quarta-feira, junho 6

O prumo





Fotografia a partir de:

https://www.facebook.com/pages/Conservación-Arquitectónica-Stone-carving-Stonemasonry/135169443197199

Estela de Statorius Bathyllus, detalle. s.I d.C.
(Museo Civico Archeologico di Bologna, num. 19131)























«Pego numa simples pedrinha,

Uma pedra qualquer

Colhida ali mesmo da terra,

... E ato-a a um fio qualquer

Que enfio na boca do poço

E por entre os meus dedos

Deixo o fio incerto escorregar,

De um lado para outro oscilando …


Agita-se a água ao acordar

No choque inesperado e grita,

Do centro para fora ondulando …


Espero,

O tempo está ali todo, infinito,

O tempo todo do mundo …



Observo no meu tempo.

Lava a água a pedra suja da terra,

Talvez uma simples pedrinha ...,

Enquanto a pedra a água vai polindo

Imperceptível ou discreta

Em suaves ondas

Como em continuadas rondas

De demorada negociação …

Depois, a água a si própria se lava

Da sujidade da pedra deixada,

Assentando-a suavemente no chão,

Naturalmente, sem humana mão …

Até mesmo as arestas agrestes

Da própria pedra da terra

Para o fundo cairão …



Observo,

Entretanto,

Que o movimento vai parando …



No fim, uma linha vertical,

Um fio-de-prumo

Aprumando o meu olhar do cimo ao fundo,

E uma superfície horizontal,

Um nível,

Nivelando as rugas e os desníveis do mundo …


E um ângulo recto,

Recto em todas as direcções e sentidos,

Bem esquadrado,

Em rectidão e harmonia

Como um dia será neste nosso chão» …



José Rodrigues Dias, 2012-06
Traçados sobre nós: Ângulo recto

joserodriguesdias.blogspot.com

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Gostaria de poder reflectir sobre este instrumento, pois também com ele aprendi a desenhar, outrora, as linhas do Tempo dentro do Tempo, porque é um dos utensílios imprescindíveis para o método arqueológico.

Esse fio fino e delicado, cujo peso na extremidade, origina um utensílio e que é também a figura geométrica que viabiliza a verticalidade e o equilíbrio que nos permite ligar a Terra ao Céu. É como se fosse um eixo cósmico.

Uma perpendicular, ou seja uma linha que pende, como etimologicamente se entende, mas vertical.

Esse instrumento que tantas vezes eu usei em trabalhos de campo e cuja funcionalidade me era tão familiar, era-me quase desconhecido no que respeita ao seu sentido simbólico.

Fiz apressadamente uma busca no dicionário de língua portuguesa, tendo-o encontrado com os seguintes significados: Enquanto substantivo, define-se como “qualquer instrumento destinado a verificar a verticalidade de um objecto”! Mas, pode ainda ser tido enquanto representante de qualidades: «Prudência, tino, agudeza, penetração, perspicácia». Ou ainda simbolizando a justiça temperada de clemência.

Não deixam de ser interessantes os significados apresentados, no fundo os mesmos que tem do ponto de vista simbólico. Em síntese poder-se-ia dizer que o seu significado está ligado ao equilíbrio da construção, ou, o que vem a ser a mesma coisa, à rectidão do esforço espiritual.

Vejamos, o prumo é o instrumento usado para medir a perfeita verticalidade de uma superfície, e representa simbolicamente a profundidade do Conhecimento, da Rectidão e da Justiça. Representa, também, a busca da verdade, do Equilíbrio, ou Estabilidade, quando perfeitamente a Prumo.

É a regra viva de toda a edificação, material ou espiritual que, utilizando as palavras de Le Coubusier deve ser feita “na vertical com o Céu”.

Mas também o meu corpo em pé, direito, «a prumo», a união do que está em baixo com o que está em cima; do divino e do profano; do Celeste e do Terrestre.

E se fio de prumo, associando-se ao nível e ao esquadro, serve para verificar a vertical correcta de qualquer lugar, viabilizando a edificação perfeita de um imóvel, do ponto de vista espiritual, simboliza a profundidade e a rectidão do conhecimento, o aprofundamento dos nossos estudos e observações, sem quaisquer desvios, veículo que conduz à tentativa de atingir a perfeição individual e à elevação do progresso inicial. Por este motivo associa-se simbolicamente à Justiça com que devem ser praticadas as nossas acções.

A verticalidade simboliza o ser humano de pé e activo, e é através da recta que ascende da Terra aos Céus; representa, portanto, a escada de Jacó que rompe as nuvens do firmamento, cujo simbolismo se deve à visão de Jacob, registada no Velho Testamento, (Génesis, 28, Versículos 10, 11, 12, 17 e 18), ou mesmo os pináculos de uma Catedral na direcção do Céu.

