sábado, setembro 19

Se puder rumar ao Alentejo, vá a Alvalade, Santiago do Cacém



Vá ouvir falar de «Alvalade Medieval», a 18, 19,20 e 23, pela altura da Comemoração dos 499 anos do Foral Manuelino.

E veja a exposição de Arqueologia «Alvalade no Tempo», na Igreja da Misericórdia.

A todos o meu enorme abraço.

Em data a confirmar, será feito o lançamento do livro de Gentil Cesário «1808, Santiago do Cacém e a 1ª Invasão Francesa».

Para mais informações, ver: http://alvalademedieval.no.sapo.pt/

sexta-feira, setembro 18

Vamos rever o Vale do Sado? Comecemos pela Misericórdia de Alvalade











Lembrar os caminhos de Santiago?

Ou ver o que em Alvalade ainda nos lembra o território do Espatários?

Vamos ver, sim, o que o Sado tem para nos contar.
Na Misericórdia de Alvalade, no próximo dia 19 de Setembro, inaugura-se a exposição dedicada à ocupação humana do território.

Alvalade do Sado: o meu testemunho II (actualizado)


À minha filha.

Rumei a Alvalade do Sado, onde não ia há uns tempos.
Fui a convite da Junta de Freguesia que, em parceria com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém, organizou, em boa hora, uma exposição sobre a ocupação do território ao longo dos tempos, utilizando para o efeito a Igreja da Misericórdia, datada do século XVI, onde promoveu escavações arqueológicas e trabalhos de recuperação.


Mal acabada de chegar, parei o carro junto do Sado, essa "estrada fluvial" que foi veículo fundamental de trocas, até data recente, e que, alagando a terra, a fertiliza, permitindo que a água e a terra fossem, efectivamente, os grandes motivos de fixação das gentes.

Do Mesolítico existem vestígios, que nos remetem a essa relação mais estreita com o rio, onde as populações vão buscar os seus recursos alimentares, e, a partir das sociedades nómadas e agrícolas do Neolítico, mós e enxós falam-nos de uma terra que cedo domesticada, até aos nossos dias, com a presença dos grandes arrozais e consequente desenvolvimento das grandes obras hidráulicas para o regadio, efectuadas no século XX, fazem, sem dúvida a razão de ser das fixação das pessoas.

O rio, esse Sado, continuava a banhar a terra e a ser escoadouro dos seus produtos.

A presença romana marcou fortemente esta região e os vestígios de inúmeras uillae comprovam a sua vitalidade agrícola. Uma ponte de provável origem latina marcava as saídas do aglomerado urbano, apontando caminhos que bifurcavam para os lados de Aljustrel, onde as minas eram o grande recurso e também para o litoral.
Da presença árabe lhe ficou certamente o nome.
Pertenceu à Ordem de Santiago de Espada que na Matriz ainda conserva as insígnias.
Ao tempo de D. Manuel recebeu "Foral Novo", em 1510, tendo-se erguido pelourinho que lhe conferia a autonomia concelhia finalmente perdida, no século XIX, a favor de Santiago do Cacém.

Por isso ainda se veio a denominar a Praça D. Manuel o que ainda é o centro da vila.
Ao que consta D. Miguel terá passado a sua última noite, antes de partir para o exílio, em Alvalade do Sado, tendo, contudo, a vila passado por fases diferenciadas de apoio quer aos Liberais, quer aos Absolutistas, como ainda se pode comprovar na sua toponímia.

Mas o que me fez parar não foi isso. ... isso será para outra fase, num outro espaço.

O que me fez parar foi as recordações que para mim tem aquele lugar.
Respirei fundo e pensei: sim, a vida traz-nos sempre aos mesmos lugares, com a vantagem de os conseguirmos ver com outro olhar.
Hoje, quando cheguei a Alvalade, parei de novo e pensei: "se aqui sobrevivi e ainda tanto aprendi, porque não o farei agora e ainda muito melhor?".

Entrei no carro e fui-me encontar com caras familiares, de há vinte anos, e sorri de ter a sorte de com elas ir (re)conhecer o que ali aprendi.
Fui também ver as escavações que o Rui Fragoso coordenou na Igreja da Misericórdia de Alvalade do Sado que amanhã poderão ser visitadas pelo público, bem como painéis de exposição e textos que havia que reler.

