segunda-feira, julho 8

Vamos visitar os Castelos de Palmela e Sesimbra e as Fortificações de Setúbal. Para MOI - Movimento Odete Isabel.

Ordem de Sant'Iago da Espada e o castelo de Palmela
A criação da Ordem de Santiago, como todas as outras ordens religioso/militares, surgiu na sequência das Cruzadas, que foram expedições religiosas e militares organizadas, a partir dos finais do século XI, tendo em vista libertar a Terra Santa do poder dos Muçulmanos.
 Esta Ordem surgiu exactamente através da associação de diversos cavaleiros que se ligaram para combater os Mouros.
Os Cavaleiros de Santiago, como ficaram conhecidos, ou Espatários, porque o seu símbolo era uma espada com uma forma crucífera, fizeram voto de pobreza e de obediência, seguindo a Regra de Santo Agostinho. Os seus membros não eram obrigados ao voto de castidade, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores eram casados). No entanto, a bula papal recomendava (não obrigava) o celibato, e os estatutos da fundação da Ordem afirmavam: "Em castidade conjugal, vivendo sem pecado, assemelham-se aos primeiros padres apostólicos, porque é melhor casar do que viver consumindo-se pelas paixões".
Em 1170, Fernando II de Leão tê-la-á oficializado, dando-lhe, em 1172, a vila de Cáceres, tendo obtido a confirmação papal de Alexandre III, por bula outorgada em 1175, e os frades espalharam-se rapidamente por Castela e Portugal, onde lhe foram doados diversos castelos. Esta Ordem monástica desempenhou um papel fundamental na Reconquista, o que lhe trouxe considerável poderio político, social e económico.
Depois da conquista de Lisboa, D. Afonso Henriques oferece um convento para a  primeira sede da Ordem nesta cidade. Com a conquista dos territórios a sul do Tejo que foram colocados à sua guarda, estabeleceram-se no Castelo de Palmela de 1170-1218 e depois a sede passou para Alcácer do Sal que se tornou a cabeça da Ordem, até que D. Sancho II a mudou para Mértola.
Resumindo, podemos considerar que, em Portugal, a ordem foi actuante desde os primórdios da nacionalidade, ainda no reinado de D. Afonso Henriques, mas só teve maior visibilidade a partir do reinado de D. Afonso II, e sobretudo, D. Sancho II, tendo detido como sedes o Castelo de Palmela e depois o de Alcácer do Sal.
Foi mestre comendatário da Ordem em Alcácer o grande Paio Peres Correia que deu um valoroso contributo para a Reconquista de Portugal – as suas forças, muitas das vezes lideradas por ele pessoalmente, conquistaram, entre 1234 2 1242, grande parte do Baixo Alentejo e foi ainda com o seu auxílio que D. Afonso III consumou a conquista do Algarve.   Como recompensa, a Ordem foi agraciada, em territórios portugueses, com várias dessas terras do Alentejo e do Algarve, com a missão de as povoar e defender. A isso não é alheio, ainda hoje, o facto de muitas delas terem por orago Santiago Maior, e de nas suas armas figurar a cruz espatária.



Como se vê no mapa a ordem de Sant'Iago terá recebido uma extensa área a sul do Tejo.



A par das doações dos castelos às Ordens Religiosas, como referimos com a Ordem de Santiago, e com o progressivo avanço para Sul durante a reconquista, grandes extensões de terras são doadas às ordens eclesiásticas, às ordens militares e aos mosteiros, assim como à nobreza, de forma a que o território pudesse ser povoado e desenvolvido .
No Castelo de Palmela se estabelecem  definitivamente em 1443, no reinado de D.Afonso V e já há muito independentes de Castela, que o elegem como sua sede em território nacional com o próprio Mestrado da Ordem - o mestre infante D.João -, filho de D. João I avô de D.Afonso V.

