La Shica

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Rachmaninoff para começar a semana

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Thelonius Monk

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Sexta-feira, Julho 31

E pense nas coisas boas que pode viver ou recordar ...


mar


Dame el mazal e estchame a la mar

Dá-me a felicidade e atira-me ao mar


Frase em ladino, cit in Breviário Mediterrânico

4º dia - Continuar a trabalhar sobre o Vale de Alcântara, Lisboa


E hoje a conferência foi de Gonçalo Byrne sobre os seus projectos em Lisboa

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Quinta-feira, Julho 30

Fine lavoro ...



Há momentos que, como se tratasse de magia, se cruzam o Mediterrâneo com o Atlântico Sul e, a propósito de Lisboa, se encontram nesta fantástica plataforma do Mundo os afectos e o trabalho como se de uma trama extraordinária se tratasse.

Olá Irina (do Sul); olá Susana; olá António e olá Giorgio.

Olá a todos os outros.




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Quarta-feira, Julho 29

João Gomes da Silva - hoje ouvimos falar de como se pode olhar a cidade com várias luzes, matizes, sons, topografias, poesia e vegetação



João Gomes da Silva
Arquitecto Paisagista
Nascido em Lisboa, 1962

Global Arquitectura Paisagista, Lda


Apresentou o projecto de reabilitação dos jardins do Palácio de Belém, dos jardins de Macau; Goa; África (Garcia da Horta), na Expo, e da nova ciclovia de Lisboa Cais do Sodré/Belém e do poema «O Rio da minha Aldeia» de Alberto Caeiro inscrito no chão.


"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia" Alberto Caeiro


Mas mais logo lhe voltarei

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Terça-feira, Julho 28

2º dia

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Lavoro a Lisbona ...






Segunda-feira, Julho 27

RIFARE PAESAGGI. LA VALLE CENTRALE DI LISBONA


ollolai - e oiça os tenores de Bitti, Sardenha

Storie di Sardi - Geografias do mundo: Giorgio Peghin































Giorgio Peghin
Nato a Sassari 1965
Habita in Alguero
Architetto
Professore Universitat de Cagliari

Alguero é uma cidade no Norte da Sardenha onde se fala catalão desde o Século XVI, fruto de "propriedades" políticas que provocaram que essa região tivesse estado sob o controlo da Catalunha.
A língua é um Catalão medieval já com misturas de Sardo.

A família de Giorgio é proprietária de umas minas em Algar (local da célebre cultura Algárica - ALGHERESE -), no mesmo local onde na Pré-História se desenvolveu a cultura Nurágica que produziu as célebres figuras femininas da fertilidade.
Diz-se que destas minas, ainda em laboração, provém o metal com que foi construída a Loba Capitolina.

O que, para nós, seria do domínio da quase ficção, para os Sardos trata-se apenas das suas raízes familiares!

A domani Giorgio.

Para a troca de me teres dado a conhecer os tenores de Urzulei e a música do teu irmão, levas agora contigo o Fado da Madragoa, ou, quem sabe, a Canção de Lisboa, ou ainda «La luna ...» cantada pela Anabela Duarte.

Giorgio Peghin e Antonella Sanna: Carbonia - Citá del Novecento. A história de uma cidade fascista da "utopia autoritária" e mineira.


Ciao Giorgio Peghin.

Carbonia é uma cidade da Sardenha, construída ex-nuovo, nos anos quarenta do século XX.

A sua origem, como o nome indica, deve-se à importância do carvão, cuja exploração data do século XIX.

De malha ortogonal e conceito racionalista, como aconteceu na maioria das cidades de fundação nova dessa geração, teve traçado urbanístico de Saverio Muratori e nela se implicaram muitos e célebres arquitectos italianos.

Como diz Antonello Sanna na Introdução do livro, ali se gera «un primo livello di quella specifica diallettica tra locale e sovra locale, quella particolare compressione dello spazio e del tempo che sovrappone senza soluzione di continuità i paesaggi storici i "nuovi paesaggi industriale" contemporanei Carbonia e il suo contesto territoriale appaino in definitiva como il prodotto di un progetto di transformazione di grande forza e suggestione, razionale e radicale; ma anche di una modernizzazione "imperfetta" e soprattutto interrotta, fatta di trame che appaiono ormai episodiche e non coese, como se mancasse loro la particolare densità e coerenze delle aree di antica e prima industralizzazione. In definitiva, Carbonia ha tutta la suggestione (inquietante) di una "colonia autoctona", nella quale si può sperimentare una specifica condizione di sospensione culturale e antropologica, quella generata dal confronto ravvicinato tra la lunga durata dal paesaggio locale, con le sue dominanto ambientali, e lo scarto sapazio-temporale del nuovo progetto insediativo».

Domingo, Julho 26

Bom Domingo




Natália Correia (de novo)


Ser navegador ... Ser navegador

Não é termos sido é sermos ainda

É irmos a Vénus ou seja onde for

Espetar os cornos onde o espaço finda.


É haver Camões como uma revolta

E haver Gil Vicente como um desafio

A esse Encoberto que nunca mais volta

Porque é o pretexto do nosso vazio.


(...)


É a Liberdade como a luz para onde

Corre a alegria da cabra

E o povo é a sede e a Pátria é a fonte

Trabalho do sangue que não mais acaba.


Natália Correia, Poemas a Rebate

No Braço de Prata: Os KASUTERA




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O fim de semana é para descansar ...



quem sabe, para olhar um pouco mais para nós ....
ganhar balanço para nova história contar!

(dedico esta edição a quem inventou os "cadernos de campo" dos arqueólogos, pois tanto me têm influenciado ao logo do tempo que tem existido este blogue).

Sexta-feira, Julho 24

Obrigada Blé pela tua coragem de ser MULHER!



Uma das melhores frases que li nos últimos tempos:

"Fuzilem-me! Não me mato, nem me suicido (nem me escondo, nem me demito de viver, diria eu). Aguentem"!

