Como já neste lugar uma vez me referiram, existe alguma similitude entre alguns blogues e os designados "Diários".
Aproveitando eu a ideia de viajar como pretexto, refiro que nada tenho contra dos diários de viajantes, porque qualquer "viagem", nem que seja a mais curta ou pequena, não é senão um recomeço, um processo de reaprender a vida.
Assim, deixo aqui o testemunho de " Uma Visita a Portugal" de H. C. Andersen que, referindo-se à Festa de S. Pedro dizia:
«Foi , pois, apenas em ocasisões festivas que vi grande número e pessoas na cidade (refere-se ainda H. C. Andersen a Setúbal), que eu nessa altura estavam nas igrejas; sobre estas (...)»
«Os únicos divertimentos ruidosos que encontrei foram a festa de Sto. António, como mencionei atrás, e uma corrida de touros que organizaram no dia de S.Pedro num anfiteatro (...).
Tudo o que uma tourada pode apresentar de bárbaro e sangento em Espanha é aqui, de certa forma, modificado para melhor. Com S.Pedro, desapareceram as suas piores características. Os chifres do touro são enfaixados para que os pobres cavalos não tenham que ser abatidos.
(...)
A orquestra tocava o Bolero espanhol: aparecia primeiro um homem jovem a cavalo, vestido de forma garrida, com o cabelo muito bem arranjado, e saudando em todas as direcções; deixaram entrar o touro; não demorou muito tempo a ter uma seta espetada no pescoço e no lombo. Dois homens novos, ali da terra, que tomavam parte nestas touradas, entraram e mostraram-se "bandarilleros" bem adestrados: eram homens atarentes, vestidos de veludo e dourado, com o cabelo bem penteado, como se fossem para um baile».
(...)
Neste género de touradas podem participar particulares; e dizem que D.Miguel foi desterrado só porque demonstrou aqui grande audácia, obtendo graças a isso o aplauso do povo em júbilo». (1)
Uma Visita a Portugal, Hans Christian Andersen
(1) Nunca tal ouvira dizer como justificação para o desterro do absolutista
D. Miguel, pese a conhecida feição de arruaceiro e amante do que se poderia designar como os hábitos mais machistas e conservadores que havia em Portugal ... mas, bom ... isso não é agora tido para este Luar.
E, por isso, tanto o amou o Povo, como aliás refere H. C. Andersen, mas na sua componente mais "populista", pela certa !!!!!!!
Imagem: Sé de Évora, Apóstolos no portal gótico
À direita, S. Pedro segura as chaves do céu.
Pescador no Mar da Galileia, por ter seguido o Salvador, foi chamado "Pescador de Homens".
O Senhor disse-lhe "Tu és Pedro e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja"´, tendo-lhe entregue as chaves do Céu.
«O grande amor da minha vida, à semelhança de todas as paixões veementes e sinceras, não foi, não podia ser feliz, e dava para uma linda novela que só teria o defeito de a verdade aparecer inverosímel». O Sítio da Mulher Morta, Manuel Teixeira Gomes.
Se alguém te fizer crer que o Eterno existe
retira-lhe as palavras, pois delas estão os dias cheios
Cala-lhe a boca oca e vazia,
porque não imagina que a morte nos espreita a cada hora.
Esse ali, até já.
Se o Eterno existe é no silêncio com que se inventa o amanhã.
Nas noites em que se ama, mordendo sós as mãos
e, mesmo assim, se é capaz de sonhar.
Se alguém te fizer crer num Eterno pacífico e celestial, desconfia
pois até o Céu é uma construção
e, tal como o amanhã, só se projecta
se se é capaz de recriar o desejo
cada manhã.
Maria Duran Kremer, contigo vou dar continuidade a uma pequena homenagem a mulheres minhas amigas e que muito prezo, alargando um trabalho que já havia iniciado sobre as Mulheres da minha vida.
A Maria Duran Kremer, minha colega e amiga de longa data, Doutorada em Arqueologia, foi condecorada com a “Verdienstkreuz am Bande” da “Verdienstorden der Bundesrepublik Deutschland - Cruz de Mérito da República Federal da Alemanha, a única condecoração oficial da Alemanha, tornando-a uma espécie de “Ritter” – knight (EN) (ou seja, se estivéssemos na Idade Média, tinha sido armada cavaleiro!!!! (Em Ingle: Federal Cross of Merit of the Federal Republic of Germany)
A condecoração foi-lhe dada em reconhecimento do um notável trabalho “voluntário” , durante mais de 35 anos, em defesa dos imigrantes: primeiro portugueses (o que lhe trouxe a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas em 1999). Defendendo desde sempre a igualdade de tratamento e de oportunidades de todos os seres humanos, independentemente do género, da etnia, da religião ou do credo politico, rejeitando qualquer supremacia de uma Cultura sobre outra ou outras, lançou-se, em 1994, na política autárquica, presidindo desde então ao Conselho de Migração e Integração desta cidade (órgão eleito em eleições gerais, livres e democráticas, de cinco em cinco anos). Neste sector empenhou-se sempre pela participação e inclusão da população migrante na vida social de Trier, tendo lançado as bases para o “Plano Municipal de Integração”, desenvolvido depois em conjunto com outras instituições e que veio a ser aprovado pela Assembleia Municipal em Dezembro de 2011. Desde 1999 faz parte da Assembleia Municipal e, desde 2009, é Regedor(a) de Trier Norte, o maior bairro da cidade, com mais de 13.000 habitantes.