No ano seguinte começa a construir-se o seu templo - a Igreja de Santiago, - onde se encontra a arca feral de D. Jorge de Lencastre, filho de D. João II e neto de Afonso V, último Grão-Mestre da Ordem e donatário da vila de Grândola.
Foi aqui em Palmela e durante o reinado de D.João II, que muito apreciava a região, que a Ordem conheceu o seu máximo esplendor. 
De 1546 até à extinção da Ordem vigoraram na sua administração os Priores-Mores do Real Convento de Sant'Iago de Palmela. 
A extinção das Ordens Religiosas consumou-se em 1834 por decreto de Joaquim António Aguiar , ministro de D. Pedro, que assim ficou conhecido pelo “Mata Frades" e os seus domínios passaram para a posse do Estado.
As Ordens Militares são definitivamente secularizadas perdendo qualquer significado.
Mais tarde, a Ordem passou a denominar-se Ordem de Santiago, e constituiu-se em ordem honorífica em Portugal, da qual o Chefe do Estado Português se constitui o Grão-Mestre.


O Castelo de Palmela
No caso específico do Castelo de Palmela, parece que o mesmo teve origem muçulmana, (embora haja indícios de ter sido ocupado em época anterior). No período de dominação árabe foi edificado por volta do século IX.
Em 1147 é conquistado por D. Afonso Henriques, mas acaba por cair novamente nas mãos de Muçulmanos, e só em 1190 passa definitivamente às mãos portuguesas.
É durante o reinado de D. Sancho I que são feitas obras de recuperação do castelo, passando a ser sede da Ordem de Santiago.
A construção do convento a que já fizemos referência  inicia-se no reinado de D. João I e aí se instala a Ordem em 1443.
Em 1670 há novamente obras no castelo, visando adaptá-lop ao uso da artilharia, tendo sofrido muito com o Terramoto de 1775. Com a Extinção das Ordens Religiosas é abandonad, até que é classificado Monumento Nacional e se fazem novas obras de conservação e restauro em 1945.

Texto baseado em:

Setúbal e o estuário do Sado
Importante burgo piscatório no século XVI, a povoação não teve um castelo propriamente dito, embora tendo sido amuralhada na época medieval. Normalmente a expressão Castelo de Setúbal designa o Forte de S. Filipe, localizado em posição dominante sobre um outeiro, fronteiro à cidade na margem esquerda da Foz do Rio Sado.
Do que se conhece da cidade de Setúbal, o estuário foi fundamental, desde sempre para a fixação de gentes, conhecendo-se uma ocupação do território desde a Pré-História.
O rio Sado , conhecido ao tempo dos Romanos como Callipus, e, a partir provavelmente da ocupação islâmica, como Sadão, foi sempre gerador de vida, pois, alagando a terra, a fertiliza, permitindo que a água e a terra fossem, efectivamente, os grandes motivos de fixação de gentes.

A Serra da Arrábida teve, desde a Pré-História, populações que por ali foram passando, podendo referir-se a Lapa de Santa Margarida, no Portinho da Arrábida, estudada por G. Zbyszewski, com ocupação do Paleolítico Inferior, e nela acabaram por se fixar gentes, já em Época neolítica e períodos posteriores, nomeadamente da Idade do Cobre, como os povoados da Idade do Cobre implantados em colina de Rotura, Padrão, Chibanes, Moinho da Fonte do Sol e Malhadas.

Da transição do Neolítico para a Idade do Cobre, conhecem-se também as sepulturas colectivas ou hipogeus da Quinta do Anjo e o monumento individidual de enterramento da Roça do Casal do Meio que denota já uma maior complexificação social.

Mas são ainda conhecidos os povoados da Idade do Ferro de Chibanes e Pedrão.

A ocupação romana tem inúmeros vestígios no território de Caetobriga, cujos expoentes podemos considerar os disseminados pela cidade de Setúbal, a antiga Caetobriga, e de Tróia.


