segunda-feira, outubro 5

Sobre a Inquisição em Portugal (reeditado)

«Os desejos do rei e dos seus acólitos eram sinceros e desinteressados; mas o estado moral das classes directoras era tal, que a instituição apareceu podre, desde o início.

(A Inquisião) não inovou: deu, porém, corpo, unidade se sanção a processos que anteriormente se seguiam já. Tornou sistemático e constitucional o que se fazia em meios pérfidos, atacando frente a frente a humanidade, a família, o carácter ... ».

Oliveira Martins, História de Portugal


Se algum livro continua a ser actual, neste Portugal que pretende já ter atravessado o milénio, é, curiosamente, «A Causa da Decadência dos Povos Peninsulares».

O texto, oitocentista, relembra o espírito com que a Inquisição impregnou a Mãe Pátria.
A mesquinhez que, com que o facto de se estar permanentemente controlado, vigiado, ameaçado, se foi instalando nos espíritos, ao ponto de os amolecer ou mesmo putrefazer, com a agravante que esta doença social já nem ser identificada pelos seus portadores.

Pátria esta onde a demissão do fazer se substituia à do não fazer, porque a obra é sempre um insulto a quem não quer que se pense, se sinta, ou se faça. A quem quer manter o equilíbrio de um poder onde uns oravam e tinham e outros trabalhavam e serviam.

Onde o sentir, para além do cinicamente recomendável, ou de aparência inquisitorialmente controlável, é considerado objecto do "demo".

Onde a delacção sem rosto, acobardada tantas vezes na maledicência fortuita ou na grosseria sem nome, serve, hoje como ontem, imperativos de toda a ordem.

Infelizmente, esse espírito ainda se espraia neste Portugal, onde há tanta gente com pouco que fazer, ou sem vontade de fazer, com medo de fazer ..... pois assim mais tempo resta para se comentar o que os outros fazem; para se intentar destruir o que, bem ou mesmo mal, outros vão tentando construir, até porque tantas vezes vão trilhando caminhos quase desertificados.

Mas tudo tem ciclos: a vida; as coisas; as instituições. E não há nada como tentar ver neles um sinal que tudo está aí para se recomeçar.

Nada mais resta aos que querem acreditar que a Inquisição já não pode existir em Portugal do que continuar, tentando recomeçar cada dia!

Sentindo e fazendo sem receio nem pavor. Bem ou mal, mas tentando aprender.

Por isso repetirei «A República precisa (ainda muito) de nós»!


Para ver algumas iniciativas a propósito das comemorações da implantação da República
http://www.fundacao-mario-soares.pt/iniciativas/ilustra_iniciativas/2009/000716/Default.asp

sábado, outubro 3

Pascale, obrigada pelo poema (do teu comentário)

Ô temps!
Suspends ton vol, et vous, heures propices!
Suspendez votre cours :
Laissez-nous savourer les rapides délices
Des plus beaux de nos jours!
Assez de malheureux ici-bas vous implorent,
Coulez, coulez pour eux;
Prenez avec leurs jours les soins qui les dévorent,
Oubliez les heureux.
Mais je demande en vain quelques moments encore,
Le temps m’échappe et fuit;Je dis à cette nuit :
Sois plus lente; et l’auroreVa dissiper la nuit.
Aimons donc, aimons donc!
De l’heure fugitive,
Hâtons-nous, jouissons!
L’homme n’a point de port, le temps n’a point de rive;
Il coule, et nous passons

Lamartine

sexta-feira, outubro 2

O Tempo ...




Oh Tempo, diz ao tempo que contas com ele se faz ....

9x3 = 27 = 9 = 0 (É o ponto ZERO, o tempo infinito de tudo começar, pois não há princípio nem fim)!


Oh Tempo, traz finalmente o tempo de sossegar ...

A Lume, Luiza Neto Jorge


Perdida a face largada a pele
oco o osso curva a espinha
apela-se à grande concentração

São as primeiras letras
um vagido um balbucio de amor
não esperar mais escrevê-lo já
telefoná-lo
(a quanto o impulso)?

Luiza Neto Jorge, A Lume, Poemário 2009

Ainda há espaços assim ....




