(A Inquisião) não inovou: deu, porém, corpo, unidade se sanção a processos que anteriormente se seguiam já. Tornou sistemático e constitucional o que se fazia em meios pérfidos, atacando frente a frente a humanidade, a família, o carácter ... ».
Oliveira Martins, História de Portugal
Se algum livro continua a ser actual, neste Portugal que pretende já ter atravessado o milénio, é, curiosamente, «A Causa da Decadência dos Povos Peninsulares».
O texto, oitocentista, relembra o espírito com que a Inquisição impregnou a Mãe Pátria.
A mesquinhez que, com que o facto de se estar permanentemente controlado, vigiado, ameaçado, se foi instalando nos espíritos, ao ponto de os amolecer ou mesmo putrefazer, com a agravante que esta doença social já nem ser identificada pelos seus portadores.
Pátria esta onde a demissão do fazer se substituia à do não fazer, porque a obra é sempre um insulto a quem não quer que se pense, se sinta, ou se faça. A quem quer manter o equilíbrio de um poder onde uns oravam e tinham e outros trabalhavam e serviam.
Onde o sentir, para além do cinicamente recomendável, ou de aparência inquisitorialmente controlável, é considerado objecto do "demo".
Onde a delacção sem rosto, acobardada tantas vezes na maledicência fortuita ou na grosseria sem nome, serve, hoje como ontem, imperativos de toda a ordem.
Infelizmente, esse espírito ainda se espraia neste Portugal, onde há tanta gente com pouco que fazer, ou sem vontade de fazer, com medo de fazer ..... pois assim mais tempo resta para se comentar o que os outros fazem; para se intentar destruir o que, bem ou mesmo mal, outros vão tentando construir, até porque tantas vezes vão trilhando caminhos quase desertificados.
Mas tudo tem ciclos: a vida; as coisas; as instituições. E não há nada como tentar ver neles um sinal que tudo está aí para se recomeçar.
Nada mais resta aos que querem acreditar que a Inquisição já não pode existir em Portugal do que continuar, tentando recomeçar cada dia!
Sentindo e fazendo sem receio nem pavor. Bem ou mal, mas tentando aprender.
Por isso repetirei «A República precisa (ainda muito) de nós»!
Para ver algumas iniciativas a propósito das comemorações da implantação da República
http://www.fundacao-mario-soares.pt/iniciativas/ilustra_iniciativas/2009/000716/Default.asp





















