quarta-feira, agosto 5

Fibriliações, Ana Hatherly (reed. de 29.10.2009). Em sua memória.


Ainda te lembras amor do sentido da palavra chave?
Que, como na instalação da Ana Hatherly, atravessa o espaço, o mundo?


TE
!
!
!
!
!
!
!
!
!
!
AMO



O coração é como um fruto
cresce
amadurece
mas não cai:
Se alguém o quiser
não morre

Ana Hatherly



« O coração
é uma cidade

por afinidade:
Vibra no escuro»
«O coração é
uma rosa vermelha
numa jarra vermelha
Sangria da terra
essencial rubor»
«Olho
uma rosa vermelha
numa jarra vermelha
Vejo
o absoluto vermelho
da absoluta rosa»
«Numa jarra vermelha
uma rosa vermelha
Na página branca
o coração indelével»

Ana Hatherly, Fibrilações

domingo, julho 5

A Lusitânia romana; «Vinte e quatro horas na vida de uma mulher» como o romance de Stefan Zweig



Exactamente porque faz hoje quinze dias pus termo à minha permanência em Angola, terminado o semestre, deixando as tarefas exercidas e o território que habitei nesse período e trazendo comigo expectativas de um novo ciclo, com sonhos imaginados, e projectos "amealhados", mas, claro está, tendo consciência de que alguns serão gorados e outros conquistados, iniciei há 24h um que trazia em mente.

Tratava-se de criar algo autónomo e que não colidisse com o trabalho de Grupos onde tenho vindo a participar, desejando mesmo que, com eles, possa constituir parcerias, e aí pudesse concentrar todo o trabalho que efectuei durante uma vida já longa, com a participação de novas ideias sobre a temática relacionada com o Patrimínio Cultural, mais especificamente, com a herança romana e tardo-romana na Província da Lusitânia e tentar constituir um banco de dados sobre as suas cidades e seus territórios.

Contudo, pensar no Mundo Romano implica pensar para além das fronteiras que hoje nos limitam, e exige, portanto, criar laços mais estreitos com a vizinha Espanha, pois, como acima mencionei, o mesmo se centrará em torno da Lusitânia.


Reencontrei assim novamente as «minhas geografias afectivas», como as tenho denominado neste «Luar», e a cidade da Luz que tanto amo, porto de ontem e de hoje com tudo o que de bom e mau ele representa, disposta a atravessar, de novo, a ponte.


http://mirobrigaealusitania.blogspot.pt/



quarta-feira, maio 27

terça-feira, maio 26

terça-feira, maio 19

Fazer anos, que significado tem isso afinal?


Não sei, o tempo afinal é Abstracto, como quase tudo, afinal.

Mas, é uma verdade, esperamos sempre que com estes ciclos, algo nas nossas vidas vá mudar!

E muda realmente, porque tantas vezes aproveitamos as ocasiões para tomar decisões.


Filomena Barata partilhou a sua foto ·


Obrigada Restaurante Bar Amboim e meus amigos Sérgio Coelho e Manuel Baptista, por tantas vezes me terem feito sentir em casa.
Afinal a nossa casa é onde nos sentimos bem!
Um grande abraço e sentido obrigada.


Olá dia.

segunda-feira, maio 4

Turimo de Natureza. Reserva do Cubira do Engelo Pousada do Engelo 2


Turismo de Natureza: Pousada do Engelo, Conda



Turismo Natural. Reserva do Cubira do Engelo. Pousada do Engelo.
POUSADA DO ENGELO | Cubira II - Conda - Kwanza Sul | Angola

Contactos:
Email: guesthouse.chinandala@gmail.com


Telm: 00244 923 51 43 12 | 00244 936 21 55 66


Esta zona situa-se no vale da cordilheira do Engelo, Cubira II - Conda, na província de Kwanza Sul, Angola. É cercada de rios e riachos, com cachoeiras e cascatas, piscinas naturais, paisagens lindíssimas de floresta tropical húmida e espécies animais característicos da zona. Relativamente perto podem tomar-se banhos nas águas termo-medicinais da Tokota.
Situada no Município da Conda, trata-se de uma reserva com espécies florísticas e faunísticas únicas.

Tem bom acesso por estrada, podendo optar-se pela via Sumbe-Seles-Pousada ou Sumbe-INP-Km27-Conda-Pousada

sexta-feira, abril 17

PORTO AMBOIM, ESTE SONHADO PORTO DO ATLÂNTICO

   ANO 3                                 EDIÇÃO 33 - ABRIL 2015                                                                                                                                                               INÍCIO                   CONTACTOS                  
Filomena Barata

PORTO AMBOIM, ESTE SONHADO PORTO DO ATLÂNTICO

À memória do meu avô, Raúl Marques Barata e de toda a minha família

Como vos gostaria de falar de uma cidade que conheci menina, um Porto que outrora foi dos  importantes de Angola.

Deve o seu nome exactamente ao facto de ter sido o local de escoamento dos produtos que se davam para os lados do Amboim, cuja sede de município é a Gabela, região onde o café fixava gentes e perfumava as carruagens que daí partiam até o seu porto de mar.