E aqui deixo o testemunho de há 20 anos atrás:






Cantem moças, cantem moças
Nesta linda sociedade
Qu'é para quem passar dizer
Viva as moças d'Alvalade


Santa Luzia dos Olhos
São Martinho dos mancebos
E Panóias bizarria
Garvão é terra de negros
Messejana, gravidade
Para falar com cortesia
Barrigotos de Alvalade

Após uma viagem sem atribulações, cheguei um dia a Alvalade (do Sado), em 1990, depois de ter tido conhecimento que aí tinha sido colocada na condição de estagiária, na Escola C+S, curiosamente no dia da inauguração de uma pequena exposição interpretativa que nos havíamos proposto fazer na Capela de S. Brás, em Miróbriga.
Já havia estado em Alvalade, durante as campanhas de trabalhos preparatórios a essa exposição, e, confesso, pouco me haver entusiasmado a vila, pelo que jamais me ocorreria aí vir a viver, pois a um estágio tinha apenas concorrido para o concelho de Santiago do Cacém, pela proximidade das ruínas de Miróbriga.

Lembro-me de ter chegado a Alvalade de comboio apanhado no Barreiro, após travessia do Tejo, tendo por companhia, para o mergulhar da noite, já em pleno Alentejo, o meu leitor de cassetes com headphones.
Para trás ficavam os amigos e familiares que, em fins de tarde domingueiros, a casa iam recolher.
Mas, não ficavam só os amigos, os hábitos, as minhas "geografias afectivas", mas também o trabalho que gostava de fazer, porque a outra tarefa havia que me dedicar, pois não podia correr o risco de perder o vínculo à Educação de onde me encontrava afastada por destacamento.

Recordo as primeiras chuvas do Outono, sair num apeadeiro mal iluminado; parar e recomeçar de novo a caminhar com os sacos de viagem na mão, num percurso onde apenas pontuava a luz da fábrica de descasque de arroz e, alguns dias, confesso-o, quase nem sabia se o que me corria no rosto eram lágrimas ou as bátegas que mo fustigavam.

Julgo ter sentido na pele, nos primeiros tempos, a sensação que deve ter tido o Padre Jorge Oliveira, quando para Alvalade foi morar, pois para mim representou, nessa fase inicial, como que um sítio de "degredo", onde apesar de já não grassar o paludismo, ainda se podiam refugiar mal amados (ou mal "comportados") da antiga corte ou da urbe actual.

E assim assentou arraiais em Alvalade uma urbana convicta, pese as inúmeras e cíclicas incursões de trabalho no Alentejo, mas que apenas duravam temporadas.

Lembro-me depois que poisava sacos e malas em casa, já noite feita nas ruas do aglomerado.
E, por chegar a horas tardias, quantas vezes imaginava poder comer num sítio qualquer. Mas em vão procurava um restaurante. Apenas uma pequena tasca, nas imediações de minha casa, vendia umas bifanas para quem chegava a desoras.



Lembro-me ainda da sensação de lá entrar ... era a única mulher!

Homens, apenas vultos de homens apinhando o espaço, olhares intrigados por ver entrar aquele ser estranho, ainda por cima mulher.

Recordo esse frio, a somar ao frio de ter conseguido ali finalmente chegar. Mas nunca desisti de lá ir. Sempre que me apeteceu, ou a necessidade o exigia.

Como não desisti de conhecer o sítio onde estava e que, devagar, devagar, me foi dando a conhecer os segredos que o Sado construiu ao longo dos séculos, nem de olhar com atenção os telhados cobertos de gelo com que acordava nas manhãs de Inverno.

Hoje aqui, reencontro outro sítio e encontro os amigos que me ajudaram a conhecer um outro local, tão diferente se demonstrou do das primeiras impressões.


Mas, para que assim fosse, houve que desbravar o tempo e o espaço naquele sítio, em seu redor.
Houve que marcar as horas, cerrando as portas a tudo o que fosse desperdício de tempo, pois havia um estágio a fazer; um trabalho a desenvolver e um Clube Europeu de Arqueologia para implementar na escola, para que não se esbatesse da memória dos alunos a memória do seu lugar.

