quarta-feira, outubro 16
sexta-feira, outubro 11
InComunidade «A Vinha e o Vinho»
Filomena Barata
A VINHA E O VINHO
Festa dies Veneremque vocat cantusque merumque.
[Ovídio, Amores 3.10.47]
(O dia de festa convida Vênus, o canto e o vinho.)
[Ovídio, Amores 3.10.47]
(O dia de festa convida Vênus, o canto e o vinho.)
«Musgosas fontes, vós, e tu, ó relva
mais repousante que o melhor dos sonos,
e tu, ó verde arbusto que proteges,
que a vós protege com a breve sombra,
defendei o meu gado do calor
pois chega o Verão, tórrido tempo,
e já nas vinhas, nas tão tenras vinhas
incham rebentos».
mais repousante que o melhor dos sonos,
e tu, ó verde arbusto que proteges,
que a vós protege com a breve sombra,
defendei o meu gado do calor
pois chega o Verão, tórrido tempo,
e já nas vinhas, nas tão tenras vinhas
incham rebentos».
Bucólicas, Virgílio
Como se fosse inebriada pelo efeito das Bacantes, festival que se realizava na Antiga Grécia, e de que há relato escrito desde o século V a.C., na célebre obra de Eurípedes, escrevo esta crónica, que com dificuldades várias. Este não será o texto que gostaria de vos oferecer, mas o meu testemunho sobre a história da vinha e do vinho, circunscrevendo-o, por dificuldades de índole informática, praticamente a um conjunto de referências sobre o tema.
Quis o destino que a concluísse no Atlântico Sul, em Angola, onde nasci e onde a vinha tem uma expressão diminuta, pese as tentativas feitas por portugueses em tempos remotos.
Mas, aqui como no resto do Mundo, o vinho português faz ainda hoje companhia às melhores iguarias gastronómicas que Angola tem.
Mas, aqui como no resto do Mundo, o vinho português faz ainda hoje companhia às melhores iguarias gastronómicas que Angola tem.
É pois, do vinho e da vinha, esse bem precioso, que dizem as lendas da Antiguidade ser atributo dos deuses, que vos tentarei falar.
Já citado nas Sagradas Escrituras, conhecido entre Egípcios e Mesopotâmicos, para além dos aspectos comercial, medicinal e hedónico, o vinho assume, entre os Gregos, aspectos simbólicos muito relevantes relacionados com o culto a Dionísio ou Baco ou Líber, como referimos.
Existem lendas acerca da sua existência, a mais conhecida é aquela narrada na peça de Eurípides.
Assim, Dionísio, nascido em Naxos, seria filho de Zeus (Júpiter), o pai dos deuses, que vivia no Monte Olimpo em Thessaly e da mortal Sêmele, a filha de Cadmus, o rei de Tebas. Semele, que ainda no sexto mês de gravidez, morreu fulminada por um raio, proveniente da intensa luminosidade de Zeus. Dionísio foi salvo pelo pai que o retirou do ventre da mãe e o cozeu na própria coxa, onde foi mantido até ao final da gestação.
Dionísio confunde-se com vários outros deuses de várias civilizações, cujos cultos teriam origem há 9.000 anos. Originalmente era apenas o deus da vegetação e da fertilidade e gradualmente se foi tornando o deus do vinho, como Baco, deus originário da Lídia.
O vinho chegou ao sul da Itália através dos gregos, a partir de próximo de 800 a.C. No entanto, os etruscos, já viviam ao norte, na região da actual Toscana, e elaboravam vinhos, que comercializavam até na Gália e provavelmente na Borgonha. Não se sabe, no entanto se eles trouxeram as videiras de sua terra de origem, provavelmente da Ásia Menor ou da Fenícia, ou se cultivaram uvas nativas da Itália, onde já havia videiras desde a pré-história. Deste modo, não é possível dizer quem as usou primeiro para a elaboração de vinhos. A mais antiga ânfora de vinho encontrada na Itália é etrusca e data de 600 a.C.
O ponto crítico da história do vinho em Roma foi a vitória na longa guerra com o Império de Cartago no norte da África para controlar o Mediterrâneo Ocidental entre 264 e 146 a.C. Após as vitórias sobre o general Naibal e, a seguir, sobre os macedónios e os Sírios, houve mudanças importantes.
Os romanos começaram a investir na agricultura com seriedade e a vitivinicultura atingiu seu clímax», in “ Confraria do Vinho, Bento Aguinaldo Gonçalves”.
O vinho aparece associado a Liber Pater e sua divina esposa Libera, e gradualmente, estas duas divindades relacionadas com a fertilidade foram assimiladas por Dionysus/Bacus.
Mas a vinha também aparece relacionada com Saturno e a Priapo como nos refere Virgílio, em As Geórgicas, datada do Século I da nossa Era.
Tendo por base um excelente artigo de Citando Hernâni Matos,
«O Vinho na mitologia Greco-Latina», em:
«O Vinho na mitologia Greco-Latina», em:
podemos dizer que Dioniso ou Baco, filho de Zeus e da princesa Semele, era o deus grego das festas, do vinho, da fecundidade, do lazer e do prazer, símbolo do desejo e da libertação de qualquer inibição. Apresenta-se geralmente «como um jovem imberbe, risonho e de ar festivo, de longa cabeleira, pegando um cacho de uvas ou uma taça numa das mãos e empunhando na outra um tirso (bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Tem sido sugerido o carácter fálico do tirso, no qual a pinha seria o símbolo do sémen.
Dioniso é por vezes figurado com o corpo coberto por um manto de pele de leão ou de leopardo, com uma coroa de pâmpanos na cabeça e conduzindo um carro puxado por leões. Pode igualmente ser apresentado sentado num tonel, segurando numa das mais uma taça donde absorve a embriaguez que o faz cambalear.