 Era, e ainda o é, muito verdejante e fértil a região, bem como estrada que continua a ligar a Gabela ao actual Porto Amboim, serpenteando a Serra. É das belas vias de comunicação que conheço. Mas já náo se ouve na actualidade o som dos motores a vapor que faziam funcionar o comboio cuja linha o tempo desactivou.

Isto para não referir a paragem obrigatória das fantásticas Cachoeiras do Binga e toda a envolvente do rio Keve,  uma paisagem de esmagadora e comovedora beleza de características únicas, onde no ar fica sempre um apelo a ficar. 

Recordo ainda em Porto Amboim a Alfândega em franco funcionamento, hoje mais recatada nas suas funções, onde vi, pela primeira vez, produtos que me eram estranhos, como maços de tabaco estrangeiros e garrafas de Whisky de modelos especiais, braço dado ao meu avô que os navios me levava a visitar. Dos registos de 1930 se pode inferir o movimento desta localidade marítima, pois os mesmos indicam que o porto recebeu 98 vapores, 30 veleiros e manipulou 548.231 toneladas de carga, na sua maioria café.


Nos dias actuais, a grande vida portuária de meados do século passado e décadas subsequentes deu lugar à fixação de empresas para produção de equipamentos ligados à actividade petrolífera que contribuem, a par dos recursos piscatórios e agrícolas, para a fixação da população.

quinta-feira, março 19

Aos pais e aos avós



O meu avô, Raul Marques Barata, era beiráo, nascido na Sertá.
Não sei se disso, ou do que vida o transformou, era austero e metódico, nas suas mais infímas actividades.
Catalogava os seus livros, onde colava na combada o respectivo selo carimbado, enchendo a estante que tanto me fascinava em menina.
Em Porto Amboim, onde foi despachante oficial, o seu escritório e os anexos por trás da casa eram o meu lugar de predilecçáo.
Sei que foi uma das pessoas que mais me marcou a infância e adolescência e, como ele, vi os primeiros grandes navios e produtos que para mim eram novidade.
Na pequena cidade onde vivia, Porto Amboim, náo havia advogado, mas devido à sua profissáo, tinha inúmeros livros de Direito e fazia de consultor antes de as pessoas se deslocarem ao outrora designado Novo Redondo, hoje Sumbe.
Quis a ironia da vida que dele pouco tivesse herdado, mas coube-me ainda alguns livros de Direito e umas colecções de postais.
Sempre desejou que um dos netos se formasse em Direito, alegria que nenhum lhe deu, pese eu própria ainda me ter inscrito por uns meses, em 1975, para logo optar pela História, como tanto desejava.
Hoje, porque a vida tem ciclos que se têm que fechar, ao ter que falar de Direito Romano em Porto Amboim, agradeço tudo o que me ensinou, até os fretes de nos pôr a ouvir a Maria Callas, quando teriamos preferido andar sempre rua acima, rua abaixo.



E sei que se der mal as aulas náo me irá perdoar e, mesmo espreitando lá do Céu, ouvirei a sua voz desagradada.
Espero que tal não aconteça.

Filomena Barata

A LUZ

A partir de;
http://www.incomunidade.com/v32/index.php




O despojamento, um exercício fundamental e desejável, não é sinónimo de ausência de complexidade.Porque até a luz contém todas as cores!
Talvez, de há uns tempos para cá, seja dos temas que tratarei com mais dificuldade. Talvez por um motivo apenas, porque é um dos que mais me fascinam.

E porque a Luz, no Presente geográfico de onde escrevo neste momento, Angola, é, como em todas as sociedades um elemento fundamental.

Mas a Luz aqui, que se transforma ao nascer e pôr do Sol num mundo com todas as tonalidades de uma grandeza que náo se consegue descrever, num elogio das cores que a compõem, é, durante o dia, quase sempre filtrada como que por uma névoa que a evaporação causada pelo calor provoca.

É uma Luz coada que poucas vezes permite ver o Céu do azul que conhecemos no Ocidente Peninsular.

E inicio este texto quando o Céu resolveu estalar, trovejando, sem, contudo me ter dado conta de os Deuses se terem zangado, nem tão pouco os Humanos estarem de costas viradas para eles.

Zeus, certamente, resolveu accionar os poderes conferidos ao domínio do Olimpo, e acionar os seus atributos de rapidez, enviando raios até este ponto do Atlântico Sul.

Para os Egípcios, o deus egípcio da tempestade, dos trovões e do caos era Set (ou Seth). Sabemos através de uma lenda, que esse ser rude, bestial, assassinou o seu irmão Osíris.

Ísis, esposa de Osíris, desesperada com a sua morte procura e encontra o corpo do marido, conseguindo engravidar mesmo com ele já morto. Dessa união, nasce Hórus que Ísis esconde de forma a que Seth não saiba de sua existência, nem atente contra sua vida. Conta com a protecçáo de outras divindades, designadamente Rá, seguido de Toth, deus da sabedoria.

Numa outra lenda, ao invés, Set usa o seu poder para proteger Ra, o deus do Sol.

