sábado, julho 6

O Romanceiro Nacional - Episódio XV

Episódio XV - Do Romanceiro Nacional

Está?
Ah, és tu PP. Como estás?

PP: Bem, mas farto deste calor e não poder ter um belo fim de semana por aí. Quero falar contigo. Alinhas numa conversa amena e num bom jantar?

- Pensei-te zangado, afinal em que ficamos? Desempatas ou não a loja?

PP: Oh pá, sabes bem que não gosto nada que a mulher fique a tratar das nossas Finanças. Ainda por cima não me disseste nada sobre os esquemas em que ela andava metida e que ainda oferecia tachos ao marido. Essa cena não vou mesmo aceitar. Sou um tipo possessivo e há coisas que não posso admitir numa coligação, onde afinal tenho que estar sempre na linha da frente.

- Opá e eu não gostei nada que andasses na palheta com os que não sendo sulistas já, são socialistas e elitistas. Uma cambada de gentinha com apetites e opiniões meio-esquerdalhas. Com manias de que as pessoas devem ter direitos iguais.

PP: Tu sabes como sou. Nada te escondi. Um pouco "Maria vai com as outras". Gosto de novas experiências e não lhes resisto. Mas isso não tem importância nenhuma, porque só depois disso percebo que é contigo que quero estar.
És, aliás, a única pessoa com quem quero mesmo estar. Confia em mim! Tudo o resto são manobras de distracção.

- Pois, mas fazes sempre o mesmo quando as coisas estão a correr mal. Baldas-te logo para outra cena qualquer e bates com a porta com todos ainda por cima a ver. Os daqui e os de fora.

PP: Opá, passa lá essa agora. Vamos é jantar bem, no melhor sítio de Cascais, porque já é tarde e não dá para apanhar um voo qualquer. Sempre sai mais barato do que os telemóveis que gastámos estes dias, com a agravante que podem ter escutas.

- Bora lá, mas é para falar a sério, porque foi a última vez que aturei birras e já estou a ter problemas demais com os do meu clube e das minhas agremiações. E a mostarda está a chegar ao nariz daquela louca velha da Ferreira Leite e outros tantos que a acompanham.
Mesmo o PR já não está a gostar.

PP: Olha, mas não é para me chateares, porque senão vou é já jantar com outro qualquer. Aliás é o melhor que tenho a fazer. Fica a nossa conversa adiada para a próxima semana.
O país pode esperar e pagar, pois ainda há tanto subsídio para sacar.


- Glup ......... és sempre a mesma coisa. Não é possível negociar.
Boa Sexta-feira dos homens como se diz no país onde nasci, onde a nossa zanga já serve de anedota nacional.
Quem sabe quando voltares a ligar eu já não esteja cá! Ou simplesmente mudei o número para não me importunarem.
É que mesmo os gajos da oposição se estão a portar bem demais, deve ser da caloraça, mas daqui a pouco e não tarda vão-me zunir bem na cabeça e, desta vez, com toda a razão.
E que vão os professores um dia ensinar sobre o que andamos cá a fazer??? Os tipos até têm aluma capacidade de nos censurar da História nacional.

Já agora, não desligues o telemóvel, como é habituall, não vá algo urgente mesmo acontecer do fim de semana.

E eu vou regar a horta, quem sabe chego a alguma conclusão!
Logo mais trago as reflexões ...

quarta-feira, julho 3

E porque é a Gula um Pecado Capital?

Se bem que, no sentido literal, gula seja o excesso no comer e beber, na sua simbologia mais abrangente entende-se como voracidade.

Mas a gula também pode manifestar-se de outras formas: a sede pelo poder, pelo dinheiro, pelo possuir; pelo adquirir compulsivamente ou pela própria sexualidade insaciável.

É, no fundo, uma certa forma de incontinência, acabando por tornar cativo quem dela sofre.

Li, em tempos um livro fantástico a este título que tentarei reencontrar entre as minhas estantes ...Sete Pecados Capitais, Monumental

Se tivesse que eleger o "pai" dos "Pecados Capitais", este seria o escolhido, pela certa, pois os outros quase lhe são subsidiários.





Natureza Morta, Josefa d'Óbitos

segunda-feira, julho 1

E à tardinha, ou pela noite, experimentarei um vestido de cetim ...

Pensando com a brisa do Verão nas viagens imaginárias que vou empreender ...




Acho que não vou
sair mais contigo à deriva
em teu barco flutuante,
que segue sem direcção
e sem traçar um caminho.
(...)
Noite de Verão _
uma pancada ao portão,
uma pancada na porta ...
Como a esperança responde
ao bater no parapeito.