Dioniso é normalmente representado na companhia de outros bebedores:
- Sileno – Tutor de Dioniso, companheiro fiel e o mais velho, sábio e beberrão dos seus seguidores, que embriagado tinha o poder da profecia. Representado quase sempre bêbado, amparado por sátiros ou carregado por um burro.
- Sátiros - divindades menores da natureza com aspecto humano, cabelos eriçados, com grande cauda e orelhas bicudas de bode, pequenos cornos na testa, narizes achatados, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de proporções sobre-humanas, frequentemente mostrados em estado de erecção. Viviam nos campos e nos bosques, onde tinham relações sexuais frequentes com as Ninfas e as Ménades, que a eles se juntavam no cortejo de Dioniso, além de copularem com mulheres e rapazes humanos, cabras e ovelhas. A embriaguez era a fonte inesgotável da sua perpétua jovialidade e lubricidade.
- Ménades (ou Bacantes) - mulheres apaixonadas por Dioniso e entregues com fervor ao seu culto. Levadas à loucura pelo deus do vinho, que provocava nelas um estado de êxtase absoluto, entregavam-se a desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e autoflagelação. Representadas nuas ou vestidas com véus ligeiros, coroadas de hera e segurando um tirso ou um cântaro, por vezes tocavam flauta de dois tubos ou tamboril e entregavam-se a uma dança livre e lasciva (orgia ou menadismo), em total concordância com as forças mais primitivas da natureza. Vagueavam por montanhas e campinas e entregavam-se aos sátiros que também integravam o cortejo de Dioniso.
- Ninfas – jovens mulheres que povoavam o campo, os bosques e as águas. São os espíritos dos campos e da natureza em geral, de que personificam a fecundidade e a graça. Apesar de serem consideradas divindades secundárias, a elas se dirigiam orações e por elas se nutria temor. Eram frequentemente alvo da luxúria dos sátiros (...)
Os festivais realizados em homenagem do deus eram basicamente festas da Primavera e do vinho. As danças frenéticas a que se entregavam as mulheres, davam-lhes uma sensação de liberdade e força, sendo-lhes atribuídos actos impressionantes como desenraizar árvores (...) Os Gregos consideraram este culto nocivo e muitos governantes das cidades-estado procuraram proscrevê-lo.
Em 370 a.C., o culto a Dioniso (Baco) penetrou em Roma e tinha sacerdotisas conhecidas por bacantes. As festas, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres durante três dias no ano (...). Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais tornaram-se factor de desordem e de escândalo, o que levou à publicação de um decreto por parte do Senado, em 186 a.C., proibindo as bacanais em toda a Itália. Contudo, mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo».
Em 370 a.C., o culto a Dioniso (Baco) penetrou em Roma e tinha sacerdotisas conhecidas por bacantes. As festas, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres durante três dias no ano (...). Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais tornaram-se factor de desordem e de escândalo, o que levou à publicação de um decreto por parte do Senado, em 186 a.C., proibindo as bacanais em toda a Itália. Contudo, mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo».
Ao que nos refere a Mitologia, Saturno, deus das Sementeiras e dos Grãos, parece ter sido o responsável por ter ensinado aos habitantes da Itália a cultura da vinha e, por isso, a divindade é representada com a foice do ceifeiro e a podoa do vinhateiro.
Os Antigos viam na vinha e em Dionísio - deus do vinho, rodeado por um conjunto de divindades alegres e ébrias - a imagem simbólica da força da natureza cheia de seiva. Baco é a divindade romana que herda dos Gregos a protecção do Vinho e da Vinha, mas também do Deboche e da Licenciosidade que lhes aparecem associadas.
Segundo informação de Plínio-o-Velho 23 d.C. a 25 de agosto de 79 d.C., o pintor grego Zeuxis ou Zeuxippos (464 a.C. - 398 a.C), natural de Heráclea, mas que viveu grande parte da sua vida em Atenas, considerado um dos principais pintores da Grécia Antiga terá disputado com outro pintor, Parraso.
Assim nos relata Plínio «Para a disputa, Zeuxis pintou um cacho de uvas. Quando mostrou o quadro, dois passarinhos imediatamente tentaram bicar as frutas. Zeuxis então pediu que Parraso desembrulhasse seu quadro. Este então revelou que na verdade era a pintura que simulava a embalagem do quadro. Zeuxis imediatamente reconheceu a superioridade de Parraso, pois se tinha enganado os olhos dos passarinhos, este tinha enganado os olhos de um artista». (Plínio, o Velho, História Natural, Livro XXXV, IV).
Diz-nos ainda o poeta romano Virgílio, nas suas Geórgicas «Mas, antes de tudo, venera os deuses e oferece à magna Ceres os sacrifícios anuais devidos, celebrando-os nos prados ridentes, quando o inverno chegou ao seu termo e a primavera serena já se anuncia. Nessa ocasião, estão nédios os cordeiros e os vinhos têm o melhor sabor».
Segundo Estrabão, que viveu entre os séculos I a.C e I d.C., grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvoredo, oliveira, vinha, figueira e a região entre o Tejo e o Cantábrico «era rica em frutos e gado» (3,3,5). Plínio, por sua vez, informa-nos sobre a qualidade da vide «coccolobis» na Hispânia, cujo vinho «sobe à cabeça» e que existem duas variedades, uma de bago alargado e outra de bago redondo. «Dizem que beber vinho destas uvas é um bom remédio para as "dolencias de vejida"» (Plínio, XIV, 29-30). Informa ainda que quando da vitória de César sobre a Hispânia «consta que pela primeira vez se beberam quatro qualidades de vinho» Plínio, XIV, 97
Talvez porque o culto das divindades relacionadas com o Vinho tenha tido em Roma grande expansão, é comum que este apareça vulgarmente representado na iconografia.