Maria de Jesus em 16.01.2013, em Mainz, com Malu Dreyer - acabara de ser nomeada Ministra Presidente do Land Renania Palatinado, e Begoña Hermann, no momento em que esta acabara de ser nomeada Vice-Presidente da SGB Nord. Todas tres vindas de Trier. De destacar que a nova Ministro Presidente foi, durante muitos anos, ministra dos Assuntos Sociais, da Juventude, da Migraçao e dos direitos da Mulher. E fez imenso pela igualdade da Mulher, pela defesa dos seus direitos!
Para além disso, e a nível de Estado Federado, participa em muitas organizações, destacando: Conselho Consultivo da Mulher (a nível de Estado Federado), membro da direção da AGARP (organização de cúpula que reúne todos os Conselhos Consultivos de Migração e Integração do Estado da Renânia-Palatinado), Grupo de Trabalho contra o Extremismo de Direita.
Para ela, para a sua vida de trabalho e mulher de convicções e princípios, um abraço enorme e muitos parabéns.
Gostaria de poder reflectir sobre este instrumento, pois também com ele aprendi a desenhar, outrora, as linhas do Tempo dentro do Tempo, porque é um dos utensílios imprescindíveis para o método arqueológico.
Esse fio fino e delicado, cujo peso na extremidade, origina um utensílio e que é também a figura geométrica que viabiliza a verticalidade e o equilíbrio que nos permite ligar a Terra ao Céu. É como se fosse um eixo cósmico.
Uma perpendicular, ou seja uma linha que pende, como etimologicamente se entende, mas vertical.
Esse instrumento que tantas vezes eu usei em trabalhos de campo e cuja funcionalidade me era tão familiar, era-me quase desconhecido no que respeita ao seu sentido simbólico.
Fiz apressadamente uma busca no dicionário de língua portuguesa, tendo-o encontrado com os seguintes significados: Enquanto substantivo, define-se como “qualquer instrumento destinado a verificar a verticalidade de um objecto”! Mas, pode ainda ser tido enquanto representante de qualidades: «Prudência, tino, agudeza, penetração, perspicácia». Ou ainda simbolizando a justiça temperada de clemência.
Não deixam de ser interessantes os significados apresentados, no fundo os mesmos que tem do ponto de vista simbólico. Em síntese poder-se-ia dizer que o seu significado está ligado ao equilíbrio da construção, ou, o que vem a ser a mesma coisa, à rectidão do esforço espiritual.
Vejamos, o prumo é o instrumento usado para medir a perfeita verticalidade de uma superfície, e representa simbolicamente a profundidade do Conhecimento, da Rectidão e da Justiça. Representa, também, a busca da verdade, do Equilíbrio, ou Estabilidade, quando perfeitamente a Prumo.
É a regra viva de toda a edificação, material ou espiritual que, utilizando as palavras de Le Coubusier deve ser feita “na vertical com o Céu”.
Mas também o meu corpo em pé, direito, «a prumo», a união do que está em baixo com o que está em cima; do divino e do profano; do Celeste e do Terrestre.
E se fio de prumo, associando-se ao nível e ao esquadro, serve para verificar a vertical correcta de qualquer lugar, viabilizando a edificação perfeita de um imóvel, do ponto de vista espiritual, simboliza a profundidade e a rectidão do conhecimento, o aprofundamento dos nossos estudos e observações, sem quaisquer desvios, veículo que conduz à tentativa de atingir a perfeição individual e à elevação do progresso inicial. Por este motivo associa-se simbolicamente à Justiça com que devem ser praticadas as nossas acções.
A verticalidade simboliza o ser humano de pé e activo, e é através da recta que ascende da Terra aos Céus; representa, portanto, a escada de Jacó que rompe as nuvens do firmamento, cujo simbolismo se deve à visão de Jacob, registada no Velho Testamento, (Génesis, 28, Versículos 10, 11, 12, 17 e 18), ou mesmo os pináculos de uma Catedral na direcção do Céu.