Assim, em Setúbal, a antiga Caetobriga romana tem vestígios de fábricas de salga de peixe, bem como restos de habitações com mosaicos, no Centro Histórico da Cidade.

Fazendo a travessia do Sado, no caminho fluvial que outrora ligava as povoações estuarinas de Caetobriga e Tróia a outras cidades importantes, designadamente Salacia, (Alcácer do Sal), permitindo trocas comerciais, pode ainda vislumbrar-se um pouco o que restará da paisagem da Península de Tróia, eventualmente a antiga Ilha de Achale, ou da Serra da Arrábida.

Após a travessia do rio, junto à Caldeira, localizam-se as ruínas de Tróia, um dos maiores complexos fabris conhecidos no Mundo Romano Ocidental, que se mantém em laboração desde o século I d.C., cronologia atestada pela existência de terra sigillata itálica, bem como por algumas inscrições funerárias, até, pelo menos, ao século IV d.C., período em que entram em decadência as actividades ligadas à pesca e transformação do pescado, como acontecera com as suas congéneres da Península Ibérica e do Norte de África.
Ao que se sabe a antiga Caetobriga romana deve ter sido abandonada no século VI D.C. por falta de condições de segurança aos seus moradores segundo alguns autores, ou devido aos movimentos das dunas de areia, segundo outros.

Ao que parece terá também sido ocupada por Muçulmanos, a partir do século VIII.

À época da Reconquista Cristã, o povoado muçulmano foi conquistado pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1165.   Arrasado durante umanova ofensiva comandada pelo califa almóada Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur em 1190, foi reerguido a partir de 1200, no reinado de D. Sancho I
O seu neto, D. Sancho (1223-1248), após a retomada do Cstelo de Palmela terá   assegurando a posse desta região, também doou esta povoação à Ordem de Santiago da Espada para que a defendesse e repovoasse.
Porto privilegiado pela sua localização sobre a rota comercial (e dos Cruzados) pelo oceano Atlântico, pelo desenvolvimento cada vez intenso que vivenciou, Setúbal tornou-se, no reinado de D. Afonso III (1248-1279), um dos principais portos de Portugal, a par do de Lisboa, do Porto e de Faro razão pela qual recebeu o seu foral em 1249, sabendo-se que transitavam pelo porto de Setúbal era uvas, vinhos, figos, peixe fresco.
Data deste período a primeira estrutura defensiva da povoação, uma muralha envolvente, cuja edificação se iniciou com D. Afonso IV (1325-1357) e foi concluída no reinado seguinte, com D.Pedro I, tendo a função de conter os assaltos de piratas e de corsários oriundos do Norte d’África.
Em 1439, por decreto real, a vila foi isenta de pagar aposentadoria, tendo-se decidido a construção casas condignas para receberem o rei e a sua Corte.
Ao que se sabe, será deste porto marítimo que D. Afonso V partirá para a conquista da Praça-forte de Alcácer Ceguer, no Norte de África.
Foi também aqui que se celebraram as núpcias de D. João II (1481-1495) com D. Leonor de Viseu, tendo sido neste reinado  que se deu início à construção de um aqueduto para o transporte de água, proveniente da nascente da Arca d' água (Alferrara), para a vila. A expansão da vila para fora das suas muralhas iniciou-se em fins desse século, com a construção, no sector oeste, do Convento de Jesus.
Durante a Dinastia Filipina para reforço da defesa, foi iniciado o Forte de São Filipe (1582).


Forte S. Filipe
 e  Maria Filomena Barata
O Património é um recurso: um percurso ao longo do Sado




Maria Filomena Barata

Arqueologia na Serra da Arrábida



Falar da Ordem de Santiago. Castelo de Palmela


Castelo de Sesimbra

sábado, julho 6

O Romanceiro Nacional - Episódio XV

Episódio XV - Do Romanceiro Nacional

Está?
Ah, és tu PP. Como estás?