No Museu Nacional de Arqueologia existem vários bustos de Diónisio ou Baco, com o cabelo ornado de uma grinalda de cachos de uvas e parras, provenientes respectivamente da villa romana de Milreu, datável do século II, e de Mértola (MATOS, 1995: 5659). Mas ainda podemos referir o belo «sarcófago da vindima», proveniente de Castanheira do Ribatejo, que tem forma de cuba de vinificação, onde o retrato de uma jovem, inscrito num medalhão, se centra na peça.
O medalhão está assente sobre um vaso com duas asas, de onde saem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas e, entre as ramagens, aparecem pequenos cupidos, cestas de vindima, aves e animais campestres, como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos. Os temas báquicos eram muito comuns na decoração das lucernas ou candeias romanas, como se pode verificar, apenas a título de exemplo, nos exemplares provenientes de Balsa, datáveis dos séculos I e II e em Santa Bárbara de Padrões, Castro Verde. Deste último local provêm duas lucernas com a representação de Sileno.
Recordo ainda que existem vários exemplares de mosaicos com cenas báquicas, como é o caso de um, proveniente de Egitania e ainda um outro, de Torre de Palma, que é considerado uma obra de arte de referência entre os mosaicos dionisíacos na Lusitânia (Lancha, 2000, 197-205).
Como acima referia, são inúmeras, as referências ao vinho nos escritores da Antiguidade, a exemplo de Estrabão que nos diz, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável», bem como cera, mel, pez,(Estrabão III, 2, 613).
São estas as palavras de Virgílio n' «As Geórgicas»: "Deitai-vos pois ao trabalho, ó lavradores, e aprendei a arte de cultivar de modo apropriado, amansando à fora do engenho, os frutos bravios. Não deixeis as terras maninhas: é obra deleitosa plantar vinhas no Ismaro e vestir de oliveiras o grande Taburno». (Sá da Costa: p. 63).
E ainda mais: "As oliveiras respondem melhor à esperança do agricultor quando provêm de tanchoeiras, as vinhas quando procedem de alporques, a murta de Pafos quando se planta um tronco inteiro".
Segundo este autor latino «Terra que exala um vapor ténue e neblinas fugazes, que absorve a humidade, mas, quando quer, a lança para fora de si; terra que sempre verdejante, se reveste de ervagem que ela própria cria, que não ataca o ferro com sal ou ferrugem, eis a que te convém para entretecer com os olmos as ridentes videiras; será, também fértil para a oliveira: amanha-a bem, e verás como é propícia para os gados, e como é dócil para a curva relha» (Sá da Costa, 1948: 75).
«A árvore que nasceu de sementeira cresce lentamente; não dará sombra senão aos nossos netos remotos. Os frutos degeneram, esquecem os primitivos sucos; a vinha, essa acaba por só dar míseros cachos que se deixam ás aves. Assim, a todas as árvores se tem que dispensar cuidados; todas se tem de alinhar em valas e de tratar sem fugir a despesas. As oliveiras respondem melhor à esperança do agricultor quando provêm de tanchoeiras, as vinhas quando se planta um tronco inteiro» (Sá da Costa, 1948: 75, ver ainda pp: 67; 73, 79; 81)».
Proveniente da Villa Romana de Vale de Mouro é um mosaico de Baco, um tema com pouco exemplares em território nacional, que foi encontrado num pequeno compartimento de planta quadrangular com cerca de 9 metros quadrados.
Ali, Dionísio (o romano Baco) é representado, «ostentando os seus atributos clássicos: um triso (thyrsus) na mão esquerda, um Kantharus na mão direita, uma coroa de cachos de uva na cabeça. Conduz um carro de duas rodas, parcialmente conservado no mosaico, puxado por dois leopardos, dos quais apenas se conserva parte de um. À esquerda do Deus, uma figura feminina, uma ménade ou bacante, completa a representação iconográfica».
Ver:
http://www.cm-meda.pt/turismo/Paginas/SitioArqueologicodeValeMouros.aspx#.UgJhbtLFWzk
Ver:
http://www.cm-meda.pt/turismo/Paginas/SitioArqueologicodeValeMouros.aspx#.UgJhbtLFWzk
CSC-Coriscada: http://www.csc-coriscada.pt/arqueologia.htm

quarta-feira, outubro 9
Anéis: o Infinito brilhante na nossa mão? (adaptado de Janeiro de.2008)
Todo o círculo do mundo será pequeno para o que há a criar.
Os anéis são círculos de pertença. De vinculação.
Juntos perfazem o 8, o Infinito.
São o Eterno nas nossas mãos: cada um em sua mão.
Nas minhas mãos havia dois anéis: um do trabalho, oferecido por quem me queria bem.
Outro, de longuínqua origem, representava os afectos e, mais do que eles, uma certa forma de Fé, uma dorida crença de todas as coisas indizíveis, mas que não deixam, mesmo assim, de ser reais.
Mas agora estão livres e libertas de anéis as minhas mãos. Assim as quero.
Não os deitarei ao rio, poderia tragá-los o mar.
Apenas os porei a salgar.
E talvez um dia, caminhando sem medo ou sedução, encontre o oito infinito que há que criar, partes iguais, pois é esse apenas o Lugar a procurar, ciente, no entanto, que até os anéis se têm que conquistar!
E nem todos me cabem ou quero na mão!
Se pudesse agarraria o Infinito com ele inventaria uma morada, morna, quente: a arquitectura do Eterno, pois dela está construído o 8.
Mas não, agora quero apenas e simplesmente poder viver!
Quero apenas fios de seda para tecer.
Nas ultimas fotografias, um dos lugares que mais gosto de visitar em Lisboa, manhã cedo, antes de ir trabalhar.
Para ti o Mega Ferreira (reed. de 21.03.09)

Um bom dia. Um bom recomeçar.