                     Peso de prumo de chumbo com anilha e ponteira em ferrode época romana.
                                                        Centro Interpretativo de Miróbriga.

Essa verticalidade do HOMEM, o único animal a gozar dessa faculdade, corresponde em numerologia ao número UM ou a letra Aleph do alfabeto hebraico, afinal a letra de que Deus se serve para o ajudar a criar o Mundo, e que encerra o Mistério da Unidade, da consciência, da ligação da Terra ao Céu, do que está em cima e em baixo, permitindo que não haja separação entre terrestre-celeste.

Mas se o prumo é fundamental para a construção de um edifício, pois permite a verticalidade da edificação, através do nível faz-se a verificação de que a superfície da pedra está “aplanada”, alisada ou trabalhada, porque o plano é basilar para a sustentação do edifício.

É através do plano, do Nível que simboliza a força criadora dos Homens direccionada para propósitos úteis, que se verifica a igualdade, proporcionada pela tolerância e pela aplicação das leis morais e se pode vir a alcançar Fraternidade.

Por isso, o Nível faz alusão à «IGUALDADE fundamental a todo o ser humano, na sua natureza profunda e na sua vocação».

Filomena Barata




Manuel Canelas Canelas Se me permite, Filomena, dou-lhe os parabéns pelo tópico que ora nos apresenta. 
Vejo o fio-de-prumo dentro da mesma escala cósmica da linha do horizonte e da abóbada celeste: traçados fundamentais que integram, nuclearmente, a imagem que o Homem tem do Universo geométrico (euclidiano) e de si próprio.
É certo que depois de Einstein, as noções de recta e de superfície nunca mais foram as mesmas mas, no que à verticalidade diz respeito, haveremos de reconhecer que esta subsiste intacta como valor absoluto, imune, pela sua natureza, a todo e qualquer relativismo. É um dos tais casos que não admite meio-termo: ou é ou não é; também não é por acaso que através dela chegamos à ‘gravitas’ latina, esse termo que nomeia uma das virtudes mais cultivadas pela antiga sociedade romana.
E por aqui caminhamos em direcção à gravidade. Gravidade que compartilha o mesmo significado de seriedade e importância e que Newton exponenciou para denominar as forças físicas de atracção mútua que os corpos materiais exercem uns sobre os outros, que mantêm o Cosmo unido e confere peso aos objectos. Numa visão muito própria, a linha vertical não será, exactamente, uma ligação entre o que está em baixo com o que está em cima, análise derivada da nossa posição erecta à superfície da Terra. Ela é mais uma semi-recta, pois sabe-se onde começa mas não se conhece o seu fim… Leva-nos até ao centro, mas se caminharmos no sentido oposto tenderemos para o infinito…
Oh, como me delicia falar desta coisas! Obrigado Filomena.


  • Manuel Canelas Canelas Mas que magnífica ‘anotação’, Filomena! Ubérrima em pertinência, rica e vasta nos seus argumentos, bela como uma cantata de Haendel… Embora não concordante com todas as teses em presença, aceite os meus Parabéns!
    …Não concordante porque, e no entanto -’eppur se muove’- Deixe-me dizer-lhe, trazendo à colação em réplica e emulativa provocação q.b., o quanto admiro a Torre de Pisa. Há nesta edificação uma rara mescla de beleza arquitectónica, contexto científico e densidade dialéctica que de imediato a fizeram associar às dúvidas em mim suscitadas pelas suas ilações entre o alfabeto hebreu e a ‘obra’ de Deus. Neste famoso campanário encontro exposta, transversalmente, a problemática da verticalidade quer literal quer metafóricamente, a par de uma eloquente manifestação da unidade entre o todo e o seu oposto, isto é, em suma, da condição humana.
    Aliás, faço já aqui a minha declaração de interesses na matéria, para que melhor possa ser entendido. Sem entrar no campo das religiões enquanto direito universal e legítimo dos indivíduos e dos povos, sempre direi que, se para muitos elas são o que dá sentido à vida, eu vejo-as como formas instrumentais através das quais o Homem foi encontrando explicações para o que em determinado momento lhe era desconhecido e o atemorizava, ou para criar pseudo-realidades místicas, agregadoras e imperativas de acordo com os cânones vigentes. No caso hebraico, o sucesso parece estar ligado a aspectos tão instintivamente básicos, comuns a todos os seres vivos do reino animal e vegetal, como sejam a luta pela sobrevivência, aplicando a lei do mais forte ou a sabedoria de adaptação, exemplarmente traduzida na ida de Maomé à montanha, uma vez que esta por si própria não vinha a Maomé.
    Os primeiros livros do Antigo Testamento constroem uma narrativa que beneficia directa e unicamente um determinado povo perante os demais, o que à partida os torna, no mínimo, suspeitos de imparcialidade. A partir do geral: criação do Universo, do Sol, da Terra, da separação das terras e dos mares, da criação da vida neste planeta, etc., a ‘coisa’ vai afunilando cada vez mais até aparecer um povo Eleito que Deus escolheu para seu interlocutor especial: eles. Tudo isto compagina com o paradigma histórico do’ negócio lucrativo’ judaico. Parece-me, com o devido respeito, uma encenação bem urdida mas que fala mais sobre egoísmo/chauvinismo/supremacismo do que propriamente sobre uns hipotéticos ‘desígnios’ divinos, tal como eles são descritos e sancionados pelos demiurgos de serviço. Em adenda, acrescentaria que aquele momento fundacional, pintado por Michelangelo Buonarotti no tecto da capela Sixtina, tem sido, provavelmente, interpretado ao invés. De facto e pragmaticamente, perante a História do Homem é quase inevitável concluir que o sopro da vida vem de baixo para cima…

