assim, tão crédulo estava, que lhe resolvi dizer:
"Vai força, certamente que a vida vais, de novo, conhecer!
Estás a precisar de contigo próprio romper, estás a precisar de mudar e de crescer".

Soube por conhecidos e amigos meus que um salto ele quis dar, foi estudar, foi conhecer outros lugares para trabalhar.

Mas, entretanto, já a sua suposta grande paixão vinte mil léguas tinha conseguido palmilhar: mudar de casa, trocando de lugar e local de trabalho, tentando não encarar o ofício como a sua único e grande amor, convicta no ele lhe dizia e para ver se o seu bem amado nela conseguia finalmente confiar (pois ele com muitos ciúmes e desconfianças múltiplas a seu respeito ia escondendo as que o corroiam a si próprio)!

Aparentemente, julgava eu e outros tantos mais, lá se tinha decidido ele, finalmente, tentar arriscar e tentar mudar, não sei se por convicção, mas porque, à força de ver decidir, e de tanto ter anunciado, se envergonhou de nada fazer!

Hoje telefonou-me, de novo, urgente, carente, quase não o reconheci, voz dormente, "contigo amiga preciso de falar".

Julgo que já teria bebido demais, não sei, só sei que o ouvi sussurrar: afinal não consegui, não consigo mudar! Ela tudo mudou, tudo fez para caminhar, mas eu ... o meu lar, os meus filhos (tão recorrente e melodramática se tinha tornado esta frase nele ...), esses não posso não posso deixar! Eles não me iriam aceitar.

Quase tive vontade de rir (talvez chorar?) daquele desabafo, caricato, ao olhar menos torelante que hoje tinha e, quem sabe, fruto do cinza que na tarde se espraiara.

E ele continuando a beber...

Só fui capaz de perguntar: "o que te faz sempre fugir? O que te faz continuamente a ti próprio enganar? O que te faz mentir? O que te faz envolver os outros no que não és capaz de ser e agir?

Recordei com desiteresse as mil histórias que nos tinha contado, ou de que tinha amigos ouvido falar, de fugas, de mentiras, vexames, alguns dos quais envolvendo filhos e mulher.

Histórias de que, por momentos, me tinha conseguido rir e que me tinham feito descontrair.
(Afinal quem não precisa de ouvir algumas histórias contadas com humor?)

Mas desta vez não, não consegui rir.

Resolvi ao trabalho regressar, se bem que, no caminho, me tenha posto a pensar:

- Como me posso eu divertir com amigos assim, se afinal de nada mais sirvo do que uma almofada para ele se continuar a escutar e apenas a si próprio?
- De que me servem histórias destas se, no fundo, pouco consegui dizer ou aprender?
- Para que servem amigos desta feição que nem o outro lado do espelho conseguem ver, nem tão pouco o eco ouvir?
- Para que sirvo eu também se nada lhe consegui transmitir?.

Tentei escrever, trabalhar, mas o João mais que Tudo e as suas histórias banais não me saíam da cabeça, tão enfastida me tinha conseguido deixar, até que a mim própria declarei: amigos destes não quero mais!

Podem servir para me fazer rir em momentos de solidão, podem ser um espécie de lastro a que me vou agarrando ... porque acompanham bem um vinho de momento e de sabor, mas quem sou eu, então, para que tais histórias me continuem a fazer divertir?

Histórias iguais ... sempre iguais, de desculpas muitas, e de servidões!
Já basta o tenho para viver, o que tenho que fazer!
Histórias destas acabam por tédio criar.

Amanhã telefonarei ao João e vou-lhe, garantidamente, dizer:

Até quando nos queres divertir se, do outro lado, há choros a ranger e a tanger, decisões a tomar, coisas por fazer?
Egoísta amiga fui eu também que nunca tinha conseguido espreitar o outro lado do espelho que era também o teu! Isso também lho saberei dizer.

Se ao teu lado há a esposa a esperar e, por outro, pessoas que em ti ainda quiseram acreditar?

Não amigo João, com sorte ainda irás fazer parte da História Universal da Infâmia e eu não estou aqui para te aturar nem para as contar!
Porque as tuas ingénuas estórias fazem parte de qualquer História a que não posso pertencer, que já nem me conseguem divertir.

Bebe, bebe, vai dormir ... talvez um bom pesadelo, um dia, te faça acordar.
Ou, quem sabe, uma qualquer Salomé a tua cabeça vá pedir em bandeja de prata.

Amigos assim já não me sabem fazer rir!
Não que seja moralista, mas a mentira, como atitude constante, recorrente, cada vez mais náuseas, mais urticária, me conseguem causar.

Pena? Não sei, apenas deixarei de ter companhia para esses momentos de álcool, de humor ou de desolação.

Quem sabe se, sem audiência, sem nos divertir, um dia te consigas, de facto, escutar.