Não te esqueças de ouvir a Nancy Vieira
e de mandar a palavra da cor do mar ...
porque com ela nem as montanhas serão difíceis de atravessar!
Para ti um poema pelo dia de hoje.
ARTE POÉTICA
«Ser a raiz das coisas
dentro da terra mergulhar
não por ser raiz
- prosápia dos tiranos -
mas curiosa
primordial volúpia
de conhecer
o que não se pode e é;
armar entre os trâmites da terra
- seca, fera e estéril -
uma sementeira próspera,
escolher um a um os grãos
que hão-de guiar os olhos,
vigias da alma
mais que olhos,
felizes arquivadas folhas
de servir
aos dedos impacientes
- mesmo deus tem dentro um deus profundo -
com que o poeta traça
o seu destino cego,
quando os dedos penetram,
rasgam, dentro da terra
enterram, e se enterram
talvez sonhando das coisas ser
a raiz,
a última razão».
António Mega Ferreira, O Tempo que nos Cabe
sexta-feira, outubro 4
A propósito da República: ser Mulher hoje (reed. de 04/10/09)
Ana Maria Gonçalves Dias defendeu, em 1910, no Congresso Republicano do Porto, que "todas as mulheres feministas devem ser em Portugal republicanas, visto que só da República podem aguardar leis igualitárias e justas".
Ana de Castro Osório, por seu lado, esclareceu recentemente que muitas das activistas aderiram à República apenas por empatia com os seus maridos e parentes masculinos, porque ao fazê-lo, estivessem "eles contentes, e elas ficarão satisfeitas no seu papel tradicional de dedicadas e modestas companheiras"
Ana de Castro Osório destaca-se dessa posição, afirmando "Eu (...) quero a República como libertação e felicidade para as mulheres, visto que a humanidade é composta dum só grupo de animais , indiferentemente masculinos ou femininos".
Citação a partir de : Mulheres e Republicanismo (1908-1928)
Considerando a Democracia Republicana o regime que julgo poder, pese todas as suas dificuldades, defender melhor os cidadãos, independentemente da sua condição ou estatuto, venho, contudo, questionar:
"O que mudou para as mulheres"?
- Maior Igualdade no trabalho e em casa? Sabemos bem como ainda é irreal: basta ver as estatísticas e ter em atenção os condicionalismos que muitas mulheres têm nas suas carreiras por, em termos práticos, lhes ser ainda imputada, quase a título exclusivo, a responsabilidade dos filhos.
- Maior Liberdade, quando delas se espera que continuem a usar os padrões ético-morais seculares, guiados por manifestações totalitárias de pensamento?
Poderia aqui (apenas como repto para a reflexão), salientar que continua a haver grande diferenciação no estatuto das "mulheres casadas", de moral inquestionável, mesmo que não o seja, as "divorciadas", as "amantes" e as "outras", aquelas que não se querem inscrever em nenhum estatuto e apenas querem ser mulheres e indivíduos.
- Maior Fraternidade? Nem isso, enquanto as mulheres continuarem a ser as maiores juízas umas das outras, utilizando essa estratégia como mecanismo de luta contra as desigualdades que sentem na pele, numa sociedade em que, embora com cada vez menos protagonismo, o Homem continua a querer dominar.
Porque amanhã é dia da República, e porque partilho de muitos dos princípios das Feministas Republicanas deixo aqui, de novo, o meu Grito Feminista (reeditado) a que hoje chamaria o meu "Manifesto de Mulher, Mãe e Amante", porque no fundo o que todas queremos é, mais do que tudo, ter a liberdade de decidir sobre o nosso corpo, o nosso trabalho e os nossos afectos e com eles encontrar o equilíbrio a que temos direito, independentemente do estatuto ou condição.
Se hoje pudesse eleger duas mulheres republicanas (e alentejanas do Mundo), dedicar-me-ia a Adelaide Cabede e a Alda Guerreiro, pela luta dos direitos das Mulheres e dos valores republicanos.
Ana de Castro Osório, por seu lado, esclareceu recentemente que muitas das activistas aderiram à República apenas por empatia com os seus maridos e parentes masculinos, porque ao fazê-lo, estivessem "eles contentes, e elas ficarão satisfeitas no seu papel tradicional de dedicadas e modestas companheiras"
Ana de Castro Osório destaca-se dessa posição, afirmando "Eu (...) quero a República como libertação e felicidade para as mulheres, visto que a humanidade é composta dum só grupo de animais , indiferentemente masculinos ou femininos".
Citação a partir de : Mulheres e Republicanismo (1908-1928)
Considerando a Democracia Republicana o regime que julgo poder, pese todas as suas dificuldades, defender melhor os cidadãos, independentemente da sua condição ou estatuto, venho, contudo, questionar:
"O que mudou para as mulheres"?
- Maior Igualdade no trabalho e em casa? Sabemos bem como ainda é irreal: basta ver as estatísticas e ter em atenção os condicionalismos que muitas mulheres têm nas suas carreiras por, em termos práticos, lhes ser ainda imputada, quase a título exclusivo, a responsabilidade dos filhos.
- Maior Liberdade, quando delas se espera que continuem a usar os padrões ético-morais seculares, guiados por manifestações totalitárias de pensamento?
Poderia aqui (apenas como repto para a reflexão), salientar que continua a haver grande diferenciação no estatuto das "mulheres casadas", de moral inquestionável, mesmo que não o seja, as "divorciadas", as "amantes" e as "outras", aquelas que não se querem inscrever em nenhum estatuto e apenas querem ser mulheres e indivíduos.
- Maior Fraternidade? Nem isso, enquanto as mulheres continuarem a ser as maiores juízas umas das outras, utilizando essa estratégia como mecanismo de luta contra as desigualdades que sentem na pele, numa sociedade em que, embora com cada vez menos protagonismo, o Homem continua a querer dominar.