Isumi Shikibu (974?-1034?), in O Japão no Feminino, TANKA

domingo, junho 23

A maior Lua Cheia do ano ...

A Lua, astro satélite sem luz própria, faz-se sempre recordar uma velha oração que conheci no Alentejo e ainda uma outra cidada no «Asno de Ouro» de Apuleio que dão conta, por um lado, do sincretismo religioso daquele território e do papel que os cultos lunares desempenham nas crenças e religiões desde épocas remotas.

Passarei a citar:


"Lua, Luar

Toma lá este Bébé

Ajuda-mo a criar

Tu és Mãe e eu sou ama

Cria-o tu que eu lhe dou mama

Em louvor da Virgem Maria

Padre Nosso, Avé Maria"



A outra citada por Apuleio, no Asno de Ouro, faz também eco da mesma devoção lunar, pois atribui ao burro na sua caminhada iniciática uma oração dedicada à "Lua cheia resplandecente de admirável brilho" a quem confere uma "transcendente majestade, e que todas as coisas humanas se regiam por sua providência; que não somente o gado e as bestas feras, mas também as inanimadas, vegetavam pelo divino influxo de sua luz e divindade (...)".

E o Asno suplica à Lua, apelando a atributos que lhe foram conferidos ao longo dos tempos:

" Rainha dos céus, ou tu sejas Ceres criadora, primeira mão dos frutos (...); ou tu sejas a celeste Vénus, que na primeira origem das cousas ajuntaste os diferentes sexos gerando amor, e propagaste a espécie humana de eterna descendência (...) que, favorecendo o parto das mulheres com brandos remédios, tens dado à luz tantos povos (...); ou tu sejas Prosérpina, horrível pelos uivos nocturnos, que reprimes com a triforme face os ímpetos dos espectros, e encerras os arcanos da terra e, vagueando por diversos bosques, és aplacada com diferentes modos de culto: tu que alumias os muros de todas as cidades com a tua feminina luz, que crias as alegres sementes com teu húmido fogo e esparges uma luz incerta segundo as revoluções do Sol: por qualquer nome, quaisquer ritos e debaixo de qualquer forma que é lícito invocar-te, tu me socorre agora em minha extrema calamidade (...), tu dá-me paz e repouso depois de tão cruéis desgraças sofridas” .


Na primeira oração , é clara a associação da Lua com a feminilidade e a maternidade.

Na segunda oração, a que Apuleio põe na boca do Asno, a Lua aparece-nos com uma feição mais complexa: ora símbolo criador, fecundador; ora rainha e regradora do mundo humano, animal e inanimado; ora símbolo do amor e da união dos sexos, associada a Vénus.

Mas a Lua também nos aparece aí associada a a uma divindade do mundo subterrâneo, Prosérpina, "horrível pelos seus uivos nocturnos", pois esta divindade, filha de Zeus com Demetra foi raptada por Hades o deus dos mortos que fez dela a sua esposa, vivendo com ela parte do ano, nesse mundo das "entranhas da Terra".

Daí advêm, certamente, muitas das associações maléficas que se atribuem à Lua na tradição popular, com efeitos perniciosos de mau-olhado ou de "quebranto".

Mas também por isso a Lua representa a passagem da vida para a morte, uma vez que, como astro que aparece e desaparece, ela tanto está tanto morta, como viva.

Ainda por esses ritmos de aparecimento/desaparecimento; Luz/Escuridão; Morte/Vida, a Lua funcionou como símbolo dos ritmos biológicos, motivo porque ainda hoje a gravidez é marcada pelas Luas, atribuindo-se-lhe também grande importância nas marés e nos ciclos agrícolas.

Ainda por isso mesmo alguns calendários da Antiguidade se regeram pelos ciclos lunares.

A Lua na sua conotação com o mundo feminino, sem Luz própria, ou seja um astro satélite natural da Terra sem Luz própria, que reflecte a Luz do Sol de forma descontínua, é também símbolo de transformação e de crescimento. De caminho ou caminhada.

Que seja um Boa Caminhada em ciclo de S. João|




quarta-feira, junho 12

O Vermelho e o Negro, Stendhal








Voltarei sempre ao Vermelho e Negro, como um dos mais belos romances que li.

A par da Cartuxa de Parma, o Vermelho e Negro é dos melhores romances que a história da literatura conheceu.
Redescobri-los é como se nos descobrissemos também um pouco.

