Fechada para balanço!
sexta-feira, dezembro 27
José António Barreiros: O Homem e a sua origem
José António Barreiros: O Homem e a sua origem: E eis que me foi dada a oportunidade de apresentar o livro sobre Malanje, na Casa do Alentejo. Como em tantas outras vezes, ao início...
quinta-feira, dezembro 26
segunda-feira, dezembro 23
sexta-feira, dezembro 20
Ainda a propósito da Árvore de Natal - o que gostava mesmo era de a ir ver a Srasbourg! (reed- 28-11-08)

Mais tarde lhe voltarei, porque hoje é dia de recordar a Pascale que me fez lembrar o Natal do Norte da Europa e os presentes de São Nicolau.
«O Pai Natal é associado à ideia de um homem já com uma certa idade, gorducho, de faces rosadas, com uma grande barba branca, que veste um fato vermelho e que conduz um trenó puxado por renas que conseguem voar mesmo não tendo asas. Segundo a lenda, na noite de Natal este simpático senhor visita todas as casas, desce pela chaminé e deixa presentes a todas as crianças que se comportaram bem durante todo o ano.
A personagem do Pai Natal baseia-se em S. Nicolau e a ideia de um velhinho de barba branca num trenó puxado por renas (o mesmo transporte que é usado na Escandinávia) foi introduzida por Clement Clark More, um ministro episcopal, num poema intitulado de "An account of a visit from Saint Nicolas" (tradução: Um relato da visita de S. Nicolau) que começava de seguinte modo “'The night before Christmas” (que em português significa "Na noite antes do Natal"), em 1822. More escreveu este poema para as suas filhas e hesitou em publicá-lo porque achou que dava uma imagem frívola do Pai Natal. Contudo, uma senhora, Harriet Butler, teve acesso ao poema através do filho de More e decidiu levá-lo ao editor do jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, o qual publicou o poema no Natal do ano seguinte em 1823. A partir daí, vários jornais e revistas publicaram o poema, mas sempre sem se mencionar o seu autor. Só em 1844, é que More reclamou a autoria do poema!
O primeiro desenho que retratava a figura do Pai Natal tal como hoje o conhecemos foi feito por Thomas Nast e foi publicado no semanário “Harper’s Weekly” no ano de 1866».


....
Ver as lendas alsacianas sobre a árvore de Natal http://br.franceguide.com/alsace, de
onde passamos a citar:
A história da Árvore de Natal
É na Alsácia, na Biblioteca Humanista de Sélestat, que se encontra a primeira menção escrita à venda de pinheiros de Natal, em 1521, nos arquivos da cidade. Por isso a Alsace é o berço da Árvore de Natal.
Eis aqui sua pequena história:
A existência de árvores decoradas na Alsace remonta à Idade Média. No dia 24 de Dezembro, um pinheiro era colocado no coro das igrejas onde, durante a apresentação da peça de Adão e Eva, representava a árvore do Paraíso cheia de maçãs, lembrando o fruto da tentação.
Depois foram acrescentadas as hóstias, símbolo eucarístico da redenção. Então os paroquianos substituíram os galhos de pinheiros por árvores inteiras decoradas dessa maneira, sem dúvida no início do século XVI. Os primeiros pinheiros foram suspensos no tecto com uma maçã na base, ou decorados com pequenas maçãs vermelhas.
As lendárias bolas de Natal de Meisenthal
O Centro Internacional de Arte em Vidro de Meisenthal expõe e ilumina as bolas de Natal, sopradas desde meados do século XIX por vidreiros e talhadores de cristais. Em 1858 a natureza não foi generosa. A gr
Ateliês, demonstrações e visitas são propostas pelos Ofícios de Turismo do norte da Alsace.


Por sua vez, «O Pai Natal é associado à ideia de um homem já com uma certa idade, gorducho, de faces rosadas, com uma grande barba branca, que veste um fato vermelho e que conduz um trenó puxado por renas que conseguem voar mesmo não tendo asas. Segundo a lenda, na noite de Natal este simpático senhor visita todas as casas, desce pela chaminé e deixa presentes a todas as crianças que se comportaram bem durante todo o ano.
A personagem do Pai Natal baseia-se em S. Nicolau e a ideia de um velhinho de barba branca num trenó puxado por renas (o mesmo transporte que é usado na Escandinávia) foi introduzida por Clement Clark More, um ministro episcopal, num poema intitulado de "An account of a visit from Saint Nicolas" (tradução: Um relato da visita de S. Nicolau) que começava de seguinte modo “'The night before Christmas” (que em português significa "Na noite antes do Natal"), em 1822. More escreveu este poema para as suas filhas e hesitou em publicá-lo porque achou que dava uma imagem frívola do Pai Natal. Contudo, uma senhora, Harriet Butler, teve acesso ao poema através do filho de More e decidiu levá-lo ao editor do jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, o qual publicou o poema no Natal do ano seguinte em 1823. A partir daí, vários jornais e revistas publicaram o poema, mas sempre sem se mencionar o seu autor. Só em 1844, é que More reclamou a autoria do poema!