Porque amanhã é dia da República, e porque partilho de muitos dos princípios das Feministas Republicanas deixo aqui, de novo, o meu Grito Feminista (reeditado) a que hoje chamaria o meu "Manifesto de Mulher, Mãe e Amante", porque no fundo o que todas queremos é, mais do que tudo, ter a liberdade de decidir sobre o nosso corpo, o nosso trabalho e os nossos afectos e com eles encontrar o equilíbrio a que temos direito, independentemente do estatuto ou condição.
Se hoje pudesse eleger duas mulheres republicanas (e alentejanas do Mundo), dedicar-me-ia a Adelaide Cabede e a Alda Guerreiro, pela luta dos direitos das Mulheres e dos valores republicanos.
quarta-feira, outubro 2
Reflexões
Os mentirosos «julgo que não chegam a ter existência, porque nunca são o que mostram e nunca mostram o que são, e nesse vai e vem do ser e do parecer perdem o instante, portanto, saem fora do tempo.
Porque o tempo vivido em fingimento é uma espécie de buraco negro» .
Susana Neves
Porque o tempo vivido em fingimento é uma espécie de buraco negro» .
Susana Neves
terça-feira, outubro 1
Love for sale: who buys it? I don't (reed. 18/11/2012)
Porque um pouco de humor é fundamental, mando-te uma carta com as «palavras que nunca te escrevi»:
Amor, cariño, USTED, como vais, maningue nice, or are you sad? Let's sleep or let's laught? Bon jour matin.
Não te esqueças, eu estou aqui bué contente de saber que estás bem aí, ali, mas onde?
Por aqui vamos bem, cantando a Alvorada e pedindo um cigarro ao patrão, porque se acabou o tabaco.
Mas eu estou jeitosa, como é costume, cinco brincos na orelha, já não me bastava o quarto tiro e ainda fui tentar outro furo para ver se melhorava o astral e ficava como assim como naquela história alentejana do baton, ou seja, ainda mais bonita com os brincos a "dar a dar".
Pus também uma pulseira toda nice na perna, não fosse de outra maneira pensar que estava a envelhecer. Espero que uses uma a condizer...
Outros dias ponho umas sapatinhas pink e quase me sinto a pantera cor de rosa a bambulear, ou quem sabe uns chinelinhos verdes com ar tropical. A combinar com aqueles que te ofereci.
E curto, vou curtindo bué os sonhos que por aqui se passeiam à frente do meu nariz.
Umas vezes penso que, mais uns anitos, e lá vou por acabar por montar aquele bar de provas de vinho do Alentejo que tínhamos combinado, não sei se aqui ou aí; quem sabe em Porto Amboim.
Outras vezes sonho mais alto e mais chique e imagino um resort em Cabo Ledo, ou, por que não, no Pacífico, sempre dá para conhecer outro mar.
Ou, quem sabe, uma cabana nos Alpes e vou vender um bom fondue ou raclette por lá. Daqueles que imaginavas quando me escrevias de um apartamento com borboletas na parede, pois to haviam emprestado com dona integrada no farnel.
Ou talvez um negócio de ver jacarés.
Vamos ver para onde isto vai cair... em algum lado será!
Mas ando muito satisfeita porque tenho uns amigos novos, bué de fixe também, conheci-os e de repente estou tão feliz porque já lhes dou apoio quando estão doentes e até do meu sangue também, sempre faz um pouco de limpeza a este que está a envelhecer.
Umas noites, mais de euforia, com umas fumaças de permeio ou uns pozinhos de "prelimpimpim", vou dançar e quem sabe acabo nuns hostales onde se habla mui bien para fazer justiça ao nome da canção. Tudo que primeira "calidad".
Pus assim umas riscas no cabelo, madeixas lhe chamam, andava cansada da cor de tição, e diziam-me que rubia também já não era próprio para a minha idade, e não fossem jacarés do Zoo, confundindo-me, acabarem por me trincar.
Mas, como sabes, tenho sempre uns bons conhecidos e amigos, a quem passo informação em mails confidenciais, e assim fico bem no filme das boas relações e fico maningue contente, porque sempre me apresentam outros com contactos ainda melhores.
Claro está, começo devagar a aprender contigo, como convém.
Finalmente modernizei-me, deixei de gostar de histórias, ou daquelas cousas chatas que a História nos quer contar. Estudo e escrevo menos e até aprendi a cantar e a dançar ainda melhor.
Apenas faço umas fotos para me entreter. Claro a makina63 não me pode ainda deixar...
Mas, como sabes, tenho sempre uns bons conhecidos e amigos, a quem passo informação em mails confidenciais, e assim fico bem no filme das boas relações e fico maningue contente, porque sempre me apresentam outros com contactos ainda melhores.
Claro está, começo devagar a aprender contigo, como convém.
Finalmente modernizei-me, deixei de gostar de histórias, ou daquelas cousas chatas que a História nos quer contar. Estudo e escrevo menos e até aprendi a cantar e a dançar ainda melhor.
Apenas faço umas fotos para me entreter. Claro a makina63 não me pode ainda deixar...
Fiquei muito mais modern style e, i'm shure, tu vais gostar.
E, como agora o que está a dar money é vender tudo e ser passadora de influências, fiz um cartaz aqui à porta onde escrevi «LOVE FOR SALE»...
Vamos lá ver quem quer comprar, pois barata só sou de nome. Espero ser lucky na negociata e que te guste mucho quando volveres aqui, porque estoy mui mas guapa e graciosa, e já faço muchas bromas como te gusta tanto.
Bejitos amore mio.
Eu prometo todas as línguas entender e estar à espera, sorrindo ainda mais do que o habitual, pois até começo a achar graça ao livro que me deixaste ficar «Mulheres de Meia Idade, do Jura à África Austral».