Peso de prumo de chumbo com anilha e ponteira em ferrode época romana.
Centro Interpretativo de Miróbriga.
Essa verticalidade do HOMEM, o único animal a gozar dessa faculdade, corresponde em numerologia ao número UM ou a letra Aleph do alfabeto hebraico, afinal a letra de que Deus se serve para o ajudar a criar o Mundo, e que encerra o Mistério da Unidade, da consciência, da ligação da Terra ao Céu, do que está em cima e em baixo, permitindo que não haja separação entre terrestre-celeste.
Mas se o prumo é fundamental para a construção de um edifício, pois permite a verticalidade da edificação, através do nível faz-se a verificação de que a superfície da pedra está “aplanada”, alisada ou trabalhada, porque o plano é basilar para a sustentação do edifício.
É através do plano, do Nível que simboliza a força criadora dos Homens direccionada para propósitos úteis, que se verifica a igualdade, proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais e se pode vir a alcançar Fraternidade.
Por isso, o Nível faz alusão à «IGUALDADE fundamental a todo o ser humano, na sua natureza profunda e na sua vocação».
Filomena Barata
Manuel Canelas CanelasSe me permite, Filomena, dou-lhe os parabéns pelo tópico que ora nos apresenta. Vejo o fio-de-prumo dentro da mesma escala cósmica da linha do horizonte e da abóbada celeste: traçados fundamentais que integram, nuclearmente, a imagem que o Homem tem do Universo geométrico (euclidiano) e de si próprio. É certo que depois de Einstein, as noções de recta e de superfície nunca mais foram as mesmas mas, no que à verticalidade diz respeito, haveremos de reconhecer que esta subsiste intacta como valor absoluto, imune, pela sua natureza, a todo e qualquer relativismo. É um dos tais casos que não admite meio-termo: ou é ou não é; também não é por acaso que através dela chegamos à ‘gravitas’ latina, esse termo que nomeia uma das virtudes mais cultivadas pela antiga sociedade romana. E por aqui caminhamos em direcção à gravidade. Gravidade que compartilha o mesmo significado de seriedade e importância e que Newton exponenciou para denominar as forças físicas de atracção mútua que os corpos materiais exercem uns sobre os outros, que mantêm o Cosmo unido e confere peso aos objectos. Numa visão muito própria, a linha vertical não será, exactamente, uma ligação entre o que está em baixo com o que está em cima, análise derivada da nossa posição erecta à superfície da Terra. Ela é mais uma semi-recta, pois sabe-se onde começa mas não se conhece o seu fim… Leva-nos até ao centro, mas se caminharmos no sentido oposto tenderemos para o infinito… Oh, como me delicia falar desta coisas! Obrigado Filomena.
Manuel Canelas CanelasMas que magnífica ‘anotação’, Filomena! Ubérrima em pertinência, rica e vasta nos seus argumentos, bela como uma cantata de Haendel… Embora não concordante com todas as teses em presença, aceite os meus Parabéns! …Não concordante porque, e no entanto -’eppur se muove’- Deixe-me dizer-lhe, trazendo à colação em réplica e emulativa provocação q.b., o quanto admiro a Torre de Pisa. Há nesta edificação uma rara mescla de beleza arquitectónica, contexto científico e densidade dialéctica que de imediato a fizeram associar às dúvidas em mim suscitadas pelas suas ilações entre o alfabeto hebreu e a ‘obra’ de Deus. Neste famoso campanário encontro exposta, transversalmente, a problemática da verticalidade quer literal quer metafóricamente, a par de uma eloquente manifestação da unidade entre o todo e o seu oposto, isto é, em suma, da condição humana. Aliás, faço já aqui a minha declaração de interesses na matéria, para que melhor possa ser entendido. Sem entrar no campo das religiões enquanto direito universal e legítimo dos indivíduos e dos povos, sempre direi que, se para muitos elas são o que dá sentido à vida, eu vejo-as como formas instrumentais através das quais o Homem foi encontrando explicações para o que em determinado momento lhe era desconhecido e o atemorizava, ou para criar pseudo-realidades místicas, agregadoras e imperativas de acordo com os cânones vigentes. No caso hebraico, o sucesso parece estar ligado a aspectos tão instintivamente básicos, comuns a todos os seres vivos do reino animal e vegetal, como sejam a luta pela sobrevivência, aplicando a lei do mais forte ou a sabedoria de adaptação, exemplarmente traduzida na ida de Maomé à montanha, uma vez que esta por si própria não vinha a Maomé. Os primeiros livros do Antigo Testamento constroem uma narrativa que beneficia directa e