O primeiro desenho que retratava a figura do Pai Natal tal como hoje o conhecemos foi feito por Thomas Nast e foi publicado no semanário “Harper’s Weekly” no ano de 1866».
citado apartir de HTTP://natalnatal.nosapo.pt
sexta-feira, dezembro 6
terça-feira, dezembro 3
RELIGIÕES MISTÉRICAS DA ANTIGUIDADE IV
Maria Filomena Barata
RELIGIÕES MISTÉRICAS DA ANTIGUIDADE IV
A partir de: http://www.incomunidade.com/v17/art_bl.php?art=22
É através de Lucius Apuleius (Apuleio), nascido na colónia de Madaura, (actual Argélia) cerca de 125 d.C., mas descendente de uma abastada e influente família de Itália, e que viveu após os seus primeiros estudos de gramática e retórica em Cartago, onde se iniciou no estudo da poesia, geometria, música e filosofia que acabou por concluir e Atenas, que conhece os muitos dos “Cultos Mistéricos” da Antiguidade Greco-Latina.
Já em Cartago, Apuleio se interessara pelos ritos esotéricos, designadamente pelos mistérios de Esculápio de que já aqui falámos em crónica anterior e é, em Atenas, que toma contacto com os mistérios eleusinos.
São suas estas palavras: «Na Grécia fiz parte de iniciações na maior parte dos cultos mistéricos. Conservei ainda, com grande carinho, certos símbolos e recordações destes cultos, que me foram entregues por sacerdotes. Não estou dizendo nada insólito, nem desconhecido». (APULEIO, Apologia, LV, 8)
São suas estas palavras: «Na Grécia fiz parte de iniciações na maior parte dos cultos mistéricos. Conservei ainda, com grande carinho, certos símbolos e recordações destes cultos, que me foram entregues por sacerdotes. Não estou dizendo nada insólito, nem desconhecido». (APULEIO, Apologia, LV, 8)
«Pois bem, eu também, como já disse, conheci, por meu amor à verdade e minha piedade aos deuses, cultos de toda classe, ritos numerosos e cerimônias variadas. E não estou inventando esta explicação para acomodar-me às circunstâncias [...] ». (APULEIO, Apologia, LV, 9-10).
Também, como já mencionámos, e de acordo com Burket, a expressão “religiões de mistérios” refere-se, normalmente, ao culto de Ísis, Mater Magna ou particularmente Mitra. De Dioniso/Baco, e, igualmente, ao culto de Elêusis, representantes dos “mistérios” propriamente ditos.
Pressupõe-se que as religiões mistéricas tinham uma espiritualidade mais elevada, transcendendo assim a religião oficial, sendo consideradas religiões de salvação.
Os rituais dos cultos de mistérios acabou por ser tão bem elaborado quanto os ritos dos cultos oficiais. Na sua maioria os cultos mistéricos incluíam danças, músicas, apresentações cénicas e também sacrifícios em honra das divindades.
A iniciação propriamente dita era o encontro individual entre o devoto e sua divindade, mais especificamente através da revelação ritual da verdade desta divindade. Sabe-se que o iniciado ou neófito passava por algumas representações das provações enfrentadas pela divindade (ou pelo herói) no mito, que o conduziam à descida aos infernos, e à revelação do segredo, do “mistério”, para então seguir-se o retorno do mundo inferior, que fecharia o ciclo do ritual de iniciação.
Na Apologia (LX, 9), Apuleio assume-se iniciado nos mistérios de Líber, uma das denominações utilizadas pelos romanos para o deus Baco e, no No Livro XI das Metamorfoses, o autor faz uma pormenorizada descrição de um ritual de iniciação aos mistérios de Ísis que faz admitir que conhecia esse o culto.
É pois, ainda no ciclo de S. Martinho e da prova do vinho novo que retomaremos os cultos dedicados a Baco, também na sequência da crónica anterior, pelo que me socorrerei novamente de uma obra que mantenho entre mãos : "As Bacantes", essa tragédia grega do dramaturgo Eurípedes, de Salamina, mas que passou a maior parte de sua vida em Atenas.
Ter-se-á estreado já após a sua morte, no Teatro de Dioniso, em 405 a.C., como parte de uma tetralogia e que foi, provavelmente, dirigida pelo filho ou sobrinho do próprio Eurípedes.
A tragédia baseia-se na história mitológica do rei Penteu, neto e sucessor de Cadmo ao trono de Tebas, e de sua mãe, Agave, e da punição dos dois pelo deus Dioníso, primo de Penteu, por se terem recusado a venerá-lo e pelo injusto descrédito em que pairava o nome de sua mãe, Sêmele.
A tragédia baseia-se na história mitológica do rei Penteu, neto e sucessor de Cadmo ao trono de Tebas, e de sua mãe, Agave, e da punição dos dois pelo deus Dioníso, primo de Penteu, por se terem recusado a venerá-lo e pelo injusto descrédito em que pairava o nome de sua mãe, Sêmele.
Esta tragédia, escrita provavelmente no ano 406 a.C e muito apreciada na Antiguidade, gira em torno do deus mitológico Dioníso e sua chegada a Tebas, bem como a sua vingança por ali ter sido questionada a sua divindade.
As Ménades, também conhecidas como Bacantes, Tíades ou Bassáridas, eram pois mulheres de Tebas seguidoras e adoradoras fervorosas do culto de Dioníso, que, como vimos na crónica anterior, era essa divindade do vinho, das festas, do lazer, do prazer, filho de Júpiter (deus do dia) com a mortal Sêmele e que era também considerado, entre os Romanos, como um amante da paz e promotor da civilização.