(Blé Guimarães)
Sei que entendeste o meu grito ...

Eco, Christina Georgina Rossetti


Vem até mim no silêncio da noite,
Vem no silêncio sussurrante de um sonho,
Vem com faces cheias e doces e olhos brilhantes
Como a luz do sol num regato,
Vem de volta em lágrimas
Oh! memória, esperança, amor de anos findos.
(...)
Mas vem até mim em sonhos, para que possa de novo viver
A minha vida verdadeira, embora fria na morte
Vem de volta para mim em sonhos, para que possa dar
Pulsar por pulsar, alento por alento:
Fala baixinho, inclina-te mais
Como há tanto tempo, meu amor, há quanto tempo.
C.G.R. in Os Pré-Rafaelitas - Antologia Poética, Poemário, 2009, Assírio & Alvim

Porque pode ser a «Mentira» um pecado capital? (reeditado)

Estando-se já em pré-campanha eleitoral, e reconhecendo-se. com justeza ou sem ela, que a mentira é identificada como um atributo dos políticos para que, deste modo, exerçam sobre os outros uma forma específica de poder, mas sendo, também ela tão presente na vida do comum dos mortais, usada como sustentáculo da maioria das relações, aproveito o período das férias, onde tantos simulacros de paraíso e de prestígio social ou de bem estar se projectam, para fazer um repto: pensar a mentira, como mais um exercício de prepotência de alguns que sobre os outros (os que acreditam e os que, mentindo também, num processo de mimético, fazem crer que acreditam).

Porque poderia a Mentira ser um pecado capital? Porque, efectivamente, pode enformar, moldar todos os outros "pecados capitais", transmutando-se de forma substantiva em forma adjectival de todos eles?

Porque não serão a Soberba, a Luxúria, a Ira ... tantas vezes senão meras subsidiárias da «Mentira»? Ou sua consequência?

E, contudo, nada pode envenenar mais a vida do que a «Mentira» ou a «Não Palavra». Não digo a Palavra Não Dita, ou a omissão, mas, a «não Palavra», enquanto isso mesmo, enquanto o contrário do que é.

A mentira é o pecado por excelência, tendo sempre por companheira a cobardia, a desonestidade, a vaidade de se querer ser o que não se é, ou pânico do confronto de nós para nós!

E a dúvida, mãe da descrença, não será também ela senão filha da ausência da "Palavra" ou da "Mentira"? E com ela, da ausência do gesto?

A mentira pode fazer elouquecer!
Deveria ser punível como outra coisa qualquer - é o roubo da alma de quem nela crê.

Não obstante, ao mentir, é a nós próprios que estamos a enganar. É a nós que estamos a falsear.

E, apesar de tudo, há quem se disponha sempre a acreditar na mentira, porque dela lhe advém algum prazer especial, algum proveito ou, pura simplesmente, porque gosta de ser enganado e assim poderá enganar também.

Por isso até o Senhor, O Senhor da Palavra e da Crença, precisou do valor da palavra e do gesto e disse « Por que estais aflitos e por que se levantam dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, porque um espírito não tem carne e ossos assim como observais que eu tenho. (e dizendo isto mostrou-lhes as suas mãos e seus pés). (...) Disse-lhes então: "Estas são as minhas palavras de que vos falei enquanto ainda estava convosco, que todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos profetas, e nos Salmos, a respeito de mim, têm de se cumprir" (...) haveis de ser testemunhas destas coisas (Lucas 24:39). Sagradas Escrituras.

Que o Sol, o Sal e a Luz lavem as mentiras que, tantas, tantas, pelo Mundo há!
E que o retorno das férias traga uma depuração especial.

Andy Warhol








E depois, minha querida,


foi tudo como


um conto de fadas


Amor, Amor, Amor, Andy Warhol





Quinta-feira, Julho 23

Bom dia manhã!

Oh Tempo, diz ao Tempo que nem sempre as horas são contadas
como ele as quer contar ...
8x3=24
3x8=24
24:3=8
24:8=3
???

Oh tempo, diz ao tempo

Que, em cada torrão de terra, há uma história milenar de gentes para contar ...
Tanta memória enterrada ou por desenterrar?

Tempo


Oh Tempo, diz ao Tempo que o Tempo não existe, quando há tantas coisas para narrar ...

Quarta-feira, Julho 22

Oh Tempo ...

Oh tempo, diz ao Tempo que as horas têm minutos
mas há um segundo que pode ser o limiar entre o cá o lá
o limite do meu querer, do meu sonhar, do meu viver.
Ainda a ti PP, pelas histórias que te soube contar.

Let's be alive

Pouca é a distância entre a vida e a morte
O caminho - ponte entre o mundo de baixo
e o azul celeste -
é mais curto que o caminho daqui até lá baixo.
O mesmo que entre a vida e a morte.
Poemas Ameríndios
(mudados para Português por Herberto Helder,
Poemário 2009, Assírio & Alvim)

Segunda-feira, Julho 20

Let´s dance

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É bom regressar a casa ...

E encontrar os nossos lugares usuais ...



E faz-se magia.
(...)
O mistério
desaparecera,
mas o
espanto
só agora começava.
Amor, Amor, Amor, Andy Warhol.

E se algum dia encontrassem esta palavra aposta ao que escrevem ou imposta ao que dizem, sentem ou fazem?


Como reagiriam?
Vale a pena reflectir no que de censura ainda nos bate à porta, tanto a ainda possa residir dentro de nós ou a que nos querem fazer sentir, sob forma de pressão, porque nem sempre dizemos ou fazemos o que a alguns convém!
É este o meu repto de início de semana.
E pensar que, com censura ou sem ela,
«A mente que se abre a uma ideia nova jamais volta ao tamanho original», Albert Einstein
e, face a isso, nenhuma clausura conseguirá o que quer! ...

Há mar e mar ... há ir e voltar

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A semana vai começar, mas a Faro quero voltar .