unicamente um determinado povo perante os demais, o que à partida os torna, no mínimo, suspeitos de imparcialidade. A partir do geral: criação do Universo, do Sol, da Terra, da separação das terras e dos mares, da criação da vida neste planeta, etc., a ‘coisa’ vai afunilando cada vez mais até aparecer um povo Eleito que Deus escolheu para seu interlocutor especial: eles. Tudo isto compagina com o paradigma histórico do’ negócio lucrativo’ judaico. Parece-me, com o devido respeito, uma encenação bem urdida mas que fala mais sobre egoísmo/chauvinismo/supremacismo do que propriamente sobre uns hipotéticos ‘desígnios’ divinos, tal como eles são descritos e sancionados pelos demiurgos de serviço. Em adenda, acrescentaria que aquele momento fundacional, pintado por Michelangelo Buonarotti no tecto da capela Sixtina, tem sido, provavelmente, interpretado ao invés. De facto e pragmaticamente, perante a História do Homem é quase inevitável concluir que o sopro da vida vem de baixo para cima…
Mas enfim, são divagações minhas para, meu sustento, das quais não pretendo fazer escola. Como apreciador de Arte, sinto-me às vezes constrangido por pensar assim pois reconheço o papel das religiões como impulsionadoras das grandes criações artísticas da humanidade. Paciência…
Ainda sobre a verticalidade e afins, agora numa perspectiva psico-física. As ideias de acima/abaixo, fundamentais para a nossa orientação, são as que ao mesmo tempo mostram uma maior instabilidade e um maior atractivo. A sua origem como dimensão heróica é fácil de entender se tivermos presente a luta de um bebé por manter-se de pé e andar ou o seu desejo de fazer-se maior. Só nos seres humanos a coluna vertebral se comporta como uma verdadeira ‘coluna’ sobre a qual assenta a cabeça, em vez de dela dependurar como nos outros animais. Mas não vejo isso como especial vantagem, também as aves que voam e os peixes que respiram pela água poderão invocar diferenças únicas. Acima, que na imagem corporal se refere ao que está em cima do centro do corpo (crescendo este sempre para cima), é sinónimo de esforço, fantasia e distanciamento. Assim tratamos de ‘alcançar o céu’ ao mesmo tempo que necessitamos ter ‘os pés bem assentes na terra’. Num exemplo que a Filomena deve conhecer bem, atendendo às suas raízes angolanas, há uma clara diferença entre como se expressa a dimensão vertical nos movimentos e posições dos dançarinos africanos e os bailarinos europeus: no primeiro caso os dançarinos pressionam fortemente o chão e movem-se a pouca altura, expressando o valor telúrico atribuído à terra, vista como mãe/origem. Já no segundo caso, como corresponde a uma cultura transcendental, os bailarinos elevam-se do solo tentando escapar à terra. O mesmo tipo de análise se poderia fazer em relação à movimentação ‘para a frente’ ou ‘para trás’, onde é possível distinguir conotações morais de virtude e firmeza no avançar, ou de conotações privadas e terrenas no que está atrás. Tudo isto releva que através do reconhecimento do corpo como universo pessoal podemos cartografar traços culturais identitários que estão, muitas vezes subliminarmente, na base dos padrões que estruturam as nossas sensibilidades/personalidades.
E por aqui me fico, que longa vai a tertúlia. Mais tarde voltarei para o desafio numérico e falar sobre a fabulosa proporção divina, o número de ouro, a secção áurea…
Beatriz MontoitoSlikha Filomena. Eu poderia escrever da vida, da manifestação dela nos 3 reinos, dos elementos, da força e da manifestação divina do D'us de Abrão, de Isac e de Jacó. Do positivo e do negativo, do lado direito e do lado esquerdo do homem, dos quatro elementos. Dos planos, da estrela de David, da cruz, dos 36 degraus da escada de Jacó, eu poderia ainda. Abstrato, concreto, representação, alegoria, aspectos e princípios do feminino e masculino, negativo e positivo de D'us. Formas, números, verticalidade e eternidade. Torá. Ain, Ain Soph, Ain Soph Aur, e Keter. Mas por hora prefiro silenciar e não aceitar o desafio, a provocação. Ainda bebo da fonte, e uma “vida” é pouco para o entendimento e, assim adentrar no “pomar” (pardês), pois em Pshat há o sagrado, em Remez o insinuado, em Drush o significado e em Sod o segredo. O vale é longo e as montanhas altas na guimátria. Shalom. Layla tov.
Há dias especiais para todos nós, e porque eles também vivem do carinho que nos manifestam, esta é a minha forma de poder agradecer a todos, de que me recordarei sempre, repetindo-me.
Já arrumei memórias, tantas e tantas mais.