PP: Bem, mas farto deste calor e não poder ter um belo fim de semana por aí. Quero falar contigo. Alinhas numa conversa amena e num bom jantar?

- Pensei-te zangado, afinal em que ficamos? Desempatas ou não a loja?

PP: Oh pá, sabes bem que não gosto nada que a mulher fique a tratar das nossas Finanças. Ainda por cima não me disseste nada sobre os esquemas em que ela andava metida e que ainda oferecia tachos ao marido. Essa cena não vou mesmo aceitar. Sou um tipo possessivo e há coisas que não posso admitir numa coligação, onde afinal tenho que estar sempre na linha da frente.

- Opá e eu não gostei nada que andasses na palheta com os que não sendo sulistas já, são socialistas e elitistas. Uma cambada de gentinha com apetites e opiniões meio-esquerdalhas. Com manias de que as pessoas devem ter direitos iguais.

PP: Tu sabes como sou. Nada te escondi. Um pouco "Maria vai com as outras". Gosto de novas experiências e não lhes resisto. Mas isso não tem importância nenhuma, porque só depois disso percebo que é contigo que quero estar.
És, aliás, a única pessoa com quem quero mesmo estar. Confia em mim! Tudo o resto são manobras de distracção.

- Pois, mas fazes sempre o mesmo quando as coisas estão a correr mal. Baldas-te logo para outra cena qualquer e bates com a porta com todos ainda por cima a ver. Os daqui e os de fora.

PP: Opá, passa lá essa agora. Vamos é jantar bem, no melhor sítio de Cascais, porque já é tarde e não dá para apanhar um voo qualquer. Sempre sai mais barato do que os telemóveis que gastámos estes dias, com a agravante que podem ter escutas.

- Bora lá, mas é para falar a sério, porque foi a última vez que aturei birras e já estou a ter problemas demais com os do meu clube e das minhas agremiações. E a mostarda está a chegar ao nariz daquela louca velha da Ferreira Leite e outros tantos que a acompanham.
Mesmo o PR já não está a gostar.

PP: Olha, mas não é para me chateares, porque senão vou é já jantar com outro qualquer. Aliás é o melhor que tenho a fazer. Fica a nossa conversa adiada para a próxima semana.
O país pode esperar e pagar, pois ainda há tanto subsídio para sacar.


- Glup ......... és sempre a mesma coisa. Não é possível negociar.
Boa Sexta-feira dos homens como se diz no país onde nasci, onde a nossa zanga já serve de anedota nacional.
Quem sabe quando voltares a ligar eu já não esteja cá! Ou simplesmente mudei o número para não me importunarem.
É que mesmo os gajos da oposição se estão a portar bem demais, deve ser da caloraça, mas daqui a pouco e não tarda vão-me zunir bem na cabeça e, desta vez, com toda a razão.
E que vão os professores um dia ensinar sobre o que andamos cá a fazer??? Os tipos até têm aluma capacidade de nos censurar da História nacional.

Já agora, não desligues o telemóvel, como é habituall, não vá algo urgente mesmo acontecer do fim de semana.

E eu vou regar a horta, quem sabe chego a alguma conclusão!
Logo mais trago as reflexões ...

quarta-feira, julho 3

E porque é a Gula um Pecado Capital?

Se bem que, no sentido literal, gula seja o excesso no comer e beber, na sua simbologia mais abrangente entende-se como voracidade.

Mas a gula também pode manifestar-se de outras formas: a sede pelo poder, pelo dinheiro, pelo possuir; pelo adquirir compulsivamente ou pela própria sexualidade insaciável.

É, no fundo, uma certa forma de incontinência, acabando por tornar cativo quem dela sofre.

Li, em tempos um livro fantástico a este título que tentarei reencontrar entre as minhas estantes ...Sete Pecados Capitais, Monumental

Se tivesse que eleger o "pai" dos "Pecados Capitais", este seria o escolhido, pela certa, pois os outros quase lhe são subsidiários.