Ruínas de Milreu

Domingo, Julho 19

E, se estiver em Faro, vá também às Ruínas de Milreu e ao Palácio de Estói


Milreu teve ocupação romana, medieval, dos séculos VI ao X, e moderna.
A zona residencial hoje visitável, que se desenvolve em torno de um peristilo com colunas, foi uma reestruturação do século III, quando a casa é embelezada com mosaicos polícromos, muitos deles com alusões à fauna marítima.
As termas estão ainda com um elevado grau de conservação e nelas se podem encontrar os compartimentos usuais: frigidarium, tepidarium e caldarium.
No século IV é edificado um templo dedicado a divindades aquáticas.
Os proprietários desta uilla eram certamente muito influentes, porque na casa apareceu estatuária de imperadores e familiares, a exemplo da estátua de Agripina que aqui publicámos.
E no Palácio de Estói, casa senhorial como Milreu, mas edificado no século XIX e recentemente transformado em Pousada, outro tanto há para descobrir, nomeadamente os seus jardins e interessante estatuária.

Sexta-feira, Julho 17

Há mar e mares: Ainda o Breviário Mediterrânico


Aqui onde se cruzam mares, o Atlântico, que sobre si próprio nunca se fecha, e o Mediterrâneo que, mesmo ali ao lado, em Gibraltar, se finda ou se estrangula, relembrei um dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos : « O Breviário Mediterrânico».
Aqui, neste lugar, onde se cruza também a alfarrobeira e a oliveira; o limoeiro, a tamareira e o medronheiro, aqui, onde se desfecham ondas dos dois mares, e perto restam enterrados os vestígios da 2ª Idade do Ferro de Tartessos, que nunca perdeu as relações comerciais com vários povos mediterrânicos, e dos Romanos da cidade de Ossonoba, que aqui chegaram a partir do século III a.C., ou das cidades de Balsa, onde parece ter havido também um circo, ou de Lacóbriga, dos influentes proprietários da uilla de Milreu e do Cerro da Vila, mas também os Árabes de Faro, de Loulé, de Paderne, de Silves, Tavira, de Vila Moura ou de tantos, tantos, outros lugares, reli-o, e lembrei-me o que no livro admirei: a capacidade de fazer tempo sem tempo; de inventar geografias e políticas com valor universal, sem, contudo, se prenderem a um espaço, ou a um lugar de preconceitos.

Hoje, com a alegria de quem consegue sentir que o apego não é senão a angústia, o medo de perder, o livro vai mudar de mão.


Mas, antes disso, não resisto a citá-lo:

«Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba, tanto em terra como no mar. (...) Os sábios da Antiguidade ensinavam que os confins do Medirrenâneo se situam onde a oliveira se detém ...

As suas fronteiras não se inscrevem nem no espaço, nem no tempo. Não vemos como determiná-las, nem em função de quê. Não são históricas, nem étnicas, nem nacionais, nem estatais: círculo de giz que se traça e se apaga constantemente, que ondas e ventos, obras e inspirações alargam ou restringem».

Será que o Mediterrâneo não vem até aqui, afinal?


Ao JVM que o Algarve viu nascer; aos seus filhos.

À sua mãe, pelo melhor arroz de polvo que comi nos últimos tempos.

ET: Se puder ir a Faro, vá ver a exposição «Caminhos do Algarve Romano» que está visitável no Museu Municipal de Faro. Reveja ainda a fabulosa estátua de Agripina, deMilreu, e oiça falar da cidade de Ossonoba, do seu forum e edifícios públicos, da sua organização urbana.

Recomendo ainda a consulta de:
«Alvarve: Noventa Séculos entre a Serra e o Mar».
«Gentes do mar e da terra», in PAULO (Dália) [coord.], Caminhos do Algarve Romano, Câmara Municipal de Faro (Museu Municipal), 2005, p. 21-25. ISBN: 972-8776-01-2. - http://hdl.handle.net/10316/10478


Imagens: Agripina, Museu de Faro
Museu Municipal de Faro.

Tempo

Dizem sempre que o tempo muda as coisas,
mas na verdade,

nós próprios
é que temos
de mudá-las.


Andy Warhol, Anjos, Anjos, Anjos

Andy Warhol







Toda a gente

tem problemas,


Mas a questão é

não fazermos um problema

do nosso

Problema.


Anjos, Anjos, Anjos, Andy Warhol

Quinta-feira, Julho 16

Rumar ao Sul ... e as cores olhar


deixarmo-nos estar

a ver como os dias podem ter tantas feições


Mas

só podemos viver a vida

num sítio

de cada vez


e

É necessário que as pequenas coisas

que habitualmente nos aborrecem

nos possam subitamente entusiasmar.


AMOR, AMOR, AMOR, Andy Warhol

E quem diz que trabalhar, mudando de lugar, não pode ser uma forma de descansar?



Rever os lugares que conhecemos bem ...
E ver que a nossa oliveira ainda está no mesmo lugar!

Quarta-feira, Julho 15

Let's walk, let's talk about work, about life?






Let´s go to the North, or to the South?
Let´s see us ...
Let´s be alive!
(Thanks for existing, for beeing Cris. See you ...)




Os Lugares de Espectáculo na Antiguidade: Nimes e Arles (reed.)