Já pari e, por isso, plantei uma árvore feita de esperança.
Já chorei insónias longas,
mas também muito sorri.
Fiz os livros que ditam os mandamentos,
tentando dar sentido às palavras que se foram cozendo entre si.
Já passeei por jardins de luz, por entre silêncios e multidões.
Já vi morrer e matar, guerras da vida que nem sempre são as naturais
e tenho no peito uma rosa que não me deixa desistir.
Enterrei mortos meus, cerrando as portas à descrença,
e esqueci dores, transformando-as em lembranças,
aprendendo a dizer-lhes até sempre, até já
Já viajei, dentro e fora de mim
sonhando prazeres que nem sempre encontrei.
E, contudo, cruzei montes, vales e oceanos daqui e dali,
julgando que os ia poder abraçar.
Já tive amores e desamores
mas crente sou ainda que o último é sempre o maior.
Sei que o será.
Já fui rica e pobre; fiz contas de somar e diminuir,
saldando as que havia a pagar,
cigarro aceso noite fora, sem saber como o ia fazer,
Já avaliei e fui avaliada,
testes mais não poderia haver, porque poucos humanos os conseguiriam passar.
Já me preparei para morrer,
encomendando aos Céus os testemunhos meus.
Por isso, por isso e tudo o mais, agora quero e sem medo o direito a viver!
E viverei sem esperar a licença de ninguém, porque não a pedirei,
pois seguirei caminho, cruzando os mares da minha fé
Sei que tamb'em estiveste à tua forma!
Se lapsos houve devem-se a facto de não ter conseguido copiar, esperando que me perdoem as omissões.
Beatriz Montoito
Daqui algumas horas é 18 e, portanto 9 onde todos os números se resolvem pois, depois dele o 10, a volta a unidade. O número é sintético e minha mensagem de parabéns pode parecer sem calor humano, sem beleza, porém não é fato. Que a tua volta a unidade, esse novo caminho a trilhar, o construas em conjunto com o universo, te trazendo LUZ, ENTENDIMENTO, SAÚDE, PROSPERIDADE. Vida longa Filomena.
PARABÉNS A VOCÊ (versão especial de 44 quadras... para adormecer!)
Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas Felicidades
Muitos anos de vida!!!
Hoje é dia de festa
Cantam as nossas almas
Para a menina/menino (nome)
Uma salva de palmas!! Parabéns a você Pelos anos que faz Vá contando até cem Para ver se é capaz!!
Hoje é dia de bolos Para toda a cambada Não se esqueça de pô-los Numa mesa enfeitada!!
Parabéns a você Neste dia festivo Queremos vir cá "pró" ano Pelo mesmo motivo!!
Hoje é dia de festejo Apague as velas com força E exprima um desejo Há-de haver quem o/a oiça!!!
Parabéns a você Já basta de cantar Vamos todos "prá" mesa Vamos todos "papar"!!
Hoje é dia de prendas Espere um pouco e verá "Pró"/"prá" Menino/menina (nome) Boas coisas haverá!!
Parabéns a você Neste dia aprazado Veja lá se consegue Que seja bem passado!!
Hoje é dia de farra E por isso cantamos Veja lá se agarra Tudo o qu'nós lhe damos!!
Parabéns a você Neste dia qu'existe Vamos lá a sorrir Não qu'remos ninguém triste!!
Hoje é dia bem cheio Nele cabe um ano Vamos dar-te/lhe de permeio Um abraço muito humano!!
Parabéns a você Neste dia especial Não se repete muito É periódico, anual!!
Hoje é dia d'alegria vamos lá aproveitá-lo Cantemos todo o dia E p'la noite prolengá-lo!!
Parebéns a você Neste dia sem par Conte/a lá as velinhas Até ao fim sem parar!!!
Hoje é dia de estalo Não é um dia normal Não há melhor "pra" passá-lo Que uma festa, afinal...
Parabéns a você Neste dia amado "Pró"/"prá" menino/menina (nome) Canta tudo afinado!!!
Hoje é dia dif''rente É uma data incrível Não se esqueça da gente Até "pró" ano, se possível!!
Parabéns a você que bem os merece Coma lá um bolinho E o resto, se lh'apetece!!
Hoje é dia feliz Não há tristeza qu'entre volte a ser um/uma petiz Não só hoje, mas sempre!!
Parabéns a você Eis o nosso desejo Para a todos saudar Não perca este ensejo!!!!!
Hoje é dia de truz Não esteja assim parado/a Não hesite, fala luz Se se sentiu bem mimado/a!!
Parabéns a você Para si, é o que queira Barcos, casas, aventuras E mesmo a terra inteira!!