E desta vez, passe-se o que se passar depois, nem que me esmurrasses o nariz - claro que sei que isso nunca irias fazer - vou finalmente acreditar que sou mesmo a mulher da tua vida, pois com tantas passeatas dadas até já a tal sopa de tomate com oregãos especial aprendi a fazer!
Porque finalmente estou como queres: assim sem nada dizer ou nada pensar. Só esperando por ti e no lugar habitual. E se demorares demais, tenho aqui um charrito daqueles que ficaram esquecidos, tal como os azulinhos deixados na mala que me vieste entregar.
Porque finalmente estou como queres: assim sem nada dizer ou nada pensar. Só esperando por ti e no lugar habitual. E se demorares demais, tenho aqui um charrito daqueles que ficaram esquecidos, tal como os azulinhos deixados na mala que me vieste entregar.
E sei como isso te fará finalmente um happy man. Come soon may baby!
ET: Agradeço os bons conselhos que, entretanto, me vais dando. Que não confie em demasia nas pessoas que vou encontrando e que não me deixe influenciar. Afinal são todas más ao pé de ti!!!
Mas eu sei que sim ... que, como tu dizes na praga que me desejaste, ninguém jamais me amará como tu. Mesmo que um dia me partas os dentes, ou mesmo o nariz!
Só que desta vez leva as malas feitas para a casa que te convir, porque me ocupam as gavetas e eu gosto de poder sorrir e brincar, sem ter que esconder a dentição.
E sempre vais livre para o lugar que te cabe bem: todos e nenhum!
Já agora recomendo-te a lindíssima com letra de Cole Porter? Julgo que a reconhecerás!
When the only sound on the empty street
is the heavy tread of the heavy feet
that belong to a lonesome cop
I open shop
The moon so long has been gazing down
on the warward ways of this wayward town
my smile becomes a smirk, I go to work
Love for sale
appetizing young love for sale
love thats fresh and still unspoiled
love thats only slightly soiled
love for sale
who will buy
who would like to sample my supply
who's prepared to pay the price
for a trip to paradise
love for sale
let the poets pipe of love
in their childish ways
I know every type of love
better far than they
if you want the thrill of love
I have been through the mill of love
old love
new love
every love but true love
love for sale
appetizing young love for sale
if you want to buy my wares follow me and clime the stairs
love for sale
Look to them.
Listen to them
So nice the mirror town.
sexta-feira, setembro 13
Circe, Natália Correia
| A propósito da releitura de uma escrita brilhante, de uma mulher que no céu ainda deve reunir à sua volta todos os amantes sem temor, e os fazedores de palavras e estórias, espreitei um dos meus livros de sempre, o Diccionário da Mitologia. Que nos céus de todas as religiões continue a haver lugar às magias! Circe - A maga grega, filha de Hélio e de Perseide, a Oceânide. «Dotada de poderes extraordinários, capaz de fazer descer do céu as estrelas, ela distinguia-se na preparação de filtros, de venenos, de poções próprias para transformar os seres humanos em animais». Mas amanhã voltarei aos encantos dessa mesma Circe que Ulisses não conseguiu enganar ... |
Auto-retrato
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exilio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Natália Correia
Bilhete para um amigo ausente, Natália Correia (reeditado de Março 2000)
Natália Correia (reeditado de 26.07.2009)
Ser navegador ... Ser navegador
Não é termos sido é sermos ainda
É irmos a Vénus ou seja onde for
Espetar os cornos onde o espaço finda.
É haver Camões como uma revolta
E haver Gil Vicente como um desafio
A esse Encoberto que nunca mais volta
Porque é o pretexto do nosso vazio.
(...)
É a Liberdade como a luz para onde
Corre a alegria da cabra
E o povo é a sede e a Pátria é a fonte
Trabalho do sangue que não mais acaba.
Natália Correia, Poemas a Rebate
terça-feira, julho 23
Esta Lisboa que me faz sossegar

«É esta a cidade que o destino
te reservou. Uma cidade de
gente dura cuja maior
extravagância é um vaso
de sardinheiras na janela
de um ou outro edifício.
Tinhas sonhado com uma
cidade branca mais a sul
Esta cidade não é uma cidade
é um vício.
Porto de Abrigo, Jorge Sousa Braga
in Poemário, 2007
Imagens: Sta. Apolónia
Capela de S. Amaro, Lisboa
terça-feira, julho 16
Para a Luz .... Teixeira de Pascoais
O Homem é o Universo consciente.
Pelos seus lábios, fala a pedra e o nevoeiro.
Por isso, o que ele sente
De mais longínquo e vago é que é mais verdadeiro.
Seu vulto principia
Em nocturna matéria, que termina
Num sonho de harmonia,
Numa nuvem astral, emoção divina.
Teixeira de Pascoais. Para a Luz. Vida Etérra. Elegias ... in Poemário, 2009
segunda-feira, julho 8
Vamos visitar os Castelos de Palmela e Sesimbra e as Fortificações de Setúbal. Para MOI - Movimento Odete Isabel.
Ordem de Sant'Iago da Espada e o castelo
de Palmela
A criação da Ordem de Santiago, como
todas as outras ordens religioso/militares, surgiu na sequência das
Cruzadas, que foram expedições religiosas e militares organizadas, a
partir dos finais do século XI, tendo em vista libertar a Terra Santa do poder
dos Muçulmanos.
Esta Ordem surgiu exactamente através da
associação de diversos cavaleiros que se ligaram para combater os Mouros.