    Mas enfim, são divagações minhas para, meu sustento, das quais não pretendo fazer escola. Como apreciador de Arte, sinto-me às vezes constrangido por pensar assim pois reconheço o papel das religiões como impulsionadoras das grandes criações artísticas da humanidade. Paciência…

    Ainda sobre a verticalidade e afins, agora numa perspectiva psico-física.
    As ideias de acima/abaixo, fundamentais para a nossa orientação, são as que ao mesmo tempo mostram uma maior instabilidade e um maior atractivo. A sua origem como dimensão heróica é fácil de entender se tivermos presente a luta de um bebé por manter-se de pé e andar ou o seu desejo de fazer-se maior. Só nos seres humanos a coluna vertebral se comporta como uma verdadeira ‘coluna’ sobre a qual assenta a cabeça, em vez de dela dependurar como nos outros animais. Mas não vejo isso como especial vantagem, também as aves que voam e os peixes que respiram pela água poderão invocar diferenças únicas.
    Acima, que na imagem corporal se refere ao que está em cima do centro do corpo (crescendo este sempre para cima), é sinónimo de esforço, fantasia e distanciamento. Assim tratamos de ‘alcançar o céu’ ao mesmo tempo que necessitamos ter ‘os pés bem assentes na terra’. Num exemplo que a Filomena deve conhecer bem, atendendo às suas raízes angolanas, há uma clara diferença entre como se expressa a dimensão vertical nos movimentos e posições dos dançarinos africanos e os bailarinos europeus: no primeiro caso os dançarinos pressionam fortemente o chão e movem-se a pouca altura, expressando o valor telúrico atribuído à terra, vista como mãe/origem. Já no segundo caso, como corresponde a uma cultura transcendental, os bailarinos elevam-se do solo tentando escapar à terra.
    O mesmo tipo de análise se poderia fazer em relação à movimentação ‘para a frente’ ou ‘para trás’, onde é possível distinguir conotações morais de virtude e firmeza no avançar, ou de conotações privadas e terrenas no que está atrás. Tudo isto releva que através do reconhecimento do corpo como universo pessoal podemos cartografar traços culturais identitários que estão, muitas vezes subliminarmente, na base dos padrões que estruturam as nossas sensibilidades/personalidades.

    E por aqui me fico, que longa vai a tertúlia. Mais tarde voltarei para o desafio numérico e falar sobre a fabulosa proporção divina, o número de ouro, a secção áurea…

    Cumps

    há 19 horas ·  · 1

  • Beatriz Montoito Slikha Filomena. Eu poderia escrever da vida, da manifestação dela nos 3 reinos, dos elementos, da força e da manifestação divina do D'us de Abrão, de Isac e de Jacó. Do positivo e do negativo, do lado direito e do lado esquerdo do homem, dos quatro elementos. Dos planos, da estrela de David, da cruz, dos 36 degraus da escada de Jacó, eu poderia ainda. Abstrato, concreto, representação, alegoria, aspectos e princípios do feminino e masculino, negativo e positivo de D'us. Formas, números, verticalidade e eternidade. Torá. Ain, Ain Soph, Ain Soph Aur, e Keter. Mas por hora prefiro silenciar e não aceitar o desafio, a provocação. Ainda bebo da fonte, e uma “vida” é pouco para o entendimento e, assim adentrar no “pomar” (pardês), pois em Pshat há o sagrado, em Remez o insinuado, em Drush o significado e em Sod o segredo. O vale é longo e as montanhas altas na guimátria.
    Shalom. Layla tov.


segunda-feira, maio 21

sexta-feira, maio 18

Os meus 55 anos: obrigada a todos.