Natureza Morta, Josefa d'Óbitos

segunda-feira, julho 1

E à tardinha, ou pela noite, experimentarei um vestido de cetim ...

Pensando com a brisa do Verão nas viagens imaginárias que vou empreender ...




Acho que não vou
sair mais contigo à deriva
em teu barco flutuante,
que segue sem direcção
e sem traçar um caminho.
(...)
Noite de Verão _
uma pancada ao portão,
uma pancada na porta ...
Como a esperança responde
ao bater no parapeito.

Isumi Shikibu (974?-1034?), in O Japão no Feminino, TANKA

domingo, junho 23

A maior Lua Cheia do ano ...

A Lua, astro satélite sem luz própria, faz-se sempre recordar uma velha oração que conheci no Alentejo e ainda uma outra cidada no «Asno de Ouro» de Apuleio que dão conta, por um lado, do sincretismo religioso daquele território e do papel que os cultos lunares desempenham nas crenças e religiões desde épocas remotas.

Passarei a citar:


"Lua, Luar

Toma lá este Bébé

Ajuda-mo a criar

Tu és Mãe e eu sou ama

Cria-o tu que eu lhe dou mama

Em louvor da Virgem Maria

Padre Nosso, Avé Maria"



A outra citada por Apuleio, no Asno de Ouro, faz também eco da mesma devoção lunar, pois atribui ao burro na sua caminhada iniciática uma oração dedicada à "Lua cheia resplandecente de admirável brilho" a quem confere uma "transcendente majestade, e que todas as coisas humanas se regiam por sua providência; que não somente o gado e as bestas feras, mas também as inanimadas, vegetavam pelo divino influxo de sua luz e divindade (...)".

E o Asno suplica à Lua, apelando a atributos que lhe foram conferidos ao longo dos tempos:

" Rainha dos céus, ou tu sejas Ceres criadora, primeira mão dos frutos (...); ou tu sejas a celeste Vénus, que na primeira origem das cousas ajuntaste os diferentes sexos gerando amor, e propagaste a espécie humana de eterna descendência (...) que, favorecendo o parto das mulheres com brandos remédios, tens dado à luz tantos povos (...); ou tu sejas Prosérpina, horrível pelos uivos nocturnos, que reprimes com a triforme face os ímpetos dos espectros, e encerras os arcanos da terra e, vagueando por diversos bosques, és aplacada com diferentes modos de culto: tu que alumias os muros de todas as cidades com a tua feminina luz, que crias as alegres sementes com teu húmido fogo e esparges uma luz incerta segundo as revoluções do Sol: por qualquer nome, quaisquer ritos e debaixo de qualquer forma que é lícito invocar-te, tu me socorre agora em minha extrema calamidade (...), tu dá-me paz e repouso depois de tão cruéis desgraças sofridas” .


Na primeira oração , é clara a associação da Lua com a feminilidade e a maternidade.

Na segunda oração, a que Apuleio põe na boca do Asno, a Lua aparece-nos com uma feição mais complexa: ora símbolo criador, fecundador; ora rainha e regradora do mundo humano, animal e inanimado; ora símbolo do amor e da união dos sexos, associada a Vénus.

Mas a Lua também nos aparece aí associada a a uma divindade do mundo subterrâneo, Prosérpina, "horrível pelos seus uivos nocturnos", pois esta divindade, filha de Zeus com Demetra foi raptada por Hades o deus dos mortos que fez dela a sua esposa, vivendo com ela parte do ano, nesse mundo das "entranhas da Terra".

Daí advêm, certamente, muitas das associações maléficas que se atribuem à Lua na tradição popular, com efeitos perniciosos de mau-olhado ou de "quebranto".

Mas também por isso a Lua representa a passagem da vida para a morte, uma vez que, como astro que aparece e desaparece, ela tanto está tanto morta, como viva.