Podemos, portanto, dizer que os cultos de Dioníso se inscrevem, como vimos na crónica anterior, nos cultos mistéricos que se tornara famosos na Antiguidade Ocidental, já que também aqui «a iniciação e a participação nos cultos e rituais de mistérios garantiam aos seus iniciados e neófitos, a partir da experiência do µυστικός (mystikós), uma relação mais estreita com a divindade e o benefício de um destino especial após a sua morte», como muito bem refere W. BURKERT em «Antigos Cultos de Mistério».
De acordo com a mitologia romana e também como vimos, atribui-se a Baco a forma de extrair o sumo da uva e produzir, desse modo, o vinho.
Ao que consta na Mitologia, invejosa do feito, a deusa Juno (Hera no panteão grego) transforma Baco num louco, vagueando pelo mundo, até que, ao passar pela Frigia, terá sido curado e instruído nos rituais religiosos por Cibele, a “Deusa Mãe” que simbolizava a fertilidade da natureza.
Ao que consta na Mitologia, invejosa do feito, a deusa Juno (Hera no panteão grego) transforma Baco num louco, vagueando pelo mundo, até que, ao passar pela Frigia, terá sido curado e instruído nos rituais religiosos por Cibele, a “Deusa Mãe” que simbolizava a fertilidade da natureza.
Parece ter sido inseridas nestas festividades dedicadas a Dioníso que se realizaram as primeiras representações teatrais.
Dioniso, esse deus boémio, apelava ao movimento, à alegria desenfreada, à paixão dos seus seguidores, os quais, guiados por sacerdotisas, organizavam festas ao ar-livre com danças, vinho, de molde a instaurar o delírio anárquico e criador.
Entre as manifestações da celebração, com cantos e acompanhamento musical, a população aderia aos prazeres hedonistas, defendendo-se que dessas representações, entre coros, terão nascido as comédias e as tragédias.
As festividades, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres, realizavam-se durante três dias no ano, como antes vimos, provocavam nelas um estado de êxtase absoluto, porque se entregavam à desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e autoflagelação, motivo pelo que acabaram por ser proibidas pelo Senado romano, em 186 a.C, embora tenham prevalecido.
As Ménades ou Bacantes apresentavam-se nuas ou vestidas com véus ou peles e, em grupo de nove, dançavam coroadas de grinaldas de hera e na mão levavam um tirso ou bastão envolto em ramos de videira, por vezes um cântaro, ou então tocavam um instrumento como uma flauta ou um tambolim, vagueando, como referimos na crónica anterior, pelas montanhas e campinas, entregando-se aos sátiros que também integravam o cortejo de Dioniso.
Eram, assim, acompanhadas dos sátiros embalados pelos sons dos tamborins dos coribantes, formando uma espécie de trupe que acompanhava o deus do vinho nas suas aventuras.
Por onde passavam actuavam como chamariz na conversão de outras mulheres atraindo-as para as festividades e a licenciosidade. Evidentemente que o comportamento livre e desregrado delas causava apreensão, senão pânico nos lugarejos e cidades onde o cortejo báquico passava. Quando assaltadas por um furor qualquer, não tinham limites ao descarregar a sua cólera. O maior divertimento das Ménades ou Bacantes era submeter os homens ao sofrimento, despedaçando-os antes de comê-los enquanto estavam em transe. Por isso, obrigavam-se a procurar refúgio no alto das montanhas, onde podiam exercer sua estranha liturgia sem a presença de olhares de censura ou reprovação.
As Ménades fazem parte do mito de Orfeu, que se recusava a olhar para outras mulheres após a morte de sua amada Eurídice. Furiosas por terem sido desprezadas, as Ménades acabaram por o atacar, atirando dardos e acabaram por matá-lo. Ao que reza a mitologia, depois terão despedaçado o seu corpo e atiraram a sua cabeça cortada ao rio Hebro, que flutuava cantando: "Eurídice! Eurídice!"
Terão sido as nove Musas as responsáveis por reunir os seus pedaços que foram enterrados no Monte Olimpo.
Pela sua crueldade, às Ménades não foi concedida a misericórdia da morte, motivo pelo que quando bateram os pés na terra em triunfo, sentiram-nos entranhar-se na terra. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enterravam, pelo que se transformaram em silenciosos carvalhos. E assim permaneceram castigadas e fustigadas pelos ventos furiosos.
Como dissemos, o culto primitivo a Dionísio era exclusivamente feito por mulheres e somente para mulheres.
Introduzido em Roma cerca de 200 a.C., a partir da cultura grega do sul da Itália ou através da Etrúria influenciado pela Grécia, os festivais «bacanais» eram realizados em segredo no bosque de Simila, perto da Aventino.
Posteriormente, os rituais foram sendo abertos à participação masculina, mas denunciado por um jovem que se recusava a participar das celebrações, o Senado, temendo que se originasse uma conspiração política, proibiu as festas prometendo recompensas a quem desse informações sobre os rituais.
Apesar da severa punição infligida àqueles que violassem o decreto, os bacanais continuaram a ser realizados no sul da Itália, podendo considerar-se, de algum modo, que Carnaval tem origem em antigos festivais, designadamente os Bacchanalia, Saturnália e Lupercalia.