Há dias especiais para todos nós, e porque eles também vivem do carinho que nos manifestam, esta é a minha forma de poder agradecer a todos, de que me recordarei sempre, repetindo-me. Já arrumei memórias, tantas e tantas mais. Já pari e, por isso, plantei uma árvore feita de esperança. Já chorei insónias longas, mas também muito sorri. Fiz os livros que ditam os mandamentos, tentando dar sentido às palavras que se foram cozendo entre si. Já passeei por jardins de luz, por entre silêncios e multidões. Já vi morrer e matar, guerras da vida que nem sempre são as naturais e tenho no peito uma rosa que não me deixa desistir. Enterrei mortos meus, cerrando as portas à descrença, e esqueci dores, transformando-as em lembranças, aprendendo a dizer-lhes até sempre, até já Já viajei, dentro e fora de mim sonhando prazeres que nem sempre encontrei. E, contudo, cruzei montes, vales e oceanos daqui e dali, julgando que os ia poder abraçar. Já tive amores e desamores mas crente sou ainda que o último é sempre o maior. Sei que o será. Já fui rica e pobre; fiz contas de somar e diminuir, saldando as que havia a pagar, cigarro aceso noite fora, sem saber como o ia fazer, Já avaliei e fui avaliada, testes mais não poderia haver, porque poucos humanos os conseguiriam passar. Já me preparei para morrer, encomendando aos Céus os testemunhos meus. Por isso, por isso e tudo o mais, agora quero e sem medo o direito a viver! E viverei sem esperar a licença de ninguém, porque não a pedirei, pois seguirei caminho, cruzando os mares da minha fé


 
Sei que tamb'em estiveste à tua forma!

Se lapsos houve devem-se a facto de não ter conseguido copiar, esperando que me perdoem as omissões.


Beatriz Montoito
Daqui algumas horas é 18 e, portanto 9 onde todos os números se resolvem pois, depois dele o 10, a volta a unidade. O número é sintético e minha mensagem de parabéns pode parecer sem calor humano, sem beleza, porém não é fato. Que a tua volta a unidade, esse novo caminho a trilhar, o construas em conjunto com o universo, te trazendo LUZ, ENTENDIMENTO, SAÚDE, PROSPERIDADE. Vida longa Filomena.
PARABÉNS A VOCÊ (versão especial de 44 quadras... para adormecer!)
Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas Felicidades
Muitos anos de vida!!!

Hoje é dia de festa
Cantam as nossas almas
Para a menina/menino (nome)
Uma salva de palmas!!

Parabéns a você
Pelos anos que faz
Vá contando até cem
Para ver se é capaz!!

Hoje é dia de bolos
Para toda a cambada
Não se esqueça de pô-los
Numa mesa enfeitada!!

Parabéns a você
Neste dia festivo
Queremos vir cá "pró" ano
Pelo mesmo motivo!!

Hoje é dia de festejo
Apague as velas com força
E exprima um desejo
Há-de haver quem o/a oiça!!!

Parabéns a você
Já basta de cantar
Vamos todos "prá" mesa
Vamos todos "papar"!!

Hoje é dia de prendas
Espere um pouco e verá
"Pró"/"prá" Menino/menina (nome)
Boas coisas haverá!!

Parabéns a você
Neste dia aprazado
Veja lá se consegue
Que seja bem passado!!

Hoje é dia de farra
E por isso cantamos
Veja lá se agarra
Tudo o qu'nós lhe damos!!

Parabéns a você
Neste dia qu'existe
Vamos lá a sorrir
Não qu'remos ninguém triste!!

Hoje é dia bem cheio
Nele cabe um ano
Vamos dar-te/lhe de permeio
Um abraço muito humano!!

Parabéns a você
Neste dia especial
Não se repete muito
É periódico, anual!!

Hoje é dia d'alegria
vamos lá aproveitá-lo
Cantemos todo o dia
E p'la noite prolengá-lo!!

Parebéns a você
Neste dia sem par
Conte/a lá as velinhas
Até ao fim sem parar!!!

Hoje é dia de estalo
Não é um dia normal
Não há melhor "pra" passá-lo
Que uma festa, afinal...

Parabéns a você
Neste dia amado
"Pró"/"prá" menino/menina (nome)
Canta tudo afinado!!!

Hoje é dia dif''rente
É uma data incrível
Não se esqueça da gente
Até "pró" ano, se possível!!

Parabéns a você
que bem os merece
Coma lá um bolinho
E o resto, se lh'apetece!!

Hoje é dia feliz
Não há tristeza qu'entre
volte a ser um/uma petiz
Não só hoje, mas sempre!!

Parabéns a você
Eis o nosso desejo
Para a todos saudar
Não perca este ensejo!!!!!

Hoje é dia de truz
Não esteja assim parado/a
Não hesite, fala luz
Se se sentiu bem mimado/a!!

Parabéns a você
Para si, é o que queira
Barcos, casas, aventuras
E mesmo a terra inteira!!

Hoje é data festiva
Por um pouco, no seu mundo
Esqueça a rotina cativa
E viva um dia fecundo!!