Hoje é data festiva Por um pouco, no seu mundo Esqueça a rotina cativa E viva um dia fecundo!!
Parabéns a você Vamos lá a comer Em sua homenagem Também vamos beber!!
Hoje é dia de lazer Não faça nada difícil Pense só no prazer Tido é primaveril!!
Parabéns a você Dê vivas a todos Afine a voz e cante Espalhe alegria a rodos!!
Hoje é data marcada Veja o seu calendário É festa assinalada É o seu aniversário!!
Parabéns a você Neste dia que reluz Não fuja, venha cá Não s'arme em avestruz!!
Hoje é dia marado Esqueça-se do juízo E venha cantar o fado Faço um louco improviso!!
Parabéns a você Numa data bem viva Mande "à fava" o trabalho E as chatices qu'ele motiva!! (ou "E até o diabo do IVA"!!: para a prima Rosa)
Hoje goza-se à brava Dão-se coisas de pasmar Dê-nos a sua palavre De que só vale brincar!!
Parabéns a você Estamos todos a rir Faço o pino na mesa Nós o faremos a seguir!!
Hoje o dia é noite E a noite é dia Não hav'rá quem pernoite Daqui até à Anadia!! ("Daqui até à Curia!!", para quem seja de Anadia)
Parabéns a você Estamos nóa a dizer-lhe Venha cá confessar-se P'ra que possamos valer-lhe!!!
Hoje é dia confuso Tudo fica excitado Rode como um marujo E fique assim enroscado!!
Parabéns a você Não me venha com fitas Dê pulinhos no tecto E faça caretas bonitas!!
Hoje não há limites Mergulhe o dedo na água Mesmo que se constipe Não há razão para mágoa!!
Parabéns a você Divirta-se, é só querer Se quiser, dê piruetas Ou desare a correr!!
Hoje não há uma lógica Na ação, no pensamento Há razão cronológica Para asneiras, um cento!!
Parabéns a você Nós estamos consigo Ponha os ombros nas coxas E os pés no umbigo!!!!!!!!!!!!!!!
Hoje é só maluqueira Dê um grito bem forte Continua a brincadeira Seja a Sul, seja a Norte!!
Parabéns a você Vá dizendo, sem enfado Mesmo sem qualquer ordem Tudo de que tem gostado!!
Hoje já foi repetido Demasiadas vezes p'ra mim Vamos ficar por aqui Chega a Canção ao fim!!!
Carlos Eduardo da Cruz Luna/Estremoz, 24-Junho-2011
À minha filha.
Ao meu companheiro de longas viagens ...
Este blogue foi concebido como uma espécie de «diário de bordo» de experiências, sentidos e emoções.
Pretendia, quando o imaginei, fazer como que apontamentos das minhas vivências ou das minhas “geografias afectivas”.
Fixar imagens de sítios ou lugares, de sensações, onde parecia residir o equilíbrio do “território” que é o meu.
Pretendia ainda, não o escondo, com ele dar testemunho dos meus dias, partilhando com quem o lesse, mas, particularmente, com as pessoas a quem o dediquei, a minha filha, o amor e os amigos que me acompanharam estes anos, as histórias que os meus dias atravessam: sem medos, sem pavor das palavras e do testemunho, mesmo quando me assaltavam dúvidas e a angústia de não saber afinal como se tece o equilíbrio da vida.
Porque se desconhece o segredo dessa fina rede ou malha que torna os Humanos mais felizes, num tempo e num lugar.
Tentar partilhar também um pouco do equilíbrio inexplicável que parece residir em alguns lugares que, teimosamente, continuam a querer fugir a todas as dúvidas ou a todas as certezas que sobre eles se semeiam, tão alheios que se mostram estar de todas as nossas reflexões.
E aprender com esta partilha que os Sítios, as Coisas também têm tempo, desgastam-se, consomem-se, findam-se, levando com eles as estórias desvendadas ou eternamente encobertas, se não as soubermos escrever e contar.
Não podemos fugir sempre a esse Tempo, mascarando-o de uma possível Eternidade, plastificando-o até ao limite, como se tratasse do Retrato de Dorien Grey.
Porque a morte tudo espreita, tudo acaba por consumir, desvastar.
Havia, portanto, que partilhar, escrevendo!
Foi, também, minha intenção testemunhar uma busca, um olhar, como que uma reportagem fotográfica, mostrando os múltiplos caminhos que tantas vezes atravessei, no encalço de um lugar pré-determinado, tentando ouvir as suas vozes, os seus silêncios, ou os seus mistérios.
Assinalando presenças físicas e emocionais, actuais ou passadas, e as marcas que deixaram no território, na paisagem; no corpo e na alma.