Posteriormente, os rituais foram sendo abertos à participação masculina, mas denunciado por um jovem que se recusava a participar das celebrações, o Senado, temendo que se originasse uma conspiração política, proibiu as festas prometendo recompensas a quem desse informações sobre os rituais.
Apesar da severa punição infligida àqueles que violassem o decreto, os bacanais continuaram a ser realizados no sul da Itália, podendo considerar-se, de algum modo, que Carnaval tem origem em antigos festivais, designadamente os Bacchanalia, Saturnália e Lupercalia.
Na obra intitulada «Bacantes» de Eurípedes, onde Dionísio enlouquece as mulheres como vingança pela morte da sua mãe ultrajada, Sêmele, vemos Penteu, também humano, enfrentar a divindade, travando-se como que uma luta entre a razão e a paixão, acabando por sair vitoriosa a divindade, através do uso da astúcia.
Nesta obra são nomeadas dezoito Ménades:
Acrete - o vinho sem mistura
Arpe - a flor do vinho
Bruisa - a florescente
Cálice - a taça
Calícore - a formosa dança
Egle - o esplendor
Ereuto - a corada
Enante - a foice
Estesícore - a bailarina
Eupétale - as belas pétalas
Ione - a harpa
Licaste - a espinhosa
Mete - a embriaguez
Oquínoe - a mente veloz
Prótoe - a corredora
Rode - a rosada
Silene - a lunar
Trígie - a vindimadora
Arpe - a flor do vinho
Bruisa - a florescente
Cálice - a taça
Calícore - a formosa dança
Egle - o esplendor
Ereuto - a corada
Enante - a foice
Estesícore - a bailarina
Eupétale - as belas pétalas
Ione - a harpa
Licaste - a espinhosa
Mete - a embriaguez
Oquínoe - a mente veloz
Prótoe - a corredora
Rode - a rosada
Silene - a lunar
Trígie - a vindimadora
O mito das Ménades ou Bacantes coloca-nos perante a apreensão do ser humano no que ele tem de selvagem, perigoso e sombrio.
Consideradas desregradas e devoradoras dos homens, essa característica das Bacantes tem um simbolismo muito marcante, pois o mito leva o homem enfrentar-se e a reconhecer sua emocionalidade e a sua irracionalidade que conduz à violência, à agressividade e à destruição.
Consideradas desregradas e devoradoras dos homens, essa característica das Bacantes tem um simbolismo muito marcante, pois o mito leva o homem enfrentar-se e a reconhecer sua emocionalidade e a sua irracionalidade que conduz à violência, à agressividade e à destruição.
Eurípedes inicia assim com esta obra um novo género na literatura: a fábula, cuja característica marcante é a lição de moral que impregna o texto, pois neste caso concreto, as Bacantes põem em causa a ordem vigente em Tebas, apelando ao mundo fora da organização da Acrópole e, por isso, se desenrolam também os festivais nas montanhas.
Talvez por isso Penteu, embora fosse um simples mortal, sobrevive, pois é ele o representante da Razão, da Ordem, nas normas sociais vigentes, em constante luta contra a sensação e a emoção que embora possam conduzir à destruição, também são criadoras.
Imagens:
Imagens:
Ménade bailando. Cópia romana de um relevo grego de finais do século V a.C.
M. Prado, Sección Arqueología Cdl Madrid

E, não tarda, Dezembro está próximo e já se vai avizinhando o Solstício (do latim sol + sistere, que não se mexe) esse momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do Equador.
Por essa altura falaremos da relação que os homens, desde remotas alturas, até pela sua relação íntima com a Natureza e com as estrelas, designadamente o Sol que rege a Vida e o Tempo, tiveram com vários cultos dedicados ao Astro Rei.
E será altura de voltar a falar desse festival em honra de Saturno, Saturnália era um, uma divindade de origem grega cujo culto foi importado para Roma, que ocorria no mês de Dezembro, também em correlação com o solstício de inverno (era celebrada no dia 17 de Dezembro, mas ao longo dos tempos foi sendo estendida a uma semana completa, terminando a 23 de Dezembro).
segunda-feira, novembro 18
domingo, novembro 10
O Antonio Angelillo: porque também há homens no meu Luar (reed. Set. 2012)
Fotografia de Mariano Sartore (acima). Agosto 2013
Dove andiamo a cena?
Braço de Prata? ... Cacilhas? Naquele angolano?


Arquitecto de sonhos e de bons projectos de trabalho como poucos conheci.
Inteligente, também, como quase nenhuns, mas de nostalgia igual que, há dias, não se consegue suportar...
Trabalha como um vício, uma dedicação, e continua a acreditar que vale a pena fazê-lo bem.
Seria um dos homens que escolheria para aqui tratar, se a eles me fosse dedicar mais neste Luar.
Mas não caberia o seu lugar neste sítio, com tanto que com ele tenho aprendido ao longo dos anos. E já muitos são.
Quando dele me lembro, lembro-me do que quer dizer conversar, estar e aprender. Sempre.
E já foram tantos os lugares!