Parabéns a você
Vamos lá a comer
Em sua homenagem
Também vamos beber!!

Hoje é dia de lazer
Não faça nada difícil
Pense só no prazer
Tido é primaveril!!

Parabéns a você
Dê vivas a todos
Afine a voz e cante
Espalhe alegria a rodos!!

Hoje é data marcada
Veja o seu calendário
É festa assinalada
É o seu aniversário!!

Parabéns a você
Neste dia que reluz
Não fuja, venha cá
Não s'arme em avestruz!!

Hoje é dia marado
Esqueça-se do juízo
E venha cantar o fado
Faço um louco improviso!!

Parabéns a você
Numa data bem viva
Mande "à fava" o trabalho
E as chatices qu'ele motiva!!
(ou "E até o diabo do IVA"!!: para a prima Rosa)

Hoje goza-se à brava
Dão-se coisas de pasmar
Dê-nos a sua palavre
De que só vale brincar!!

Parabéns a você
Estamos todos a rir
Faço o pino na mesa
Nós o faremos a seguir!!

Hoje o dia é noite
E a noite é dia
Não hav'rá quem pernoite
Daqui até à Anadia!!
("Daqui até à Curia!!", para quem seja de Anadia)

Parabéns a você
Estamos nóa a dizer-lhe
Venha cá confessar-se
P'ra que possamos valer-lhe!!!

Hoje é dia confuso
Tudo fica excitado
Rode como um marujo
E fique assim enroscado!!

Parabéns a você
Não me venha com fitas
Dê pulinhos no tecto
E faça caretas bonitas!!

Hoje não há limites
Mergulhe o dedo na água
Mesmo que se constipe
Não há razão para mágoa!!

Parabéns a você
Divirta-se, é só querer
Se quiser, dê piruetas
Ou desare a correr!!

Hoje não há uma lógica
Na ação, no pensamento
Há razão cronológica
Para asneiras, um cento!!

Parabéns a você
Nós estamos consigo
Ponha os ombros nas coxas
E os pés no umbigo!!!!!!!!!!!!!!!

Hoje é só maluqueira
Dê um grito bem forte
Continua a brincadeira
Seja a Sul, seja a Norte!!

Parabéns a você
Vá dizendo, sem enfado
Mesmo sem qualquer ordem
Tudo de que tem gostado!!

Hoje já foi repetido
Demasiadas vezes p'ra mim
Vamos ficar por aqui
Chega a Canção ao fim!!!

Carlos Eduardo da Cruz Luna/Estremoz, 24-Junho-2011

segunda-feira, maio 14

Testemunho (reeditado)



À minha filha.
Ao meu companheiro de longas viagens ...


Este blogue foi concebido como uma espécie de «diário de bordo» de experiências, sentidos e emoções.
Pretendia, quando o imaginei, fazer como que apontamentos das minhas vivências ou das minhas “geografias afectivas”.
Fixar imagens de sítios ou lugares, de sensações, onde parecia residir o equilíbrio do “território” que é o meu.
Pretendia ainda, não o escondo, com ele dar testemunho dos meus dias, partilhando com quem o lesse, mas, particularmente, com as pessoas a quem o dediquei, a minha filha, o amor e os amigos que me acompanharam estes anos, as histórias que os meus dias atravessam: sem medos, sem pavor das palavras e do testemunho, mesmo quando me assaltavam dúvidas e a angústia de não saber afinal como se tece o equilíbrio da vida.

Porque se desconhece o segredo dessa fina rede ou malha que torna os Humanos mais felizes, num tempo e num lugar.
Tentar partilhar também um pouco do equilíbrio inexplicável que parece residir em alguns lugares que, teimosamente, continuam a querer fugir a todas as dúvidas ou a todas as certezas que sobre eles se semeiam, tão alheios que se mostram estar de todas as nossas reflexões.











E aprender com esta partilha que os Sítios, as Coisas também têm tempo, desgastam-se, consomem-se, findam-se, levando com eles as estórias desvendadas ou eternamente encobertas, se não as soubermos escrever e contar.
Não podemos fugir sempre a esse Tempo, mascarando-o de uma possível Eternidade, plastificando-o até ao limite, como se tratasse do Retrato de Dorien Grey.
Porque a morte tudo espreita, tudo acaba por consumir, desvastar.
Havia, portanto, que partilhar, escrevendo!




















Foi, também, minha intenção testemunhar uma busca, um olhar, como que uma reportagem fotográfica, mostrando os múltiplos caminhos que tantas vezes atravessei, no encalço de um lugar pré-determinado, tentando ouvir as suas vozes, os seus silêncios, ou os seus mistérios.
Assinalando presenças físicas e emocionais, actuais ou passadas, e as marcas que deixaram no território, na paisagem; no corpo e na alma.
Buscando assim a Eternidade que mais não é do que uma procura, uma projecção, solitária e pessoal.