Senão talvez seja melhor emigrar ... correr o mundo, retirar para pensar, não sei, talvez te venham buscar, apanhando os estilhaços teus, mas histórias como essas eu não quero mais ouvir.
Apenas porque são e serão sempre iguais!

E continuando eu pelo caminho que tenho levado, tu, uma vez mais, nos contarás histórias banais, como se para além de ti nada mais existisse do que um trago de vinho e de bom humor.

É que desta vez quem sofreu na pele as tuas "suaves" infâmias também amiga minha é. Com ela vou estar, porque, ao contrário de ti, conseguiu crescer e mudar.

Sei que lhe continuaste a mentir, quando não silencias, porque já não sabes o que lhe dizer.

(João mais que Tudo, onde está a Liberdade e a Justeza do que, em dias e noites animadas, nos quiseste convencer???)

Tão acossado, encurralado ficaste na tua própria malha, que construiste a tua própria prisão!

Mas também sei que a minha amiga o "lixo não vai varrer, que não o vai apanhar do chão"!
Aprendi, com ela, a ver como são cruéis as tuas histórias de encantar!
E a mim não me farás mais sorrir em vão.

P.S.: Por mim, pelo menos por mim, que tantas histórias soube escutar, sabe um dia pedir desculpa a todas essas mulheres que não soubeste amar, a quem mentiste e enganaste, e, por favor, nunca mais nos fales dos filhos intocáveis (expressão que tanto te ouvi ultimamente usar) e que não conseguiste deixar ... só te fica mal, porque eles mais não são que o nosso espelho e do que o exemplo de verdade que podemos e conseguimos mostrar. E do amor que lhe conseguimos dar.
Não os uses também, quando as coisas já não te estão a caber, já não te calham de feição!
Porque merecem os filhos de todos e quaisquer pais serem, de facto, respeitados, e não incluídos, engolidos, em teias de indecisão.
Certamente te lembrarás, nas histórias que viveste e tão humoristicamente nos soubeste narrar que também havia filhos de mães a quem envolveste com as tuas canções... e outros pais, amigos e casas a que(m) cuja intimidade, pelos vistos, não soubeste respeitar!
E é por eles, para eles, que estou a escrever: é preciso testemunhar.

Porque a minha amiga, sei-o bem, apenas dirá, de si para si, "bela oportunidade perdeste para crescer". Quase a consigo imaginar, bem mais serena do que eu, como sempre consegue ser.
Tentarei com ela aprender o que de ti não terei para narrar, pois no medo te conseguiste embrulhar.

quinta-feira, maio 22

Entronização, Leonor de Almeida



Tenho o braço cansado,
A mão dorida, trôpega ...
Mas uma espécie de ânsia sôfrega
Ordena:
Empurrar tudo!
- Não quero, nem passado,
Nem presente,
Nem futuro! -

O braço faz de muro,
A mão abre caminho, coerente ...

Quero uma estrada cá dentro ... lisa, plena,
Para a tua palavra mágica, profética,
Bela e magnética,
Passear livremente,
E demoradamente!...
(Antologia da Poesia Portuguesa
1940- 1977, 1º Volume)

terça-feira, maio 20

Obrigada Dulce Ferraz por nos mostrares as belas peças do teu labor



Contigo estarei no lugar em sabemos nos vamos encontrar. Pena tenho de ainda não ter conseguido escrever as palavras certas para descrever esses teus lugares de silêncio em que inventas coisas fantásticas, transformando e moldando os metais, ao anoitecer.
Mas lá irei, por ti, por nós.

À Teresa também o meu aceno, pelas mãos, pelo abraço que me deu.

Faces de Eva, nº 19









"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar."

Helena Vaz da Silva

Faces de Eva. Centro de Estudos sobre a Mulher, o Centro Nacional de Cultura e as Edições Colibri têm o prazer de convidar Vª Ex.ª para a apresentação do N.º19 da Revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher pelo Senhor Dr. Guilherme d'Oliveira Martins.

Dia 28 de Maio (quarta-feira) às 18.30

Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, 68
1249-101 Lisboa
(A entrada faz-se pelo Largo do Picadeiro, nº 10)

telefone 21 3466722

Andrés Segovia

segunda-feira, maio 19

A vida a recomeçar









maio, maio meu
flores no regaço
cetim nas mãos
anéis em casa
poesia ao vento
ao entardecer.

maio, maio meu
sonhar de dia
semear rosas
murmurar segredos
e rasgar, rasgar
o que guardar não se pode


Hoje, no meu Museu da memória e dos afectos, fala-se do Mundo.

Obrigada Betttips





















palavras tuas
sim murmúrios
uma mão que se dá
e eu recebo-a, neste meu dia de renascer
flores, belas, iguais

Obrigada pelo teu museu de maio
Fotografias: Bettips