Mas para ele fica aqui o meu olá. Até já.
sexta-feira, novembro 8
Obrigada Arnaldo Augusto Solimene por esta tua história de S. Martinho (reed. 10.11.09)

Era uma frio 11 de Novembro. O céu estava coberto, uma fina chuva caía e soprava um vento que penetrava nos ossos.
E assim sendo, o cavaleiro era envolto em seu amplo manto de guerreiro. Mas eis que ao longo da estrada estava um pobre ancião, coberto apenas com poucos trapos, exposto ao tempo, combalido e trêmulo de frio.
Martinho, o cavaleiro, o olha e sente seu coração apertar. E pensa: " pobre ancião morrerá de frio". Bastaria um manto a essa pobre alma ... nem dinheiro seria útil nessas condições. E raciocina. Tenho eu grande manto. E não pensa duas vezes, pega a espada e a divide em dois e a entrega ao pobre.
São Martinho, contente em ter feito sua caridade, parte em seu cavalo embaixo de uma chuva cada vez mais intensa e os ventos mais raivosos, que tratam de tornar inútel para sua proteção o manto à metade que lhe sobrara.
Mas alguns passos depois, eis que cessa a chuva, o vento acalma-se. Mais um pouco e as nuvens, dissipam-se, o céu fica claro e a brisa serena.
O sol esquenta de tal forma o dia, que obriga o cavaleiro a tirar o manto, pois o calor era intenso.
Eis portanto o Verão de São Martinho... que se renova a cada ano para festejar-se um belo acto e para recordar-se de que a caridade ao pobres e necessitados são uns dos dons mais apreciados por Deus.
Mas a estória de San Maritnho não termina aqui.
Durante aquela noite, São Martinho teria sonhado com Jesus, que agradecia-lhe, mostrando-lhe o manto, como fazendo-lhe entender que o mendigo encontrado era Ele próprio em pessoa.
Escute essa inocente fábula sentado à frente uma imensa fogueira, nas comemorações de mais um dia de São Martinho.
Isso na pequena e antiga cidade de Scanno, na Provincia de L'Aquila. E são tantas as estórias que trasformam-se em hístorias.
É o ínicio do periodo invernal no Abruzzo, onde provar o vinho novo, o "mosto", com castanhas assadas na fogueira se nos remete a ter a consciência de manter tradições, de cultuá-las para que se renovem e sobrevivam e se nos façam sobreviver.
Muitos são os adjectivos que tranformam San Maritino, para os italianos, em patrono, seria ele dos alfaiate, dos cavaleiros, dos cavalos, dos bêbados, dos maridos traídos.....
Mas uma coisa é certa, rico é o povo que mantém suas tradições vivas, e tomar parte em uma dessas nos faz também parte do contexto, fazemos história. E eu fiz, acreditem fiz!
Arnaldo Augusto
E assim sendo, o cavaleiro era envolto em seu amplo manto de guerreiro. Mas eis que ao longo da estrada estava um pobre ancião, coberto apenas com poucos trapos, exposto ao tempo, combalido e trêmulo de frio.
Martinho, o cavaleiro, o olha e sente seu coração apertar. E pensa: " pobre ancião morrerá de frio". Bastaria um manto a essa pobre alma ... nem dinheiro seria útil nessas condições. E raciocina. Tenho eu grande manto. E não pensa duas vezes, pega a espada e a divide em dois e a entrega ao pobre.
São Martinho, contente em ter feito sua caridade, parte em seu cavalo embaixo de uma chuva cada vez mais intensa e os ventos mais raivosos, que tratam de tornar inútel para sua proteção o manto à metade que lhe sobrara.
Mas alguns passos depois, eis que cessa a chuva, o vento acalma-se. Mais um pouco e as nuvens, dissipam-se, o céu fica claro e a brisa serena.
O sol esquenta de tal forma o dia, que obriga o cavaleiro a tirar o manto, pois o calor era intenso.
Eis portanto o Verão de São Martinho... que se renova a cada ano para festejar-se um belo acto e para recordar-se de que a caridade ao pobres e necessitados são uns dos dons mais apreciados por Deus.
Mas a estória de San Maritnho não termina aqui.
Durante aquela noite, São Martinho teria sonhado com Jesus, que agradecia-lhe, mostrando-lhe o manto, como fazendo-lhe entender que o mendigo encontrado era Ele próprio em pessoa.
Escute essa inocente fábula sentado à frente uma imensa fogueira, nas comemorações de mais um dia de São Martinho.
Isso na pequena e antiga cidade de Scanno, na Provincia de L'Aquila. E são tantas as estórias que trasformam-se em hístorias.
É o ínicio do periodo invernal no Abruzzo, onde provar o vinho novo, o "mosto", com castanhas assadas na fogueira se nos remete a ter a consciência de manter tradições, de cultuá-las para que se renovem e sobrevivam e se nos façam sobreviver.
Muitos são os adjectivos que tranformam San Maritino, para os italianos, em patrono, seria ele dos alfaiate, dos cavaleiros, dos cavalos, dos bêbados, dos maridos traídos.....
Mas uma coisa é certa, rico é o povo que mantém suas tradições vivas, e tomar parte em uma dessas nos faz também parte do contexto, fazemos história. E eu fiz, acreditem fiz!