Porque espero, a curto prazo, mudar o figurino deste blogue, venho assim, como num manifesto, dizer que teria feito outro igual; mas está na altura de mudar e o transformar!

E há coisas que não se podem adiar.






















É uma despedida?

Não, porque nunca nos despedimos do que e de quem soubemos amar ...







Desenho: Um presente da Marta Wengrowius


Não tarda Lisboa está em festa ...




domingo, maio 13

À Bettips, pela palavra escrita, como construtora de História (reed. de 2008)


Algumas reflexões sobre «Património» (I de III) -

«Às vezes, como náufragos, precisamos de nos agarrar a uma reminiscência banal, para evitarmos que tudo se dissolva
na falsa enunciação da memória, na sua trágica encenação
de efeitos sem correspondência com a realidade».

António Mega Ferreira, Amor, Lisboa, 2002.



dos mecanismos da memória...

Se para os Humanos enquanto vivos a Ciência foi felizmente criando mil e uma soluções que contribuem para um melhor-estar físico ou psicológico, já para a comunidade médica se torna tão melindrosa a questão da eutanásia, ou seja o momento exacto em que se decide pela vida ou pela morte de alguém, mesmo que da vida apenas já exista um sopro.
A delicadeza sobre a decisão da morte de alguém, sobre essa intervenção irreversível/definitiva, é tão grande que, metaforicamente podemos dizer, estamos a colocar nas mãos dos Humanos uma capacidade que só aos Deuses e ao «destino» deveria caber: porque com a morte física sucumbe o gesto e a palavra que se proferiu, ou não, no momento exacto, e ainda porque com a morte física tememos o esquecimento e a não acessibilidade ao Eterno.
Ora se bem que acarretando com a mágoa da morte de alguém, do seu desaparecimento e dos momentos que se partilharam juntos, o indivíduo, ou a comunidade que lhe era próxima podem criar mecanismos ou rituais de recordação, já ao tratarmos memórias mais alargadas o processo é bem mais multifacetado.
Ou seja, se para a preservação das memórias individuais temos ainda uma certa tranquilidade, pois remetem a um processo em que a cada um cabe escolher, ou ter a capacidade de o fazer, sendo a triagem do se quer e se pode guardar, sacralizar ou esquecer, um caminho pessoal, no qual o indivíduo se socorre dos «auxiliares de memória» materiais ou imateriais próprios, quando equacionamos a preservação dos bens colectivos a decisão é mais complexa, até porque é exactamente de âmbito «comunitário».
Para além dos factores que se prendem com as memórias de um local, ou da relação íntima que se estabelece com algo ou alguém a que nos habituámos - será que não é também isso que enforma a História? - os aspectos simbólicos ou emblemáticos que a eles estão associados deverão, portanto, ser avaliados.



da memória colectiva...

A própria eleição do que é um bem cultural e a afinidade que com eles sente uma determinada comunidade, ao ponto de não o querer perder, é já por si difícil de caracterizar. O uso que se faz com esse bem, como se manipula, se utiliza ou se preserva coloca, portanto, questões de uma complexidade acrescida.
Exactamente porque muitas das decisões sobre a morte física de alguns bens culturais implicam alterações no espaço, nas simbologias e nas sociabilidades, cujos contornos nem sempre são previamente avaliados; e ainda porque, em contrapartida, muitas das conclusões sobre a preservação das memórias colectivas acabam por ser casuísticas e aleatórias, até porque perdidas estão muitas das necessidades ancestrais de marcação física e simbólica do território ou da sua georeferenciação, exige-se cada vez mais uma reflexão sobre o que, como e porquê, conservamos. Isto porque não podemos querer conservar ou reabilitar apenas cenários ou simulacros de antigas vivências, se perdidas forem todas as outras necessidades socio-culturais e afectivas a que davam resposta.
Porque afinal, em última instância, o «Património» não existe como entidade objectiva, ausente da memória.
Se tivermos em atenção que ao fenómeno de democratização das sociedades correspondeu uma certa perda de ideologia e da respectiva representação historicizante ou monumentalizante das comunidades e do poder que as representa ou subjuga, perda essa que já não permite responder com modelos tão deterministas à necessidade de projecções simbólicas, mais questões se nos levantam sobre a função da História e da preservação dos seus vestígios físicos ou imateriais.
Até porque a esse mesmo processo de democratização e de complexificação social que ela implica corresponde também uma proliferação de símbolos e de formas de representação do poder e do querer e um esbatimento do valor intrínseco de alguns emblemas historicizantes.