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Sobre os Lugares de Espectáculo na Antiguidade ver: «LVDI ROMANI» Trinidad Nogales Basarrate, Edición Museo Nacional de Arte Romano, Mérida, 2002
Esta obra, integrada num conjunto mais vasto de edições cuja finalidade foi dar a conhecer o universo lúdico em período romano, funcionou como catálogo de uma exposição realizada no Museu Nacional de Arte Romano em Mérida sob o título «Ludi Romani. Espectáculos en Hispania romana», tendo sido possível estabelecer um íntimo diálogo entre os objectos encontrados em escavações que se encontram dispersos em vários museus e os espaços originais, uma vez que, na capital da Lusitânia, existiam edifícios de espectáculos – teatro e anfiteatro –, monumentos esses ainda hoje visitados e utilizados como tal, a exemplo do seu teatro. Num artigo, «La fonction politique des monuments du Spectacle», Pierre Gross regressa à análise dos espaços de espectáculo em Roma enquanto parte fundamental de uma “topografia processional” ou dos Sacra Augustalia que, indissociável dos santuários e das divindades protectoras, garantem a salus imperial. Aborda ainda os lugares de espectáculo como locais onde se organiza o “o contacto codificado entre os representantes do poder (...) e os administrados”, ou seja, atribui ao local onde se desenrolam os Ludi um papel de “topos de identificação”. Num outro artigo, Jonathan Edmondson introduz-nos aos aspectos sociais romanos e à relação com os espectáculos públicos, para os quais, desde a República, havia normas relativamente aos lugares ocupados pelas diferentes classes e estatutos. As transformações efectuadas por Augusto e a legislação produzida relativamente à hierarquização dos lugares onde se podia assistir aos espectáculos acentuou uma maior separação entre as várias ordines. As representações teatrais (ludi scaenici), as corridas de cavalos (ludi circenses) e as lutas de gladiadores (munera gladiatoria) são, portanto, muito mais do que meros entretenimentos públicos, oportunidades ideais para testar o equilíbrio entre as várias classes e componentes da vida social romana e para reafirmar o poder das elites que são, afinal, os verdadeiros mecenas/evergetas. São também grandes veículos da organização social para as novas províncias e municípios romanos. Através dos mosaicos hispânicos, é analisada nesta obra a popularidade que os espectáculos tinham na Península Ibérica. As corridas de cavalos são tema de inúmeras representações em mosaicos e pinturas hispânicas, sendo os mosaicos mais conhecidos e mais bem conservados os provenientes de Barcelona e de Bell-Lloch (Gerona). A popularidade que as corridas tinham é atestada pelos inúmeros circos, podendo citar-se entre os mais monumentais o de Tarragona, o de Toledo e o de Mérida. Alguns mosaicos representam cavalos isolados, como é o caso dos que foram encontrados na uilla romana de Torre de Palma, em Portugal, onde surgem engalanados e com o os nomes. Em contrapartida, os combates de gladiadores são pouco representados em mosaicos da Hispânia, podendo, apesar dessa omissão, concluir-se, a avaliar pela quantidade de anfiteatros edificados e por algumas inscrições conhecidas, que foi um espectáculo bastante apreciado. Três mosaicos representando cenas ligadas ao teatro confirmam o interesse pelo espectáculo na Hispânia, bem como a iconografia ligada às Musas, protectoras das artes cénicas, que são tema dos exemplares musivários de Mocada, Itálica, Torralba, Arroniz, Mérida e Torre de Palma. Os inúmeros teatros na Hispânia confirmam a popularidade deste espectáculo desde o começo do Império. Alguns exemplares indicam também o apreço por lutas de pugilistas, como são os casos de Mérida e de Herrara, Sevilha. Julián González, que assina o artigo «Leis, espectáculos e espectadores em Roma», tece neste trabalho múltiplas considerações sobre a estratificação social e a forma como, ao longo do tempo, as várias ordini se dispunham no interior dos recintos de espectáculo, reflectindo a própria organização da sociedade. Augusto, que legislou sobre a distribuição dos espectadores nos locais públicos tendo em atenção a sua condição social, reforçou com esse tipo de medidas a reorganização que pretendia levar a cabo e que, do seu ponto de vista, as guerras civis haviam contribuído para adulterar. Promoveu também a separação de homens e mulheres na assistência, tendo mesmo pretendido inibir as mulheres de frequentar certos espectáculos públicos. De acordo com a sua ideologia militarista, Augusto proporcionou aos soldados lugares especiais na assistência. Relativamente à arquitectura dos locais de espectáculo – teatros, anfiteatros e circos – Sebastián Ramallo Asensio faz um périplo sobre os que se construíram na Hispânia, caracterizando-os. Os teatros, que proliferaram a partir de Augusto e na época flávia, foram mais uma das manifestações do processo de urbanização que se inicia com César. Representam também um símbolo da romanidade, pois permitiam reunir toda a comunidade de forma ordenada e hierarquizada num local fechado, presidido pelas imagens do imperador e de sua família. Participaram assim da introdução dos cultos dinásticos e do imperador. O autor dedica-se neste artigo a questionar as motivações que contribuem para que, a partir do século II a.C., a monumentalidade e o aparato cénico dos teatros seja cada vez mais notória na Península Itálica e que, na Hispânia, vai ter obviamente os reflexos. Dentro dessa tendência monumentalizante dos inícios do Império pode referir-se o exemplo Cartagena que é o mais antigo teatro onde se verifica a marmorização, que na Península Ibérica não teve a mesma expressão que na Itálica. Através da decoração ornamental, mais especificamente da escultórica, e ainda dos programas epigráficos desenvolvidos no teatro, a comunidade manifestava a sua adesão à casa imperial, como se pode verificar em Mérida e Tarragona, e proclamava o papel dos mecenas (evergetas) na construção ou remodelação dos edifícios públicos.