Como Stendhal conseguiu inventar o mundo inteiro em duas pequenas cidades de França e Itália, é a arte que a muito poucos coube: a capacidade de tudo criar através da palavra!
Fugindo através delas da tirania das máscaras frágeis de um lugar qualquer, e criar, assim, um qualquer lugar, onde a densidade das histórias nos transporta ao mais profundo que há em nós: a capacidade de querer e de crer. Somando a cada dia a liberdade de escolher.




«Não tenho a menor ilusão - dizia-lhe ela, mesmo nos momentos em que se atrevia a entregar-se a todo o seu amor -, estou condenada à danação, irremissivelmente condenada. Tu és moço, cedeste às minhas seduções, o céu pode perdoar-te; mas eu estou condenada ao fogo eterno (...). Tenho medo; quem não teria medo à vista do inferno? Mas, no fundo, não me arrependo. De novo cometeria este erro, se não tivesse ainda cometido.

(...) Mas, e tu, pelo menos, meu Julien (...) tu és feliz? Achas que eu te amo o bastante?»


sexta-feira, junho 7

Chama-me o Sul: o Alentejo Litoral .... (reed.)

Ver: http://mirobrigaeoalentejo.blogspot.pt/search?q=pessegueiro





Mesmo quando algumas oliveiras têm dificuldade em crescer, de serem lentas a criar raízes no chão, há lugares que sempre nos pertencerão!

Como há amores que só morrem pelas nossas mãos.

Aqui vos deixo um apontamento, um caminho a percorrer (do Castelo Velho - Miróbriga e a capela de S. Brás, as suas ruínas, os ciprestes, sobreiros, zambujos e as imaginadas papoilas que em Maio florescem - ao Castelo Novo fortificado pelos Espatários) que tantas vezes cruzei, por entre moinhos e veredas, mas que sempre consegui ver com um novo olhar.


Mas poderão rumar ainda mais ao mar: Sines, a Ilha do Pessegueiro, Vila Nova de Milfontes, lembrando velhos caminhos romanos, potenciando o que mar fornecia, transformado o pescado em garum e salmoura, quer em Sines, quer nas fábricas de salga do Pessegueiro, que funcionaram entre os séculos II e IV.

Ou espreitando o que resta do forte filipino e as pedreiras mandadas fazer por Alexandre Massai, sem terem, contudo, obtido resultados proveitosos que fazem daquela ilha fendida um lugar mágico e especial.
































E ver, ainda, ao longe, o Cercal, cheirando a serra ao metal que tornava ferruginosas as ribeiras; vi o Sado de Alcácer e as lagoas que, mais a Sul, viabilizaram uma agricultura mais fértil.


Mas já a noite havia chegado, e os tons se tinham esbatido no silêncio que lhe deu lugar. Como um dos dias mais fantásticos que vivi e que por lá passei, onde se desvendaram afectos como na "Ilha dos Amores"....

Afinal há tanta coisa para encontrar ...




sábado, maio 18

Dias ...








  1. Manuela Mesuras
    há cerca de uma hora através de Birthday Cards


  2. Parabéns neste teu dia. Muitos e longos anos com paz, saúde e AMOR!
    Felicidadesssss e um bjo


  3. 1Gosto ·  · Promover · 


  4. Dizem cada coisa ...

    Para os que fazem anos hoje aqui fica.

  5. PARABÉNS DRA FILOMENA BARATA
    UM BEIJINHO
    FELICIDADES!!!




  1. Manuela Mesuras
    há cerca de uma hora através de Birthday Cards

  2. Parabéns neste teu dia. Muitos e longos anos com paz, saúde e AMOR!
    Felicidadesssss e um bjo
    Gosto ·  · 

  3. 1Gosto ·  · Promover · 
  4. Dizem cada coisa ...

    Para os que fazem anos hoje aqui fica.

  5. PARABÉNS DRA FILOMENA BARATA
    UM BEIJINHO
    FELICIDADES!!!
    Não gosto ·  · 

  6. Através desta montagem que me ofereceram, agradeço a todos os que me abraçaram hoje.

    Creiam que não o esquecerei.
    Gosto ·  · Promover · 

  7. Não gosto ·  · 
    • Gostas disto.


  8. Mtos Parabéns Mena ,mtas Felicidades .Um dia cheiiiiinho de Alegria e mimo ,bjoooo gd

  9. E que o Arco-íris me ajude a continuar a caminhada.
    Não gosto ·  · Promover · 

  10. Que o Céu me dê esta Luz.

  11. Muitos parabéns, Mena ! Votos de um dia muito feliz junto dos que amas! Felicidades !