Na mitologia grega antiga, Zeus atirava flechas do céu quando fica enfurecido, a mesma arma que manejara com destreza para derrotar os inimigos, os Titãs, que o permitiu tornar-se o deus dos deuses. Era ele, Zeus, que tinha poder sobre os fenómenos atmosféricos, lançando a chuva com a sua mão direita e usando a sua força de forma destruidora, mas também para que fosse benfazeja com as plantações. Por isso, Zeus é representado na própria estatuária grega com os seus atributos: o relâmpago ou raio na mão direita, sendo também seus atributos a águia, o touro e o carvalho, que simbolizam reciprocamente a rapidez, a força, a energia e o poder do comando.

As flechas de Zeus brilhando por entre as nuvens fazem um barulho ensurdecedor, como descreviam os Antigos, povoando as suas mentes de medo, mas também de fascínio por táo grande poder.
 Do mesmo modo, os Gregos criam que os Cíclopes, os gigantes de um só olho (chamados Arges, Brontes e Estéropes), forjavam raios para Zeus, pai dos deuses do Olimpo, para lançá-los sobre os mortais.

Tal como Zeus e seu equivalente romano, Júpiter, o deus indiano das tempestades, Indra, é também o soberano dos deuses. Essa divindade vermelha e dourada usa também a sua flecha tanto para liquidar os inimigos como para fazer reviver aliados desfalecidos. Destrói demónios e serpentes, mas também é criador de vida, trazendo luz e água para o mundo.

O simbolismo associado à LUZ, à saída das trevas, encontra-se presente em quase todas as culturas e civilizações e religiões, desde épocas remotas.

Já na célebre «Alegoria da Caverna», parte constituinte do livro VI de «A República» de Platão, a Luz associa-se à ideia Libertação do Homem acorrentado que vive num mundo de Sombras. É através do conhecimento e da Razão, ou, numa palavra, da Luz, que o Homem se aproxima da realidade que, num primeiro momento, o ofusca.

Mas é quando toma contacto com o Sol, como fonte de Luz, da qual provém toda a Vida, os seus ciclos, o Tempo, e a energia que se apercebe como vivera destituído do conhecimento real.

Em muitas religiões ou mesmo ritos iniciáticos, a LUZ associa-se a esse mesmo conhecimento, mas ainda a uma força renovadora e plena de energia. Afinal é o dia que se sucede à noite como nos dá conta Mozart na sua «Flauta Mágica».

A Luz está, portanto, associada ao conhecimento, assumindo em muitas religiões um carácter de força celeste, a Luz divina ou Luz espiritual de que o culto do Espírito Santo é, claramente, uma manifestação. O despertar da Luz interior é, por sua vez, uma constante em rituais iniciáticos, tendo aqui como clara conotação o Conhecimento e o Crescimento Interior.

Lembro ainda Lúcifer, o Deus-astro dos Romanos, sucedâneo do Fósforo dos Gregos.

Lúcifer é a divindade que anuncia a Aurora de quem é filho, tendo outras designações como a Estrela da Manhã ou Estrela d’Alva; Héspero, Heósforo.

É este deus que em hebraico significa brilho e que os textos bíblicos de Isaías referem como representando o Mal, numa alegoria ao rei da Babiónia: "Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você que dizia no seu coração: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembleia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo’" (Isaías 14:12-14).

Lúcifer assume ainda nos Textos Sagrados, em Ezequiel, desta feita numa alusão ao rei de Tiro, os males a que o Homem e os tiranos se converteram: «Por meio do seu amplo comércio, você encheu-se de violência e pecou. Por isso eu o lancei em desgraça para longe do monte de Deus, e eu o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes. Seu coração tornou-se orgulhoso por causa da sua beleza, e você corrompeu a sua sabedoria por causa do seu esplendor. Por isso eu o atirei à terra; fiz de você um espetáculo para os reis. Por meio dos seus muitos pecados e do seu comércio desonesto você profanou os seus santuários. Por isso fiz sair de você um fogo, que o consumiu, e eu reduzi você a cinzas no chão, à vista de todos os que estavam observando. Todas as nações que o conheciam ficaram chocadas ao vê-la; chegou o seu terrível fim, você não mais existirá" (Ezequiel 28:11-19)». 
É assim que a Luz de que Lúcifer era o patrono se transforma numa energia maléfica, ou seja na sua própria antítese, pois é através dos seus poderes e planos que reis e governantes terrenos tomam para si honras que só a Deus pertencem.

Mas subjacente à mesma ideia, esse castigo infligido aos deuses ou Humanos que pretendem alcançar aquilo que à Divindade Suprema pertence é também o mito Grego do Gigante Prometeu de quem Zeus temia o poder e que, segundo o mito, criou, a partir de um bloco de argila misturada com água, o primeiro Homem.

É Prometeu que vai roubar do Carro do Sol uma faísca e vem oferecer aos Homens o Fogo divino.

Desta e outras afrontas feitas ao Pai dos Deuses, Zeus enfurecido oferece aos Humanos Pandora, criada pelo deus Hefesto, e que, segundo o mito, abre uma Caixa e espalha sobre a Terra todos os males.