No que respeita ao anfiteatro, considerado um dos edifícios mais característicos da arquitectura romana e que se afirma em Roma desde o século II/inícios do I a. C. como edifício permanente, foi edificado na Hispânia um emblemático e pioneiro exemplar com características monumentais, datado de 8-7 a. C.,que é o de Emerita Augusta. Tal como nos teatros, os programas escultóricos e epigráficos dos anfiteatros traduzem a actividade evergética das elites e espelham a vida social e cultural romana. Por sua vez, os circos parecem ter tido na Hispânia uma expressão mais reduzida relativamente aos outros edifícios de espectáculo, tendo alcançado uma maior difusão a partir dos séculos II/III d. C. Um interessante artigo da autoria de Alberto Ceballhos Hornero faz uma aproximação aos profissionais que participavam nos espectáculos públicos, através da análise de epitáfios hispanos, bem como à representatividade e imagem social que cada um deles tinha na vida romana. Introduz-nos ainda no “mercado empresarial” ligado aos ludi, uma vez que muitos dos profissionais faziam parte de companhias especializadas ou de coorporações: os gladiadores às familiae gladiatoriae; os aurigas às factiones circenses e os actores às greges scaenici. Os aurigas ou agitadores eram os profissionais mais cotados, até tendo em atenção a perigosidade do espectáculo e o apreço que a sociedade romana lhe dedicava. Os combates de gladiadores, se bem que também muito apreciados, não eram tão usuais, pois implicavam grandes custos. Na Hispânia são conhecidos cerca de vinte epitáfios de gladiadores, sendo a sua maioritariamente encontrados em Córdova, onde se devem ter realizado festejos excepcionais na época de Trajano, maioritariamente escravos e libertos. Nemesis era a protectora da maioria dos anfiteatros das províncias Ocidentais, atestando-se a existência de ex-votos consagrados a esta divindade em Itálica, Tarragona e Mérida. Os ludi scaenici eram os espectáculos mais económicos, porque os actores eram genericamente mal pagos e a sociedade romana tinha deles uma imagem de algum modo depreciativa. A música desempenhava um papel crucial em quase todos os espectáculos, com principal importância nos teatrais, sendo, contudo, a origem da maioria dos seus profissionais de origem servil. Dedicado «Sociedade, espectáculos e evergetismo na Hispânia» é o artigo de Enrique Melchior Gil e Juan Francisco Rodríguez Neila. Este trabalho, de enorme interesse para o melhor conhecimento do ambiente social dos jogos e dos seus promotores na Hispânia, releva alguns dos aspectos propagandísticos dos ludi e os modelos do financiamento público (edilício) e privado na sua organização. Dedicando-se ainda a analisar a forma e periodicidade com que se organizavam os espectáculos públicos, os autores referem a existência de ludi oficiais na Hispânia, consagrados à Tríade Capitolina, desde finais da República. Os ludi oficiais eram custeados, em grande parte, pelas summa honoraria, que os magistrados forçosamente tinham que pagar ao município, e ainda através do envolvimento dos privados ou evergetas. No entanto, é conhecido que, a partir da época imperial, se realizam muitos outros espectáculos realizados fora do âmbito oficial e regulamentar, os “ludi livres”, para os quais os evergetas que os financiavam, obtida a respectiva autorização da cúria, podiam estipular datas para a sua reliazação. Com estas celebrações os evergetas pretendiam obter uma popularidade e prestígio que depois se traduzisse politicamente, ou mesmo, como parece acontecer nos casos atestados epigraficamente na Hispânia, para agradecer publicamente o facto de terem podido culminar as suas carreiras na administração local. Deste modo, as famílias de notáveis colaboravam também para a notoriedade dos seus descendentes. Também há casos de outras pessoas de condição livre que com a organização de ludi pretenderam conseguir mais prestígio, ou que haviam feito promessas, sendo os espectáculos realizados ob honorem, e de libertos enriquecidos que, deste modo, tentavam obter insígnias ou privilégios reservados aos membros da ordo decurionum. Na Hispânia grande parte dos ludi livres realizados, corresponderam a dias em que um mecenas ofereceu à comunidade um edifício público ou uma estátua, sendo a maioria dos atestados epigraficamente datáveis do século II ou inícios do século III. Os ofertantes tratam-se de pessoas que haviam desempenhado magistraturas ou sacerdócios (23 casos, entre os 42 ludi livres organizados por particulares) ou que ainda as desempenhavam, sendo notória uma clara intenção de se associarem ao culto imperial. Pese os autores incluírem no seu artigo uma referência à inscrição de Balsa, não resistimos a referir que valeria a pena ter feito uma reflexão em torno da célebre inscrição de Esculápio, de proveniência desconhecida, mas que muito provavelmente seria oriunda de Miróbriga, onde um medicus oferece a realização de espectáculos no circo dessa cidade. Finalizando as reflexões desta obra, César Vidal faz um artigo sobre «Os ludi na literatura e no cinema» e Ramón Teja escreve sobre «Espectáculos e Mundo Tardio na Hispânia». Este autor dá-nos conta como gradualmente se processou a decadência dos espectáculos na Antiguidade Tardia e de eu forma alguns escritores cristãos contribuíram para os associar a manifestações imorais, um pouco na senda de Tertuliano, pese a sua obra ser do século II. No entanto, e se bem que em muitas cidades a população continuasse a frequentar os locais de espectáculo, mesmo a cristianizada, em pleno século IV, é um facto que, na maioria, entram em decadência. Na Hispânia essa decadência é notória e arqueologicamente comprovada, até porque a maioria dos materiais de construção com que estavam edificados os recintos de espectáculo é reutilizada noutro tipo de obras. Apenas o teatro de Córdova, o circo de Tarragona e a tríade de Mérida (teatro, anfiteatro e circo) parecem ter continuado a funcionar, tendo havido mesmo obras de beneficiação nos edifícios emeritenses e no anfiteatro de Tarragona, no século IV.
Vale, contudo, a pena conhecer na Gália os grandes teatros, anfiteatros e arena de Nimes e Arles onde ainda hoje se organizam, tal como acontece em Mérida, espectáculos de vários tipos. F.B.






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Marinheiro, Fernando Pessoa (reed.)



( A Noite, diria eu ...)

Primeira (irmã) - (...) Breve raiará o dia e arrepender-nos-emos ... Com a luz os sonhos adormecem ... O passado não é senão um sonho ... De resto, nem sei o que não é um sonho ... Se olho para o presente com muita atenção, parece-me que ele já passou ...
O que é qualquer cousa? Como é que ela passa? ... Ah, falemos, minhas irmãs, falemos todas juntas ... O silêncio começa a tomar corpo, começa a ser cousa ... Sinto-o envolver-me como uma névoa ... Ah, falai, falai!...



