(F.B. in Revista de Estudos, IPPAR)

Parabéns Carlos, o nosso Amadis de Gaula

 






Lindo, o nosso Carlos, o nosso Amadis.
Porque consegue conviver com uma casa de cinco mulheres, mas onde já foram mais!
Ensinando Literatura Medieval, aprendendo ... e, principalmente, mimando muito.
Parabéns para ti.
Que a Senhora te tenha sido, de facto, Mãe!
E tu, sempre, o nosso cavaleiro.

quinta-feira, maio 10

Sim, em minha casa cabe outra flor

Encontrar a Vida, para além de tudo! Pensei certa manhã: por muito que vivas, já não viverás tanto como os anos que tens. Logo, tens que te preparar para morrer. Morri nesse dia. Mas morri para saber finalmente viver.

quarta-feira, maio 9

Não, hoje outra flor não haverá que não seja uma rosa (reed de 26.03.09.)














perdermo-nos assim na escuridão

acordar de repente

encontrar rostos belos e radiosos
e a mais bela rosa recordando que pode haver perfeição.
ET: Lembrei-me ainda de quem um dia tão bem escolheu o nome de uma colectânea de poesia e lhe chamou «A Rosa do Mundo».


O silêncio é uma rosa






e nela quero agora descansar ...

quarta-feira, maio 2

quarta-feira, abril 18

de todas as coisas



ficarão sempre as histórias que temos para contar
Posted by Picasa

Será que o Alentejo é como o resto de Portugal? (reeditado de 8 Julho de 2008)

E.T.: pensei, recuei, vacilei, porque não sabia se estas questões eram próprias de um blogue.
Mas acabei por decidir, sim, são estas e todas as demais, porque somos tanto feitos disto como de tudo o resto a que, commumente, chamam o "próprio", desafectado, desanexado do que de nós tem de mais emocional.
Queria deixar mesmo claro que a história que contei é uma história real, de uma amiga cujo nome não poderei referir. A minha amiga D a quem mando um abraço enorme, pois, infelizmente, as histórias repetem-se ao contrário do que dizem alguns e, desculpem-me a brejeirice, "quem se lixa é o mexilhão".
Mas repito, histórias destas de maridos dúplices, mentindo anos e anos a fio, continuando assim, até sabe-se lá quando, a tudo querer e pouco ou nada dar, que ainda por cima pactuam com o insulto ou a admoestação que esposas e familiares se dignam fazer às pessoas que eles dizem amar, tem um nome só: PORCARIA! Porque, mesmo dizendo que não, com ela estão todos a conciliar, pois não é possível querer e admitir, ao mesmo tempo, quase como num processo de esquizofrenia, que o que se deseja e quer seja mal tratado ou ultrajado.

E, lamento, situações dessas há que denunciar, como há que chamar pelos nomes todas as outras em que não se é capaz de ser vertical, usando as palavras de B. no comentário que aqui deixou.
Em casa começa a cidadania e o respeito pelos outros, ou não é?
E quem quiser enfiar a carapuça que a enfie, que eu cá não deixarei de chamar as coisas pelos seus nomes, venha a ter com isso as consequências que tiver que ter. Porque quem não deve não teme, e quem a verdade não aguenta, também não vale a pena considerar. É passar à frente, salgando a soleira da porta para não entrar. Desejando boa viagem a quem tem que partir, levando consigo as cobardias, longas mentiras e fingimentos dentro do saco.
Porque se alguma coisa estou certa é que situações assim uma PORCARIA são!

 
Ontem à noite, depois de ter passado um dia sereno, grande parte dele em casa ou em casa de familiares, comecei a ficar confusa com alguns sinais.

Tinha recebido sexta-feira, melhor, já na madrugada de Sábado, pelas 4 da manhã, uma chamada telefónica do meu célebre amigo João mais que Tudo.

Como nesse dia tinha passado quatro horas num hospital, a propósito de um acidente com que o dia me brindou, e só não fui desta para melhor porque os anjos estavam por perto (calculem a ironia que mesmo a seguir a ter desligado o telefone, quando estava também a tentar perceber, à hora do almoço, o que me queria dizer o meu amigo João mais que Tudo), claro está que, de madrugada, estava a dormir profundamente com um belo e conveniente Lexotan que o médico achou por bem recomendar, para ver se o descanso finalmente me visitava.

Assim, não retive metade do que me disse o meu amigo João: apenas qualquer coisa como, não vou ficar, afinal sempre vou regressar a Portugal ... mas, como digo, estava um pouco em transe, para ter entendido bem tudo o resto, nomeadamente em que aeroporto ia aterrar.

Sábado, passei-o entre amigos e pouco me consegui lembrar do teor do telefonema da madrugada.

Mas ontem, porque tinha encontrado, na sardinhada a que fui, a amiga do meu amigo João, comecei a lembrar-me, ao retardador, das palavras que, na madrugada, tinham ficado no ar.