A Prometeu restou-lhe ser acorrentado no cume do Monte do Cáucaso, onde o seu fígado era devorado por uma águia, até ter sido libertado por Héracles desse flagelo.

Temos assim, em muitos mitos e religiões, um claro confronto entre a Luz e as Trevas que espelham a luta titânica que o Homem trava na sua caminhada para a Luz, enquanto Conhecimento e Saber, tantas vezes fustigado e castigado por desejar ser também detentor de algo que para elas deveria estar apenas consignado ao Divino.
Mas, ainda assim, o Homem, enquanto ser de Conhecimento e de Razão, prosseguirá a sua Viagem no sentido da LUZ, libertando-se de todas as forças que o desejem acorrentar!

sexta-feira, dezembro 26

segunda-feira, dezembro 15

Uma gazela aprisionada

Serafina parece uma gazela;
Não aguenta o cativeiro, nem os quatro filhos que já pariu. Não pode viver num mundo feito de portões.
Todos lhe dizem, tens que estudar; tens que trabalhar; tens que cuidar dos filhos melhor.
Serafina sorri, mas com um sorriso matreiro, logo pensando como esgueira a sua soberana magreza para mais uma noite no "bairro", quando a casa do portão está a adorrmecer.
Nascida no mato, as regras da urbanidade apertam e fazem-lhe doer o coração.
Até os sapatos talvez, mas disso não fala, porque há as ruas que tem que palmilhar, para poder ir às compras apressadas que não pode deixar de fazer.
Mas a gazela está ferida. Ferida pelo cativeiro e porque a pele começou a dar sinais de uma doença que invade o corpo, tornando-o lugar de cicatrizes e caroços.
Malárias de um tempo em que o corpo se rouba a si mesmo, contagiando-o das chagas de outros corpos seus iguais.
Já nem quer saber, e até esquece que as cicatrizes vão começar a aumentar ...
somente pensa que esta noite vai novamente fugir para longe dos portões, esquecendo as obrigações que a acorrentam.
Logo mais dela vos voltarei a falar.

Procurar e encontrar

Procurei-te, andando sem parar. Encontrei o vazio, no teu lugar.
Continuei a busca.
Lá ao fundo, flutuando, apenas me encontrei a mim.

quinta-feira, dezembro 4

A PROPÓSITO DE UMA LENDA DA EUROPA (reed.)



 Filomena Barata A PROPÓSITO DE UMA LENDA DA EUROPA


http://www.incomunidade.com/v18/art_bl.php?art=21



Rapto da Europa, Ny Carlsberg Glyptotek, Copenhagen.
Fotografia a partir de: Ancien Rome:
https://www.facebook.com/Divine.Rome/photos/a.155713357822314.33123.124453160948334/801449593248684/?type=1&theater



Segundo a mitologia grega, Europa foi raptada por Zeus, que se transformou em touro para seduzir a princesa, quando esta se banhava na praia. A princesa Europa terá nascido no mediterrâneo e era filha de Agenor, o rei fenício de Sídon. Um dia, a princesa passeava na praia com as suas companheiras, quando Zeus se disfarçou de touro branco, com chifres e cascos de prata, pois sabia que Europa gostava de grandes animais e mansamente se veio deitar a seus pés. Europa terá acariciado o animal, e depois deixou-se subir para o seu dorso. O touro, aproveitando-se deste momento, levantou-se impetuosamente e cavalgando as ondas do mediterrâneo, levou-a até à Ilha de Creta e foi depositá-la debaixo de um plátano. Ao que rezam também as lendas, terá sido nessa ilha que Zeus passou a sua infância. Segundo o poeta Mosco de Alexandria, Europa, rainha de Creta, foi “mãe de filhos gloriosos, cujos ceptros hão-de acabar por dominar todos os homens da terra”. Quando Zeus revelou a sua verdadeira identidade e a tornou a primeira rainha de Creta, deu-lhe três presentes: Talos, um autómata de bronze; Laelaps, um cão que nunca soltava a sua presa; e uma jabalina que nunca errava. 
 Os três filhos de Europa foram: Minos, Radamantis e Sarpedón. É por causa disso que o seu mito é indissociável do Minotauro. 



Mosaico do Minotauro, Museu Monográfico de Conímbriga.