Arnaldo Augusto
Imagem: Wikipédia
quarta-feira, outubro 16
sexta-feira, outubro 11
InComunidade «A Vinha e o Vinho»
Filomena Barata
A VINHA E O VINHO
Festa dies Veneremque vocat cantusque merumque.
[Ovídio, Amores 3.10.47]
(O dia de festa convida Vênus, o canto e o vinho.)
[Ovídio, Amores 3.10.47]
(O dia de festa convida Vênus, o canto e o vinho.)
«Musgosas fontes, vós, e tu, ó relva
mais repousante que o melhor dos sonos,
e tu, ó verde arbusto que proteges,
que a vós protege com a breve sombra,
defendei o meu gado do calor
pois chega o Verão, tórrido tempo,
e já nas vinhas, nas tão tenras vinhas
incham rebentos».
mais repousante que o melhor dos sonos,
e tu, ó verde arbusto que proteges,
que a vós protege com a breve sombra,
defendei o meu gado do calor
pois chega o Verão, tórrido tempo,
e já nas vinhas, nas tão tenras vinhas
incham rebentos».
Bucólicas, Virgílio
Como se fosse inebriada pelo efeito das Bacantes, festival que se realizava na Antiga Grécia, e de que há relato escrito desde o século V a.C., na célebre obra de Eurípedes, escrevo esta crónica, que com dificuldades várias. Este não será o texto que gostaria de vos oferecer, mas o meu testemunho sobre a história da vinha e do vinho, circunscrevendo-o, por dificuldades de índole informática, praticamente a um conjunto de referências sobre o tema.
Quis o destino que a concluísse no Atlântico Sul, em Angola, onde nasci e onde a vinha tem uma expressão diminuta, pese as tentativas feitas por portugueses em tempos remotos.
Mas, aqui como no resto do Mundo, o vinho português faz ainda hoje companhia às melhores iguarias gastronómicas que Angola tem.
Mas, aqui como no resto do Mundo, o vinho português faz ainda hoje companhia às melhores iguarias gastronómicas que Angola tem.
É pois, do vinho e da vinha, esse bem precioso, que dizem as lendas da Antiguidade ser atributo dos deuses, que vos tentarei falar.
Já citado nas Sagradas Escrituras, conhecido entre Egípcios e Mesopotâmicos, para além dos aspectos comercial, medicinal e hedónico, o vinho assume, entre os Gregos, aspectos simbólicos muito relevantes relacionados com o culto a Dionísio ou Baco ou Líber, como referimos.
Existem lendas acerca da sua existência, a mais conhecida é aquela narrada na peça de Eurípides.
Assim, Dionísio, nascido em Naxos, seria filho de Zeus (Júpiter), o pai dos deuses, que vivia no Monte Olimpo em Thessaly e da mortal Sêmele, a filha de Cadmus, o rei de Tebas. Semele, que ainda no sexto mês de gravidez, morreu fulminada por um raio, proveniente da intensa luminosidade de Zeus. Dionísio foi salvo pelo pai que o retirou do ventre da mãe e o cozeu na própria coxa, onde foi mantido até ao final da gestação.
Dionísio confunde-se com vários outros deuses de várias civilizações, cujos cultos teriam origem há 9.000 anos. Originalmente era apenas o deus da vegetação e da fertilidade e gradualmente se foi tornando o deus do vinho, como Baco, deus originário da Lídia.
O vinho chegou ao sul da Itália através dos gregos, a partir de próximo de 800 a.C. No entanto, os etruscos, já viviam ao norte, na região da actual Toscana, e elaboravam vinhos, que comercializavam até na Gália e provavelmente na Borgonha. Não se sabe, no entanto se eles trouxeram as videiras de sua terra de origem, provavelmente da Ásia Menor ou da Fenícia, ou se cultivaram uvas nativas da Itália, onde já havia videiras desde a pré-história. Deste modo, não é possível dizer quem as usou primeiro para a elaboração de vinhos. A mais antiga ânfora de vinho encontrada na Itália é etrusca e data de 600 a.C.
O ponto crítico da história do vinho em Roma foi a vitória na longa guerra com o Império de Cartago no norte da África para controlar o Mediterrâneo Ocidental entre 264 e 146 a.C. Após as vitórias sobre o general Naibal e, a seguir, sobre os macedónios e os Sírios, houve mudanças importantes.
Os romanos começaram a investir na agricultura com seriedade e a vitivinicultura atingiu seu clímax», in “ Confraria do Vinho, Bento Aguinaldo Gonçalves”.
O vinho aparece associado a Liber Pater e sua divina esposa Libera, e gradualmente, estas duas divindades relacionadas com a fertilidade foram assimiladas por Dionysus/Bacus.
Mas a vinha também aparece relacionada com Saturno e a Priapo como nos refere Virgílio, em As Geórgicas, datada do Século I da nossa Era.
Tendo por base um excelente artigo de Citando Hernâni Matos,
«O Vinho na mitologia Greco-Latina», em:
«O Vinho na mitologia Greco-Latina», em:
podemos dizer que Dioniso ou Baco, filho de Zeus e da princesa Semele, era o deus grego das festas, do vinho, da fecundidade, do lazer e do prazer, símbolo do desejo e da libertação de qualquer inibição. Apresenta-se geralmente «como um jovem imberbe, risonho e de ar festivo, de longa cabeleira, pegando um cacho de uvas ou uma taça numa das mãos e empunhando na outra um tirso (bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Tem sido sugerido o carácter fálico do tirso, no qual a pinha seria o símbolo do sémen.