Os Cavaleiros de Santiago, como ficaram
conhecidos, ou Espatários, porque o seu símbolo era uma espada com uma forma
crucífera, fizeram voto de pobreza e de obediência, seguindo a Regra de Santo
Agostinho. Os seus membros não eram obrigados ao voto de
castidade, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores
eram casados). No entanto, a bula papal recomendava (não obrigava) o celibato,
e os estatutos da fundação da Ordem afirmavam: "Em castidade conjugal,
vivendo sem pecado, assemelham-se aos primeiros padres apostólicos, porque é
melhor casar do que viver consumindo-se pelas paixões".
Em 1170, Fernando II de Leão tê-la-á oficializado,
dando-lhe, em 1172, a vila de Cáceres, tendo obtido a confirmação papal de
Alexandre III, por bula outorgada em 1175, e os frades espalharam-se rapidamente
por Castela e Portugal, onde lhe foram doados diversos castelos. Esta Ordem monástica desempenhou um papel fundamental na Reconquista, o que
lhe trouxe considerável poderio político, social e económico.
Depois da conquista de Lisboa, D. Afonso
Henriques oferece um convento para a primeira sede da Ordem nesta cidade.
Com a conquista dos territórios a sul do Tejo que foram colocados à sua guarda,
estabeleceram-se no Castelo de Palmela de 1170-1218 e depois a sede passou
para Alcácer do Sal que se tornou a cabeça da Ordem, até que D. Sancho II a
mudou para Mértola.
Resumindo, podemos considerar que, em Portugal, a
ordem foi actuante desde os primórdios da nacionalidade, ainda no reinado de D.
Afonso Henriques, mas só teve maior visibilidade a partir do reinado de D.
Afonso II, e sobretudo, D. Sancho II, tendo detido como sedes o Castelo de
Palmela e depois o de Alcácer do Sal.
Foi mestre comendatário
da Ordem em Alcácer o grande Paio Peres Correia que deu um valoroso
contributo para a Reconquista de Portugal – as suas forças, muitas das vezes
lideradas por ele pessoalmente, conquistaram, entre 1234 2 1242, grande parte
do Baixo Alentejo e foi ainda com o seu auxílio que D. Afonso III consumou a
conquista do Algarve. Como recompensa, a Ordem foi agraciada, em
territórios portugueses, com várias dessas terras do Alentejo e do Algarve, com
a missão de as povoar e defender. A isso não é alheio, ainda hoje, o facto de
muitas delas terem por orago Santiago Maior, e de nas suas armas figurar a cruz
espatária.
Como se vê no mapa a ordem de Sant'Iago terá
recebido uma extensa área a sul do Tejo.
|
A par das doações dos castelos às Ordens Religiosas, como referimos com a Ordem de Santiago, e com o progressivo avanço para Sul durante a reconquista, grandes extensões de terras são doadas às ordens eclesiásticas, às ordens militares e aos mosteiros, assim como à nobreza, de forma a que o território pudesse ser povoado e desenvolvido .
No Castelo de Palmela se estabelecem definitivamente em 1443, no reinado de D.Afonso V e já há muito independentes de Castela, que o elegem como sua sede em território nacional com o próprio Mestrado da Ordem - o mestre infante D.João -, filho de D. João I avô de D.Afonso V.
No ano seguinte começa a construir-se o seu templo - a Igreja de Santiago, - onde se encontra a arca feral de D. Jorge de Lencastre, filho de D. João II e neto de Afonso V, último Grão-Mestre da Ordem e donatário da vila de Grândola.
Foi aqui em Palmela e durante o reinado de D.João II, que muito apreciava a região, que a Ordem conheceu o seu máximo esplendor.
No Castelo de Palmela se estabelecem definitivamente em 1443, no reinado de D.Afonso V e já há muito independentes de Castela, que o elegem como sua sede em território nacional com o próprio Mestrado da Ordem - o mestre infante D.João -, filho de D. João I avô de D.Afonso V.
No ano seguinte começa a construir-se o seu templo - a Igreja de Santiago, - onde se encontra a arca feral de D. Jorge de Lencastre, filho de D. João II e neto de Afonso V, último Grão-Mestre da Ordem e donatário da vila de Grândola.
Foi aqui em Palmela e durante o reinado de D.João II, que muito apreciava a região, que a Ordem conheceu o seu máximo esplendor.
De 1546 até à
extinção da Ordem vigoraram na sua administração os Priores-Mores do Real
Convento de Sant'Iago de Palmela.
A extinção das Ordens
Religiosas consumou-se em 1834 por decreto de Joaquim António Aguiar , ministro
de D. Pedro, que assim ficou conhecido pelo “Mata Frades" e os seus domínios
passaram para a posse do Estado.
As Ordens Militares são definitivamente secularizadas perdendo qualquer significado.
As Ordens Militares são definitivamente secularizadas perdendo qualquer significado.
Mais
tarde, a Ordem passou a denominar-se Ordem de Santiago, e constituiu-se em ordem
honorífica em Portugal, da qual o Chefe do Estado Português se constitui o
Grão-Mestre.
O Castelo de Palmela
No caso específico do
Castelo de Palmela, parece que o mesmo teve origem muçulmana, (embora haja
indícios de ter sido ocupado em época anterior). No período de dominação árabe
foi edificado por volta do século IX.
Em 1147 é conquistado
por D. Afonso Henriques, mas acaba por cair novamente nas mãos de Muçulmanos, e
só em 1190 passa definitivamente às mãos portuguesas.
É durante o reinado
de D. Sancho I que são feitas obras de recuperação do castelo, passando a ser
sede da Ordem de Santiago.
A construção do
convento a que já fizemos referência inicia-se no reinado de D. João I e aí se
instala a Ordem em 1443.
Em 1670 há novamente
obras no castelo, visando adaptá-lop ao uso da artilharia, tendo sofrido muito
com o Terramoto de 1775. Com a Extinção das Ordens Religiosas é abandonad, até
que é classificado Monumento Nacional e se fazem novas obras de conservação e
restauro em 1945.