Buscando assim a Eternidade que mais não é do que uma procura, uma projecção, solitária e pessoal.
Porque espero, a curto prazo, mudar o figurino deste blogue, venho assim, como num manifesto, dizer que teria feito outro igual; mas está na altura de mudar e o transformar!
E há coisas que não se podem adiar.
É uma despedida?
Não, porque nunca nos despedimos do que e de quem soubemos amar ...
«Às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação de efeitos sem correspondência com a realidade».
António Mega Ferreira, Amor, Lisboa, 2002.
dos mecanismos da memória...
Se para os Humanos enquanto vivos a Ciência foi felizmente criando mil e uma soluções que contribuem para um melhor-estar físico ou psicológico, já para a comunidade médica se torna tão melindrosa a questão da eutanásia, ou seja o momento exacto em que se decide pela vida ou pela morte de alguém, mesmo que da vida apenas já exista um sopro. A delicadeza sobre a decisão da morte de alguém, sobre essa intervenção irreversível/definitiva, é tão grande que, metaforicamente podemos dizer, estamos a colocar nas mãos dos Humanos uma capacidade que só aos Deuses e ao «destino» deveria caber: porque com a morte física sucumbe o gesto e a palavra que se proferiu, ou não, no momento exacto, e ainda porque com a morte física tememos o esquecimento e a não acessibilidade ao Eterno. Ora se bem que acarretando com a mágoa da morte de alguém, do seu desaparecimento e dos momentos que se partilharam juntos, o indivíduo, ou a comunidade que lhe era próxima podem criar mecanismos ou rituais de recordação, já ao tratarmos memórias mais alargadas o processo é bem mais multifacetado. Ou seja, se para a preservação das memórias individuais temos ainda uma certa tranquilidade, pois remetem a um processo em que a cada um cabe escolher, ou ter a capacidade de o fazer, sendo a triagem do se quer e se pode guardar, sacralizar ou esquecer, um caminho pessoal, no qual o indivíduo se socorre dos «auxiliares de memória» materiais ou imateriais próprios, quando equacionamos a preservação dos bens colectivos a decisão é mais complexa, até porque é exactamente de âmbito «comunitário». Para além dos factores que se prendem com as memórias de um local, ou da relação íntima que se estabelece com algo ou alguém a que nos habituámos - será que não é também isso que enforma a História? - os aspectos simbólicos ou emblemáticos que a eles estão associados deverão, portanto, ser avaliados.
da memória colectiva...
A própria eleição do que é um bem cultural e a afinidade que com eles sente uma determinada comunidade, ao ponto de não o querer perder, é já por si difícil de caracterizar. O uso que se faz com esse bem, como se manipula, se utiliza ou se preserva coloca, portanto, questões de uma complexidade acrescida. Exactamente porque muitas das decisões sobre a morte física de alguns bens culturais implicam alterações no espaço, nas simbologias e nas sociabilidades, cujos contornos nem sempre são previamente avaliados; e ainda porque, em contrapartida, muitas das conclusões sobre a preservação das memórias colectivas acabam por ser casuísticas e aleatórias, até porque perdidas estão muitas das necessidades ancestrais de marcação física e simbólica do território ou da sua georeferenciação, exige-se cada vez mais uma reflexão sobre o que, como e porquê, conservamos. Isto porque não podemos querer conservar ou reabilitar apenas cenários ou simulacros de antigas vivências, se perdidas forem todas as outras necessidades socio-culturais e afectivas a que davam resposta. Porque afinal, em última instância, o «Património» não existe como entidade objectiva, ausente da memória. Se tivermos em atenção que ao fenómeno de democratização das sociedades correspondeu uma certa perda de ideologia e da respectiva representação historicizante ou monumentalizante das comunidades e do poder que as representa ou subjuga, perda essa que já não permite responder com modelos tão deterministas à necessidade de projecções simbólicas, mais questões se nos levantam sobre a função da História e da preservação dos seus vestígios físicos ou imateriais. Até porque a esse mesmo processo de democratização e de complexificação social que ela implica corresponde também uma proliferação de símbolos e de formas de representação do poder e do querer e um esbatimento do valor intrínseco de alguns emblemas historicizantes.
Lindo, o nosso Carlos, o nosso Amadis.
Porque consegue conviver com uma casa de cinco mulheres, mas onde já foram mais!
Ensinando Literatura Medieval, aprendendo ... e, principalmente, mimando muito.
Parabéns para ti.
Que a Senhora te tenha sido, de facto, Mãe!
E tu, sempre, o nosso cavaleiro.
Encontrar a Vida, para além de tudo!
Pensei certa manhã: por muito que vivas, já não viverás tanto como os anos que tens. Logo, tens que te preparar para morrer. Morri nesse dia. Mas morri para saber finalmente viver.