Dioniso é por vezes figurado com o corpo coberto por um manto de pele de leão ou de leopardo, com uma coroa de pâmpanos na cabeça e conduzindo um carro puxado por leões. Pode igualmente ser apresentado sentado num tonel, segurando numa das mais uma taça donde absorve a embriaguez que o faz cambalear.
Dioniso é normalmente representado na companhia de outros bebedores:
- Sileno – Tutor de Dioniso, companheiro fiel e o mais velho, sábio e beberrão dos seus seguidores, que embriagado tinha o poder da profecia. Representado quase sempre bêbado, amparado por sátiros ou carregado por um burro.
- Sátiros - divindades menores da natureza com aspecto humano, cabelos eriçados, com grande cauda e orelhas bicudas de bode, pequenos cornos na testa, narizes achatados, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de proporções sobre-humanas, frequentemente mostrados em estado de erecção. Viviam nos campos e nos bosques, onde tinham relações sexuais frequentes com as Ninfas e as Ménades, que a eles se juntavam no cortejo de Dioniso, além de copularem com mulheres e rapazes humanos, cabras e ovelhas. A embriaguez era a fonte inesgotável da sua perpétua jovialidade e lubricidade.
- Ménades (ou Bacantes) - mulheres apaixonadas por Dioniso e entregues com fervor ao seu culto. Levadas à loucura pelo deus do vinho, que provocava nelas um estado de êxtase absoluto, entregavam-se a desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e autoflagelação. Representadas nuas ou vestidas com véus ligeiros, coroadas de hera e segurando um tirso ou um cântaro, por vezes tocavam flauta de dois tubos ou tamboril e entregavam-se a uma dança livre e lasciva (orgia ou menadismo), em total concordância com as forças mais primitivas da natureza. Vagueavam por montanhas e campinas e entregavam-se aos sátiros que também integravam o cortejo de Dioniso.
- Ninfas – jovens mulheres que povoavam o campo, os bosques e as águas. São os espíritos dos campos e da natureza em geral, de que personificam a fecundidade e a graça. Apesar de serem consideradas divindades secundárias, a elas se dirigiam orações e por elas se nutria temor. Eram frequentemente alvo da luxúria dos sátiros (...)
Os festivais realizados em homenagem do deus eram basicamente festas da Primavera e do vinho. As danças frenéticas a que se entregavam as mulheres, davam-lhes uma sensação de liberdade e força, sendo-lhes atribuídos actos impressionantes como desenraizar árvores (...) Os Gregos consideraram este culto nocivo e muitos governantes das cidades-estado procuraram proscrevê-lo.
Em 370 a.C., o culto a Dioniso (Baco) penetrou em Roma e tinha sacerdotisas conhecidas por bacantes. As festas, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres durante três dias no ano (...). Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais tornaram-se factor de desordem e de escândalo, o que levou à publicação de um decreto por parte do Senado, em 186 a.C., proibindo as bacanais em toda a Itália. Contudo, mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo».
Em 370 a.C., o culto a Dioniso (Baco) penetrou em Roma e tinha sacerdotisas conhecidas por bacantes. As festas, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres durante três dias no ano (...). Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais tornaram-se factor de desordem e de escândalo, o que levou à publicação de um decreto por parte do Senado, em 186 a.C., proibindo as bacanais em toda a Itália. Contudo, mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo».
Ao que nos refere a Mitologia, Saturno, deus das Sementeiras e dos Grãos, parece ter sido o responsável por ter ensinado aos habitantes da Itália a cultura da vinha e, por isso, a divindade é representada com a foice do ceifeiro e a podoa do vinhateiro.
Os Antigos viam na vinha e em Dionísio - deus do vinho, rodeado por um conjunto de divindades alegres e ébrias - a imagem simbólica da força da natureza cheia de seiva. Baco é a divindade romana que herda dos Gregos a protecção do Vinho e da Vinha, mas também do Deboche e da Licenciosidade que lhes aparecem associadas.
Segundo informação de Plínio-o-Velho 23 d.C. a 25 de agosto de 79 d.C., o pintor grego Zeuxis ou Zeuxippos (464 a.C. - 398 a.C), natural de Heráclea, mas que viveu grande parte da sua vida em Atenas, considerado um dos principais pintores da Grécia Antiga terá disputado com outro pintor, Parraso.
Assim nos relata Plínio «Para a disputa, Zeuxis pintou um cacho de uvas. Quando mostrou o quadro, dois passarinhos imediatamente tentaram bicar as frutas. Zeuxis então pediu que Parraso desembrulhasse seu quadro. Este então revelou que na verdade era a pintura que simulava a embalagem do quadro. Zeuxis imediatamente reconheceu a superioridade de Parraso, pois se tinha enganado os olhos dos passarinhos, este tinha enganado os olhos de um artista». (Plínio, o Velho, História Natural, Livro XXXV, IV).
Diz-nos ainda o poeta romano Virgílio, nas suas Geórgicas «Mas, antes de tudo, venera os deuses e oferece à magna Ceres os sacrifícios anuais devidos, celebrando-os nos prados ridentes, quando o inverno chegou ao seu termo e a primavera serena já se anuncia. Nessa ocasião, estão nédios os cordeiros e os vinhos têm o melhor sabor».