Aí colectámos peças arqueológicas de vários lugares: da casa do Povo que, de boa fé, os cedeu; de particulares e outros, avulsos, encontrados em visitas efectuadas a sítios deixados ao abandono.
Aí catalogámos e marcámos pequeninas peças, tentando ensinar e aprender que cada uma delas tem uma história para contar.
Aí organizámos conferências, falando de Egípcios, de Romanos e da Conquista Cristã.

Em Alvalade descobri que a ponte não era senão a passagem para outros lugares. E reforcei a ideia que resistir, continuar é o sítio de quem não quer parar.

E, porque a vida se encarrega de tudo nos fazer reencontrar: as coisas e as pessoas que aprendemos a amar, abrindo e fechando círculos, melhor, abrindo-se em espiral com os anos carregados do que nos fiz viver e aprender, só posso manifestar aqui e agora a minha alegria ao saber que a história do Sado e do território que ele banhou de uma forma mais aprofundada irá ser contada, em Setembro, na Misericórdia de Alvalade.

À Mariana.

Ao José Matias, à Fernanda Vale; ao Gentil Cesário; ao Rui Fragoso, meus colegas de mais esta "jornada".

quarta-feira, setembro 16

Para cada porta fechada, um postigo se abrirá ...

Se há uma nuvem que passa
Passa uma sombra também.
Ninguém diz que é desgraça
Não ter o que não se tem.
Fernando Pessoa, Quadras Populares

terça-feira, setembro 15

Fumar um cigarro ... e aprender a ver os sinais


Deixar a noite cair.
Pensar que por muito supreendente que a vida possa ser
de todas as coisas há algo a aprender!
E ficará sempre mais uma, a acrescer a outra.
Em que melhor ficámos a aprender os sinais
dos que tudo prometem, sabendo que não estão em condições de o dar.
(Mas que fiquem, pelo menos, os cigarros partilhados ...)

segunda-feira, setembro 14

Poesia, Ricardo Reis


O que sentimos, não o que é sentido,
É o que temos. Claro, o inverno estreita.
Como à sorte o acolhamos.
Haja inverno na terra, não na mente,
E amor a amor, livro a livro, amemos
Nossa lareira breve.


Ricardo Reis, in Poemário, 2009

domingo, setembro 13

Esta Lisboa: este Tejo









Há horas para o silêncio. Basta o olhar ...

sábado, setembro 12

ADN: Vertico (em ensaios no Braço de Prata)



I like you, and I'd like you to like me to like you

But I don't need you, don't need you to need me to like you

Because if you didn't like me,

I would still like you, you see

I lick you, and I'd like you to like me to lick you

But I don't need you, don't need you to like me to lick you

If your pleasure turned into pain,

I would still lick for my personal gain la lala... la lala...

I fuck you, and I'd like you to like me to fuck you

But I don't fucking need you, don't need you to need me to fuck you

If you need me to need you to fuck, that fucks everything up la lala... la lala...

I want you, and I want you to want me to want you

But I don't need you, don't need you to need me to need you

That's just me, so take me or leave me

But please don't need me, don't need me to need you to need me

Because we're here a minute, the next we're dead

So love me or leave me but try not to need me

Enough said.

I want you, but I don't need you...

I love you, and I love how you love how

I love you But I don't need you, don't need you to need me to love you

If your love changed into hate, would my love had been a mistake?

I don't know. I don't know.

So I'm gunna leave you,

I'd like you to leave me to leave you

But love, believe me; it isn't because I don't need you (You know I don't need you)

All I wanted was to be wanted

But you're drowning me deep in your need to be neededla lala... la lala

I want you, and I want you to want me to want you

But I don't need you, don't need you to need me to lead you

That's just me, so take me or leave me

But please don't need me, don't need me to need you to need me

Because we're here a minute, the next we're dead

So love me or leave me but try not to need me Enough said.

I want you, but I don't need you.

Amanda Palmer, I want you, but I don't need you (Kurtwiel)

sexta-feira, setembro 11

Na Galeria Reverso, On the other hand, exposição de ourivesaria contemporânea

Olá Dulce, vou tentar ir ...


No dia 11 de Setembro, pelas 19h.