…Não concordante porque, e no entanto -’eppur se muove’- Deixe-me dizer-lhe, trazendo à colação em réplica e emulativa provocação q.b., o quanto admiro a Torre de Pisa. Há nesta edificação uma rara mescla de beleza arquitectónica, contexto científico e densidade dialéctica que de imediato a fizeram associar às dúvidas em mim suscitadas pelas suas ilações entre o alfabeto hebreu e a ‘obra’ de Deus. Neste famoso campanário encontro exposta, transversalmente, a problemática da verticalidade quer literal quer metafóricamente, a par de uma eloquente manifestação da unidade entre o todo e o seu oposto, isto é, em suma, da condição humana.
Aliás, faço já aqui a minha declaração de interesses na matéria, para que melhor possa ser entendido. Sem entrar no campo das religiões enquanto direito universal e legítimo dos indivíduos e dos povos, sempre direi que, se para muitos elas são o que dá sentido à vida, eu vejo-as como formas instrumentais através das quais o Homem foi encontrando explicações para o que em determinado momento lhe era desconhecido e o atemorizava, ou para criar pseudo-realidades místicas, agregadoras e imperativas de acordo com os cânones vigentes. No caso hebraico, o sucesso parece estar ligado a aspectos tão instintivamente básicos, comuns a todos os seres vivos do reino animal e vegetal, como sejam a luta pela sobrevivência, aplicando a lei do mais forte ou a sabedoria de adaptação, exemplarmente traduzida na ida de Maomé à montanha, uma vez que esta por si própria não vinha a Maomé.
Os primeiros livros do Antigo Testamento constroem uma narrativa que beneficia directa e unicamente um determinado povo perante os demais, o que à partida os torna, no mínimo, suspeitos de imparcialidade. A partir do geral: criação do Universo, do Sol, da Terra, da separação das terras e dos mares, da criação da vida neste planeta, etc., a ‘coisa’ vai afunilando cada vez mais até aparecer um povo Eleito que Deus escolheu para seu interlocutor especial: eles. Tudo isto compagina com o paradigma histórico do’ negócio lucrativo’ judaico. Parece-me, com o devido respeito, uma encenação bem urdida mas que fala mais sobre egoísmo/chauvinismo/
Mas enfim, são divagações minhas para, meu sustento, das quais não pretendo fazer escola. Como apreciador de Arte, sinto-me às vezes constrangido por pensar assim pois reconheço o papel das religiões como impulsionadoras das grandes criações artísticas da humanidade. Paciência…
Ainda sobre a verticalidade e afins, agora numa perspectiva psico-física.
As ideias de acima/abaixo, fundamentais para a nossa orientação, são as que ao mesmo tempo mostram uma maior instabilidade e um maior atractivo. A sua origem como dimensão heróica é fácil de entender se tivermos presente a luta de um bebé por manter-se de pé e andar ou o seu desejo de fazer-se maior. Só nos seres humanos a coluna vertebral se comporta como uma verdadeira ‘coluna’ sobre a qual assenta a cabeça, em vez de dela dependurar como nos outros animais. Mas não vejo isso como especial vantagem, também as aves que voam e os peixes que respiram pela água poderão invocar diferenças únicas.
Acima, que na imagem corporal se refere ao que está em cima do centro do corpo (crescendo este sempre para cima), é sinónimo de esforço, fantasia e distanciamento. Assim tratamos de ‘alcançar o céu’ ao mesmo tempo que necessitamos ter ‘os pés bem assentes na terra’. Num exemplo que a Filomena deve conhecer bem, atendendo às suas raízes angolanas, há uma clara diferença entre como se expressa a dimensão vertical nos movimentos e posições dos dançarinos africanos e os bailarinos europeus: no primeiro caso os dançarinos pressionam fortemente o chão e movem-se a pouca altura, expressando o valor telúrico atribuído à terra, vista como mãe/origem. Já no segundo caso, como corresponde a uma cultura transcendental, os bailarinos elevam-se do solo tentando escapar à terra.
O mesmo tipo de análise se poderia fazer em relação à movimentação ‘para a frente’ ou ‘para trás’, onde é possível distinguir conotações morais de virtude e firmeza no avançar, ou de conotações privadas e terrenas no que está atrás. Tudo isto releva que através do reconhecimento do corpo como universo pessoal podemos cartografar traços culturais identitários que estão, muitas vezes subliminarmente, na base dos padrões que estruturam as nossas sensibilidades/
E por aqui me fico, que longa vai a tertúlia. Mais tarde voltarei para o desafio numérico e falar sobre a fabulosa proporção divina, o número de ouro, a secção áurea…
Cumps