Texto baseado em:
Setúbal e o estuário
do Sado
Importante
burgo piscatório no século XVI, a povoação não teve um castelo propriamente
dito, embora tendo sido amuralhada na época medieval. Normalmente a
expressão Castelo de Setúbal designa o Forte de S. Filipe,
localizado em posição dominante sobre um outeiro, fronteiro à cidade na margem
esquerda da Foz do Rio Sado.
Do
que se conhece da cidade de Setúbal, o estuário foi fundamental, desde sempre
para a fixação de gentes, conhecendo-se uma ocupação do território desde a
Pré-História.
O rio Sado , conhecido ao tempo dos Romanos como Callipus, e, a partir
provavelmente da ocupação islâmica, como Sadão, foi sempre gerador de vida,
pois, alagando a terra, a fertiliza, permitindo que a água e a terra fossem,
efectivamente, os grandes motivos de fixação de gentes.
A Serra
da Arrábida teve, desde a Pré-História, populações que por ali foram passando,
podendo referir-se a Lapa de Santa Margarida, no Portinho da Arrábida, estudada
por G. Zbyszewski, com ocupação do Paleolítico Inferior, e nela acabaram por se
fixar gentes, já em Época neolítica e períodos posteriores, nomeadamente da Idade
do Cobre, como os povoados da Idade do Cobre implantados em colina de Rotura,
Padrão, Chibanes, Moinho da Fonte do Sol e Malhadas.
Da
transição do Neolítico para a Idade do Cobre, conhecem-se também as sepulturas
colectivas ou hipogeus da Quinta do Anjo e o monumento individidual de
enterramento da Roça do Casal do Meio que denota já uma maior complexificação
social.
Mas são
ainda conhecidos os povoados da Idade do Ferro de Chibanes e Pedrão.
A
ocupação romana tem inúmeros vestígios no território de Caetobriga, cujos
expoentes podemos considerar os disseminados pela cidade de Setúbal, a antiga
Caetobriga, e de Tróia.
Assim, em Setúbal, a antiga Caetobriga romana tem vestígios
de fábricas de salga de peixe, bem como restos de habitações com mosaicos, no
Centro Histórico da Cidade.
Fazendo a travessia do Sado, no caminho fluvial que
outrora ligava as povoações estuarinas de Caetobriga e Tróia a outras cidades importantes,
designadamente Salacia,
(Alcácer do Sal), permitindo trocas comerciais, pode ainda vislumbrar-se um
pouco o que restará da paisagem da Península de Tróia, eventualmente a antiga
Ilha de Achale, ou da
Serra da Arrábida.
Após a travessia do rio, junto à Caldeira, localizam-se
as ruínas de Tróia, um dos maiores complexos fabris conhecidos no Mundo Romano
Ocidental, que se mantém em laboração desde o século I d.C., cronologia
atestada pela existência de terra sigillata itálica, bem como por algumas
inscrições funerárias, até, pelo menos, ao século IV d.C., período em que
entram em decadência as actividades ligadas à pesca e transformação do pescado,
como acontecera com as suas congéneres da Península Ibérica e do Norte de
África.
Ao
que se sabe a antiga Caetobriga romana deve ter sido abandonada no século VI
D.C. por falta de condições de segurança aos seus moradores segundo alguns
autores, ou devido aos movimentos das dunas de areia, segundo outros.
Ao
que parece terá também sido ocupada por Muçulmanos, a partir do século VIII.
À
época da Reconquista Cristã, o povoado muçulmano foi conquistado pelo primeiro
rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1165. Arrasado durante umanova
ofensiva comandada pelo califa almóada Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur em 1190, foi
reerguido a partir de 1200, no reinado de D. Sancho I
O
seu neto, D. Sancho (1223-1248), após a retomada do Cstelo de Palmela terá
assegurando a posse desta região, também doou esta povoação à Ordem de Santiago
da Espada para que a defendesse e repovoasse.
Porto
privilegiado pela sua localização sobre a rota comercial (e dos Cruzados) pelo
oceano Atlântico, pelo desenvolvimento cada vez intenso que vivenciou, Setúbal
tornou-se, no reinado de D. Afonso III (1248-1279), um dos principais portos de
Portugal, a par do de Lisboa, do Porto e de Faro razão pela qual recebeu o seu
foral em 1249, sabendo-se que transitavam pelo porto de Setúbal era uvas,
vinhos, figos, peixe fresco.
Data
deste período a primeira estrutura defensiva da povoação, uma muralha
envolvente, cuja edificação se iniciou com D. Afonso IV (1325-1357) e foi concluída
no reinado seguinte, com D.Pedro I, tendo a função de conter os assaltos de
piratas e de corsários oriundos do Norte d’África.
Em
1439, por decreto real, a vila foi isenta de pagar aposentadoria, tendo-se
decidido a construção casas condignas para receberem o rei e a sua Corte.
Ao
que se sabe, será deste porto marítimo que D. Afonso V partirá para a conquista
da Praça-forte de Alcácer Ceguer, no Norte de África.
Foi
também aqui que se celebraram as núpcias de D. João II (1481-1495) com D.
Leonor de Viseu, tendo sido neste reinado que se deu início à construção
de um aqueduto para o transporte de água, proveniente da nascente da Arca d'
água (Alferrara), para a vila. A expansão da vila para fora das suas muralhas
iniciou-se em fins desse século, com a construção, no sector oeste, do Convento
de Jesus.
Durante
a Dinastia Filipina para reforço da defesa, foi iniciado o Forte de São Filipe
(1582).
Forte S. Filipe
E ainda
Maria Filomena Barata
A Tróia Romana, Grândola http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=13096
Maria Filomena Barata
A Tróia Romana, Grândola http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=13096
Falar da Ordem de Santiago. Castelo de Palmela

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