Posteriormente ter-se-á casado com Asterión, rei de Creta, que adoptou os seus filhos. Algumas fontes literárias identificam-na como irmã de Io, também ela uma jovem princesa e sacerdotisa de Hera a quem Zeus havia seduzido, cobrindo o mundo com um manto de nuvens escuras para esconder da esposa Hera a sua paixão. Neste caso, diz-nos a Mitologia que Zeus havia transformado a amante uma belíssima novilha branca, havendo, contudo versões, que dizem ter sido Hera a obreira desse castigo, sem que, contudo, lhe conseguisse apaziguar os ciúmes, tendo acabado por a colocar à guarda do gigante de cem olhos, Argos Panoptes fiel servo da divindade. Embora Zeus tenha encarregado Hermes, o mensageiro dos deuses, de libertar a amada matando o monstro Argos, nem assim ela se livrou da vingança de Hera, transformando-a num cisne e originado um périplo entre Micenas e a Trácia, tendo percorrido as planícies da Ilíria; galgou o Monte Hemo e atravessado o estreito da Trácia, que a partir daí ficou chamado de Bósforo (rio da vaca); vagou pela Cítia e pelo país dos cimerianos e chegou, afinal, às margens do Nilo. Também a ela se deve a denominação de Mar Jónio (Ionio), o braço do mar Mediterrâneo, a sul do Mar Adriático, ao que dizem as lendas, Hermes teria usado a flauta de Pã para adormecer Argos, tendo-lhe cortado a cabeça. Hera desolada, recolheu os olhos de Argos e colocou-os como ornamentos na cauda do pavão, animal que lhe era consagrado, onde até hoje permanecem. Durante as suas deambulações, Io terá encontrado, no Monte Cáucaso, Prometeu acorrentado numa rocha e o mesmo profetizou que ela seria libertada e regressaria à sua forma humana, quando chegasse ao Egipto, onde acabou por nascer Éfano. Io acabou por reinar com o nome de Ísis, após o casamento com Telégono. Segundo algumas narrativas mitológicas, Europa era filha de Agenor, rei da Fenícia. Agenor teria ordenado ao seu filho Cadmo que saísse à procura da irmã e não regressasse sem ela. Cadmo partiu e procurou a irmã muito tempo e por terras distantes, mas em vão, motivo porque decidiu consultar o oráculo de Apolo, para saber em que país deveria fixar-se. O oráculo respondeu que ele encontraria uma vaca no campo e deveria segui-la, acompanhando-a aonde ela fosse e quando a vaca parasse, ele deveria construir uma cidade e chamá-la de Tebas, fundação essa que acabou por acontecer após múltiplas deambulações, tendo Cadmo acabado por casar-se com Harmonia, filha de Vénus. Na Ilíada, narra-se, portanto, que a Europa era filha do filho de Agenor, Fénix, e referem –se os seus dois irmãos: Cadmo e Cilix, que fundou a Cilicia, actual Arménia. A narrativa que a descreve como filha do rei fenício raptada por um touro, divindade cretense, mas igualmente de fenícios e arameus, não ficaria perceptível se não se fizesse uma referência aos sonhos da bela princesa. Europa teria tido um pesadelo perturbante no dia anterior ao rapto, no qual duas mulheres exigiam a autoridade sobre ela. Uma delas representava a Ásia e dizia ser sua mãe; a outra que simbolizava um continente desconhecido (América) afirmava que Europa lhe tinha sido dada por Zeus. Assim, nos mitos gerados no mar Egeu, Europa é o nome que se deu a um novo continente que tem a Ásia por mãe. Sabe-se hoje, através do que a própria arqueologia confirmou, que a civilização europeia viajou no mediterrâneo na proa dos barcos fenícios entre outros, sendo Creta um dos grandes pólos. Mas, é um facto, que esta civilização se desenvolveu igualmente como resultado das ligações terrestres que uniram milenarmente a Europa à Ásia, através da actual Turquia. Se o que se reconhece como a «civilização europeia» tem origem no Médio Oriente, é através da mitologia e com Ulisses que atravessa o Mediterrâneo até ao Ocidente, e gradualmente até ao território que hoje se designa Portugal, trazida pelas diásporas fenícias, cartaginenses e, mais tarde, a ocupação romana. Do romance que a Europa teve com Zeus, nasceu, como vimos, o filho Minos e deu-lhe a ilha como presente, tendo-se tornado fértil e repleta de touros. Ao tornar-se adulto Minos desposou Pasifae. Querendo tornar-se ainda mais rico, Minos fez um pacto com Poseidon, o deuso deus do Mar, de forma a triplicar a sua fortuna, prometendo-lhe o seu melhor touro como pagamento.

Contudo, não querendo desfazer-se de nada, resolveu enganá-lo e dar-lhe em troca um touro vulgar.

Quando Poseidon percebeu que tinha sido enganado, chamou Vénus para o ajudar na vingança.

À noite, Vénus conseguiu introduzir no coração de Pasifae, mulher de Minos, um amor alucinante por um touro.

Incapaz de conter a sua paixão ardente, ela pediu a Dédalo que construísse uma armadura de madeira na forma de vaca, para que assim disfarçada, se pudesse aproximar do touro.

Desta união nasceu o monstro Minotauro, um humano com cabeça de touro.

Sentindo-se atraiçoado, Minos mandou construir um labirinto, de onde não se encontrasse a saída e ali encarcerou esse ser monstruoso.

Quando invadiu Atenas, Minos subjugou o seu povo, tornando-o escravo. Semanalmente eram-lhe levados 7 rapazes e 7 raparigas virgens, para contentar a fome do Minotauro.

Inconformado com essa prática de Minos, Teseu, o filho do Rei de Atenas, juntou-se a um grupo de jovens, com a intenção de matar o Minotauro e assim salvar os jovens de serem sacrificados.