ON THE OTHER HAND inicia o programa de actividades comemorativas do 5º aniversário da PIN - Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea.
Resultante de um desafio lançado a todos os associados da PIN, sobre o tema Cinco Dedos Uma Mão, a exposição reúne peças de 12 artistas nacionais seleccionados pela Reverso e a Umbigo de entre 25 concorrentes.
Como artistas convidados figuram o joalheiro catalão Marc Monzó e os artistas plásticos Rui Effe e Carla Gaspar / Filipe Rego (Cíclope ), bem como Tereza Seabra e Filomeno, sócios honorários da PIN.


Informação obtida a partir de http://www.reversodasbernardas.com/

quinta-feira, setembro 10

A Joana Bagulho

Divino é o que tocas ...
Mas divina estás tu aqui.

Fotografia a partir de Facebook de Sérgio Claro / imagereporter

Na FNAC em Lisboa


Pese as minhas reservas relativamente ao título da obra, confesso-o, divulgo o lançamento do livro, inspirado, segundo a sua autora, "nas lições de 25 mulheres que gerem empresas em Portugal", por considerar o tema em análise do maior interesse.

É no dia 14 Set, pelas 19h, na Fnac do Chiado.

Se puder, pense em ir passar o fim de semana ao Baixo Alentejo; se não puder vá visitar hoje o Palácio do Beau Séjour





Vá a Beja, para ver a exposição que inaugura na Rua de Sembrano, amanhã pelas 18h 30m.

Ande um pouco mais, vá ao Pulo do Lobo, depois até Mértola.


Continue até Serpa no Sébado, vá beber uma imperial no Lebrinha, como não há nenhuma em território nacional, deixe-se estar a dormir a sesta e, pela fresca, vá até ao Espaço VOL - Vemos, Ouvimos & Lemos -, que fecha o Verão com diferentes apresentações de livros, e que no Sábado tem o lançamento do novo livro do escritor e ensaísta João Mário Caldeira: "Discurso do Sol". Poderá ainda ouvir o cantautor Fernando Pardal.

E, principalmente, mais do que tudo. aproveite para ver quão extraordinários são estes lugares.

http://mirobrigaeoalentejo.blogspot.com/


Mas se não puder, e gostar de conhecer melhor Lisboa, aproveite já hoje a tarde e vá ao lançamento do livro «A Casa dos Azulejos de Cascais ....» que será lançado, no Palácio do Beau Séjour, na Estrada de Benfica, 368, Lisboa, com a apresentação de Raquel Henriques da Silva, pelas 18h 30m.

Esta Lisboa do Tejo: Santa Catarina



"Ali, mesmo ao lado de Santa Catarina, onde o olhar avista o rio e a "outra-banda" lavando-se em lágrimas de prazer fica o Calhariz, arrabalde que era na época medieval, fora da cintura amuralhada fernandina, onde a partir do século XVII se vão instalando palácios e igrejas".

Hoje o céu estava mais azul, passada a tormenta que acordou Lisboa pela manhã.

quarta-feira, setembro 9

Trovoada




Começou a manhã com o céu a rebentar ... zangaram-se as nuvens
ou será que os deuses resolveram acordar?
que terão sonhado eles pois está tão atribulado o despertar???




Sim, hoje há manchas pintadas no céu. Mas rapidamente o dia as limpará.

Debandada


Mesmo quando as aves levantam voo
Em ondas de grande debandada
Eu nada vejo, fico cega
Apanhada como estou e ausente
Dois corações obedientes no seu bater
A minha vida ligada à tua
A tua beleza o elo.

Poemas de Amor do Antigo Egipto

IGESPAR IP | APRESENTAÇÃO

IGESPAR IP APRESENTAÇÃO

terça-feira, setembro 8

Conheça um pouco o Palácio da Ajuda: o Ministério da Cultura tem novo Portal e o IGESPAR um novo site



O novo portal do Ministério da Cultura foi hoje apresentado pelo Senhor Ministro da Cultura, na sala D. Carlos do Palácio Nacional da Ajuda.

Aproveito assim para dar a conhecer um pouco dos seus espaços, relembrando que, quer a Biblioteca da Ajuda, quer o Museu valem a pena ser conhecidos e visitados.