Segundo Estrabão, que viveu entre os séculos I a.C e I d.C., grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvoredo, oliveira, vinha, figueira e a região entre o Tejo e o Cantábrico «era rica em frutos e gado» (3,3,5). Plínio, por sua vez, informa-nos sobre a qualidade da vide «coccolobis» na Hispânia, cujo vinho «sobe à cabeça» e que existem duas variedades, uma de bago alargado e outra de bago redondo. «Dizem que beber vinho destas uvas é um bom remédio para as "dolencias de vejida"» (Plínio, XIV, 29-30). Informa ainda que quando da vitória de César sobre a Hispânia «consta que pela primeira vez se beberam quatro qualidades de vinho» Plínio, XIV, 97
Talvez porque o culto das divindades relacionadas com o Vinho tenha tido em Roma grande expansão, é comum que este apareça vulgarmente representado na iconografia.
No Museu Nacional de Arqueologia existem vários bustos de Diónisio ou Baco, com o cabelo ornado de uma grinalda de cachos de uvas e parras, provenientes respectivamente da villa romana de Milreu, datável do século II, e de Mértola (MATOS, 1995: 5659). Mas ainda podemos referir o belo «sarcófago da vindima», proveniente de Castanheira do Ribatejo, que tem forma de cuba de vinificação, onde o retrato de uma jovem, inscrito num medalhão, se centra na peça.
O medalhão está assente sobre um vaso com duas asas, de onde saem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas e, entre as ramagens, aparecem pequenos cupidos, cestas de vindima, aves e animais campestres, como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos. Os temas báquicos eram muito comuns na decoração das lucernas ou candeias romanas, como se pode verificar, apenas a título de exemplo, nos exemplares provenientes de Balsa, datáveis dos séculos I e II e em Santa Bárbara de Padrões, Castro Verde. Deste último local provêm duas lucernas com a representação de Sileno.
Recordo ainda que existem vários exemplares de mosaicos com cenas báquicas, como é o caso de um, proveniente de Egitania e ainda um outro, de Torre de Palma, que é considerado uma obra de arte de referência entre os mosaicos dionisíacos na Lusitânia (Lancha, 2000, 197-205).
Como acima referia, são inúmeras, as referências ao vinho nos escritores da Antiguidade, a exemplo de Estrabão que nos diz, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável», bem como cera, mel, pez,(Estrabão III, 2, 613).
São estas as palavras de Virgílio n' «As Geórgicas»: "Deitai-vos pois ao trabalho, ó lavradores, e aprendei a arte de cultivar de modo apropriado, amansando à fora do engenho, os frutos bravios. Não deixeis as terras maninhas: é obra deleitosa plantar vinhas no Ismaro e vestir de oliveiras o grande Taburno». (Sá da Costa: p. 63).
E ainda mais: "As oliveiras respondem melhor à esperança do agricultor quando provêm de tanchoeiras, as vinhas quando procedem de alporques, a murta de Pafos quando se planta um tronco inteiro".
Segundo este autor latino «Terra que exala um vapor ténue e neblinas fugazes, que absorve a humidade, mas, quando quer, a lança para fora de si; terra que sempre verdejante, se reveste de ervagem que ela própria cria, que não ataca o ferro com sal ou ferrugem, eis a que te convém para entretecer com os olmos as ridentes videiras; será, também fértil para a oliveira: amanha-a bem, e verás como é propícia para os gados, e como é dócil para a curva relha» (Sá da Costa, 1948: 75).
«A árvore que nasceu de sementeira cresce lentamente; não dará sombra senão aos nossos netos remotos. Os frutos degeneram, esquecem os primitivos sucos; a vinha, essa acaba por só dar míseros cachos que se deixam ás aves. Assim, a todas as árvores se tem que dispensar cuidados; todas se tem de alinhar em valas e de tratar sem fugir a despesas. As oliveiras respondem melhor à esperança do agricultor quando provêm de tanchoeiras, as vinhas quando se planta um tronco inteiro» (Sá da Costa, 1948: 75, ver ainda pp: 67; 73, 79; 81)».
Proveniente da Villa Romana de Vale de Mouro é um mosaico de Baco, um tema com pouco exemplares em território nacional, que foi encontrado num pequeno compartimento de planta quadrangular com cerca de 9 metros quadrados.
Ali, Dionísio (o romano Baco) é representado, «ostentando os seus atributos clássicos: um triso (thyrsus) na mão esquerda, um Kantharus na mão direita, uma coroa de cachos de uva na cabeça. Conduz um carro de duas rodas, parcialmente conservado no mosaico, puxado por dois leopardos, dos quais apenas se conserva parte de um. À esquerda do Deus, uma figura feminina, uma ménade ou bacante, completa a representação iconográfica».
Ver:
http://www.cm-meda.pt/turismo/Paginas/SitioArqueologicodeValeMouros.aspx#.UgJhbtLFWzk
Ver:
http://www.cm-meda.pt/turismo/Paginas/SitioArqueologicodeValeMouros.aspx#.UgJhbtLFWzk
CSC-Coriscada: http://www.csc-coriscada.pt/arqueologia.htm

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