Ainda por esses ritmos de aparecimento/desaparecimento; Luz/Escuridão; Morte/Vida, a Lua funcionou como símbolo dos ritmos biológicos, motivo porque ainda hoje a gravidez é marcada pelas Luas, atribuindo-se-lhe também grande importância nas marés e nos ciclos agrícolas.

Ainda por isso mesmo alguns calendários da Antiguidade se regeram pelos ciclos lunares.

A Lua na sua conotação com o mundo feminino, sem Luz própria, ou seja um astro satélite natural da Terra sem Luz própria, que reflecte a Luz do Sol de forma descontínua, é também símbolo de transformação e de crescimento. De caminho ou caminhada.

Que seja um Boa Caminhada em ciclo de S. João|




quarta-feira, junho 12

O Vermelho e o Negro, Stendhal








Voltarei sempre ao Vermelho e Negro, como um dos mais belos romances que li.

A par da Cartuxa de Parma, o Vermelho e Negro é dos melhores romances que a história da literatura conheceu.
Redescobri-los é como se nos descobrissemos também um pouco.

Como Stendhal conseguiu inventar o mundo inteiro em duas pequenas cidades de França e Itália, é a arte que a muito poucos coube: a capacidade de tudo criar através da palavra!
Fugindo através delas da tirania das máscaras frágeis de um lugar qualquer, e criar, assim, um qualquer lugar, onde a densidade das histórias nos transporta ao mais profundo que há em nós: a capacidade de querer e de crer. Somando a cada dia a liberdade de escolher.




«Não tenho a menor ilusão - dizia-lhe ela, mesmo nos momentos em que se atrevia a entregar-se a todo o seu amor -, estou condenada à danação, irremissivelmente condenada. Tu és moço, cedeste às minhas seduções, o céu pode perdoar-te; mas eu estou condenada ao fogo eterno (...). Tenho medo; quem não teria medo à vista do inferno? Mas, no fundo, não me arrependo. De novo cometeria este erro, se não tivesse ainda cometido.

(...) Mas, e tu, pelo menos, meu Julien (...) tu és feliz? Achas que eu te amo o bastante?»


sexta-feira, junho 7

Chama-me o Sul: o Alentejo Litoral .... (reed.)

Ver: http://mirobrigaeoalentejo.blogspot.pt/search?q=pessegueiro





Mesmo quando algumas oliveiras têm dificuldade em crescer, de serem lentas a criar raízes no chão, há lugares que sempre nos pertencerão!

Como há amores que só morrem pelas nossas mãos.

Aqui vos deixo um apontamento, um caminho a percorrer (do Castelo Velho - Miróbriga e a capela de S. Brás, as suas ruínas, os ciprestes, sobreiros, zambujos e as imaginadas papoilas que em Maio florescem - ao Castelo Novo fortificado pelos Espatários) que tantas vezes cruzei, por entre moinhos e veredas, mas que sempre consegui ver com um novo olhar.


Mas poderão rumar ainda mais ao mar: Sines, a Ilha do Pessegueiro, Vila Nova de Milfontes, lembrando velhos caminhos romanos, potenciando o que mar fornecia, transformado o pescado em garum e salmoura, quer em Sines, quer nas fábricas de salga do Pessegueiro, que funcionaram entre os séculos II e IV.

Ou espreitando o que resta do forte filipino e as pedreiras mandadas fazer por Alexandre Massai, sem terem, contudo, obtido resultados proveitosos que fazem daquela ilha fendida um lugar mágico e especial.
































E ver, ainda, ao longe, o Cercal, cheirando a serra ao metal que tornava ferruginosas as ribeiras; vi o Sado de Alcácer e as lagoas que, mais a Sul, viabilizaram uma agricultura mais fértil.


Mas já a noite havia chegado, e os tons se tinham esbatido no silêncio que lhe deu lugar. Como um dos dias mais fantásticos que vivi e que por lá passei, onde se desvendaram afectos como na "Ilha dos Amores"....

Afinal há tanta coisa para encontrar ...