Em Creta, Teseu encontrou Ariadne, filha do rei Minos, que se apaixonou por ele e lhe deu um novelo de lã que o ajudaria a sair do labirinto.

Teseu matou o Minotauro e, ao que diz a Mitologia, a parte humana do Minotauro foi deixada na terra e a parte animal foi elevada aos céus, onde se tornou a constelação de Touro.

O touro é uma constante em todo o Mundo Mediterrânico, sendo conhecida desde a Idade do Ferro, no território actualmente português, estatuária com a sua representação.

Em Santa Bárbara de padrões (Castro Verde) foi mesmo identificado um exemplar com tema da Europa representado.

No Museu Nacional de Arqueologia há uma estatueta de bronze, proveniente de Vila do Bispo com a forma de touro, datável dos séculos IV-II a. C. e outra de proveniência desconhecida, com chifres e pernas partidas, publicado, em 1996, no catálogo «De Ulisses a Viriato».

Existe ainda um queimador ritual de bronze, que é rematado por uma figura de touro deitado e uma estátua de touro levantado, de cabeça para a frente, da colecção Bustorff Silva, do Museu Nacional de Arqueologia, também publicado num interessante catálogo «Um gosto privado - um olhar público».

Um touro de bronze tartéssico, provavelmente proveniente de Mourão, datável do século VII a.C. pertence também à colecção desse mesmo Museu Nacional de Arqueologia.

Ainda no Museu e Arqueologia de Montemor-o-Novo, existe um outro exemplar de bronze, proveniente da Herdade de Corte Pereiro, que aponta, segundo os investigadores, para o século V a.C..

No ritual de iniciação nos mistérios de Mitra, essa divindade trazida por Romanos da Pérsia, de que já aqui falámos, era o Taurobólio, porque exigia o sacrifício do touro que foi também uma constante no mundo mediterrânico oriental e greco-latino, assumindo como anteriormente vimos nesta Revista um carácter fundacional, pois o culto deste animal assenta a sua sacralidade no seu vigor e violência cósmica, e num poder fecundante.

Em conclusão e não correndo o risco de nos repetir, pois vários cultos relacionados com o touro já aqui foram tratados em anteriores revistas, podemos dizer que o Mito da Europa tem como constante essa força genésica associada ao touro, mas também ao mar e à errância ou libertação que o mesmo permite, caminhando como a Io, sem se deter, na busca de um ideal transformador.

Assim seja a Europa hoje, caminhante de novos rumos a encontrar.

Sobre as representações de touros em moedas, recomendo a leitura de:
http://www.romancoins.info/Gods-On-Coins.html

Sobre a simbologia do touro:

«Touro Esculpido de Miróbriga»
http://www.portugalromano.com/2011/01/611/

Sobre o mito da Europa e de Zeus:
http://eventosmitologiagrega.blogspot.pt/2011/01/io-e-zeus.html

Ver ainda: http://eventosmitologiagrega.blogspot.pt/2011/03/europa-e-zeus-arte-da-conquista.html
e «O Livro de Ouro da Mitologia»
http://filosofianreapucarana.pbworks.com/f/O+LIVRO+DE+OURO+DA+MITOLOGIA.pdf


Figura 1 - Touro esculpido de Miróbriga. Desenho de Marcos de Oliveira.


Figura 1 - Rapto da Europa, Museu de Beirute


Figura 3 - Rapto da Europa, foto de Pompei, arte, storia ed archeologia.


Filomena Barata, Licenciatura em História, pela Faculdade de Letras de Lisboa. Mestrado em Arqueologia pela Universidade de Letras do Porto. Técnica Superior da DGPC, Secretaria de estado da Cultura. Corpos Gerentes da Liga de Amigos da Miróbriga e da VITRIOL, Associação para a Lusofonia.

sexta-feira, novembro 21

Apenas vou descansar .... nada me digam, nada me perguntem

 



Até quando o dia se sobreporá à noite?
Até quando o cansaço não nos vencerá?
Trilhos, caminhos, tantos ainda a palmilhar
E o pensamento que não consegue sossego

Tanto queria dormir
apenas os olhos cerrar ....



Olho o Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando -
O que é ser-rio e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco -
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo - eu e o mundo em redor -
Fica mais que exterior.

Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, ideia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus.

E súbito encontro Deus.


Fernando Pessoa, Ficções de Interlúdio


Posted by Picasa

terça-feira, novembro 18

O silêncio (reed. 2009)






















Por vezes há que calar a voz
pedir às mãos que esqueçam como se costuram palavras
suplicar ao vale que nada diga
apenas ouvir o silêncio, acreditar no Segredo

Por vezes o claro tem que se separar do escuro
sem condescendência à penumbra
fica o peito sem poder gritar
mas certamente haverá um murmúrio que vai fazer-se escutar.

Há momentos, é verdade,
que há apenas que ser-se Sol e Luar.
É o tempo do silêncio e das decisões!

Urge soletrar baixinho, letra a letra, até que a PALAVRA se faça parir



terça-feira, novembro 11

As castanhas (a partir de 11.11.09)



Em conformidade o que a etnologia aceita, o Magusto dos Santos parece ser uma  reminiscência de antiquíssimos rituais fúnebres pagãos, durante os quais se faziam oferendas em géneros alimentares às almas dos mortos.