Segunda - As mãos não são verdadeiras nem reais ... São mistérios que habitam na nossa vida ... às vezes, quando fito as minhas mãos, tenho medo de Deus ... Não há vento que mova as chamas das velas, e olhai, elas movem-se ... Para onde se inclinam elas? ... Que pena se alguém pudesse responder! ... Sinto-me desejosa de ouvir músicas bárbaras que devem estar tocando em palácios de outros continentes ... É sempre longe da minha alma ... talvez porque, quando criança, corri atrás das ondas à beira-mar. Levei a vida pela mão entre rochedos, maré-baixa, quando o mar parece ter cruzado as mãos sobre o peito e ter adormecido como uma estátua de anjo que nunca mais ninguém olhasse ...

Marinheiro, Fernando Pessoa

Terça-feira, Julho 14

UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta

Tertúlia «Manifesto Feminista», na próxima Sexta-feira

Desconhecia hoje, pela madrugada, quando fiz o meu manifesto, que a ULMAR, União de Mulheres, Alternativa e Resposta, ia organizar, na próxima sexta-feira, pelas 19h, uma tertúlia sob o tema genérico «Manifesto Feminista».

A mesma terá lugar no Colectivo Cultural o Bacalhoeiro, na Rua dos Bacalhoeiros, nº 125, Lisboa.

Para a consulta do Manifesto, remeto para : http://acidadedasmulheres.blogspot.com/.

Segunda-feira, Julho 13

Esta violência existe de facto ... abaixo a violência doméstica!









Existe na verdade e existe como "promessa", ou ainda como forma de admoestação !
Mas, reitero o que aqui já escrevi neste Luar, existe também a violência psicológica, cujos efeitos são tão nocivos ou mais: a violência dos manipuladores emocionais que, tantas vezes, arrastam as suas "presas" para processos de perda de auto-estima, que, embora com menor visibilidade do que os "frutos" da violência física, são tão gravosos ou ainda mais.


Acção, Joana Bagulho


Acção na LX factory
Joana Bagulho- cravo
Lx factory

Music/Arts - Concert

Start Time:
Wednesday, July 15, 2009 at 11:00pm
End Time:
Thursday, July 16, 2009 at 11:30am
Location:
LX Factory- Sala das colunas
Description
ACÇÃO é um espectáculo / concerto de Joana Bagulho, a partir de transcrições para cravo de peças de Carlos Paredes.

Informação obtida a partir de Facebook.
Obrigada Joana.

Exposição Portugal e o Mundo, Museu Nacional de Arte Antiga


Sorria, mas não perca a atenção ... a semana de labuta está a começar


Domingo, Julho 12

Mas desta vez vou ver o mar ...





Mergulhar e o corpo salgar!
Até tudo esquecer, até tudo lembrar.
Ver as ondas suaves rebentar. Apenas descansar.

Lisboa tem o rio e tem o mar ...


O Universo é um ruído a converter-se em harmonia,
um corpo a mostrar a alma.
Aforismos, Teixeira de Pascoais

E que tal ir ver outros lugares?



Há dias que até os mercados (hiper) e feiras podem ser uns bons lugares para passear ...

Sexta-feira, Julho 10

Ora vamos ver o mar? Mergulhar?




Esta Lisboa que eu amo - III (reed.)



Lenda de Lisboa















Ora conta a lenda que a costa que hoje é a de Lisboa, tinha um estranho nome: Ofiusa -que quer dizer "Terra de Serpentes". As serpentes tinham a sua rainha. Uma rainha muito estranha, metade mulher, metade serpente...senhora de um olhar feiticeiro, e de uma voz muito meiga.

Às vezes, esta estranha rainha subia ao alto de um monte e gritava ao vento, só para que pudesse ouvir a sua própria voz:

"Este é o meu reino ! Só eu governo aqui, mais ninguém! Nenhum ser humano se atreverá a pôr aqui os pés: ai de quem ousar!Pois as minhas serpentes, não o deixarão respirar um minuto sequer!".

De facto, durante muito tempo, ser humano nenhum se aventurou a desembarcar nesta costa que ela pensava que estaria amaldiçoada pelos deuses e também pelos homens.

Porém um dia, vindo de muito longe, um herói lendário chamado Ulisses, famoso pelas suas aventuras guerreiras, atracou na cidade.

Ficou deslumbrado com as belezas naturais que viu e ao desembarcar subiu a um monte, e com a sua máscula voz, gritou ao vento:

"Aqui edificarei a cidade mais bela do Universo ! E dar-lhe-ei o meu próprio nome: será a Ulisseia, capital do Mundo !"

E a sua profecia concretizou-se... e hoje, embora não tenha o nome dado pelo herói mitológico grego "Ulisseia", é uma das mais belas cidades do Mundo, e chama-se LISBOA.


Cit. a partir de http://lisboa.blogs.sapo.pt


ET: Apenas uma nota, quando se afirma no texto acima que Lisboa já não é Ulisseia, não é uma informação totalmente correcta. Há quem afirme que Lisboa seja uma corrupção de Ulisseia, que, no tempo dos Romanos, derivou para Olissipo e que originou o topónimo Lisboa.
No entanto, vale a pena retomar a história, como nos foi contada pela Monarchia Lusitana e pelos historiógrafos alcobacenses.
E mais ainda há quem afirme que as sete colinas mais não são do que nós da serpente...
mas há quem afirme qua a ocupação de sete colinas advém de uma relação com a fundação mítica de Roma, também ela cidade de sete colinas.