Resolvi telefonar para Évora, para uma amiga que lá tenho e perguntar: "desculpa D., mas recebi um estranho telefonema do amigo que sabes, não estava em condições para o ouvir, estava a dormir, mas tens por acaso ideia se já aterrou pelos teus lados, para lhe poder falar, pois havia qualquer coisa de emergente no telefonema que, de madrugada, me fez?"

"Não, não o vi ainda, respondeu ela, mas está descansada que, pelo que me descreveste, tão igual ao usual, e se já perdeu o sinal, provavelmente entrou naquelas fases de "despistagem ou descontaminação" que exigem nos países de maior segurança às pessoas que vão entrar nas aeronaves ou nos aviões. Por seguro já aterrou".

Eu quis acreditar que não, porque ele prometera dizer-me antes de aterrar, porque comigo precisava de estar ... mas, é um facto, as dúvidas pairavam no ar, porque, como é sabido, quem mente uma vez, mente duas ou três.

Notei que a minha amiga estava demasiado tensa para me dar atenção. Até que entrou em descompressão e começou a chorar desalmadamente.

Tinha posto finalmente na rua, há uma semana atrás, o amante com quem dormia há oito anos (posso testemunhá-lo, porque vizinhas fomos e há coisas que nos bairros não escapam a ninguém..., como também sei que não lhe foi alheia a vida que fiz enquanto lá vivi).

Imagine-se que o seu amigo, de nome P...., mas não interessa agora o nome para a ocasião, dormia com ela todas as noites, entrando por volta das 22 e saindo, sempre, como um despertador, às 8h da manhã, para ainda ter tempo de, em casa da família, se apresentar e poder dizer aos filhos que lá estava, para os acompanhar à hora da escola começar.

E, claro, assim, como bom esposo e pai de família se poder pavonear, em alturas de festa ou em ocasiões sociais.

Só que houve em Évora a Feira de S. Pedro, onde saiem à rua as famílias todas, para se divertir entre tendas, churrascos e músicas do tipo «vai ajuelhar».

Claro está que o amigo P. saiu e, como não era de estranhar, levou com ele a família, deixando a minha amiga, até à hora usual, em casa a esperar.

Foi de mão dada à esposa que, com óculos de sol maiores do que a cara, como convém para se esconder, pois inchada e altiva tem que aparentar para bem mostrar o macho que vai a passear.

Mas, desta vez, foi longe demais e andou-se mostrando também abraçado à excelsa mulher junto da tenda das rifas, onde havia conhecidos demais que se encarregaram de contar à minha amiga D. (coisas das cidades pequenas, mas que, tendo desvantagens, tantas vantagens também acabam por ter ...).

Quando às 22h chegou, pontual, também como um amante dedicado que quer aparentar, esperou-o desta vez uma recepção invulgar e, claro, saiu de rabo entre as pernas, enxovalhado e com o bairro todo a saber que porcaria daquela ela não queria mais. Bairro todo ouvindo e ele de pernas a tremer!

Disse-me a minha amiga D. ainda a chorar, «amiga, porcarias destas só as esposas iguais podem aguentar, porque, fazendo-se de santas, até parece que connosco se querem deitar, tão tolerantes são a edredons de múltiplos utilizadores. Se calhar isso até lhes dá estímulo para ainda poderem dizer: mas está aqui e é comigo que as férias e o Natal vai passar».

«PORCARIA, PORCARIA», dizia-me ela quase a gritar. «Mas quem gosta da porcaria que a guarde em família, porque assim, como diz o ditado: tudo se estraga numa casa só. Porque enquanto a esposa vai dizendo "lavado e enxaguado serve bem", ele, garboso, vai contando, com o jeito que tem para a efabulação, um dos seus trunfos mais. Fica a PORCARIA TODA IGUAL».

Acabei por desligar, esquecendo o meu amigo João, mas a pensar no que tinha acabado de ouvir.

Hoje, ao acordar, relembrei a história da minha amiga D. e das velhas estórias do meu amigo João mais que Tudo e dou-lhe toda a razão: PORCARIA CHAMA PORCARIA IGUAL. SÓ OS IGUAIS A PODEM TOLERAR!

Estupefacta fico de ainda assim se construir Portugal! Como nos havemos de admirar que em tudo haja trapaças, candongas, batotas, se nem a intimidade conseguimos construir de outra forma? Gabando-nos ainda de os outros aldrabar?

Razão tem a D., coisas assim longe da porta, é tratá-las como uma infecção.
E quanto mais depressa fizer efeito o antibiótico, melhor!

Eu cá dispenso que me saia na rifa uma coisa assim, porque nem serve para umas voltas de necessidade ou ocasião, quanto mais para amante, pois ainda o tenho como um "estatuto" que exige respeito e atenção.

Mas para prevenir já fui buscar o sal e deitá-lo à minha porta, não vá o Diabo ainda me querer testar!