A importância de S. Martinho associado à festa popular das castanhas e como patrono do vinho e dos bêbados cresceu de tal modo que quase ocupou a agenda festivo ligada aos magustos, relegando para plano secundário todas as outras tradições e santinhos desta época, designadamente o dia de Todos-os-Santos.

Conhecida a sua utilização desde a Pré-História, pelo seu valor calórico, as castanhas foram muito utilizadas no período romano, guardadas em mel, e, na Idade Média até à introdução da batata e do milho na dieta alimentar, nos séculos XV-XVI, foram a par da bolota as grandes bases da dieta alimentar no mundo Ocidental. ao ponto de se comerem mais do que pão.

A castanha encerra o sentido simbólico do ciclo do Outono, sendo o dia de S. Martinho o dia em que se prova o vinho novo que "amadurecerá ou envelhecerá" durante o Inverno.
No dia de Santos o magusto continua a ser tradição, funcionando a fogueira para fazer as castanhas e aquecer as mãos.

A castanha, que se desenvolve dentro de um ouriço, provém do castanheiro, árvore que simboliza a longevidade e a perenidade.

«No dia de S. Martinho, há fogueiras, castanhas e vinho».
Que este dia represente um ciclo novo para quem tem páginas para virar ...
...
Imagem: Wikipédia
Para conhecer a «Festa do Castanheiro - Feira da Castanha» em Marvão, poderá consultar:

O dia de S. Martinho (reed. 11.11.09)













Fot. http://smatinho.blogspot.com/








«SSão  «S. Martinho é festejado a 11 de Novembro, dia em que por tradição se prova o vinho novo, pois São Martinho é pretexto para molhar a goela. Reza a tradição algarvia que em 383, São Martinho de Tours, solicitou ao imperador Máximo ajuda material para a construção de um convento. Foi bem recebido pelo imperador e participou num banquete com os membros da corte. No banquete bebeu-se em demasia e foram tantas as bebedeiras que o banquete foi desde logo, classificado como martinhada. Segundo consta, esta terá sido a origem de São Martinho ser o patrono dos bêbados, embora nada permita afirmar que tenha sido daqueles que se excederam na bebida». in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt/2011/11/dia-de-sao-martinho.html

Para além da história do Santo, sepultado em Tours no século IV, motivo pelo que se tornou um dos santos mais populares em França, há um conjunto de informações sobre a efeméride, passando a citar alguns dos Provérbios de S. Martinho e de castanhas que aí encontrei. Mas há mais! Parabéns ao Município de Mirandela por disponibilizar esta informação.







































Relembro ainda o que nos dizia Alfredo Saramago:

A segunda coisa que Noé fez, com pé em terra, foi plantar uma vinha e quando os frutos das suas vides amadureceram e fermentaram, bebeu, e bebeu tanto que apanhou uma bebedeira mais que histórica, agarrou uma bebedeira bíblica. O patriarca guardou o vinho só para si, evitando qualquer libação ritual, ou qualquer oferenda, porque para a ira do Criador já tinha dado e, além disso, é fácil concluir que as relações entre Senhor e servo não seriam as melhores, propensas a qualquer partilha, com tanta privação e tanta prova de água. A Bíblia é compreensiva em relação à bebedeira de Noé, não o condena, apenas narra o que se passou.

Alfredo Saramago, Os Prazeres de Alfredo Saramago
in Diário 2008, Assírio & Alvim


Sobre o Santo e tradições em seu redor, o etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) afirma o seguinte: «O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros. vinho e castanhas. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.» (in As Festas. Passeio pelo calendário, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987)

cit. in http://smartinho.blogspot.com

E passarei a citar alguns dos ditados sobre o magusto e as castanhas, recomendando a consulta do site http://www.cm-mirandela.pt.

- A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.

- Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.

- Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.

- No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

- No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.

- No dia de S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.

- No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e
prova o teu vinho.

- Pelo S. Martinho abatoca o pipinho.

- Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.

- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.

- Pelo S. Martinho, nem nado nem no cabacinho.

- Por São Martinho, semeia fava e linho.

- Por São Martinho – nem favas nem vinho.

- Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.

- O Sete-Estrelo pelo S. Martinho, vai de bordo a bordinho; à meia-noite está a pino.

- São Martinho, bispo; São Martinho, papa; S. Martinho rapa.

- Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.

- Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

- Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho.

- Veräo de S. Martinho säo três dias e mais um bocadinho.

- Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

- Castanhas boas e vinho fazem as delícias do S. Martinho.

- A castanha e o besugo em Fevereiro não têm sumo.

- A castanha em Agosto a arder e em Setembro a beber.

- A castanha excita o coito e alimenta muito.

- A castanha tem três capas de Inverno: a primeira mete medo, a segunda
é lustrosa e a terceira é amarga.

- A castanha tem uma manha: vai com quem a apanha.

- A castanha veste três camisas: uma de tormentos, outra de estopa e outra de linho.

- A castanha amarela em Agosto tem a tinta no rosto.