Mas independentemente desta proveniência lendária popular foi Frei Nicolau de Oliveira (...) empenhado em arranjar um paralelo apressado com a cidade de Roma que as referiu pela primeira vez no século XVII. Com o crescimento urbano, estendeu-se a outras elevações e, no século XVI, Damião de Góis já a descrevia espalhada por cinco colinas: Esperança, São Roque, Sant'Ana, Senhora do Monte (ou Santa Catarina do Monte Sínai) e Castelo (ou São Jorge).

cit. a partir de Wikipédia


Quanto a Ulisses, diz-se que:

Após a guerra de Tróia, Ulisses e os seus companheiros teriam sido surpreendidos por uma tempestade junto a Gibraltar, franqueado as Colunas de Hércules e rumado a norte, tendo sido os primeiros gregos a avistar as costas de França e de Inglaterra. Nessa viagem, no fim da qual encontrou a morte, uma das paragens do herói teria sido no estuário do Tejo, pelo que o antigo topónimo Olissipo teria precisamente o significado de «onde Ulisses passou». Trata-se de um dos mitos preferidos dos poetas portugueses da Renascença, ao qual Camões consagrou várias estrofes d’Os Lusíadas, e cujas referências remontam a um autor romano, Caius Julius Solinus, a quem se devem muitas outras lendas. O assunto foi tratado por Dante, que na sua Divina Comédia se refere à tempestade, mas que não acreditava que Ulisses tivesse passado o estreito de Gibraltar.

A descoberta de prováveis vestígios de um templo grego na colina junto ao Tejo fez com que os eruditos portugueses do séc. XIX recuperassem a lenda da fundação de Lisboa por Ulisses, pelo que a partir daí o mito passou a fazer parte da história da cidade. Contudo, que eu conheça, não existe nenhuma estátua em Lisboa dedicada a Ulisses.


Cit. a partir de http://insoniasoniricas.net

Se puder vá ao Museu de Arqueologia ver as suas exposições temporárias (reed.)




Uma delas sobre O Egipto ao tempo de Eca de Queiroz e outra sobre «A Quinta do Rouxinol - Uma olaria romana do Estuário do Tejo».

Uma vez mais me confrontei com esse grande caminho fluvial onde, já em época romana, se rentabilizaram todos os recursos.

Aqui, na Quinta do Rouxinol (Corroios, Seixal), relativamente perto do Ecomuseu Municipal do Seixal, situa-se uma olaria romana, onde dois fornos permitiram dar a conhecer uma diversificada tipologia de materiais cerâmicos dos séculos II ao V, a exemplo de elementos de construção, loiça de cozinha, ânforas e moldes de argila para fabrico de lucernas.




Vale a pena conhecer este Sítio Arqueológico que foi objecto de um programa de valorização e ver a exposição do MNA.

Sobre o Egipto de oitocentos darei conta em edição posterior.

Vamos conhecer melhor o Tejo em período romano?



Visita temática

ITINERÁRIO ROMANO - LISBOA

Lisboa, 11-07-2009

Descrição

Visita guiada a realizar no âmbito da exposição “Quinta do Rouxinol: uma olaria romana no estuário do Tejo (Corroios, Seixal)”, em exibição no Museu Nacional de Arqueologia, e de que já demos conta neste Luar, e que permite conhecer alguns importantes testemunhos patrimoniais da Época Romana em Lisboa, tais como o Castelo de S. Jorge, o claustro da Sé, o Museu do Teatro Romano, o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros e a Casa dos Bicos.

Inscrição (gratuita)

Ecomuseu Municipal do Seixal
Praça 1º de Maio, 1
2840-485 SEIXAL
Tel.: 210 976 112

Quinta-feira, Julho 9

Conheça melhor o Tejo


Ainda a propósito do Tejo e da sua ocupação em período romano, se puder vá à visita temática

À RODA DE ESTEIROS, SALGAS DE PEIXE E OLARIAS

Museu Nacional de Arqueologia e bote de fragata Baía do Seixal
Data
22-07-2009
Das 10h (partida do Moinho de Maré de Corroios) às 17h (regresso ao local de partida)


Descrição

Visita à exposição Quinta do Rouxinol, uma olaria romana no estuário do Tejo (Corroios, Seixal), em exibição no Museu Nacional de Arqueologia, complementada com um passeio no Tejo, entre Lisboa e Corroios, a bordo do bote de fragata Baía do Seixal.

Destinatários

público juvenil e adulto / famílias

Inscrição (gratuita)
E aproveite para conhecer os moinhos de maré.

Ecomuseu Municipal do Seixal
Praça 1º de Maio, 1
2840-485 SEIXAL
T: 210 976 112
Informação obtida a partir da Archport

Santa Catarina: daqui se vê o rio, o Tagus, ou o das Tágides de Camões ...



E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas,
Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene.
Luís de Camões in Os Lusíadas

Mãe, Almada Negreiros




Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela tua cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! E prometo saber viajar.

(...)

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros in Rosa do Mundo, Assírio & Alvim

Joana Villaverde (para relembrar)




Expo Je Vous Garde
Pavilhão Branco do Museu da Cidade, Campo Grande
9 de Julho - 30 Agosto

Quarta-feira, Julho 8

Caem as folhas, CUMMINGS




quando as serpentes regatearem o direito a colear
e o sol fizer greve para ganhar o salário mínimo -
quando os espinhos olharem as suas rosas alarmados
e os arco-íris estiverem seguros contra a velhice

quando um tordo não puder cantar nenhuma lua nova
se todas as corujas não tiverem aprovado a sua voz
- e qualquer onda assinar sobre a linha ponteada
senão um oceano é obrigado a fechar


E.E. CUMMINGS, XIX poemas
in Diário, 2008

E que tal ir ver o mar?



Sim, iremos ver o mar, mas até lá vamos inventá-lo noutro lugar!

«Donc, laquelle est ta femme»?

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A digressão do espectáculo «Donc, laquelle est ta femme?» que se previa iniciar em Évora, e que aqui havia sido anunciada, sofreu alterações de programação, de que darei conta em fase posterior.