Em que alimentarmo-nos pode querer dizer comer, mas também dar ao tempo o seu tempo e o seu lugar!

quinta-feira, outubro 1

Ainda a minha oliveira que ganhou mesmo raízes no chão ...




"A árvore procura um coração debaixo da terra com as mãos crispadas das suas raízes".


Ramón Gómez de la Serna, Poemário 2009, Assírio e Alvim

Anoitecer



Não tarda as noites cedo vão começar ...

quarta-feira, setembro 30

O Tejo é o rio mais bonito da minha aldeia ...






Para ti a Exposição «Verdes Anos» de Ramiro Guerreiro







Sim, porque a vida é, de facto, um projecto, uma construção ...

E mais logo lhe voltarei.

Exposição: «Verdes Anos», Ramiro Guerreiro

Central Eléctrica de Lisboa

segunda-feira, setembro 28

Danças Ocultas: TARAB


No Teatro São Luiz, a 3 de Outubro, pelas 18h 30m, o lançamento do disco Tarab.








As eleições: ganhou quem tinha que ganhar



Ganhou, do meu ponto de vista, quem tinha que ganhar; o PS, mas com necessidade de ter que negociar ...

Bem sei, sei-o bem que dirão todos que o país ficará ainda mais ingovernável, mais difícil de conter na explosão de interesses que prolifera cada vez que há necessidade de negociar; dizem os pessimistas que a cada negociação corresponde uma concessão que, em países com déficit democrático, origina sempre uma pressão sobre quem governa.

Mas, felizmente, situo-me entre as que acreditam que a Democracia tende a crescer e não a esvair-se.

Ainda é o sistema em que acredito, o melhor que conheço; pelo que luto e lutarei.

Assim, por tudo isso, creio também que cada negociação não dará lugar necessariamente a um acrescido lugar de interesses pontuais, individuais ou de grupos de pressão económico-financeira, mas a um espaço de crescimento na Democracia e na capacidade de cruzar o Estado, o Governo e outras instâncias da cidadania e que esse cruzamento se faça cada vez com mais tranparência, tal como se espera que aconteça nas Democracias adultas.
Para mim, repito-o, ganhou quem tinha que ganhar.
MAS ESTAREMOS ATENTOS ENGENHEIRO SÓCRATES. SABE BEM QUE ESTAREMOS MUITO ATENTOS.

E AINDA MAIS OS QUE EM SI CONFIARAM!
PORQUE ATÉ A CONFIANÇA É PRECISO SABER MERECER ...

Toda a vida é uma construção ...

sábado, setembro 26

Bon jour matin: o fim de semana é para tratar dos Lares ....




Deixar o dia findar ...




Descansar, silenciar

há dias que só apetece calar
deixar a noite vir




quarta-feira, setembro 23

Curso Livre Mulheres, Feminismos e Média ...



A UMAR e a Câmara Municipal de Lisboa vão organizar, no próximo dia 17 de Outubro, no Palácio Galveias, ao Campo Pequeno, um curso livre sobre o tema acima referido.
Para mais informações veja:

terça-feira, setembro 22

O Museu Nacional de Arqueologia: hoje e amanhã







Hoje, no Museu de Arqueologia, lançou-se mais um número da revista Arqueólogo Português e procedeu-se ainda à apresentação da obra de José d'Encarnação Paisagens da Antiguidade, cujo título, no dizer do seu autor, é "Paisagens", porque tudo se passa num espaço habitado, que o homem à sua imagem acomodou. "Da Antiguidade", porque regressamos a tempos idos, de romanos a habitarem a Península Ibérica e, de modo especial, o território que hoje é Portugal, de norte a sul.



Parabéns ao Museu Nacional de Arqueologia aos autores e aos colaboradores.
Aproveito ainda para dar conhecimento da existência dos serviços educativos do MNA, cujo blogue de apresentação acabou por ter recentemente um prémio.

A Musa Irregular, Fernando Assis Pacheco

(...)
e passam horas
durante as que da rua
ouvindo vozes turvas
eu ficarei teimando
na claridade a todo o preço
de que me falam aves
F.A.P. in Poemário, 2009

Mas o Tagus chama ao regresso, enciumado que estava já do Guadiana, mesmo sabendo que com ele faz uma Mesopotâmia ...



segunda-feira, setembro 21