- A noz e a castanha é de quem a apanha.

- Andam os castanheiros ao boi!...

- Ao assar as castanhas, as que estouram são as mentiras dos presentes.

- Arreganha-te, castanha, que amanhã é o teu dia.

- As castanhas apanham-se quando caem.

- As castanhas para o caniço e o boneco para o porco.

- As folecas indicam o sexo de criança ou animal que vai nascer.

- Assentar-lhe uma castanha.

- As folhas de castanheiro andam sete anos na terra e depois ainda voam.

- A oliveira e ao castanheiro todos os anos mochadeiro.

- Cada mocho ao seu souto.

- Carregadinho de castanha, vai o burrinho para Idanha.

- Castanha assada, pouco vale ou nada, a não ser untada.

- Castanha bichosa, castanha amargosa.

- Castanha cacaforra, nem a dês aos porcos.

- Castanha peluda, castanha reboluda.

- Castanha perdida, castanha nascida.

- Castanha que está no caminho é do vizinho.

- Castanha quente só com aguardente, comida com água fria causa «azedia»

- Castanha semeada, p´ra nascer, arrebenta.

- Castanhas caídas, velhas ao souto.

- Castanha do Maranhão, e escolher se vão.

- Castanhas do Marão, a escolher se vão.

- Castanhas do Natal sabem bem e partem-se mal.

- Castanhas enchidas, velhas ao souto.

- Castanhas idas, velhas pelos soutos.

- Castanheiro para a tua casa, corta-o em Janeiro.

- Com castanhas assadas e sardinhas salgadas não há ruim vinho.

- Crescem os reboleiros, morrem os castanheiros.

- Cruas, assadas, cozidas ou engroladas, com todas as manhas,
bem boas são as castanhas.

- Dá-me castanhas, dar-te-ei banhas.

- De bom castanheiro, boa acha.

- De bom castanheiro, bom madeiro.

- De castanha em castanha (roubando) se faz a má manha.

- De castanhas um palmo.

- De castanheiro caído todos fazem lenha.

- Desde que a castanha estoira, leve o diabo o que ela tem dentro.

- Dia de Santo António vêm dormir as castanhas aos castanheiros.

- Do castanho ao cerejo, mal me vejo.

- Do cerejal ao castanhal, bem vai, o pior é do castanhal ao cerejal.

- Do cerejo ao castanho, bem eu me amanho.

- Do cerejo ao castanho, bem me avenho.

- Em Agosto deve o milho ferver no caroço e a castanha no ouriço.

- Em alheio souto, um pau ou outro.

- Em ano de muito ouriço não faças caniço.

- Em Maio comem-se as castanhas ao borralho.

- Em minguante de Janeiro, corta o teu castanheiro.

- Em Setembro, antes de chover, o souto o arado quer ver.

- Estalar a castanha na boca.

- Folha amarela do castanheiro cai ao chão.

- Lenha de castinceira, má de fumo, boa de madeira.

- Mais vale castanheiro, que saco de dinheiro.

- No dia de São Julião, quem não assar um magusto não é cristão.

- O amor é como o raminho do souto, vai-se um, vem outro.

- O castanheiro, para plantar, precisa ir na mão, o carvalho às costas
e o sobreiro no carro.

- O Céu é de quem o ganha e a castanha de quem a apanha.

- Oliveira do meu avô, castanheiro do meu pai e vinha minha.

- O ouriço abriu, a castanha caiu.

- Os ouriços no São João são do tamanho de um botão.

- Ouriço raro, castanha ao carro.

- Pelo São Francisco, castanhas como cisco.

- Pinheiro cortado em Janeiro, vale por castanheiro.

- Planta o souto, quando cai a folha ao outro.

- Por souto não irás atrás do outro.

- Quando gear, o ouriço vai buscar.

- Quando o lobo come outro, fome há no souto.

- Quando o sol aperta, o ouriço arreganha.

- Quebrar a castanha na boca.

- Quebrar a castanha no dente.

- Quem castanhas come, madeira consome.

- Quem não sabe manhas, não come castanhas.

- Queres castanhas? Larga-a o burro tamanhas.

- Raiz de castanheiro, dá «bô» braseiro.

- Sacar as castanhas do lume com mão alheia.

- Senhoria de Itália, dom de Espanha, não valem uma castanha.

- Sete castanhas são um palmo de pão.

- Sete castanhas fazem no estômago um palmo de pau.

- Soitos do pai e olival do avô.

- Temporã é a castanha, que em Agosto arreganha.

- Tirar a castanha do fogo com a mão do gato.


Adivinhas sobre a castanha:

Alto cavaleiro
Quando lhe dá a risa
Cai-lhe o dinheiro?

Qual é a coisa, qual é ela,
Que é macho e dá fêmeas?

O meu fruto é mais doce,
Que o milho fabricado
Todos o comem com gosto
Cru, cozido ou assado?

Tenho camisa e casaco
Sem remendo nem buraco
Estoiro como um foguete
Se alguém no lume me mete.


Jorge Lage
jorgelage@portugalmail.com – 18NOV2007