Refira-se que o grupo de dança contemporânea Bia, que tenta trabalhar a música e dança tradicionais portuguesas, neste caso os Pauliteiros, pretende, através deste trabalho, chamar a atenção para os fenómenos de agressividade subjacentes a muitas relações de desejo/repulsa, que só se solvem através de uma espécie de "combate", aqui assumido, neste espectáculo, como uma luta ritual.

Pretendia-se que os espectáculos tivessem lugar em espaços ao ar livre e que pudessem funcionar como uma espécie de workshops com a participação do público.

Terça-feira, Julho 7

Rosa do Mundo


Da concepção o crescimento

Do crescimento a tumefaccção

Da tumefacção o pensamento

Do pensamento a recordação

Da recordação o desejo.


in Rosa do Mundo - 2001, Assírio & Alvim

Domingo, Julho 5

Viver


Há um momento a partir do qual a vida não pode ser adiada.

Ou se escolhe a dor, a loucura que traz a indecisão ou ser feliz ...

Mas para isso é preciso saber escolher e tudo recomeçar.

Estamos sempre a tempo de tudo reescrever.
E há momentos em que a página se tem que virar, porque ninguém nos pode pedir que prossigamos a vida pela metade ou escondidos de nós, a favor do que quer que seja.
Vai assim este Luar mudar, de novo, o seu sentido, o seu lugar, pois a novas "itinerâncias" e "Paragens" me vou dedicar.
E há uma enorme e densa história que tenho que saber contar!

A noite serenou em Cascais ...


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Sábado, Julho 4

E o fim de semana é para descansar: quem me dera ao Mediterrâneo e à Provence poder voltar





A noite está serena



Pena não se ver daqui o mar ...
Mas pode sempre imaginar-se como em outros lugares!

Quinta-feira, Julho 2

Encontro sobre Reutilização de Conjuntos Monásticos em Alcobaça




para ver o programa completo: www.igespar.pt

Ciclo de Cinema Documental no Museu Nacional de Etnologia


Nos dias 4 e 5 de Julho terá lugar no Museu Nacional de Etnologia o ciclo de cinema documental Entre África e Índia. Antropologia e imagem, com a apresentação de oito filmes de Ákos Östör, antropólogo e realizador.

Enquadrado na Summer School Lisbon 2009 do ISCTE-IUL/ Brown University, o filme Singing pictures é precedido de uma visita à exposição Pinturas cantadas: arte e performance das mulheres de Naya, às 14h de sábado, dia 4, e a sua apresentação e discussão são moderadas pela Professora Rosa Maria Perez, com a presença Ákos Östör e de Lina Fruzzetti
.

Informação obtida e citada a partir de:
Museu Nacional de Etnologia | Av.ª Ilha da Madeira, 1400-203 Lisboa | Tel: 21 304 11 60 |
Sítio: www.mnetnologia-ipmuseus.pt | Blogue: http://mnetnologia.blogspot.com |
E-mail: mnetnologia@ipmuseus.pt

Esta Lisboa que eu amo: a Expo - a António Mega Ferreira

Quem disse um dia que a poesia não lhe corria nas veias, certamente nunca poderia imaginar um lugar qualquer e muito menos a Expo. Obra de muitos, programa de tantos mais, tem um conceito na origem: na concepção está um dos homens que melhor trabalha a língua portuguesa, António Mega Ferreira.
Não é arquitecto, nem urbanista, nem paisagista nem engenheiro: é um poeta, um escritor.
E a Expo é como ele: um conceito grande, numa cidade maior; uma "Escrita na Paisagem".

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Quarta-feira, Julho 1

O MUNDO DOS MORTOS E DAS MOURAS ENCANTADAS


Por considerar do maior interesse a divulgação da presente obra, passo a citar a informação obtida a partir da Archport



Fernanda Frazão e Gabriela Morais propõem-nos uma viagem pelos mitos que envolvem a História de Portugal desde os seus primórdios pré-históricos.

Assim, num I volume, Portugal, Mundo dos Mortos e das Mouras Encantadas [Apenas Livros – www.apenas-livros.com –, ISBN: 978-989-618-246-5], datado de Maio p. p., depois de fazerem considerações gerais sobre lenda e a sua relação com o mito, esquadrinham as origens e traçam o enquadramento histórico e mítico das lendas das mouras encantadas; dão, desde já, conta da abrangência cronológica e geográfica do corpus que pretendem elaborar; debruçam-se sobre aspectos do Paleolítico Superior, do mito, do culto da fertilidade e sua relação com o totemismo e terminam (p. 38-57) numa panorâmica sobre o culto dos mortos e dos antepassados.



José d'Encarnação

Fotografia de Marvão gentilmente cedida por Joaquim Carvalho


Mas tu não podias saber
Tu andas nesta sala como um homem
o que para um deus é muito pouco
ainda que por louco alguns o tomem
Tu podias chegar às árvores mais altas
Cuspi-te apunhalei-te
com um punhal de gestos que me deste
e então depois acreditei em ti
que és única possível companhia
Gostava que viesses ter comigo
- mais um filólogo de longa vida -
com os teus pés descalços sobre a areia
Prestigitador do meu prestígio
ao menos fosses tu a sustentar-me o ser
Fui infeliz pela primeira vez
mas tu não podias saber
Saio de casa e levo sempre dois ou três cuidados
compro as noites de sono uma por uma
dou caça um por um aos meus fantasmas
e passo com a mesma perna coxa à mesma hora
sem suspeitar que tu anotas quando passo
(...)

Rui Belo



Barcos, que são formas esquivas,
cobrem a ria
oferecendo
a água da enchente a proa fina
São brancos quase todos
no princípio da
tarde a evidência da cal viva
.

Gastão Cruz, Crateras, in Poemário 2008, Assírio & Alvim

Lily Allen

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Que as ragas tragam ao dia o que a noite lhe roubou

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oiça a Buika ... oiça bem

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